Arremedilhos e temperilhos
José da Silva Pinto faleceu ainda na década de 60 e quem conta o que se segue é o seu filho António. Noutros tempos, José punha em campo, por esta quadra, uma sabedoria antiga sobre o modo de lidar com o tempo. Eram os Arremedilhos. Começavam a 13 de Dezembro, festa de Santa Luzia (julgo que a padroeira dos olhos). E durante 12 dias consecutivos, que terminavam na Consoada de Natal, a cada dia que passava correspondia um mês do ano seguinte: conforme o tempo que dominasse nesse dia, assim seria o tempo que predominaria no correspondente mês.
A contra-prova ou confirmação repetia-se nos 12 primeiros dias de Janeiro: eram os Temperilhos (pronúncia: Temp'rilhos"). Aqueles que, como José, estavam atentos e registavam (na memória) tais antevisões eram, depois, consultados. Conta António:
"Por meados de Janeiro, apareciam-lhe um e outro no campo e perguntavam: 'Então, Zé, que marcam os Arremedilhos?"
Doze dias que antecediam, na cultura popular, as doze noites em que o mundo se invertia, em que os bobos podiam ser reis, tempos de festas de rapazes, entregues a si próprios, como em diversas terras transmontanas. Doze dias que antecediam as doze badaladas da meia noite da missa do galo ou das doze badaladas da mudança do ano. Tempos solsticiais, de transição, de recomeço. Tempos de reverso do fulgor do sol. Tempos, como o solstício de Junho, de folgas e folguedos, como no S. João de Sobrado.
(Ler, sobre este tema, "Os Filhos de Cronos").
terça-feira, dezembro 27, 2005
segunda-feira, dezembro 26, 2005
As últimas
... ainda que atrasadas: não surgiu qualquer lista candidata aos corpos gerentes da Casa do Bugio, na sequência da demissão dos anteriores.
Assim, analisada a situação, a Assembleia Geral decidiu prolongar até ao S. João o mandato da Comissão Administrativa, que foi "retocada" na sua composição.
Por outro lado, importa sublinhar que foi executada, nestas últimas semanas, a obra de reforço de uma viga deficientemente construída, que ameaçava a segurança no edifício da Casa do Bugio. Esta é a notícia boa que resultou da acção da Comissão Administrativa. A má notícia é que foram, entretanto, identificados sinais indiciadores de que várias outras vigas do mesmo edifício se encontram em mau estado, podendo, também elas, pôr em causa a segurança. Assim sendo, foi solicitado a várias instituições especializadas uma peritagem com vista a uma percepção rigorosa da situação. É nessa fase que as coisas actualmente se encontram.
Confrontada com o facto de a empresa construtora, depois de notificada, não ter assumido as suas responsabilidades nesta matéria, foi accionado o devido processo judicial que corre agora os seus termos.
Como é evidente, estas peripécias não colocam em causa a festa propriamente dita e a sua realização.
... ainda que atrasadas: não surgiu qualquer lista candidata aos corpos gerentes da Casa do Bugio, na sequência da demissão dos anteriores.
Assim, analisada a situação, a Assembleia Geral decidiu prolongar até ao S. João o mandato da Comissão Administrativa, que foi "retocada" na sua composição.
Por outro lado, importa sublinhar que foi executada, nestas últimas semanas, a obra de reforço de uma viga deficientemente construída, que ameaçava a segurança no edifício da Casa do Bugio. Esta é a notícia boa que resultou da acção da Comissão Administrativa. A má notícia é que foram, entretanto, identificados sinais indiciadores de que várias outras vigas do mesmo edifício se encontram em mau estado, podendo, também elas, pôr em causa a segurança. Assim sendo, foi solicitado a várias instituições especializadas uma peritagem com vista a uma percepção rigorosa da situação. É nessa fase que as coisas actualmente se encontram.
Confrontada com o facto de a empresa construtora, depois de notificada, não ter assumido as suas responsabilidades nesta matéria, foi accionado o devido processo judicial que corre agora os seus termos.
Como é evidente, estas peripécias não colocam em causa a festa propriamente dita e a sua realização.
terça-feira, novembro 08, 2005
Eleições antecipadas para a Casa do Bugio
As eleições para os novos corpos gerentes da Associação da Casa do Bugio terão lugar no dia 2 de Dezembro próximo. A decisão foi tomada por unanimidade no decorrer de uma assembleia geral realizada no passado dia 4, durante a qual um conjunto de membros dos corpos gerentes que se encontravam em funções apresentaram a sua demissão. O motivo desta atitude prendeu-se com a impossibilidade de superar dificuldades de funcionamento interno.
Para preparar o acto eleitoral foi eleita uma comissão administrativa constituída pelos seguintes membros dos três órgãos (Direcção, Mesa da Assembleia Geral e Conselho Fiscal):
- António José Dias dos Santos
- Jorge Manuel Rocha da Silva
- Manuel António da Silva Pinto Suzano
- Manuel Fernando Almeida Coelho
- Moisés António Moreira Gândara.
Esta Comissão Administrativa foi igualmente mandatada para tratar com a máxima urgência da reparação de uma das vigas do edifício da Casa do Bugio, por se considerar, baseado em parecer técnico, que pode pôr em risco a segurança dos utilizadores daquele espaço.
As eleições para os novos corpos gerentes da Associação da Casa do Bugio terão lugar no dia 2 de Dezembro próximo. A decisão foi tomada por unanimidade no decorrer de uma assembleia geral realizada no passado dia 4, durante a qual um conjunto de membros dos corpos gerentes que se encontravam em funções apresentaram a sua demissão. O motivo desta atitude prendeu-se com a impossibilidade de superar dificuldades de funcionamento interno.
Para preparar o acto eleitoral foi eleita uma comissão administrativa constituída pelos seguintes membros dos três órgãos (Direcção, Mesa da Assembleia Geral e Conselho Fiscal):
- António José Dias dos Santos
- Jorge Manuel Rocha da Silva
- Manuel António da Silva Pinto Suzano
- Manuel Fernando Almeida Coelho
- Moisés António Moreira Gândara.
Esta Comissão Administrativa foi igualmente mandatada para tratar com a máxima urgência da reparação de uma das vigas do edifício da Casa do Bugio, por se considerar, baseado em parecer técnico, que pode pôr em risco a segurança dos utilizadores daquele espaço.
quinta-feira, setembro 08, 2005
A Bugiada na TV
No próximo domingo, a edição do programa "Dia Santo" será dedicada à Festa de S. João de Sobrado e ao concelho de Valongo. A informação foi prestada por Cristina Alves, produtora da Mínima Ideia. O programa vai para o ar na Dois, às 19 horas.
Transcrevemos da sinopse do programa:
"A Festa da Bugiada celebra-se na freguesia de Sobrado, no município de Valongo, no dia de S. João, a 24 de Junho. O acto festivo evoca uma luta entre cristãos, que são denominados "Bugios", e mouros, designados "Mourisqueiros", em disputa por uma imagem milagrosa do santo. Esta narrativa baseia-se numa lenda secular, que tem corrido de gerações em gerações.Os Bugios, mascarados e vestidos de cores garridas, são temporariamente vencidos pelos Mourisqueiros, jovens aprumados de cara descoberta, mas acabam por vencer a luta graças a uma milagrosa serpente. Entre as encenações das contendas ocorrem diversos rituais e manifestações. Apesar de não haver documentos escritos sobre a tradição ela tem-se mantido e fortalecido ao longo dos séculos. Nos últimos anos, o número de intervenientes na festa tem ultrapassado o milhar.É com orgulho e com paixão que os sobradenses mantêm viva esta festividade. Durante todo o ano a comunidade local trabalha nos preparativos da festa. Há quem diga "A Bugiada está para os sobradenses assim como o Carnaval está para os brasileiros."
Partindo da ideia de mostrar a riqueza do nosso folclore materializado nas festas e tradições portuguesas, DIA SANTO é uma série documental que dedica 30 minutos semanais a uma festa popular, parte integrante da identidade e folclore nacionais, que urge preservar. Este programa é um documentário actual sobre o nosso património festivo.Cada programa desta série é dedicado a um Santo Padroeiro e respectivo Concelho ou a uma festa tradicional, alicerçada nas mais remotas tradições históricas e/ou religiosas. Estes programas são o retrato das romarias populares, são olhares sobre o país, a história, as lendas e tradições associadas a cada manifestação de fé, bem como, sobre alguns dos principais pontos de interesse turístico de cada Concelho retratado."
No próximo domingo, a edição do programa "Dia Santo" será dedicada à Festa de S. João de Sobrado e ao concelho de Valongo. A informação foi prestada por Cristina Alves, produtora da Mínima Ideia. O programa vai para o ar na Dois, às 19 horas.
Transcrevemos da sinopse do programa:
"A Festa da Bugiada celebra-se na freguesia de Sobrado, no município de Valongo, no dia de S. João, a 24 de Junho. O acto festivo evoca uma luta entre cristãos, que são denominados "Bugios", e mouros, designados "Mourisqueiros", em disputa por uma imagem milagrosa do santo. Esta narrativa baseia-se numa lenda secular, que tem corrido de gerações em gerações.Os Bugios, mascarados e vestidos de cores garridas, são temporariamente vencidos pelos Mourisqueiros, jovens aprumados de cara descoberta, mas acabam por vencer a luta graças a uma milagrosa serpente. Entre as encenações das contendas ocorrem diversos rituais e manifestações. Apesar de não haver documentos escritos sobre a tradição ela tem-se mantido e fortalecido ao longo dos séculos. Nos últimos anos, o número de intervenientes na festa tem ultrapassado o milhar.É com orgulho e com paixão que os sobradenses mantêm viva esta festividade. Durante todo o ano a comunidade local trabalha nos preparativos da festa. Há quem diga "A Bugiada está para os sobradenses assim como o Carnaval está para os brasileiros."
Partindo da ideia de mostrar a riqueza do nosso folclore materializado nas festas e tradições portuguesas, DIA SANTO é uma série documental que dedica 30 minutos semanais a uma festa popular, parte integrante da identidade e folclore nacionais, que urge preservar. Este programa é um documentário actual sobre o nosso património festivo.Cada programa desta série é dedicado a um Santo Padroeiro e respectivo Concelho ou a uma festa tradicional, alicerçada nas mais remotas tradições históricas e/ou religiosas. Estes programas são o retrato das romarias populares, são olhares sobre o país, a história, as lendas e tradições associadas a cada manifestação de fé, bem como, sobre alguns dos principais pontos de interesse turístico de cada Concelho retratado."
terça-feira, julho 12, 2005
A Banda de Música de Campo e a Bugiada
Existe em Sobrado a ideia de que nenhuma outra banda é capaz de tocar as músicas da Festa de S. João como o faz a Banda de S. Martinho de Campo (Valongo).
A prova disso aconteceu há já uns bons anos (não consegui apurar a data rigorosa,
mas foi pelo menos há três ou quatro décadas). Nesse ano, foram contratadas para a Festa duas bandas: a de Campo e a de Vilela. Combinou-se que cada qual entraria na Dança de Entrada. Acabada a procissão, a Banda de Campo dirigiu-se até perto da Capela das Alminhas, começou a tocar e trouxe a Mouriscada até ao cimo do Passal, como é costume. Dirigiu-se, depois, a Banda de Vilela para trazer a Bugiada. Começou a tocar, mas os Bugios não se mexeram e recusaram-se a avançar enquanto a Banda de Campo não foi fazer o serviço.
A ligação da Banda de Campo ao S. João é de tal forma que se tornou tradição, no final de outras festas que ocorrem na freguesia (Corpo de Deus, S. Gonçalo, Santo André e Senhora das Necessidades), a Banda encerrar a sua participação tocando a marcha de S. João. Nessa altura todos os presentes se põem a dançar à volta da Banda.
Quando os responsáveis da Comissão de Festas vão a S. Martinho para contratar a Banda para a Festa de S. João, esta já tem normalmente o dia 24 reservado: o destino é sempre Sobrado.
Existe em Sobrado a ideia de que nenhuma outra banda é capaz de tocar as músicas da Festa de S. João como o faz a Banda de S. Martinho de Campo (Valongo).
A prova disso aconteceu há já uns bons anos (não consegui apurar a data rigorosa,
mas foi pelo menos há três ou quatro décadas). Nesse ano, foram contratadas para a Festa duas bandas: a de Campo e a de Vilela. Combinou-se que cada qual entraria na Dança de Entrada. Acabada a procissão, a Banda de Campo dirigiu-se até perto da Capela das Alminhas, começou a tocar e trouxe a Mouriscada até ao cimo do Passal, como é costume. Dirigiu-se, depois, a Banda de Vilela para trazer a Bugiada. Começou a tocar, mas os Bugios não se mexeram e recusaram-se a avançar enquanto a Banda de Campo não foi fazer o serviço.A ligação da Banda de Campo ao S. João é de tal forma que se tornou tradição, no final de outras festas que ocorrem na freguesia (Corpo de Deus, S. Gonçalo, Santo André e Senhora das Necessidades), a Banda encerrar a sua participação tocando a marcha de S. João. Nessa altura todos os presentes se põem a dançar à volta da Banda.
Quando os responsáveis da Comissão de Festas vão a S. Martinho para contratar a Banda para a Festa de S. João, esta já tem normalmente o dia 24 reservado: o destino é sempre Sobrado.
quarta-feira, junho 29, 2005
Onde está a crise?

A edição de Junho do mensário "Alô Sobrado" concede um destacado e justo espaço à Festa de S. João de Sobrado, com textos de opinião e entrevistas ao Reimoeiro e ao velho da Bugiada. São documentos importantes para registar, que passam a fazer parte da memória da Festa. Mas perpassa em alguns passos desses trabalhos a ideia de que a Bugiada, em particular, está afectada por grave crise, chegando-se a defender a necessidade de um "ano zero da nova Bugiada". Diz-se aí que a tradição já não é o que era; que já não há ordem e se estão a diluir os rituais. Em resumo que existe uma "descaracterização da festa".
Se existe tal opinião, é bom que ela seja não só manifestada, mas também justificada. Ou seja, apoiada em argumentos. Há muitos bugios e alguns andarão longe do espírito da Festa? Provavelmente. Mas há muitos outros para quem a "paixão" continua a ser o critério primeiro de participação. Por exemplo, a festa deste ano teve uma participação de Bugios e Mourisqueiros ao nível dos anos anteriores e, tanto quanto se sabe, decorreu da melhor maneira, com muita dignidade e brilho. Incluindo nas "Estardalhadas" e na "Dança do Cego", como reconhece, por exemplo, Marco Vaqueiro, no blogue "Sobrado".
Que há aspectos a melhorar? Que há necessidade de se prestar a maior atenção para que a tradição não se adultere? Parece-me que sim. Mas, sinceramente, não consigo ver onde está a crise.

A edição de Junho do mensário "Alô Sobrado" concede um destacado e justo espaço à Festa de S. João de Sobrado, com textos de opinião e entrevistas ao Reimoeiro e ao velho da Bugiada. São documentos importantes para registar, que passam a fazer parte da memória da Festa. Mas perpassa em alguns passos desses trabalhos a ideia de que a Bugiada, em particular, está afectada por grave crise, chegando-se a defender a necessidade de um "ano zero da nova Bugiada". Diz-se aí que a tradição já não é o que era; que já não há ordem e se estão a diluir os rituais. Em resumo que existe uma "descaracterização da festa".
Se existe tal opinião, é bom que ela seja não só manifestada, mas também justificada. Ou seja, apoiada em argumentos. Há muitos bugios e alguns andarão longe do espírito da Festa? Provavelmente. Mas há muitos outros para quem a "paixão" continua a ser o critério primeiro de participação. Por exemplo, a festa deste ano teve uma participação de Bugios e Mourisqueiros ao nível dos anos anteriores e, tanto quanto se sabe, decorreu da melhor maneira, com muita dignidade e brilho. Incluindo nas "Estardalhadas" e na "Dança do Cego", como reconhece, por exemplo, Marco Vaqueiro, no blogue "Sobrado".
Que há aspectos a melhorar? Que há necessidade de se prestar a maior atenção para que a tradição não se adultere? Parece-me que sim. Mas, sinceramente, não consigo ver onde está a crise.
terça-feira, junho 28, 2005
Visitantes deste blogue espalhados pelo mundo
Na antevéspera de S. João, coloquei pela primeira vez um contador e analisador de visitas neste weblogue. Nos dias que decorreram desde então, já visitaram este sítio mais de uma centena de pessoas (mais de 150 se considerarmos as páginas visitadas). É certo que o endereço deste blogue foi anunciado no dia da
festa, o que pode ter ajudado na divulgação. Mas o mais interessante é que, entre as visitas, se encontram pessoas oriundas de países como os Estados Unidos, o Canadá, a Suécia, a Alemanha e até o Japão. Do Brasil, onde existem muitas tradições com afinidades com a de Sobrado e, sobretudo, onde há muitos emigrantes portugueses, ainda não chegou ninguém.
Seria interessante que este espaço se convertesse num ponto de encontro com muitos emigrantes de Sobrado que vivem e trabalham no Luxemburgo, na França, na Alemanha, no Reino Unido, na África do Sul e, claro, no Brasil. Os da primeira e da segunda geração, para quem a Festa é uma referência e um motivo de interesse. Sabemos que há emigrantes que marcam as suas férias de modo a coincidirem com o S. João. Há, com certeza, outras histórias da relação dos emigrantes com a Bugiada que merecem ser conhecidas. Fica o espaço à disposição, nomeadamente através do correio electrónico.
Na antevéspera de S. João, coloquei pela primeira vez um contador e analisador de visitas neste weblogue. Nos dias que decorreram desde então, já visitaram este sítio mais de uma centena de pessoas (mais de 150 se considerarmos as páginas visitadas). É certo que o endereço deste blogue foi anunciado no dia da
festa, o que pode ter ajudado na divulgação. Mas o mais interessante é que, entre as visitas, se encontram pessoas oriundas de países como os Estados Unidos, o Canadá, a Suécia, a Alemanha e até o Japão. Do Brasil, onde existem muitas tradições com afinidades com a de Sobrado e, sobretudo, onde há muitos emigrantes portugueses, ainda não chegou ninguém.Seria interessante que este espaço se convertesse num ponto de encontro com muitos emigrantes de Sobrado que vivem e trabalham no Luxemburgo, na França, na Alemanha, no Reino Unido, na África do Sul e, claro, no Brasil. Os da primeira e da segunda geração, para quem a Festa é uma referência e um motivo de interesse. Sabemos que há emigrantes que marcam as suas férias de modo a coincidirem com o S. João. Há, com certeza, outras histórias da relação dos emigrantes com a Bugiada que merecem ser conhecidas. Fica o espaço à disposição, nomeadamente através do correio electrónico.
segunda-feira, junho 27, 2005
Identidades
“Es estúpida la idea de que la multiplicación de los contactos con el exterior es una amenaza contra la identidad, algo que se escucha a menudo. (...) Creer esto presupone que hay una identidad desde siempre constituida así, y nunca fue el caso”.
Marc Augé, etnólogo, em entrevista ao diário argentino La Nación (22.6.2005)
“Es estúpida la idea de que la multiplicación de los contactos con el exterior es una amenaza contra la identidad, algo que se escucha a menudo. (...) Creer esto presupone que hay una identidad desde siempre constituida así, y nunca fue el caso”.
Marc Augé, etnólogo, em entrevista ao diário argentino La Nación (22.6.2005)
Olhares de gente de fora
* A produtora Mínima Ideia teve, durante o dia da Festa, duas equipas a recolher imagens e depoimentos para o programa "Dia Santo", sobre festas tradicionais portuguesas, que está previsto passar no canal Dois a partir de Agosto. (Procuraremos estar atentos para dar aqui informação sobre a data e a hora).
* Estava prevista uma visita de estudo à Festa de Sobrado por parte dos participantes de um curso de Verão organizado conjuntamente pela licenciatura em Antropologia da Universidade de Trás-os Montes e Alto Douro e pelo Departamento de Antropologia (Programa de Estudos Portugueses) da Universidade Louisville (Estados Unidos da América). O Curso tem por tema "Ecologia, política e cultura" e a guia desta visita foi
Paula Mota Santos, Universidade Fernando Pessoa.
Actualização (29.6.2005): Fomos informados pela Prof. Paula Mota Santos que, por várias circunstâncias, a visita teve de ser adiada para outra ocasião.
* Especificamente para estudar esta festa, esteve também presente uma estudante de doutoramento austríaca de nome Bárbara (infelizmente não registamos o seu apelido), que é uma especialista em etnomusicologia. Contamos dar mais informação sobre os seus estudos proximamente.
* A produtora Mínima Ideia teve, durante o dia da Festa, duas equipas a recolher imagens e depoimentos para o programa "Dia Santo", sobre festas tradicionais portuguesas, que está previsto passar no canal Dois a partir de Agosto. (Procuraremos estar atentos para dar aqui informação sobre a data e a hora).
* Estava prevista uma visita de estudo à Festa de Sobrado por parte dos participantes de um curso de Verão organizado conjuntamente pela licenciatura em Antropologia da Universidade de Trás-os Montes e Alto Douro e pelo Departamento de Antropologia (Programa de Estudos Portugueses) da Universidade Louisville (Estados Unidos da América). O Curso tem por tema "Ecologia, política e cultura" e a guia desta visita foi
Paula Mota Santos, Universidade Fernando Pessoa.
Actualização (29.6.2005): Fomos informados pela Prof. Paula Mota Santos que, por várias circunstâncias, a visita teve de ser adiada para outra ocasião.
* Especificamente para estudar esta festa, esteve também presente uma estudante de doutoramento austríaca de nome Bárbara (infelizmente não registamos o seu apelido), que é uma especialista em etnomusicologia. Contamos dar mais informação sobre os seus estudos proximamente.
domingo, junho 26, 2005
Textos publicados sobre a Festa de S. João de Sobrado
Dia de S. João celebrado com Festa da Bugiada
A vila de Sobrado, em Valongo, é hoje palco da tradicional Festa da Bugiada, considerada como uma das mais importantes tradições populares portuguesas.Esta comemoração resulta de uma lenda que foi transmitida de geração em geração, em que uma imagem milagrosa de S. João deu origem a uma luta entre mouros e cristãos, designados localmente por mourisqueiros e bugios, respectivamente.Tendo como mote esta história, a vila de Sobrado relembra todos os anos, ao longo do dia de S. João, esta tradição que mobiliza grande parte da população local.As festividades iniciam-se logo pelas 8 horas com a concentração e danças dos intervenientes da festa, na casa do velho da bugiada e do reimoeiro. Mas depois de uma manhã de danças, a hora do almoço é acompanhada por alguns sketches de crítica à vida local e nacional.A folia continua e às 15 horas um novo momento de animação se inicia com a chamada "Cobrança de Direitos" e, posteriormente, o ritual da "Lavra da Praça".Finalmente, às 17 horas, é feito aquele que é considerado um dos momentos mais espectaculares, uma cena de teatro popular designada "Dança do Cego" ou "Sapateirada".Já a tarde se encaminha para o fim quando é atingido o ponto alto da comemoração, desencadeando-se a guerra das duas formações. E é assim, com esta manifestação espontânea pelas ruas da vila, que a tradição é recordada por todos e mantém viva a lenda.
Cristina Riboira Jornal de Notícias, 24.6.2005
Batalha pela posse do santo
Mais de 700 populares participaram este ano na festa da Bugiada, inspirada numa lenda antiga. Ritual popular, ilustrado pela luta entre mourisqueiros e bugios, durou o dia todo.
"Não há nenhuma festa de S. João como esta", assegura Paula Ferreira, que reside em Valongo há 12 anos, e aprendeu a valorizar a Festa da Bugiada que, anualmente, é celebrada na vila de Sobrado, no dia 24, mobilizando a esmagadora maioria da população local.
Este ano, serão mais de 700 as pessoas que fizeram questão de integrar, como actores e foliões, o evento. O público existe em número maior multiplica-se e espalha-se, efusivo, por todos os lugares da vila.
Longe de nutrir pelo cumprimento do ritual, ilustrado pela batalha dos Mourisqueiros contra os Bugios, a mesma "devoção" que o marido, Joaquim Lobo, Paula destaca o que mais a impressiona "Isto é a verdadeira festa do povo. Todos os anos tem mais gente. E a juventude que, geralmente não adere às tradições, é a primeira a não deixar morrer a festa".
Tiago, 13 anos, é a prova. Mascarado e vestido com o rigor do veludo colorido, castanholas na mão, prepara-se para combater os mouros. "Andamos aqui, porque eles roubaram o S. João e querem prender o rei, que está inocente. Nós temos que o defender e recuperar o santo, pedindo-lhe que faça um milagre", conta, fazendo referência à lenda, sobre a qual não existe qualquer documento escrito, mas que foi passando de geração em geração, e dá o mote à festa.
"A Bugiada existe desde que eu me conheço", sublinha, eufórico, Amaro Leal, 68 anos, que noutros tempos também integrou "a luta das nações", mas hoje prefere ser, apenas, espectador. "Estar aqui, também é uma forma de participar".
Além da guerra dos mouros contra os cristãos, três outros momentos marcam a festa o teatro que traduz uma sátira à vida local, o ritual inverso da lavra da praça, a dança do cego.
Verdadeiro milagre de S. João
De cinco em cinco anos, faz questão de ser o juiz da festa da Bugiada, patrocinando-a. Generoso Ferreira das Neves, 76 anos, natural de Valongo emigrado no Brasil, regressa a casa a cada S. João para lhe agradecer o milagre concedido em 1992. "O meu filho Cassiano tinha sido sequestrado no Brasil. Eu estava em Paris quando recebi a notícia. Fiquei desesperado e pedi muito ao S. João para que o meu filho fosse devolvido são e salvo, como acabou por suceder", relata no . A partir daí, Generoso nunca mais deixou de estar presente no S. João de Sobrado. "Há 20 anos que faço questão de estar presente nos festejos, mas desde 1992 a minha devoção aumentou", confessa.
in Jornal de Notícias, 25 de Junho de 2005
Dia de S. João celebrado com Festa da Bugiada
A vila de Sobrado, em Valongo, é hoje palco da tradicional Festa da Bugiada, considerada como uma das mais importantes tradições populares portuguesas.Esta comemoração resulta de uma lenda que foi transmitida de geração em geração, em que uma imagem milagrosa de S. João deu origem a uma luta entre mouros e cristãos, designados localmente por mourisqueiros e bugios, respectivamente.Tendo como mote esta história, a vila de Sobrado relembra todos os anos, ao longo do dia de S. João, esta tradição que mobiliza grande parte da população local.As festividades iniciam-se logo pelas 8 horas com a concentração e danças dos intervenientes da festa, na casa do velho da bugiada e do reimoeiro. Mas depois de uma manhã de danças, a hora do almoço é acompanhada por alguns sketches de crítica à vida local e nacional.A folia continua e às 15 horas um novo momento de animação se inicia com a chamada "Cobrança de Direitos" e, posteriormente, o ritual da "Lavra da Praça".Finalmente, às 17 horas, é feito aquele que é considerado um dos momentos mais espectaculares, uma cena de teatro popular designada "Dança do Cego" ou "Sapateirada".Já a tarde se encaminha para o fim quando é atingido o ponto alto da comemoração, desencadeando-se a guerra das duas formações. E é assim, com esta manifestação espontânea pelas ruas da vila, que a tradição é recordada por todos e mantém viva a lenda.
Cristina Riboira Jornal de Notícias, 24.6.2005
Batalha pela posse do santo
Mais de 700 populares participaram este ano na festa da Bugiada, inspirada numa lenda antiga. Ritual popular, ilustrado pela luta entre mourisqueiros e bugios, durou o dia todo.
"Não há nenhuma festa de S. João como esta", assegura Paula Ferreira, que reside em Valongo há 12 anos, e aprendeu a valorizar a Festa da Bugiada que, anualmente, é celebrada na vila de Sobrado, no dia 24, mobilizando a esmagadora maioria da população local.
Este ano, serão mais de 700 as pessoas que fizeram questão de integrar, como actores e foliões, o evento. O público existe em número maior multiplica-se e espalha-se, efusivo, por todos os lugares da vila.
Longe de nutrir pelo cumprimento do ritual, ilustrado pela batalha dos Mourisqueiros contra os Bugios, a mesma "devoção" que o marido, Joaquim Lobo, Paula destaca o que mais a impressiona "Isto é a verdadeira festa do povo. Todos os anos tem mais gente. E a juventude que, geralmente não adere às tradições, é a primeira a não deixar morrer a festa".
Tiago, 13 anos, é a prova. Mascarado e vestido com o rigor do veludo colorido, castanholas na mão, prepara-se para combater os mouros. "Andamos aqui, porque eles roubaram o S. João e querem prender o rei, que está inocente. Nós temos que o defender e recuperar o santo, pedindo-lhe que faça um milagre", conta, fazendo referência à lenda, sobre a qual não existe qualquer documento escrito, mas que foi passando de geração em geração, e dá o mote à festa.
"A Bugiada existe desde que eu me conheço", sublinha, eufórico, Amaro Leal, 68 anos, que noutros tempos também integrou "a luta das nações", mas hoje prefere ser, apenas, espectador. "Estar aqui, também é uma forma de participar".
Além da guerra dos mouros contra os cristãos, três outros momentos marcam a festa o teatro que traduz uma sátira à vida local, o ritual inverso da lavra da praça, a dança do cego.
Verdadeiro milagre de S. João
De cinco em cinco anos, faz questão de ser o juiz da festa da Bugiada, patrocinando-a. Generoso Ferreira das Neves, 76 anos, natural de Valongo emigrado no Brasil, regressa a casa a cada S. João para lhe agradecer o milagre concedido em 1992. "O meu filho Cassiano tinha sido sequestrado no Brasil. Eu estava em Paris quando recebi a notícia. Fiquei desesperado e pedi muito ao S. João para que o meu filho fosse devolvido são e salvo, como acabou por suceder", relata no . A partir daí, Generoso nunca mais deixou de estar presente no S. João de Sobrado. "Há 20 anos que faço questão de estar presente nos festejos, mas desde 1992 a minha devoção aumentou", confessa.
in Jornal de Notícias, 25 de Junho de 2005
quinta-feira, junho 23, 2005
Programa da Festa
Dia de S. João, 24 de Junho

:: 8 h - concentração e danças na casa do Velho da Bugiada e do Reimoeiro.
:: 10h - missa de festa na Igreja paroquial. Enquanto decorre a missa, Mourisqueiros e Bugios dirigem-se às instalações da Casa do Bugio, para o "jantar", antecedido e seguido de danças. No fim, os mouros dirigem-se à Igreja para pegar no andor do Santo, inseridos na procissão.
::12.45h - Danças de Entrada (partida da capela das Alminhas e chegada junto á igreja, ao fundo do Passal). Primeiro desfilam os Mourisqueiros e, depois, os Bugios. No fim do desfile, entram igualmente as "estardalhadas" (skteches de crítica à vida social local e nacional)
:: 15h - Cobrança dos direitos
:: 15.30h - Sementeira e Lavra da praça
:: 17h - Dança do Cego
:: 18h - Dança do Doce (no pátio da residência paroquial)
:: 19h - Início da prisão do Velho, nos "castelos" situados no Passal.
:: 20.30h - Dança do Santo.
Nota importante
- Os horários são meramente indicativos
(Gravura: Barretinas do Reimoeiro e do Velho da Bugiada deste ano, a estrear amanhã, confeccionadas por Margarida Suzano e Manuel António Pinto. Foto MP)
Dia de S. João, 24 de Junho

:: 8 h - concentração e danças na casa do Velho da Bugiada e do Reimoeiro.
:: 10h - missa de festa na Igreja paroquial. Enquanto decorre a missa, Mourisqueiros e Bugios dirigem-se às instalações da Casa do Bugio, para o "jantar", antecedido e seguido de danças. No fim, os mouros dirigem-se à Igreja para pegar no andor do Santo, inseridos na procissão.
::12.45h - Danças de Entrada (partida da capela das Alminhas e chegada junto á igreja, ao fundo do Passal). Primeiro desfilam os Mourisqueiros e, depois, os Bugios. No fim do desfile, entram igualmente as "estardalhadas" (skteches de crítica à vida social local e nacional)
:: 15h - Cobrança dos direitos
:: 15.30h - Sementeira e Lavra da praça
:: 17h - Dança do Cego
:: 18h - Dança do Doce (no pátio da residência paroquial)
:: 19h - Início da prisão do Velho, nos "castelos" situados no Passal.
:: 20.30h - Dança do Santo.
Nota importante
- Os horários são meramente indicativos
(Gravura: Barretinas do Reimoeiro e do Velho da Bugiada deste ano, a estrear amanhã, confeccionadas por Margarida Suzano e Manuel António Pinto. Foto MP)
quarta-feira, junho 22, 2005
Generoso Ferreira das Neves, Juiz da Festa 2005
- Uma história de vida marcada pelo S. João
Generoso Ferreira das Neves, nascido em Sobrado, Valongo, no dia 26 de Setembro de 1929, é o Juiz da Festa deste ano, em honra de S. João. Empresário bem sucedido no Brasil, para onde emigrou em 1959, mantém uma estreita ligação com a sua terra natal, que jamais deixa de visitar, sempre que se desloca a Portugal.
“Desde há cerca de 20 anos que faço questão de estar em Sobrado por altura dos festejos em honra de S. João. Não só porque nasci aqui, mas também porque me permite reviver tempos idos, quando me vi no papel de mourisqueiro, então ainda solteiro, e depois, já casado, também como bugio, tendo ocupado vários cargos”, começou por destacar.
Generoso Ferreira das Neves justificou ainda a sua presença “obrigatória” na festa de Sobrado com um acontecimento marcante da sua vida:
“A minha devoção pelo S. João aumentou consideravelmente a partir de 1992, quando o meu filho Cassiano foi sequestrado no Brasil. Ao contrário do que vinha sucedendo, nesse ano, decidi partir para Paris, alguns dias antes do S. João, com alguns familiares e amigos. Estava na capital francesa quando recebi a notícia do rapto e sequestro. Fiquei desesperado e, então, pedi muito ao S. João para que o meu filho fosse devolvido são e salvo, como de facto acabou por suceder. A partir daí, nunca mais deixei de estar presente no S. João de Sobrado. E mais: faço questão de ser o juiz da festa, de cinco em cinco anos, enquanto viver”.
O nosso interlocutor recordou ainda alguns episódios que atestam a sua profunda ligação a Sobrado e ao S. João:
“Há mais ou menos 20 anos, apercebi-me que o relógio da torre da igreja estava parado e ofereci-me para pagar a reparação (50 contos), gesto que foi destacado pelo padre na missa do domingo seguinte e que fez com que toda a gente ficasse a saber quem eu era, embora eu nunca tenha pedido o que quer que fosse ao padre; depois, quando me casei pela segunda vez, no Brasil, há 38 anos, a cerimónia teve lugar na Igreja de S. João, em São Luís do Maranhão; e, por último, foi ainda por meu intermédio que o meu sócio e amigo do coração Jacob Barata se ofereceu para custear o elevador da Casa do Bugio (cerca de 3500 contos).”
Este ano e na qualidade de juiz da festa, Generoso Ferreira das Neves faz-se acompanhar de D. Franci, sua esposa, de sua filha Cristiane e seu genro Bruno (recém-casados), do seu filho mais velho Generosinho e esposa, e ainda dos seus sócios Jacob Barata e filho e Salviano Valente, que considera “seus irmãos, não de sangue, mas do coração”.
(Colaboração especial do jornalista Manuel Neto, a quem agradecemos).
- Uma história de vida marcada pelo S. João
Generoso Ferreira das Neves, nascido em Sobrado, Valongo, no dia 26 de Setembro de 1929, é o Juiz da Festa deste ano, em honra de S. João. Empresário bem sucedido no Brasil, para onde emigrou em 1959, mantém uma estreita ligação com a sua terra natal, que jamais deixa de visitar, sempre que se desloca a Portugal.“Desde há cerca de 20 anos que faço questão de estar em Sobrado por altura dos festejos em honra de S. João. Não só porque nasci aqui, mas também porque me permite reviver tempos idos, quando me vi no papel de mourisqueiro, então ainda solteiro, e depois, já casado, também como bugio, tendo ocupado vários cargos”, começou por destacar.
Generoso Ferreira das Neves justificou ainda a sua presença “obrigatória” na festa de Sobrado com um acontecimento marcante da sua vida:
“A minha devoção pelo S. João aumentou consideravelmente a partir de 1992, quando o meu filho Cassiano foi sequestrado no Brasil. Ao contrário do que vinha sucedendo, nesse ano, decidi partir para Paris, alguns dias antes do S. João, com alguns familiares e amigos. Estava na capital francesa quando recebi a notícia do rapto e sequestro. Fiquei desesperado e, então, pedi muito ao S. João para que o meu filho fosse devolvido são e salvo, como de facto acabou por suceder. A partir daí, nunca mais deixei de estar presente no S. João de Sobrado. E mais: faço questão de ser o juiz da festa, de cinco em cinco anos, enquanto viver”.
O nosso interlocutor recordou ainda alguns episódios que atestam a sua profunda ligação a Sobrado e ao S. João:
“Há mais ou menos 20 anos, apercebi-me que o relógio da torre da igreja estava parado e ofereci-me para pagar a reparação (50 contos), gesto que foi destacado pelo padre na missa do domingo seguinte e que fez com que toda a gente ficasse a saber quem eu era, embora eu nunca tenha pedido o que quer que fosse ao padre; depois, quando me casei pela segunda vez, no Brasil, há 38 anos, a cerimónia teve lugar na Igreja de S. João, em São Luís do Maranhão; e, por último, foi ainda por meu intermédio que o meu sócio e amigo do coração Jacob Barata se ofereceu para custear o elevador da Casa do Bugio (cerca de 3500 contos).”
Este ano e na qualidade de juiz da festa, Generoso Ferreira das Neves faz-se acompanhar de D. Franci, sua esposa, de sua filha Cristiane e seu genro Bruno (recém-casados), do seu filho mais velho Generosinho e esposa, e ainda dos seus sócios Jacob Barata e filho e Salviano Valente, que considera “seus irmãos, não de sangue, mas do coração”.
(Colaboração especial do jornalista Manuel Neto, a quem agradecemos).
terça-feira, junho 21, 2005
"Portugal no Coração" (RTP) apresenta hoje as Bugiadas
Na edição de hoje do programa da RTP "Portugal no Coração" está prevista a participação de um grupo de sobradenses, para apresentar a festa deste ano. Além de aspectos relacionados com a história e o programa da Festa de S. João, estarão em estúdio Bugios e Mourisqueiros que envergarão os respectivos trajes, a fim de que se possa dar uma ideia desta tradição.
É grande, nestas alturas, a pressão para que se executem danças. Mas isso seria começar a matar a festa. As danças têm um sítio e um dia próprios e não são mero folclore de exibição. Têm um lado ritual que a maioria dos sobradenses não quer ver "profanado".
Na edição de hoje do programa da RTP "Portugal no Coração" está prevista a participação de um grupo de sobradenses, para apresentar a festa deste ano. Além de aspectos relacionados com a história e o programa da Festa de S. João, estarão em estúdio Bugios e Mourisqueiros que envergarão os respectivos trajes, a fim de que se possa dar uma ideia desta tradição.
É grande, nestas alturas, a pressão para que se executem danças. Mas isso seria começar a matar a festa. As danças têm um sítio e um dia próprios e não são mero folclore de exibição. Têm um lado ritual que a maioria dos sobradenses não quer ver "profanado".
Os castelos já estão preparados para o combate
Os castelos ou palanques de Bugios e Mourisqueiros devem ser construídos no sábado anterior ao último ensaio da festa. Vai-se ao monte buscar os pinheiros e a uma serração buscar as tábuas. Depois os Bugios e Mourisqueiros constroem cada qual a sua fortificação. No dia, os cantos serão guarnecidos de bandeiras e o castelo dos Bugios com folhagem verde. É por baixo deste último que, ao fim da tarde, será colocada a temível Serpe, a qual irá ser o segredo da vitória dos Bugios.
Os castelos ou palanques de Bugios e Mourisqueiros devem ser construídos no sábado anterior ao último ensaio da festa. Vai-se ao monte buscar os pinheiros e a uma serração buscar as tábuas. Depois os Bugios e Mourisqueiros constroem cada qual a sua fortificação. No dia, os cantos serão guarnecidos de bandeiras e o castelo dos Bugios com folhagem verde. É por baixo deste último que, ao fim da tarde, será colocada a temível Serpe, a qual irá ser o segredo da vitória dos Bugios.
segunda-feira, junho 20, 2005
Do "dia da cabidela" ao "dia dos tremoços"
No Largo do Passal, este ano "roído" em mais um bocado, já estão construídos os castelos. Como é tradição, o dos Bugios junto à estrada e o dos Mourisqueiros a uns 40 metros, na direcção da igreja paroquial, sob os plátanos.
A tarefa começou e acabou no sábado, sob orientação geral do Velho da Bugiada, que deu a indicação do local onde os pinheiros deveriam ser cortados e tratou das tábuas para o tablado. No fim da tarefa, os participantes e outros convidados juntaram-se para comer um arroz de cabidela, como é de uso.
Ontem já foram na ordem das centenas as pessoas que acompanharam Bugios e Mourisqueiros até à Casa do Bugio, para os célebres tremoços, no fim do derradeiro ensaio. Perto de quarenta quilos foram distribuídos nas travessas, juntamente com azeitona, broa e vinho previamente seleccionado num lavrador local.

Como é hábito, no último ensaio, os mourisqueiros já trazem o "espadim" a sério e a faixa, que é para acertar a posição em que deve ser colocada, visto que tem que jogar com a posição que cada Mourisqueiro ocupa na formatura.
Definidos os titulares de algumas funções
No dia do terceiro ensaio, saiu a lista daqueles que irão ocupar funções "especiais" no dia de S. João e que é a seguinte:
- Colher direitos - Lindoro Cavadas
- Semear - Joaquim Miranda
- Gradar - Domingos Cuco
- Lavrar - Fernando Cardoso
- Sapateiro - Joaquim do Juca
- Cego - Carlos Andrade
- Mulher do Sapateiro - António Poeira
- Moço do Sapateiro - Joaquim Brito
- Moço do Cego - Luís Loira.
Ao mesmo tempo, estamos em condições de divulgar a lista dos músicos que compõem a "orquestra" que aceitou acompanhar graciosamente as danças dos Bugios (assim demonstrando que continua a não faltar nesta Festa gente que gosta dela):
- Alberto Ferreira - Violino
- Diana Costa - Violino
- Elsa Carneiro - Violino
- Lindoro Pinto - Violino
- Lúcio Tibeiro - Violino
- Alfredo Ferreira - Viola
- António Silva - Viola
- Armando Dias - Viola
- Eduardo Monteiro - Viola
- João Paulo - Viola.
No Largo do Passal, este ano "roído" em mais um bocado, já estão construídos os castelos. Como é tradição, o dos Bugios junto à estrada e o dos Mourisqueiros a uns 40 metros, na direcção da igreja paroquial, sob os plátanos.
A tarefa começou e acabou no sábado, sob orientação geral do Velho da Bugiada, que deu a indicação do local onde os pinheiros deveriam ser cortados e tratou das tábuas para o tablado. No fim da tarefa, os participantes e outros convidados juntaram-se para comer um arroz de cabidela, como é de uso.
Ontem já foram na ordem das centenas as pessoas que acompanharam Bugios e Mourisqueiros até à Casa do Bugio, para os célebres tremoços, no fim do derradeiro ensaio. Perto de quarenta quilos foram distribuídos nas travessas, juntamente com azeitona, broa e vinho previamente seleccionado num lavrador local.

Como é hábito, no último ensaio, os mourisqueiros já trazem o "espadim" a sério e a faixa, que é para acertar a posição em que deve ser colocada, visto que tem que jogar com a posição que cada Mourisqueiro ocupa na formatura.
Definidos os titulares de algumas funções
No dia do terceiro ensaio, saiu a lista daqueles que irão ocupar funções "especiais" no dia de S. João e que é a seguinte:
- Colher direitos - Lindoro Cavadas
- Semear - Joaquim Miranda
- Gradar - Domingos Cuco
- Lavrar - Fernando Cardoso
- Sapateiro - Joaquim do Juca
- Cego - Carlos Andrade
- Mulher do Sapateiro - António Poeira
- Moço do Sapateiro - Joaquim Brito
- Moço do Cego - Luís Loira.
Ao mesmo tempo, estamos em condições de divulgar a lista dos músicos que compõem a "orquestra" que aceitou acompanhar graciosamente as danças dos Bugios (assim demonstrando que continua a não faltar nesta Festa gente que gosta dela):
- Alberto Ferreira - Violino
- Diana Costa - Violino
- Elsa Carneiro - Violino
- Lindoro Pinto - Violino
- Lúcio Tibeiro - Violino
- Alfredo Ferreira - Viola
- António Silva - Viola
- Armando Dias - Viola
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