terça-feira, junho 21, 2005

Os castelos já estão preparados para o combate

Os castelos ou palanques de Bugios e Mourisqueiros devem ser construídos no sábado anterior ao último ensaio da festa. Vai-se ao monte buscar os pinheiros e a uma serração buscar as tábuas. Depois os Bugios e Mourisqueiros constroem cada qual a sua fortificação. No dia, os cantos serão guarnecidos de bandeiras e o castelo dos Bugios com folhagem verde. É por baixo deste último que, ao fim da tarde, será colocada a temível Serpe, a qual irá ser o segredo da vitória dos Bugios.
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segunda-feira, junho 20, 2005

Do "dia da cabidela" ao "dia dos tremoços"

No Largo do Passal, este ano "roído" em mais um bocado, já estão construídos os castelos. Como é tradição, o dos Bugios junto à estrada e o dos Mourisqueiros a uns 40 metros, na direcção da igreja paroquial, sob os plátanos.
A tarefa começou e acabou no sábado, sob orientação geral do Velho da Bugiada, que deu a indicação do local onde os pinheiros deveriam ser cortados e tratou das tábuas para o tablado. No fim da tarefa, os participantes e outros convidados juntaram-se para comer um arroz de cabidela, como é de uso.
Ontem já foram na ordem das centenas as pessoas que acompanharam Bugios e Mourisqueiros até à Casa do Bugio, para os célebres tremoços, no fim do derradeiro ensaio. Perto de quarenta quilos foram distribuídos nas travessas, juntamente com azeitona, broa e vinho previamente seleccionado num lavrador local.
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Como é hábito, no último ensaio, os mourisqueiros já trazem o "espadim" a sério e a faixa, que é para acertar a posição em que deve ser colocada, visto que tem que jogar com a posição que cada Mourisqueiro ocupa na formatura.

Definidos os titulares de algumas funções

No dia do terceiro ensaio, saiu a lista daqueles que irão ocupar funções "especiais" no dia de S. João e que é a seguinte:

- Colher direitos - Lindoro Cavadas

- Semear - Joaquim Miranda
- Gradar - Domingos Cuco
- Lavrar - Fernando Cardoso

- Sapateiro - Joaquim do Juca
- Cego - Carlos Andrade
- Mulher do Sapateiro - António Poeira
- Moço do Sapateiro - Joaquim Brito
- Moço do Cego - Luís Loira.

Ao mesmo tempo, estamos em condições de divulgar a lista dos músicos que compõem a "orquestra" que aceitou acompanhar graciosamente as danças dos Bugios (assim demonstrando que continua a não faltar nesta Festa gente que gosta dela):

- Alberto Ferreira - Violino
- Diana Costa - Violino
- Elsa Carneiro - Violino
- Lindoro Pinto - Violino
- Lúcio Tibeiro - Violino
- Alfredo Ferreira - Viola
- António Silva - Viola
- Armando Dias - Viola
- Eduardo Monteiro - Viola
- João Paulo - Viola.

sexta-feira, junho 17, 2005

Festa da Bugiada na Wikipedia

A Wikipedia é um dos grandes fenómenos da era da Internet: é um projecto de enciclopédia em várias línguas, permanentemente em actualização, que pode ser construído por qualquer pessoa que tenha algo de novo para acrescentar ou mesmo para corrigir informações que já lá estejam inseridas. Tendo verificado que havia lá duas ou três linhas sobre Sobrado, mas não havia nada sobre a Festa de S. João, que é o ex-libris desta vila e, de algum modo, do concelho, coloquei lá uma entrada breve, por enquanto apenas na versão portuguesa. Pode ser lida clicando aqui.

quarta-feira, junho 15, 2005

"No dia do Baptista S. João
Fazem eles ali grande função"

Mais um documento com referências à festa de S.João de Sobrado, que tem mais de cem anos de existência. É o fragmento de uma faquelas folhas volantes que antigamente se vendiam pelas feiras e romarias, da autoria de José Alves dos Reis:

“Música Gorada

Na aldeia pitoresca de Sobrado
Terra aonde se cria o melhor gado
E já deu bastantes brasileiros
Tem hoje denodados Mourisqueiros.
No dia do Baptista S. João
Fazem eles ali grande função
Correm todos em vários desafios
Os Mourisqueiros e garbos Bugios
Os doidos imitando no correr
(e não faltam irmãos para ir ver)
A saltar e pullar por entre a praça
E os doidos socegados achando-lhes graça

(...)”
Versos de José Alves dos Reis, folheto volante de 10 pp,, 1896

domingo, junho 05, 2005

Reportagem fotográfica do 2º ensaio

O
O "Caixa" - É ele que abre o ensaio dos Mourisqueiros

Dança dos Mourisqueiros
Dança dos Mourisqueiros - Ao som do Caixa, o Reimoeiro dança com os Guias

Mouriscada
Mouriscada - A formação mourisca ensaia a sua dança. Ao lado, um popular também dá um jeitinho...

A Orquestra
A Orquestra - A "Orquestra" acompanha o ensaio dos Bugios

O Velho
O Velho - No dia 24, irá de cara tapada. Afinal, o Velho é ... novo!

Bugios
Bugios - A maior parte não vem ao ensaio. Mesmo assim, eram cerca de 80 a treinar para Bugio.

sexta-feira, junho 03, 2005

Antes da Festa, muito que fazer - II

Os ensaios ocupam os quatro domingos anteriores à festa. Os feriados não contam nessa contabilidade.
No sábado anterior ao último domingo de ensaio, pelas 7 horas, o Velho dá ordens acerca do local em que se irão cortar os pinheiros para construir os castelos (os "Palanques"). Para essa tarefa vão muitos Bugios e os Mourisqueiros.
A seguir, tratam de construir os Palanques - o dos Bugios junto á estrada, perto do coreto e o dos Mourisqueiros a uma distância de cerca de 80 metros, na direcção da igreja.
A desmontagem destas estruturas deverá fazer-se no sábado a seguir á Festa, com a participação de elementos das duas formações.
Outra actividade que ocorre também antes da Festa é a marcação de um dia para que todos aqueles que têm canhão e tencionem dar tiros nos Palanques se juntem num sítio isolado, para fazer a experiência de dar um tiro (os dez quilos de pólvora adquiridos à empresa concessionária do fogo de artifício servem não apenas para a "Guerra" do dia de S. João, mas igualmente para esta experiência.

segunda-feira, maio 30, 2005

Antes da festa, muito que fazer - I

Tiveram ontem início os ensaios públicos de Bugios e Mourisqueiros. Como habitualmente, o local foi o Passal, apesar das obras que decorrem este ano na parte sudoeste. O mesmo acontecerá nos próximos três domingos, a partir das 18 horas. Todos vão vestidos "à civil", os Mourisqueiros empunhando uma pequena cana ou pau em lugar da espada e os Bugios levando castanhola.
Muita coisa se passa nos bastidores, neste período que antecede a Festa. Uma delas refere-se aos trajes dos Bugios, de que cada um deve cuidar (adquirindo novos, alugando, mandando restaurar eventuais estragos).
Outra coisa é o que se relaciona com a indigitação de quem irá ocupar funções como Semeador, Cego, Lavrador, Moço do Cego, Sapateiro, Moço do Sapateiro e Mulher do Sapateiro, personagens da Cobrança dos "Dreitos", da Sementeira, da Dança do Cego. O processo segue os seguintes passos:
- No fim dos ensaios do 1º e 2º domingos, os Guias e Rabos dos Bugios anotam o nome dos interessados em exercer funções.
- Se houver mais do que um interessado em cada um dos lugares - coisa que normalmente ocorre - a decisão sobre o assunto é tomada pelo Velho, coadjuvado pelos seus Guias e Rabos, na tarde do domingo em que ocorre o 3º ensaio e antes deste.

sábado, maio 28, 2005

Designação e competências do Velho e do Reimoeiro

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(Crédito da foto: Museu da Pessoa)

A Festa aproxima-se a passos largos. Faz sentido entrar em alguns pormenores relativamente invisíveis, que muitos desconhecerão, relacionados com a Bugiada.
Antes de mais:
Quer o Velho quer o Reimoeiro são escolhidos e designados pela Comissão de Festas, tarefa este ano assumida pela Casa do Bugio, de acordo com os respectivos estatutos, e tendo como Juíz da Festa o empresário brasileiro, natural de Sobrado, Generoso Ferreira das Neves.
O critério primeiro para a escola destes lugares é o da antiguidade.
A partir do momento em que essa escolha se efectua, uma série de atribuições e responsabilidades competem a cada um destes altos postos. Assim:

O Velho da Bugiada:

- escolhe e designa os Guias e os Rabos
- arranja os músicos que acompanham a Bugiada
- assegura o cavalo que correrá as Embaixadas
- arranja os burros para a Sementeira
- escolhe os Advogados
- designa os Bugios que vão para cima do Castelo, controlam e dão a pólvora, dão os fulminantes e usam a vassoura
- designa as crianças que irão despedir-se do Velho e limpar-lhe as "bagadas"
- designa os que transmitem as mensagens ao Embaixador ("folhas")
- compete-lhe igualmente arranjar a pólvora, a corda para os instrumentos dos músicos
- cabe-lhe ainda arranjar os pinheiros para os dois castelos.

O Reimoeiro:

- designa os Guias, Meios e Rabos
- distribui as fardas da Comissão
- arranja "espadins", polainas e plumas (a Comissão não os tem em número bastante)
- arranja o "Caixa" que acompanha as danças dos Mourisqueiros.

quinta-feira, maio 12, 2005

Os que escrevem sobre a Bugiada - III

O Prof. António Custódio Gonçalves, num texto de meados dos anos 80, na Revista da Faculdade de Letras/Geografia, do Porto (I Série, Vol. I, 1985, pp.35-45), intitualado "Simbolização da violência social", refere-se a formas simbólicas de violência. A propósito das formas de ritualização (e esteticização) da violência, nomeadamente nas sociedades tradicionais (e não só), escreve o autor:

"Todos nós conhecemos certamente o ritual da 'bugiada', que se pratica na povoação do Sobrado, do concelho de Valongo. Todos os anos, Sobrado é palco duma 'arte marcial', imitada e repetida ao longo dos séculos, entre cristãos (que dão pelo nome de 'bugios') e mouros (grupo dos 'mourisqueiros' comandado pelo 'Reimoeiro' ou Rei Mouro). Para além dos ritos de fertilidade, o ritual da 'Dança do Cego' põe em cena o conflito e o constante refazer dos desequilíbrios da vida colectiva, sem que tal dinâmica lúdica acarrete a negação ou o aniquilamento de qualquer das partes em tensão: jogo altamente participado pela colectividade em que esta é aspergida por lama e excrementos".

quarta-feira, maio 11, 2005

Os que escrevem sobre a Bugiada - II

Encontrei no weblog Adverb, de um americano "expatriado" em Portugal (de facto, alguém que se apaixonou por uma jornalista portuguesa), esta referência à festa de Sobrado, datada de 24 de Junho de 2003 (as fotos que colheu não se encontram disponíveis, presentemente):

"Missed the hammerfest last night, but made it to the Festa de S. João in the neighboring village of S. João de Sobrado today for the Procissão de S. João. (Procession of St. John) and the Dança Entrada de Mour e Bugios (Dancing Entrance of the Moors and the Bugios). The event is a parade, half religious and half, if I understand it correctly, a celebration of the role played by the Bugios in the defeat of the Moors in Portugal during the Middle Ages.No one I spoke to today had a clear idea of exactly who or what the Bugios were, or what role they played in defeating the Moors, but in the Dança Entrada de Mour e Bugios segment of the parade the Bugios were represented by a hundred or so men dressed in bright red costumes and a variety of festive masks. The program stated that both the Bugios and the Moors would 'enter dancing', but I couldn't tell who was supposed to be a Moor since they all wore essentially the same bright red military-style costume. Maybe the distinction was in the masks since I doubt that a Moor ever wore a bright red military uniform.An image of the religious portion of the parade. The icon is S. João."

segunda-feira, maio 09, 2005

Os que escrevem sobre a Bugiada - I

Encontrei, numa publicação intitulada Vida Lusa, de Setembro de 2003, disponível na Internet, a seguinte apresentação da Festa de S. João de Sobrado:

"Já que está em Valongo, pode dar um salto a Campo, para ver as minas de lousa, e a Sobrado, onde se realiza ainda uma das mais espantosas festas portuguesas e da própria Europa : um ritual a que deram o nome de “Bugiada”.
Na sua génese estará a sagração do Verão, representada através de uma guerre entre “Bugios” e “Mouriscos”, no dia de São João (24 de Junho). Os “Bugios”, que representam os cristãos antigos, mascaram-se e, como nas festas transmontanas dos Rapazes e dos Caretos, aproveitam o anonimato da máscara para as mais diversas partidas e críticas sociais.
Os “Mouriscos”, fardados e sisudos, em geral interpretados por rapazes solteiros, representam os mouros que habitavam na serra. E uma guerra entre o Bem e o Mal, mas em que os bons parecem muito mais sujos, desorganizados e travessos que os maus. E a derrota dos “Mouriscos” no fim da festa não é definitiva : depois de desbaratados pelo dragão dos “Bugios”, reorganizam-se no adro da igreja. Para o ano tudo recomecerá, pois a luta entre a Vida e a Morte, entre o Bem e o Mal, entre o Verão e o Inverno é eterna…"

sexta-feira, abril 15, 2005

Em Bragança
Vai nascer o Museu da Máscara
in Público, 15.4.2005

"A Câmara Municipal de Bragança vai recuperar um edifício degradado na zona histórica da cidade, para a instalação do Museu da Máscara e do Traje. Trata-se de um imóvel municipal em avançado estado de degradação, com três pisos, onde vai ser criada uma área de exposições, mas também alguns espaços para que os artesãos locais, que ainda se dedicam à criação de mascarares e trajes regionais, possam trabalhar e vender as suas obras. O concurso público para a recuperação do imóvel termina amanhã, dia 15 (quinta-feira), a obra tem um prazo de execução de 180 dias e o preço-base ronda os 260 mil euros.Um investimento a realizar na área da freguesia de Santa Maria, que deixa o presidente da junta, Jorge Novo, duplamente satisfeito: "Por um lado é mais um imóvel que vai ser recuperado, por outro, vamos ter mais um espaço de cultura, mais um local de visita", afirma. O autarca luta "contra a morte" da zona mais nobre da cidade de Bragança, o castelo e a cidadela, e defende que, com investimentos deste tipo, "a cidadela fica mais viva e mais atractiva". (...)""

sábado, abril 02, 2005

Na freguesia de Sobrado
Obras em Valongo põem em risco festas das Bugiadas
Jorge Marmelo

in Público, 29.3.2005

bugiada 1993Câmara quer alterar o espaço utilizado por uma das mais originais festividades sanjoaninas, mas a população promete resistir
O Largo do Passal, palco tradicional das Bugiadas com que os habitantes de Sobrado, em Valongo, assinalam a quadra sanjoanina, está a ser objecto de uma pequena batalha. Não estão, desta vez, em guerra os bugios (cristãos) e os mourisqueiros (mouros), mas antes a população local, ciosa do espaço da sua festa maior, e a Câmara de Valongo, que planeia modificar o acesso à Estrada Nacional n.º 209, alterando a localização da rotunda ali existente e rasgando uma rua pelo meio do largo.Há uma semana, as máquinas já estiveram no local para iniciar a empreitada, que tem uma duração prevista de 120 dias. Nessa ocasião, porém, os sobradenses mobilizaram-se e conseguiram impedir o avanço das obras, tendo a autarquia prometido que o projecto iria ser revisto, de modo a causar menor dano ao mais emblemático espaço público da freguesia. "É um espaço sagrado, palco da tradição que nos identifica", explicou ao PÚBLICO António Pinto, garantindo que, caso não exista negociação, o avanço da obra vai, decerto, provocar uma "grande contestação" e "revolta".Satisfeitos com o adiamento da intervenção, mas não totalmente convencidos da perenidade do gesto, os moradores de Sobrado continuam vigilantes, temendo que as máquinas regressem "a qualquer instante". "Isto tem havido muita polémica", reconheciam, ontem de manhã, os quatro homens que conversavam junto ao Passal. Instantes depois, separaram-se: um foi para a porta do Café S. João juntar-se ao grupo mais numeroso que ali se abrigava de mais um aguaceiro, outro refugiou-se, com mais três, no coreto da praça; sob esta construção, outro grupo de idosos entretinha-se a jogar às cartas. "Estão de sobreaviso", reconheceu António Pinto. Parece impossível que a obra comece sem que a população se aperceba, embora um dos homens fosse admitindo que "está mais para se fazer do que para não se fazer"."As Bugiadas são uma festa centenária e o espaço em que se celebra nunca foi alterado", valoriza António Pinto, que recorda como, há cerca de 25 anos, um presidente da junta de freguesia tentou construir o edifício da edilidade naquele largo. "No mesmo dia em que aquilo foi desaterrado voltou a ficar como estava", diz. Para além da alteração da rotunda e da construção da nova via que vai escoar o trânsito procedente da Rua de Santo André e do adro da igreja local, o projecto camarário prevê, segundo Pinto, o abate de quatro plátanos e a construção de um parque de estacionamento. O mais grave, porém, é a alteração da morfologia do largo: um terreiro calcetado com paralelepípedos e usado como parque de estacionamento enquanto não chegam as tropelias anuais dos bugios e dos mourisqueiros. "No dia 24 de Junho, quando são as festas, isto já é pequeno para tanta gente. Cortando, mais pequeno fica", explicava ontem um dos homens que mantinham o largo sob vigilância.António Pinto garante que a população está disponível para "estudar outro projecto, desde que não mexa no lugar", mas afiança também que, sem negociação, a obra não se faz. "De certeza absoluta", diz. Por outro lado, e como a obra, a concretizar-se, se prolongará por cerca de quatro meses, existe o risco de o largo se encontrar em obras aquando da próxima celebração sanjoanina. O PÚBLICO tentou ontem contactar a Câmara Municipal de Valongo para apurar se o projecto para o Largo do Passal vai efectivamente ser repensado, mas os paços do concelho encontravam-se encerrados, tendo igualmente sido impossível estabelecer ligação com o presidente da Junta de Freguesia de Sobrado, também incontactável.

terça-feira, março 22, 2005

Festa de 2005: o Reimoeiro e o Velho da Bugiada

Augusto Cabeda, da Rua da Costa, será o Velho da Bugiada da festa de S. João de Sobrado deste ano. Terá como guias Fernando Miranda, de Penido, e Manuel Leal, do Alto dos Foguetes.
Por sua vez, à frente dos Mourisqueiros, como Reimoeiro (de rei mouro) estará, em 2005, Mário Ferramenta, do Vilar, tendo como guias Vitorino Oliveira, da Lomba, e Pedro Vale, do Terreiro.

domingo, fevereiro 20, 2005

Notícia de "danças arcaicas"

Com o objectivo de dar a conhecer elementos de referência sobre a Festa de S. João de Sobrado, aqui fica mais um:
"Contam-se pelos dedos as danças arcaicas...que sobrevivem com foros de autenticidade. Toda a restante coreografia reinante descende de velhos bailes, embora possa conservar, aqui e além, num ou noutro pormenor, restos de antigas figurações, ou reflexos de passos e atitudes, ademanes e combinações, próprios de danças cortesãs, que entraram de ser importadas nos alvores da Renascença. (...) Com personalidade de algum modo vincada (por assim dizer) subsistem mais [para além da Dança dos Paulitos]: a Dança dos Ferreiros, de Penafiel, a Mourisca do Sobrado de Valongo, a Dança do Rei David, de Braga, modificada no séc.XVIII pela vontade discricionária de um arcebispo que a 'renovou' a seu modo e gosto do teatro musicado espanhol de então - e a Dança de Genebres, de Lousa".
Mário de Sampaio Ribeiro, in A Arte Popular em Portugal, vol. II. p.376