Textos publicados sobre a Festa de S. João de Sobrado
Dia de S. João celebrado com Festa da Bugiada
A vila de Sobrado, em Valongo, é hoje palco da tradicional Festa da Bugiada, considerada como uma das mais importantes tradições populares portuguesas.Esta comemoração resulta de uma lenda que foi transmitida de geração em geração, em que uma imagem milagrosa de S. João deu origem a uma luta entre mouros e cristãos, designados localmente por mourisqueiros e bugios, respectivamente.Tendo como mote esta história, a vila de Sobrado relembra todos os anos, ao longo do dia de S. João, esta tradição que mobiliza grande parte da população local.As festividades iniciam-se logo pelas 8 horas com a concentração e danças dos intervenientes da festa, na casa do velho da bugiada e do reimoeiro. Mas depois de uma manhã de danças, a hora do almoço é acompanhada por alguns sketches de crítica à vida local e nacional.A folia continua e às 15 horas um novo momento de animação se inicia com a chamada "Cobrança de Direitos" e, posteriormente, o ritual da "Lavra da Praça".Finalmente, às 17 horas, é feito aquele que é considerado um dos momentos mais espectaculares, uma cena de teatro popular designada "Dança do Cego" ou "Sapateirada".Já a tarde se encaminha para o fim quando é atingido o ponto alto da comemoração, desencadeando-se a guerra das duas formações. E é assim, com esta manifestação espontânea pelas ruas da vila, que a tradição é recordada por todos e mantém viva a lenda.
Cristina Riboira Jornal de Notícias, 24.6.2005
Batalha pela posse do santo
Mais de 700 populares participaram este ano na festa da Bugiada, inspirada numa lenda antiga. Ritual popular, ilustrado pela luta entre mourisqueiros e bugios, durou o dia todo.
"Não há nenhuma festa de S. João como esta", assegura Paula Ferreira, que reside em Valongo há 12 anos, e aprendeu a valorizar a Festa da Bugiada que, anualmente, é celebrada na vila de Sobrado, no dia 24, mobilizando a esmagadora maioria da população local.
Este ano, serão mais de 700 as pessoas que fizeram questão de integrar, como actores e foliões, o evento. O público existe em número maior multiplica-se e espalha-se, efusivo, por todos os lugares da vila.
Longe de nutrir pelo cumprimento do ritual, ilustrado pela batalha dos Mourisqueiros contra os Bugios, a mesma "devoção" que o marido, Joaquim Lobo, Paula destaca o que mais a impressiona "Isto é a verdadeira festa do povo. Todos os anos tem mais gente. E a juventude que, geralmente não adere às tradições, é a primeira a não deixar morrer a festa".
Tiago, 13 anos, é a prova. Mascarado e vestido com o rigor do veludo colorido, castanholas na mão, prepara-se para combater os mouros. "Andamos aqui, porque eles roubaram o S. João e querem prender o rei, que está inocente. Nós temos que o defender e recuperar o santo, pedindo-lhe que faça um milagre", conta, fazendo referência à lenda, sobre a qual não existe qualquer documento escrito, mas que foi passando de geração em geração, e dá o mote à festa.
"A Bugiada existe desde que eu me conheço", sublinha, eufórico, Amaro Leal, 68 anos, que noutros tempos também integrou "a luta das nações", mas hoje prefere ser, apenas, espectador. "Estar aqui, também é uma forma de participar".
Além da guerra dos mouros contra os cristãos, três outros momentos marcam a festa o teatro que traduz uma sátira à vida local, o ritual inverso da lavra da praça, a dança do cego.
Verdadeiro milagre de S. João
De cinco em cinco anos, faz questão de ser o juiz da festa da Bugiada, patrocinando-a. Generoso Ferreira das Neves, 76 anos, natural de Valongo emigrado no Brasil, regressa a casa a cada S. João para lhe agradecer o milagre concedido em 1992. "O meu filho Cassiano tinha sido sequestrado no Brasil. Eu estava em Paris quando recebi a notícia. Fiquei desesperado e pedi muito ao S. João para que o meu filho fosse devolvido são e salvo, como acabou por suceder", relata no . A partir daí, Generoso nunca mais deixou de estar presente no S. João de Sobrado. "Há 20 anos que faço questão de estar presente nos festejos, mas desde 1992 a minha devoção aumentou", confessa.
in Jornal de Notícias, 25 de Junho de 2005
domingo, junho 26, 2005
quinta-feira, junho 23, 2005
Programa da Festa
Dia de S. João, 24 de Junho

:: 8 h - concentração e danças na casa do Velho da Bugiada e do Reimoeiro.
:: 10h - missa de festa na Igreja paroquial. Enquanto decorre a missa, Mourisqueiros e Bugios dirigem-se às instalações da Casa do Bugio, para o "jantar", antecedido e seguido de danças. No fim, os mouros dirigem-se à Igreja para pegar no andor do Santo, inseridos na procissão.
::12.45h - Danças de Entrada (partida da capela das Alminhas e chegada junto á igreja, ao fundo do Passal). Primeiro desfilam os Mourisqueiros e, depois, os Bugios. No fim do desfile, entram igualmente as "estardalhadas" (skteches de crítica à vida social local e nacional)
:: 15h - Cobrança dos direitos
:: 15.30h - Sementeira e Lavra da praça
:: 17h - Dança do Cego
:: 18h - Dança do Doce (no pátio da residência paroquial)
:: 19h - Início da prisão do Velho, nos "castelos" situados no Passal.
:: 20.30h - Dança do Santo.
Nota importante
- Os horários são meramente indicativos
(Gravura: Barretinas do Reimoeiro e do Velho da Bugiada deste ano, a estrear amanhã, confeccionadas por Margarida Suzano e Manuel António Pinto. Foto MP)
Dia de S. João, 24 de Junho

:: 8 h - concentração e danças na casa do Velho da Bugiada e do Reimoeiro.
:: 10h - missa de festa na Igreja paroquial. Enquanto decorre a missa, Mourisqueiros e Bugios dirigem-se às instalações da Casa do Bugio, para o "jantar", antecedido e seguido de danças. No fim, os mouros dirigem-se à Igreja para pegar no andor do Santo, inseridos na procissão.
::12.45h - Danças de Entrada (partida da capela das Alminhas e chegada junto á igreja, ao fundo do Passal). Primeiro desfilam os Mourisqueiros e, depois, os Bugios. No fim do desfile, entram igualmente as "estardalhadas" (skteches de crítica à vida social local e nacional)
:: 15h - Cobrança dos direitos
:: 15.30h - Sementeira e Lavra da praça
:: 17h - Dança do Cego
:: 18h - Dança do Doce (no pátio da residência paroquial)
:: 19h - Início da prisão do Velho, nos "castelos" situados no Passal.
:: 20.30h - Dança do Santo.
Nota importante
- Os horários são meramente indicativos
(Gravura: Barretinas do Reimoeiro e do Velho da Bugiada deste ano, a estrear amanhã, confeccionadas por Margarida Suzano e Manuel António Pinto. Foto MP)
quarta-feira, junho 22, 2005
Generoso Ferreira das Neves, Juiz da Festa 2005
- Uma história de vida marcada pelo S. João
Generoso Ferreira das Neves, nascido em Sobrado, Valongo, no dia 26 de Setembro de 1929, é o Juiz da Festa deste ano, em honra de S. João. Empresário bem sucedido no Brasil, para onde emigrou em 1959, mantém uma estreita ligação com a sua terra natal, que jamais deixa de visitar, sempre que se desloca a Portugal.
“Desde há cerca de 20 anos que faço questão de estar em Sobrado por altura dos festejos em honra de S. João. Não só porque nasci aqui, mas também porque me permite reviver tempos idos, quando me vi no papel de mourisqueiro, então ainda solteiro, e depois, já casado, também como bugio, tendo ocupado vários cargos”, começou por destacar.
Generoso Ferreira das Neves justificou ainda a sua presença “obrigatória” na festa de Sobrado com um acontecimento marcante da sua vida:
“A minha devoção pelo S. João aumentou consideravelmente a partir de 1992, quando o meu filho Cassiano foi sequestrado no Brasil. Ao contrário do que vinha sucedendo, nesse ano, decidi partir para Paris, alguns dias antes do S. João, com alguns familiares e amigos. Estava na capital francesa quando recebi a notícia do rapto e sequestro. Fiquei desesperado e, então, pedi muito ao S. João para que o meu filho fosse devolvido são e salvo, como de facto acabou por suceder. A partir daí, nunca mais deixei de estar presente no S. João de Sobrado. E mais: faço questão de ser o juiz da festa, de cinco em cinco anos, enquanto viver”.
O nosso interlocutor recordou ainda alguns episódios que atestam a sua profunda ligação a Sobrado e ao S. João:
“Há mais ou menos 20 anos, apercebi-me que o relógio da torre da igreja estava parado e ofereci-me para pagar a reparação (50 contos), gesto que foi destacado pelo padre na missa do domingo seguinte e que fez com que toda a gente ficasse a saber quem eu era, embora eu nunca tenha pedido o que quer que fosse ao padre; depois, quando me casei pela segunda vez, no Brasil, há 38 anos, a cerimónia teve lugar na Igreja de S. João, em São Luís do Maranhão; e, por último, foi ainda por meu intermédio que o meu sócio e amigo do coração Jacob Barata se ofereceu para custear o elevador da Casa do Bugio (cerca de 3500 contos).”
Este ano e na qualidade de juiz da festa, Generoso Ferreira das Neves faz-se acompanhar de D. Franci, sua esposa, de sua filha Cristiane e seu genro Bruno (recém-casados), do seu filho mais velho Generosinho e esposa, e ainda dos seus sócios Jacob Barata e filho e Salviano Valente, que considera “seus irmãos, não de sangue, mas do coração”.
(Colaboração especial do jornalista Manuel Neto, a quem agradecemos).
- Uma história de vida marcada pelo S. João
Generoso Ferreira das Neves, nascido em Sobrado, Valongo, no dia 26 de Setembro de 1929, é o Juiz da Festa deste ano, em honra de S. João. Empresário bem sucedido no Brasil, para onde emigrou em 1959, mantém uma estreita ligação com a sua terra natal, que jamais deixa de visitar, sempre que se desloca a Portugal.“Desde há cerca de 20 anos que faço questão de estar em Sobrado por altura dos festejos em honra de S. João. Não só porque nasci aqui, mas também porque me permite reviver tempos idos, quando me vi no papel de mourisqueiro, então ainda solteiro, e depois, já casado, também como bugio, tendo ocupado vários cargos”, começou por destacar.
Generoso Ferreira das Neves justificou ainda a sua presença “obrigatória” na festa de Sobrado com um acontecimento marcante da sua vida:
“A minha devoção pelo S. João aumentou consideravelmente a partir de 1992, quando o meu filho Cassiano foi sequestrado no Brasil. Ao contrário do que vinha sucedendo, nesse ano, decidi partir para Paris, alguns dias antes do S. João, com alguns familiares e amigos. Estava na capital francesa quando recebi a notícia do rapto e sequestro. Fiquei desesperado e, então, pedi muito ao S. João para que o meu filho fosse devolvido são e salvo, como de facto acabou por suceder. A partir daí, nunca mais deixei de estar presente no S. João de Sobrado. E mais: faço questão de ser o juiz da festa, de cinco em cinco anos, enquanto viver”.
O nosso interlocutor recordou ainda alguns episódios que atestam a sua profunda ligação a Sobrado e ao S. João:
“Há mais ou menos 20 anos, apercebi-me que o relógio da torre da igreja estava parado e ofereci-me para pagar a reparação (50 contos), gesto que foi destacado pelo padre na missa do domingo seguinte e que fez com que toda a gente ficasse a saber quem eu era, embora eu nunca tenha pedido o que quer que fosse ao padre; depois, quando me casei pela segunda vez, no Brasil, há 38 anos, a cerimónia teve lugar na Igreja de S. João, em São Luís do Maranhão; e, por último, foi ainda por meu intermédio que o meu sócio e amigo do coração Jacob Barata se ofereceu para custear o elevador da Casa do Bugio (cerca de 3500 contos).”
Este ano e na qualidade de juiz da festa, Generoso Ferreira das Neves faz-se acompanhar de D. Franci, sua esposa, de sua filha Cristiane e seu genro Bruno (recém-casados), do seu filho mais velho Generosinho e esposa, e ainda dos seus sócios Jacob Barata e filho e Salviano Valente, que considera “seus irmãos, não de sangue, mas do coração”.
(Colaboração especial do jornalista Manuel Neto, a quem agradecemos).
terça-feira, junho 21, 2005
"Portugal no Coração" (RTP) apresenta hoje as Bugiadas
Na edição de hoje do programa da RTP "Portugal no Coração" está prevista a participação de um grupo de sobradenses, para apresentar a festa deste ano. Além de aspectos relacionados com a história e o programa da Festa de S. João, estarão em estúdio Bugios e Mourisqueiros que envergarão os respectivos trajes, a fim de que se possa dar uma ideia desta tradição.
É grande, nestas alturas, a pressão para que se executem danças. Mas isso seria começar a matar a festa. As danças têm um sítio e um dia próprios e não são mero folclore de exibição. Têm um lado ritual que a maioria dos sobradenses não quer ver "profanado".
Na edição de hoje do programa da RTP "Portugal no Coração" está prevista a participação de um grupo de sobradenses, para apresentar a festa deste ano. Além de aspectos relacionados com a história e o programa da Festa de S. João, estarão em estúdio Bugios e Mourisqueiros que envergarão os respectivos trajes, a fim de que se possa dar uma ideia desta tradição.
É grande, nestas alturas, a pressão para que se executem danças. Mas isso seria começar a matar a festa. As danças têm um sítio e um dia próprios e não são mero folclore de exibição. Têm um lado ritual que a maioria dos sobradenses não quer ver "profanado".
Os castelos já estão preparados para o combate
Os castelos ou palanques de Bugios e Mourisqueiros devem ser construídos no sábado anterior ao último ensaio da festa. Vai-se ao monte buscar os pinheiros e a uma serração buscar as tábuas. Depois os Bugios e Mourisqueiros constroem cada qual a sua fortificação. No dia, os cantos serão guarnecidos de bandeiras e o castelo dos Bugios com folhagem verde. É por baixo deste último que, ao fim da tarde, será colocada a temível Serpe, a qual irá ser o segredo da vitória dos Bugios.
Os castelos ou palanques de Bugios e Mourisqueiros devem ser construídos no sábado anterior ao último ensaio da festa. Vai-se ao monte buscar os pinheiros e a uma serração buscar as tábuas. Depois os Bugios e Mourisqueiros constroem cada qual a sua fortificação. No dia, os cantos serão guarnecidos de bandeiras e o castelo dos Bugios com folhagem verde. É por baixo deste último que, ao fim da tarde, será colocada a temível Serpe, a qual irá ser o segredo da vitória dos Bugios.
segunda-feira, junho 20, 2005
Do "dia da cabidela" ao "dia dos tremoços"
No Largo do Passal, este ano "roído" em mais um bocado, já estão construídos os castelos. Como é tradição, o dos Bugios junto à estrada e o dos Mourisqueiros a uns 40 metros, na direcção da igreja paroquial, sob os plátanos.
A tarefa começou e acabou no sábado, sob orientação geral do Velho da Bugiada, que deu a indicação do local onde os pinheiros deveriam ser cortados e tratou das tábuas para o tablado. No fim da tarefa, os participantes e outros convidados juntaram-se para comer um arroz de cabidela, como é de uso.
Ontem já foram na ordem das centenas as pessoas que acompanharam Bugios e Mourisqueiros até à Casa do Bugio, para os célebres tremoços, no fim do derradeiro ensaio. Perto de quarenta quilos foram distribuídos nas travessas, juntamente com azeitona, broa e vinho previamente seleccionado num lavrador local.

Como é hábito, no último ensaio, os mourisqueiros já trazem o "espadim" a sério e a faixa, que é para acertar a posição em que deve ser colocada, visto que tem que jogar com a posição que cada Mourisqueiro ocupa na formatura.
Definidos os titulares de algumas funções
No dia do terceiro ensaio, saiu a lista daqueles que irão ocupar funções "especiais" no dia de S. João e que é a seguinte:
- Colher direitos - Lindoro Cavadas
- Semear - Joaquim Miranda
- Gradar - Domingos Cuco
- Lavrar - Fernando Cardoso
- Sapateiro - Joaquim do Juca
- Cego - Carlos Andrade
- Mulher do Sapateiro - António Poeira
- Moço do Sapateiro - Joaquim Brito
- Moço do Cego - Luís Loira.
Ao mesmo tempo, estamos em condições de divulgar a lista dos músicos que compõem a "orquestra" que aceitou acompanhar graciosamente as danças dos Bugios (assim demonstrando que continua a não faltar nesta Festa gente que gosta dela):
- Alberto Ferreira - Violino
- Diana Costa - Violino
- Elsa Carneiro - Violino
- Lindoro Pinto - Violino
- Lúcio Tibeiro - Violino
- Alfredo Ferreira - Viola
- António Silva - Viola
- Armando Dias - Viola
- Eduardo Monteiro - Viola
- João Paulo - Viola.
No Largo do Passal, este ano "roído" em mais um bocado, já estão construídos os castelos. Como é tradição, o dos Bugios junto à estrada e o dos Mourisqueiros a uns 40 metros, na direcção da igreja paroquial, sob os plátanos.
A tarefa começou e acabou no sábado, sob orientação geral do Velho da Bugiada, que deu a indicação do local onde os pinheiros deveriam ser cortados e tratou das tábuas para o tablado. No fim da tarefa, os participantes e outros convidados juntaram-se para comer um arroz de cabidela, como é de uso.
Ontem já foram na ordem das centenas as pessoas que acompanharam Bugios e Mourisqueiros até à Casa do Bugio, para os célebres tremoços, no fim do derradeiro ensaio. Perto de quarenta quilos foram distribuídos nas travessas, juntamente com azeitona, broa e vinho previamente seleccionado num lavrador local.

Como é hábito, no último ensaio, os mourisqueiros já trazem o "espadim" a sério e a faixa, que é para acertar a posição em que deve ser colocada, visto que tem que jogar com a posição que cada Mourisqueiro ocupa na formatura.
Definidos os titulares de algumas funções
No dia do terceiro ensaio, saiu a lista daqueles que irão ocupar funções "especiais" no dia de S. João e que é a seguinte:
- Colher direitos - Lindoro Cavadas
- Semear - Joaquim Miranda
- Gradar - Domingos Cuco
- Lavrar - Fernando Cardoso
- Sapateiro - Joaquim do Juca
- Cego - Carlos Andrade
- Mulher do Sapateiro - António Poeira
- Moço do Sapateiro - Joaquim Brito
- Moço do Cego - Luís Loira.
Ao mesmo tempo, estamos em condições de divulgar a lista dos músicos que compõem a "orquestra" que aceitou acompanhar graciosamente as danças dos Bugios (assim demonstrando que continua a não faltar nesta Festa gente que gosta dela):
- Alberto Ferreira - Violino
- Diana Costa - Violino
- Elsa Carneiro - Violino
- Lindoro Pinto - Violino
- Lúcio Tibeiro - Violino
- Alfredo Ferreira - Viola
- António Silva - Viola
- Armando Dias - Viola
- Eduardo Monteiro - Viola
- João Paulo - Viola.
sexta-feira, junho 17, 2005
Festa da Bugiada na Wikipedia
A Wikipedia é um dos grandes fenómenos da era da Internet: é um projecto de enciclopédia em várias línguas, permanentemente em actualização, que pode ser construído por qualquer pessoa que tenha algo de novo para acrescentar ou mesmo para corrigir informações que já lá estejam inseridas. Tendo verificado que havia lá duas ou três linhas sobre Sobrado, mas não havia nada sobre a Festa de S. João, que é o ex-libris desta vila e, de algum modo, do concelho, coloquei lá uma entrada breve, por enquanto apenas na versão portuguesa. Pode ser lida clicando aqui.
A Wikipedia é um dos grandes fenómenos da era da Internet: é um projecto de enciclopédia em várias línguas, permanentemente em actualização, que pode ser construído por qualquer pessoa que tenha algo de novo para acrescentar ou mesmo para corrigir informações que já lá estejam inseridas. Tendo verificado que havia lá duas ou três linhas sobre Sobrado, mas não havia nada sobre a Festa de S. João, que é o ex-libris desta vila e, de algum modo, do concelho, coloquei lá uma entrada breve, por enquanto apenas na versão portuguesa. Pode ser lida clicando aqui.
quarta-feira, junho 15, 2005
"No dia do Baptista S. João
Fazem eles ali grande função"
Mais um documento com referências à festa de S.João de Sobrado, que tem mais de cem anos de existência. É o fragmento de uma faquelas folhas volantes que antigamente se vendiam pelas feiras e romarias, da autoria de José Alves dos Reis:
“Música Gorada
Na aldeia pitoresca de Sobrado
Terra aonde se cria o melhor gado
E já deu bastantes brasileiros
Tem hoje denodados Mourisqueiros.
No dia do Baptista S. João
Fazem eles ali grande função
Correm todos em vários desafios
Os Mourisqueiros e garbos Bugios
Os doidos imitando no correr
(e não faltam irmãos para ir ver)
A saltar e pullar por entre a praça
E os doidos socegados achando-lhes graça
(...)”
Versos de José Alves dos Reis, folheto volante de 10 pp,, 1896
Fazem eles ali grande função"
Mais um documento com referências à festa de S.João de Sobrado, que tem mais de cem anos de existência. É o fragmento de uma faquelas folhas volantes que antigamente se vendiam pelas feiras e romarias, da autoria de José Alves dos Reis:
“Música Gorada
Na aldeia pitoresca de Sobrado
Terra aonde se cria o melhor gado
E já deu bastantes brasileiros
Tem hoje denodados Mourisqueiros.
No dia do Baptista S. João
Fazem eles ali grande função
Correm todos em vários desafios
Os Mourisqueiros e garbos Bugios
Os doidos imitando no correr
(e não faltam irmãos para ir ver)
A saltar e pullar por entre a praça
E os doidos socegados achando-lhes graça
(...)”
Versos de José Alves dos Reis, folheto volante de 10 pp,, 1896
domingo, junho 05, 2005
Reportagem fotográfica do 2º ensaio

O "Caixa" - É ele que abre o ensaio dos Mourisqueiros

Dança dos Mourisqueiros - Ao som do Caixa, o Reimoeiro dança com os Guias

Mouriscada - A formação mourisca ensaia a sua dança. Ao lado, um popular também dá um jeitinho...

A Orquestra - A "Orquestra" acompanha o ensaio dos Bugios

O Velho - No dia 24, irá de cara tapada. Afinal, o Velho é ... novo!

Bugios - A maior parte não vem ao ensaio. Mesmo assim, eram cerca de 80 a treinar para Bugio.

O "Caixa" - É ele que abre o ensaio dos Mourisqueiros

Dança dos Mourisqueiros - Ao som do Caixa, o Reimoeiro dança com os Guias

Mouriscada - A formação mourisca ensaia a sua dança. Ao lado, um popular também dá um jeitinho...

A Orquestra - A "Orquestra" acompanha o ensaio dos Bugios

O Velho - No dia 24, irá de cara tapada. Afinal, o Velho é ... novo!

Bugios - A maior parte não vem ao ensaio. Mesmo assim, eram cerca de 80 a treinar para Bugio.
sexta-feira, junho 03, 2005
Antes da Festa, muito que fazer - II
Os ensaios ocupam os quatro domingos anteriores à festa. Os feriados não contam nessa contabilidade.
No sábado anterior ao último domingo de ensaio, pelas 7 horas, o Velho dá ordens acerca do local em que se irão cortar os pinheiros para construir os castelos (os "Palanques"). Para essa tarefa vão muitos Bugios e os Mourisqueiros.
A seguir, tratam de construir os Palanques - o dos Bugios junto á estrada, perto do coreto e o dos Mourisqueiros a uma distância de cerca de 80 metros, na direcção da igreja.
A desmontagem destas estruturas deverá fazer-se no sábado a seguir á Festa, com a participação de elementos das duas formações.
Outra actividade que ocorre também antes da Festa é a marcação de um dia para que todos aqueles que têm canhão e tencionem dar tiros nos Palanques se juntem num sítio isolado, para fazer a experiência de dar um tiro (os dez quilos de pólvora adquiridos à empresa concessionária do fogo de artifício servem não apenas para a "Guerra" do dia de S. João, mas igualmente para esta experiência.
Os ensaios ocupam os quatro domingos anteriores à festa. Os feriados não contam nessa contabilidade.
No sábado anterior ao último domingo de ensaio, pelas 7 horas, o Velho dá ordens acerca do local em que se irão cortar os pinheiros para construir os castelos (os "Palanques"). Para essa tarefa vão muitos Bugios e os Mourisqueiros.
A seguir, tratam de construir os Palanques - o dos Bugios junto á estrada, perto do coreto e o dos Mourisqueiros a uma distância de cerca de 80 metros, na direcção da igreja.
A desmontagem destas estruturas deverá fazer-se no sábado a seguir á Festa, com a participação de elementos das duas formações.
Outra actividade que ocorre também antes da Festa é a marcação de um dia para que todos aqueles que têm canhão e tencionem dar tiros nos Palanques se juntem num sítio isolado, para fazer a experiência de dar um tiro (os dez quilos de pólvora adquiridos à empresa concessionária do fogo de artifício servem não apenas para a "Guerra" do dia de S. João, mas igualmente para esta experiência.
segunda-feira, maio 30, 2005
Antes da festa, muito que fazer - I
Tiveram ontem início os ensaios públicos de Bugios e Mourisqueiros. Como habitualmente, o local foi o Passal, apesar das obras que decorrem este ano na parte sudoeste. O mesmo acontecerá nos próximos três domingos, a partir das 18 horas. Todos vão vestidos "à civil", os Mourisqueiros empunhando uma pequena cana ou pau em lugar da espada e os Bugios levando castanhola.
Muita coisa se passa nos bastidores, neste período que antecede a Festa. Uma delas refere-se aos trajes dos Bugios, de que cada um deve cuidar (adquirindo novos, alugando, mandando restaurar eventuais estragos).
Outra coisa é o que se relaciona com a indigitação de quem irá ocupar funções como Semeador, Cego, Lavrador, Moço do Cego, Sapateiro, Moço do Sapateiro e Mulher do Sapateiro, personagens da Cobrança dos "Dreitos", da Sementeira, da Dança do Cego. O processo segue os seguintes passos:
- No fim dos ensaios do 1º e 2º domingos, os Guias e Rabos dos Bugios anotam o nome dos interessados em exercer funções.
- Se houver mais do que um interessado em cada um dos lugares - coisa que normalmente ocorre - a decisão sobre o assunto é tomada pelo Velho, coadjuvado pelos seus Guias e Rabos, na tarde do domingo em que ocorre o 3º ensaio e antes deste.
Tiveram ontem início os ensaios públicos de Bugios e Mourisqueiros. Como habitualmente, o local foi o Passal, apesar das obras que decorrem este ano na parte sudoeste. O mesmo acontecerá nos próximos três domingos, a partir das 18 horas. Todos vão vestidos "à civil", os Mourisqueiros empunhando uma pequena cana ou pau em lugar da espada e os Bugios levando castanhola.
Muita coisa se passa nos bastidores, neste período que antecede a Festa. Uma delas refere-se aos trajes dos Bugios, de que cada um deve cuidar (adquirindo novos, alugando, mandando restaurar eventuais estragos).
Outra coisa é o que se relaciona com a indigitação de quem irá ocupar funções como Semeador, Cego, Lavrador, Moço do Cego, Sapateiro, Moço do Sapateiro e Mulher do Sapateiro, personagens da Cobrança dos "Dreitos", da Sementeira, da Dança do Cego. O processo segue os seguintes passos:
- No fim dos ensaios do 1º e 2º domingos, os Guias e Rabos dos Bugios anotam o nome dos interessados em exercer funções.
- Se houver mais do que um interessado em cada um dos lugares - coisa que normalmente ocorre - a decisão sobre o assunto é tomada pelo Velho, coadjuvado pelos seus Guias e Rabos, na tarde do domingo em que ocorre o 3º ensaio e antes deste.
sábado, maio 28, 2005
Designação e competências do Velho e do Reimoeiro

(Crédito da foto: Museu da Pessoa)
A Festa aproxima-se a passos largos. Faz sentido entrar em alguns pormenores relativamente invisíveis, que muitos desconhecerão, relacionados com a Bugiada.
Antes de mais:
Quer o Velho quer o Reimoeiro são escolhidos e designados pela Comissão de Festas, tarefa este ano assumida pela Casa do Bugio, de acordo com os respectivos estatutos, e tendo como Juíz da Festa o empresário brasileiro, natural de Sobrado, Generoso Ferreira das Neves.
O critério primeiro para a escola destes lugares é o da antiguidade.
A partir do momento em que essa escolha se efectua, uma série de atribuições e responsabilidades competem a cada um destes altos postos. Assim:
O Velho da Bugiada:
- escolhe e designa os Guias e os Rabos
- arranja os músicos que acompanham a Bugiada
- assegura o cavalo que correrá as Embaixadas
- arranja os burros para a Sementeira
- escolhe os Advogados
- designa os Bugios que vão para cima do Castelo, controlam e dão a pólvora, dão os fulminantes e usam a vassoura
- designa as crianças que irão despedir-se do Velho e limpar-lhe as "bagadas"
- designa os que transmitem as mensagens ao Embaixador ("folhas")
- compete-lhe igualmente arranjar a pólvora, a corda para os instrumentos dos músicos
- cabe-lhe ainda arranjar os pinheiros para os dois castelos.
O Reimoeiro:
- designa os Guias, Meios e Rabos
- distribui as fardas da Comissão
- arranja "espadins", polainas e plumas (a Comissão não os tem em número bastante)
- arranja o "Caixa" que acompanha as danças dos Mourisqueiros.

(Crédito da foto: Museu da Pessoa)
A Festa aproxima-se a passos largos. Faz sentido entrar em alguns pormenores relativamente invisíveis, que muitos desconhecerão, relacionados com a Bugiada.
Antes de mais:
Quer o Velho quer o Reimoeiro são escolhidos e designados pela Comissão de Festas, tarefa este ano assumida pela Casa do Bugio, de acordo com os respectivos estatutos, e tendo como Juíz da Festa o empresário brasileiro, natural de Sobrado, Generoso Ferreira das Neves.
O critério primeiro para a escola destes lugares é o da antiguidade.
A partir do momento em que essa escolha se efectua, uma série de atribuições e responsabilidades competem a cada um destes altos postos. Assim:
O Velho da Bugiada:
- escolhe e designa os Guias e os Rabos
- arranja os músicos que acompanham a Bugiada
- assegura o cavalo que correrá as Embaixadas
- arranja os burros para a Sementeira
- escolhe os Advogados
- designa os Bugios que vão para cima do Castelo, controlam e dão a pólvora, dão os fulminantes e usam a vassoura
- designa as crianças que irão despedir-se do Velho e limpar-lhe as "bagadas"
- designa os que transmitem as mensagens ao Embaixador ("folhas")
- compete-lhe igualmente arranjar a pólvora, a corda para os instrumentos dos músicos
- cabe-lhe ainda arranjar os pinheiros para os dois castelos.
O Reimoeiro:
- designa os Guias, Meios e Rabos
- distribui as fardas da Comissão
- arranja "espadins", polainas e plumas (a Comissão não os tem em número bastante)
- arranja o "Caixa" que acompanha as danças dos Mourisqueiros.
quinta-feira, maio 12, 2005
Os que escrevem sobre a Bugiada - III
O Prof. António Custódio Gonçalves, num texto de meados dos anos 80, na Revista da Faculdade de Letras/Geografia, do Porto (I Série, Vol. I, 1985, pp.35-45), intitualado "Simbolização da violência social", refere-se a formas simbólicas de violência. A propósito das formas de ritualização (e esteticização) da violência, nomeadamente nas sociedades tradicionais (e não só), escreve o autor:
"Todos nós conhecemos certamente o ritual da 'bugiada', que se pratica na povoação do Sobrado, do concelho de Valongo. Todos os anos, Sobrado é palco duma 'arte marcial', imitada e repetida ao longo dos séculos, entre cristãos (que dão pelo nome de 'bugios') e mouros (grupo dos 'mourisqueiros' comandado pelo 'Reimoeiro' ou Rei Mouro). Para além dos ritos de fertilidade, o ritual da 'Dança do Cego' põe em cena o conflito e o constante refazer dos desequilíbrios da vida colectiva, sem que tal dinâmica lúdica acarrete a negação ou o aniquilamento de qualquer das partes em tensão: jogo altamente participado pela colectividade em que esta é aspergida por lama e excrementos".
O Prof. António Custódio Gonçalves, num texto de meados dos anos 80, na Revista da Faculdade de Letras/Geografia, do Porto (I Série, Vol. I, 1985, pp.35-45), intitualado "Simbolização da violência social", refere-se a formas simbólicas de violência. A propósito das formas de ritualização (e esteticização) da violência, nomeadamente nas sociedades tradicionais (e não só), escreve o autor:
"Todos nós conhecemos certamente o ritual da 'bugiada', que se pratica na povoação do Sobrado, do concelho de Valongo. Todos os anos, Sobrado é palco duma 'arte marcial', imitada e repetida ao longo dos séculos, entre cristãos (que dão pelo nome de 'bugios') e mouros (grupo dos 'mourisqueiros' comandado pelo 'Reimoeiro' ou Rei Mouro). Para além dos ritos de fertilidade, o ritual da 'Dança do Cego' põe em cena o conflito e o constante refazer dos desequilíbrios da vida colectiva, sem que tal dinâmica lúdica acarrete a negação ou o aniquilamento de qualquer das partes em tensão: jogo altamente participado pela colectividade em que esta é aspergida por lama e excrementos".
quarta-feira, maio 11, 2005
Os que escrevem sobre a Bugiada - II
Encontrei no weblog Adverb, de um americano "expatriado" em Portugal (de facto, alguém que se apaixonou por uma jornalista portuguesa), esta referência à festa de Sobrado, datada de 24 de Junho de 2003 (as fotos que colheu não se encontram disponíveis, presentemente):
"Missed the hammerfest last night, but made it to the Festa de S. João in the neighboring village of S. João de Sobrado today for the Procissão de S. João. (Procession of St. John) and the Dança Entrada de Mour e Bugios (Dancing Entrance of the Moors and the Bugios). The event is a parade, half religious and half, if I understand it correctly, a celebration of the role played by the Bugios in the defeat of the Moors in Portugal during the Middle Ages.No one I spoke to today had a clear idea of exactly who or what the Bugios were, or what role they played in defeating the Moors, but in the Dança Entrada de Mour e Bugios segment of the parade the Bugios were represented by a hundred or so men dressed in bright red costumes and a variety of festive masks. The program stated that both the Bugios and the Moors would 'enter dancing', but I couldn't tell who was supposed to be a Moor since they all wore essentially the same bright red military-style costume. Maybe the distinction was in the masks since I doubt that a Moor ever wore a bright red military uniform.An image of the religious portion of the parade. The icon is S. João."
Encontrei no weblog Adverb, de um americano "expatriado" em Portugal (de facto, alguém que se apaixonou por uma jornalista portuguesa), esta referência à festa de Sobrado, datada de 24 de Junho de 2003 (as fotos que colheu não se encontram disponíveis, presentemente):
"Missed the hammerfest last night, but made it to the Festa de S. João in the neighboring village of S. João de Sobrado today for the Procissão de S. João. (Procession of St. John) and the Dança Entrada de Mour e Bugios (Dancing Entrance of the Moors and the Bugios). The event is a parade, half religious and half, if I understand it correctly, a celebration of the role played by the Bugios in the defeat of the Moors in Portugal during the Middle Ages.No one I spoke to today had a clear idea of exactly who or what the Bugios were, or what role they played in defeating the Moors, but in the Dança Entrada de Mour e Bugios segment of the parade the Bugios were represented by a hundred or so men dressed in bright red costumes and a variety of festive masks. The program stated that both the Bugios and the Moors would 'enter dancing', but I couldn't tell who was supposed to be a Moor since they all wore essentially the same bright red military-style costume. Maybe the distinction was in the masks since I doubt that a Moor ever wore a bright red military uniform.An image of the religious portion of the parade. The icon is S. João."
segunda-feira, maio 09, 2005
Os que escrevem sobre a Bugiada - I
Encontrei, numa publicação intitulada Vida Lusa, de Setembro de 2003, disponível na Internet, a seguinte apresentação da Festa de S. João de Sobrado:
"Já que está em Valongo, pode dar um salto a Campo, para ver as minas de lousa, e a Sobrado, onde se realiza ainda uma das mais espantosas festas portuguesas e da própria Europa : um ritual a que deram o nome de “Bugiada”.
Na sua génese estará a sagração do Verão, representada através de uma guerre entre “Bugios” e “Mouriscos”, no dia de São João (24 de Junho). Os “Bugios”, que representam os cristãos antigos, mascaram-se e, como nas festas transmontanas dos Rapazes e dos Caretos, aproveitam o anonimato da máscara para as mais diversas partidas e críticas sociais.
Os “Mouriscos”, fardados e sisudos, em geral interpretados por rapazes solteiros, representam os mouros que habitavam na serra. E uma guerra entre o Bem e o Mal, mas em que os bons parecem muito mais sujos, desorganizados e travessos que os maus. E a derrota dos “Mouriscos” no fim da festa não é definitiva : depois de desbaratados pelo dragão dos “Bugios”, reorganizam-se no adro da igreja. Para o ano tudo recomecerá, pois a luta entre a Vida e a Morte, entre o Bem e o Mal, entre o Verão e o Inverno é eterna…"
Encontrei, numa publicação intitulada Vida Lusa, de Setembro de 2003, disponível na Internet, a seguinte apresentação da Festa de S. João de Sobrado:
"Já que está em Valongo, pode dar um salto a Campo, para ver as minas de lousa, e a Sobrado, onde se realiza ainda uma das mais espantosas festas portuguesas e da própria Europa : um ritual a que deram o nome de “Bugiada”.
Na sua génese estará a sagração do Verão, representada através de uma guerre entre “Bugios” e “Mouriscos”, no dia de São João (24 de Junho). Os “Bugios”, que representam os cristãos antigos, mascaram-se e, como nas festas transmontanas dos Rapazes e dos Caretos, aproveitam o anonimato da máscara para as mais diversas partidas e críticas sociais.
Os “Mouriscos”, fardados e sisudos, em geral interpretados por rapazes solteiros, representam os mouros que habitavam na serra. E uma guerra entre o Bem e o Mal, mas em que os bons parecem muito mais sujos, desorganizados e travessos que os maus. E a derrota dos “Mouriscos” no fim da festa não é definitiva : depois de desbaratados pelo dragão dos “Bugios”, reorganizam-se no adro da igreja. Para o ano tudo recomecerá, pois a luta entre a Vida e a Morte, entre o Bem e o Mal, entre o Verão e o Inverno é eterna…"
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