terça-feira, março 22, 2005
Augusto Cabeda, da Rua da Costa, será o Velho da Bugiada da festa de S. João de Sobrado deste ano. Terá como guias Fernando Miranda, de Penido, e Manuel Leal, do Alto dos Foguetes.
Por sua vez, à frente dos Mourisqueiros, como Reimoeiro (de rei mouro) estará, em 2005, Mário Ferramenta, do Vilar, tendo como guias Vitorino Oliveira, da Lomba, e Pedro Vale, do Terreiro.
domingo, fevereiro 20, 2005
Com o objectivo de dar a conhecer elementos de referência sobre a Festa de S. João de Sobrado, aqui fica mais um:
"Contam-se pelos dedos as danças arcaicas...que sobrevivem com foros de autenticidade. Toda a restante coreografia reinante descende de velhos bailes, embora possa conservar, aqui e além, num ou noutro pormenor, restos de antigas figurações, ou reflexos de passos e atitudes, ademanes e combinações, próprios de danças cortesãs, que entraram de ser importadas nos alvores da Renascença. (...) Com personalidade de algum modo vincada (por assim dizer) subsistem mais [para além da Dança dos Paulitos]: a Dança dos Ferreiros, de Penafiel, a Mourisca do Sobrado de Valongo, a Dança do Rei David, de Braga, modificada no séc.XVIII pela vontade discricionária de um arcebispo que a 'renovou' a seu modo e gosto do teatro musicado espanhol de então - e a Dança de Genebres, de Lousa".
Mário de Sampaio Ribeiro, in A Arte Popular em Portugal, vol. II. p.376
domingo, janeiro 30, 2005


Pela via da máscara - e não só - a festa de S. João de Sobrado pode ver-se em ligação com outras tradições populares portuguesas, em particular a Festa de Rapazes, que persistem no Nordeste transmontano, em sítios tão diferentes como Podence, Ousilhão, Baçal, Varge ou Bemposta e que se estende desde a altura de Todos os Santos até ao Carnaval, passando pelo imprecindível Santo Estêvão.
António Pinelo Tiza acaba de publicar um estudo sobre estas tradições a que deu o título de Inverno Mágico - Ritos e Mistérios Transmontanos (Ed. Ésquilo, Lisboa, 2004) e que constitui uma aliciante viagem por um mundo relativamente ignorado.
Sobre as festas solsticiais transmontanas, escreve o autor: "
"Os rapazes assim metamorfoseados são os verdadeiros animadores da festa. Tornam-se figuras diabólicas e mágicas, sob a máscara de latão pintado ou de madeira, o colorido dos seus fatos , com fitas, campainhas e chocalhos à volta do corpo. São os 'caretos', dificilmente identificáveis, se não de todo impossível, a quem toda a sorte de disparates, tropelias e brincadeiras lhes é permitido fazer. O mascarado torna-se um ser superior, mágico e profético, diabo e sacerdote ao mesmo tempo".A única diferença relativamente a Sobrado, deste ponto de vista, é que aqui os ritos têm lugar no solstício de Verão .
(Créditos das fotos: a da esquerda e a da direita).
quinta-feira, janeiro 27, 2005
Eis a informação mais antiga que conheço sobre a festa sobradense da Bugiada. Não quer dizer que não haja mais antigas; certamente que as há; e , a seu tempo, verão a luz do dia. Esta vem publicada na importante obra Etnografia Portuguesa, de José leite Vasconcelos, no vol. VIII (p.409) e diz o seguinte:
"O S. João na freguesia de Sobrado, concelho de Valongo (apontamento enviado por Jerónimo Alves Barbosa, do Porto, em 8 de Novembro de 1882):
No dia 24 de Junho de todos os anos é este santo festejado na igreja paroquial da freguesia. Concorre ali gente en número espantoso, e até de grandes distâncias, mais com o propósito de presenciar o que os 'moços' aí fazem. Primeiramente dão um espectáculo a que chamam a 'dança do Menino', onde se apresentam vestidos de uma maneira digna de apreço. As falas são em verso. Terminada esta, começa imediatamente outra. Arranjam para ali doze ou dezasseis jumentos e aprestos de lavoura, como arados, grades, etc., com que principiam a lavrar. De resto, tendo praticado tudo como se fosse num campo, principiam a semear. Montam então os jumentos (mas voltados para a cauda do animal) e uns espalham pelo solo areia e excrementos de cabra, e outros fingem escrever em um papel, servindo de tinteiro o cu do animal. O final desta brincadeira sobressai com muito fogo de artifício e música. E a retirada das caravanas efectua-se num regozijo indescritível, tocando violas, dançando e cantando até suas casas"
O que se conclui desta descrição? É que ela refere, no essencial, aquilo que se passa na tarde da festa, no Passal, sensivelmente entre as 15 e as 16 horas. Nada aparece referido sobre as danças de Bugios e Mourisqueiros, sobre a Dança do Cego ou Sapateirada, sobre a Prisão do Velho, etc. Das duas uma: ou a pessoa que descreve foi um bocado ao arraial, depois do almoço, e conta apenas aquilo que viu; ou, nesse ano pelo menos, a festa não teve características idênticas àquelas que viríamos a conhecer posteriormente. De qualquer modo, aqui fica mais este registo.
sexta-feira, janeiro 21, 2005
Paulo Figueiredo e Marco Vaqueiro, ligados ao jornal mensal "Alô Sobrado" e à Associação Social e Cultural da freguesia, criaram o blogue Sobrado, para informar e debater sobre os problemas, iniciativas e património desta vila. O "Bugios e Mourisqueiros" congratula-se com a iniciativa e deseja aos promotores o maior sucesso.
A propósito: na edição deste mês do "Alô Sobrado", que evoca os cinco anos da publicação e a mudança de director do jornal, é feita a divulgação do endereço deste blogue e dos respectivos objectivos.
domingo, janeiro 16, 2005
Um leitor do Porto comentou o seguinte, a propósito da publicação da lista dos corpos gerentes da Associação da Casa do Bugio: "As coisas vão evoluindo, mas Sobrado continua patriarcal, hein??".
Julgo que o autor do comentário se refere ao facto de, à frente da Casa do Bugio, não existir uma única mulher. De facto, assim é e nada obriga a que assim seja. De resto, na última Assembleia da Associação, foi sublinhado o interesse e vantagem em que outras pessoas, nomeadamente mulheres, integrassem grupos de tarefas ou de projectos, necessários à vida da Associação.
Nesta festa, já foi um progresso as mulheres terem começado a assumir aquilo que de há muito se sabia: que havia bastantes que iam de bugio. Mas isso ainda não se traduziu no planlo das responsabilidades da festa (com excepção, quase, da confecção do "jantar" da manhã da festa - e percebe-se bem porquê!).
As coisas são como são. Mas as mentalidades mudam, ainda que lentamente.
quinta-feira, janeiro 13, 2005
É a seguinte a lista que assumiu em Setembro último a responsabilidade de conduzir a vida da Associação:
Direcção:
Presidente: António Almeida Moreira
1º Vice-presidente: António Pacheco Oliveira
2º Vice-presidente: Moisés António Moreira Gândara
1º Secretário: Rogério Manuel Almeida Coelho
2º Secretário: António Manuel Moreira Marques do Vale
Tesoureiro: Manuel Joaquim Moreira da Silva
Vogais:
- Manuel Joaquim da Silva Pinto
- Luís Ferreira Bento
- Manuel Augusto Espinheira Rocha
- Jorge Manuel Rocha da Silva
- António Fernando Moreira Gaspar
Assembleia Geral:
Presidente: Manuel António da Silva Pinto Suzano
Vice-Presidente: Fernando Manuel Moreira Dias
Secretário: António José Dias dos Santos
Conselho Fiscal:
Presidente: Manuel Fernando Almeida Coelho
Secretário: José Manuel Pacheco Oliveira
Relator: Abílio Fernando Alves Neves.
terça-feira, janeiro 04, 2005

Na Dança de Entrada e noutros momentos importantes ao longo do dia da Festa, a "orquestra" de violas e rabecas alterna com a banda de música no acompanhamento das danças. Na gravura, as violas utilizadas pela "orquestra", chamadas em Sobrado, indistintamente, braguesas ou ramaldeiras.
sábado, janeiro 01, 2005
Notícia de "O Vallonguense", nº1, de 29 de Junho de 1913:
"Realizou-se na passada terça-feira a festa de S. João Baptista. Houve as tradicionais danças dos 'Mouriscos e Bugios' sempre muito engraçadas e apimentadas. Não há meio de tirar esta antiga costumeira, tão enraizada está nos hábitos deste povo a quem chamam tolo; eu penso porém que mais tolos são aqueles que atravessando montes e vales o vêm apreciar. Tolos não, finos é que eles são, porque com suas artes pitorescas chamam grande número de forasteiros à sua terra".
sexta-feira, dezembro 24, 2004
A Festa de S. João de Sobrado inscreve-se nas festas que têm por temática as lutas entre cristãos e mouros. Mais uma achega, de um site brasileiro sobre cultura tradicional:
"Cristãos-e-Mouros: Luta simulada entre Cristãos e Mouros, representada por ocasião de festas religiosas ou acontecimento social de relevo. No Brasil eram vistas a cavalo as duas alas inimigas, como Saint-Hilaire assistiu em Minas Gerais, ou de pé, armados os castelos à beira-mar, como Henry Koster presenciou na ilha de Itamaracá. Em Portugal há menção desde o séc. XV, com incontáveis variantes, aparecendo as figuras de Carlos Magno, Oliveiros, Ferrabrás, o Almirante Balão, a princesa moura Floripes, etc. Mouriscada em Portugal. A velha mourisca portuguesa, como Bluteau registrou, não a tivemos no Brasil. “Compunha-se de muitos moços vestidos à mourisca, com seus broqueis e varas a modos de lanças, com o seu rei de alfanje na mão, e este dando o sinal se começava a travar, ao som do tambor, uma espécie de batalha”. Os mouros só intervêm no Brasil para enfrentar e perder ante os cristãos. Essa mourisca vinha das obrigações devidas pelos mouros forros em ocasião de festa e concorria em todas as solenidades, como se lê na Jornada de Nicolau Lanckmann, representante de Frederico III, nas núpcias com Dona Leonor, irmã de D. Afonso V de Portugal. (Monarquia Lusitana, tom. 6, fol. 16, col. ; Luciano Cordeiro, Uma Sobrinha do Infante, Lisboa, 1894). "
quinta-feira, dezembro 23, 2004
Os mais idosos de Sobrado ainda se lembram, certamente, de uma Bugiada com 100 Bugios ser uma festa grande. Poucos, se compararmos com a actualidade, em que esse número tem superado largamente o meio milhar.
Os documentso existentes permitem ter uma ideia da evolução da população da freguesia ao longo dos últimos 300 anos:
1623 - --- 349 habitantes
1706 - --- N/D (134 fogos)
1758 ---- 637
1862 ---- 1104
1890 ---- 1616
1911 ---- 1983
1930 ---- 2272
1950 ---- 3428
1970 ---- 4743
2001 ---- 6687
A fábrica da Balsa e, sobretudo, a da CIFA foram certamente factores de atracção e crescimento populacional.
(Dados apurados nas seguintes fontes: Catálogo do Bispado do Porto; Dicionário Coreográfico de Portugal, de Américo Costa, vol. XI, 1948; Estatísticas Parochiaes; Censos INE).
quarta-feira, dezembro 15, 2004
Estas lutas, que definem a parte mais saliente da festa de S. João de Sobrado, têm antecedentes antigos e surgiam (e ainda surgem, em algumas partes) em diversas festas peninsulares e, por arrastamento, nas ex-colónias portuguesas e castelhanas. Veja-se esta resenha de um site brasileiro, em que surgem menções à Bugiada:
"Luta simulada entre cristãos e mouros, representada por ocasião de festas religiosas ou acontecimento social de relevo. No Brasil eram vistas a cavalo as duas alas inimigas, como Saint-Hillaire assistiu em Minas Gerais, ou de pé, armados os castelos à beira-mar, como Henry Koster presenciou na ilha de Itamaracá. Não conheço registo brasileiro anterior ao século XVIII. Em Portugal há menção desde o século XV, com incontáveis variantes, aparecendo as figuras de Carlos Magno, Oliveiros, Ferrabrás, o almirante Balão, a princesa moura Floripes, etc. "
Continuação aqui.
Sobrado é uma freguesia elevada a vila em anos recentes. Viveu até há umas décadas atrás de uma agricultura produzida nas margens férteis do rio Ferreira que corre ali numa vasta agra plana, coberta de milharais na época do estio.
A festa que põe em cena a luta de entre Bugios e Mouriscos é tão antiga que muitos sobradenses crêem remontar ao tempo em que os mouros invadiram a Península. Os documentos conhecidos são escassos e não permitem recuar para além da segunda metade do século XIX. No entanto, a tradição é seguramente muito mais remota.
Uma das mais curiosas descrições que dela foram feitas deve-se ao diplomata Rodney Gallop que, no nício dos anos 30, esteve em Sobrado e escreveu um retrato pitoresco do que viu, na notável obra Portugal – a Book of Folk Ways, que consultei na Biblioteca Pública Municipal do Porto.
Uma das tarefas urgentes relacionadas com a Bugiada é a recolha sistemática e o tratamento cuidadoso da documentação existente, nos vários suportes em que se encontrar (impresso, áudio, audiovisual, fotográfico, etc).
sábado, novembro 27, 2004
A Comissão das Festas de S. João de Sobrado de 2005 organiza, no próximo dia 4 de Dezembro, às 19 horas, uma sarrabulhada que deverá juntar largas centenas de sobradenses e amigos da festa de bugios e mourisqueiros. A iniciativa terá lugar na Casa do Bugio e destina-se a proporcionar o convívio entre sobradenses e, ao mesmo tempo, angariar fundos para a festa. As marcações devem ser feitas junto dos elementos da Comissão (os maiores de 12 anos contribuem com 12,50 euros; abaixo disso o valor é de 5 euros).
segunda-feira, novembro 22, 2004
É o seguinte o teor da entrevista que a Direcção da Casa do Bugio concedeu ao mensário "Alô Sobrado" de Novembro:
P - Quais as principais razões que estiveram na origem da constituição desta lista?
R - Foi uma razão muito simples: a vontade de colaborar na dinamização da vida da Associação. Ao fazê-lo, o grupo de sobradenses que constituiu a lista tem consciência de que isso pode ser uma forma de contribuir para a valorização e projecção da Festa de S. João, que, no seu género, não tem paralelo em Portugal.
P - Há quem considere que todo este processo não foi o mais correcto e há quem fale mesmo numa "tomada de assalto". Que comentários lhes merecem?
Só haveria "tomada de assalto" se o processo não tivesse respeitado as regras democráticas e os estatutos da Associação. Foi a coisa mais natural que há: numa assembleia geral em que o assunto estava na agenda, houve uma lista que se apresentou e ganhou. Tão simples quanto isso. De resto, é importante que se diga que não faz parte da filosofia da Direcção eleita tomar o que quer que seja de assalto nem sequer manter-se à frente da Associação contra a vontade dos associados.
P - Como avaliam todo o processo que está para trás e que se arrasta há muitos anos sem grandes desenvolvimentos?
Os corpos gerentes que estiveram à frente da Associação tiveram o mérito de lançar as bases de um trabalho de que Sobrado precisava. Ninguém lhes pode retirar esse mérito. A Associação constituiu-se e arrancou-se com a construção do edifício da Casa do Bugio. Mas é sabido que, nos últimos anos, aconteceu a estagnação. Sentimos que era chegada a hora de um novo fôlego.
P - Em que situação se encontra a Casa do Bugio (edifício)? E que verba será necessária para terminar a obra?
Deve ser do conhecimento de muita gente que existem sérias deficiências no que respeita ao isolamento da cobertura da Casa do Bugio, o que faz com que o imóvel, que ainda não está pronto, já se esteja a degradar. Mas existem igualmente sinais de que a própria estrutura do edifício poderá estar com problemas. Por isso, a Direcção tomou a iniciativa de solicitar peritagens técnicas, cujas conclusões se aguardam. Se for necessário intervir a este nível, essa obra terá prioridade e só depois se tratará do isolamento da cobertura. Ao mesmo tempo, está nos planos da Direcção, há dias sufragados pela Assembleia Geral, o propósito de recolocar as janelas que foram há tempos vandalizadas, bem como dotar a cozinha de melhores condições de funcionamento, para apoio às realizações previstas para a Casa do Bugio.
P- Que iniciativas pretendem levar a efeito com o intuito de angariarem verbas para as obras?
Como é sabido, os actuais corpos gerentes assumiram também a responsabilidade de organizar a festa de 2005. As iniciativas com vista à angariação de fundos começarão pela festa. Neste momento está já em organização uma sarrabulhada-convívio, a ter lugar precisamente na Casa do Bugio, no dia 4 de Dezembro próximo. Antes disso, no dia 7 de Novembro, tem lugar um Raid BTT, com a mesma finalidade. E estão já a correr os tradicionais sorteios, que são outra forma de financiar a festa.
Entretanto, e especificamente sobre a Casa do Bugio, serão feitas diligências com vista a encontrar novos apoios e mecenas dispostos a contribuir para os projectos em curso e, nomeadamente, para dotar a Casa do Bugio de condições dignas e seguras de funcionamento. As entidades oficiais - autárquicas e outras - serão igualmente contactadas com o mesmo fim.
Srteios
P - O Que vai ser, concretamente, a Casa do Bugio?
A Casa do Bugio foi pensada para promover a Festa de S. João e contribuir, dessse modo, para a promoção sócio-cultural da freguesia de Sobrado. Para isso, torna-se necesário completar as obras, começando por impedir que as instalaçõees existentes se degradem e possam dispor de um sistema de segurança. Feito isso, a Casa poderá albergar iniciativas ligadas à festa, ser um espaço de encontro e reunião, e vir a dispor de um núcleo museológico ligado à festa, com uma componente de fardas e apetrechos, uma parte de imagem e memória da festa, documentos escritos e audiovisuais, etc. Ou seja, torna-se necessário fazer daquela Casa um centro de animação sócio-cultural e até educativa, centrada na Festa de S. João.
P - Em que âmbito vai recair, para além das obras, a actividade da Associação?
Outras iniciativas em perspectiva para os próximos tempos podem sintetizar-se nos seguintes pontos, todos eles já aprovados: a) criação do site oficial da Casa do Bugio na Internet; b) organização de um inventário com a memória de quem foi de Velho da Bugiada e de Reimoeiro, em cada ano, recuando tão longe no tempo quanto possível; c) estabelecimento de uma parceria com o Agrupamento de Escolas de Sobrado, com o tema da Festa de S. João como pretexto; d) recolha de imagens mais ou menos antigas da festa, para reprodução e reconstituição de um espólio fotográfico e videográfico; e) estudo da possibilidade de publicação de um livro alusivo à festa com um preço acessível.
Em primeira mão, a Direcção pode anuniciar que o Dr Ângelo Peres, que foi durante muitos anos realizador da RTP e que é actualmente professor de Comunicação Social na Universidade do Minho, decidiu doar à Associação uma fita de cinema contendo a gravação da festa da bugiada de 1976. A Direcção está a considerar a possibilidade de organizar em breve uma sessão pública para visionamento desse filme. Recorde-se que o original desse trabalho, feito pela cooperativa Moviola, se encontra depositado no Arquivo Nacional da Imagem em Movimento, em Lisboa.
P - Que medidas pretendem levar a efeito para disciplinar a festa da Bugiada?
Sabemos que há quem se preocupe em "disciplinar" a festa da Bugiada. O entendimento da Direcção é que a festa não necessita tanto de ser disciplinada como de ser preservada no seu caracer genuino. Para tal, a Direcção propõe-se realizar reuniões com bugios e mourisqueiros mais velhos, com vista a debater este assunto e a acertar algumas regras, no sentido de a festa não perder aquilo que a distingue e a faz única.
(...)
A Direcção entende que é importante reunir o máximo de energias e de esforços de todos os associados, pertençam eles aos corpos gerentes ou não. Para isso gostaria de poder contar com a participação em grupos de trabalho para projectos específicos. Por outro lado, faz parte dos planos dos actuais corpos gerentes apostar muito mais na informação sobre o que está ou vai acontecer, relacionado com a Casa do Bugio. Sem essa informação, os sobradenses dificilmente se sentirão motivados. E o Alô Sobrado pode ter neste âmbto um papel decisivo que desde já agradecemos.