segunda-feira, julho 17, 2006
Morreu o sr. José Marujo
Realizou-se hoje o funeral de um ilustre sobradense, o sr. José António Ferreira Marujo. Além de ter sido presidente da Junta, ainda antes do 25 de Abril de 1974, foi igualmente uma figura durante muitos anos ligada à Festa de S. João, como ainda no mês passado se viu, no filme de Ângelo Peres projectado no Centro Social e Cultural. Na verdade, no momento da Prisão do Velho, era ele que, agarrado ao microfone, e em toada apologética, narrava a lenda que dá origem às lutas entre Bugios e Mourisqueiros. Jogando com a verdade histórica e com interpretações sui generis, criava um ambiente de emoção em torno do enredo que se desenrolava no palanque dos Bugios. Muita gente gostava.
quarta-feira, julho 05, 2006
segunda-feira, junho 26, 2006
Referências noutros blogues
Varias são as referências à Festa de S. João noutros blogues. Destaco, pelo seu valor, o post publicado por TsiWari, um leitor atento deste espaço, que tem no seu blogue 4thefun, umas fotos muito interessantes e um trecho da marcha da Dança de Entrada, executada pela Banda de S. Martinho de Campo (Valongo, a qual, com a devida vénia, aqui tomo de empréstimo (clicar no quadradinho da esquerda da imagem para ouvir):
sexta-feira, junho 23, 2006
Mouros e cristãos: quase 300 festas identificadas
No colóquio que decorreu no passado dia 16, em Sobrado, sobre a festa de S. João, voltou a ser suscitada a questão da origem e antiguidade desta tradição. Sobre este assunto, a documentação é de uma exiguidade confrangedora. Por isso, uma das vias para chegarmos a alguma conclusão é conhecermos a génese de outras festas idênticas.Já quando escrevi o livrinho publicado em 1982, ao ler "Fiestas de Moros y Cristianos y su Problematica", de G.G. Gallent, me apercebi que em Espanha poderia residir uma pista importante para compreender melhor a Bugiada e Mouriscada de Sobrado. Um artigo relativamente recente, de Demetrio E. Brisset Martín, professor da Universidad de Málaga ("Fiestas hispanas de moros y cristianos. Historia y significados", in Gazeta de Antroplogia, nº 17, de 2001) fornece importantes achegas para o estudo que se impõe.
Por aí ficamos a saber que muitas destas festas apresentam uma estrtura narrativa que evoca a conquista ou reconquista (de terras, castelos, etc) aos muçulmanos. Como sabemos, em Sobrado, a evocação centra-se na disputa de uma imagem milagrosa de S. João, o que pode denotar apenas uma variante de um modelo festivo-ritual mais amplo. Escreve Brisset Martin:
"Estos enfrentamientos rituales, impregnados de una ostensible exaltación de la religión católica, son un fogoso y rejuvenecido rescoldo de una de las modalidades de diversión popular más profusamente implantadas en la Península y transportada por los españoles a todas las áreas por las que extendieron su cultura. Y este fenómeno abarca por lo menos ocho siglos."
O mesmo autor atribui aos aragoneses a difusão de "espectáculos baseados no combate fictício entre um grupo mouro e outro cristão". Contudo, acrescenta:
"Fue el rey Felipe II quien los convirtió en emblema de las diversiones que quería para sus súbditos. Y a su muerte, cuando el imperio español todavía parecía gozar del máximo esplendor, se habían convertido en la más popular de las fiestas hispánicas. Durante el Siglo de Oro llegaron a implantarse desde Ceuta hasta Manila, teniendo su réplica en la propia Estambul, invertido aquí el bando victorioso. Y los más preclaros ingenios, muchos de ellos clérigos, compusieron textos de Moros y Cristianos para ser representados en corrales y en procesiones del Corpus".
Encontramos aqui muitas pistas para o estudo da festa de Sobrado. Não podemos esquecer que Filipe II foi o "nosso" Filipe I, da dinastia chamada filipina, quando os espanhois dominaram em Portugal, entre 1580 e 1640. Mas a relação entre a Festa da Bugiada e a do Corpo de Deus parece-me outro filão a explorar.
Afinal, o que é a Festa da Bugiada?
Para todos aqueles que, nestes dias, vêm aqui pela primeira vez e pretendem saber em que consiste a Festa da Bugiada e da Mouriscada de Sobrado, recordo dois sítios que podem ser úteis.
- Para uma breve apresentação, ver Festa da Bugiada, na Wikipedia
- Para uma leitura mais extensa, consultar o meu texto sobre a Festa, na Biblioteca Online de Ciências da Comunicação.
- Para uma breve apresentação, ver Festa da Bugiada, na Wikipedia
- Para uma leitura mais extensa, consultar o meu texto sobre a Festa, na Biblioteca Online de Ciências da Comunicação.
quinta-feira, junho 22, 2006
Uma sessão memorável
Mais de uma centena de pessoas viveram ontem à noite, em Sobrado, um momento memorável, com a projecção do filme "Bugiadas", do realizador Ângelo Peres. Com a duração de 37 minutos, o filme mostra a festa de S. João de Sobrado de 1977, dando-nos a ver, no ecrã, além dos que já desapareceram, os que eram, então, jovens protagonistas e são agora cinquentões, e crianças que hoje são adultos maduros.Foi uma experiência do melhor que o cinema pode dar, que é quando as pessoas se vêem e se sentem naquilo que vêem; tomam consciência da passagem do tempo (do pouco que se vê, dá para perceber como a freguesia mudou, entretanto); e, na experiência feita, reavivam a memória, condição absolutamente vital da construção do futuro.
No final, foi prestada uma singela homenagem ao realizador, actualmente professor na Universidade do Minho, o qual teve o gesto de oferecer à Casa do Bugio a lata com o filme original ontem visto (entretanto digitalizado na Tóbis, na última semana).
Bugiada já está a "mexer"
Sob o título "Bugiada já está a 'mexer'", escreve o jornalista Nuno Silva, no Jornal de Notícias de hoje, na secção de Grande Porto:"Mouros e cristãos voltam a confrontar-se, depois de amanhã, em Sobrado, Valongo. A eterna batalha entre os também conhecidos por mourisqueiros e bugios pela posse da imagem milagrosa de S. João "ressuscita" a lenda que todos os anos traz milhares de pessoas às ruas da vila. Os preparativos para a Festa da Bugiada estão em marcha e a tradição, claro, será religiosamente cumprida.
António Pinto, um dos organizadores, adiantou ao JN que, este ano, serão cerca de 600 os figurantes que darão corpo às encenações (danças e lutas) que marcam as festividades. A animação arranca às 8 horas e prolongar-se-á até cerca das 21 horas, passando por diversos pontos da freguesia valonguense, com destaque para o Passal, em frente à igreja matriz.
A "guerra " pela imagem do S. João, o ponto alto do dia, está marcada para as 19 horas. Bugios e mourisqueiros medem forças. Os primeiros usam máscaras, penachos e castanholas e têm espírito folião. Os adversários trajam fatos coloridos, barretinas e usam espadas. Representam a vertente "militar", mas acabam por ser batidos. Além da batalha, não vão faltar várias encenações de crítica social, a Dança de Entrada, os rituais da lavra da praça (em que as operações são feitas na ordem inversa) e as habituais Sapateirada, Dança do Cego e Prisão do Velho.
Na contagem decrescente para uma festa popular que se tornou uma das imagens de marca de Sobrado, os preparativos seguem a bom ritmo. António Pinto deu conta de que os palanques já estão montados desde sábado e que já têm decorrido outras iniciativas culturais relacionadas com a festa.
(Foto de José Carmo/Arquivo JN, representando a sementeira)
domingo, junho 18, 2006
Afirmar a identidade da Bugiada
O colóquio sobre a Festa de S. João de Sobrado, que decorreu na passada sexta-feira à noite, na sede da Junta de Freguesia, além de ter sido, tanto quanto me lembro, a primeira iniciativa do género promovida em terra sobradense, foi também excelente ocasião para debater alguns pontos importantes sobre a festa.O contributo do Dr. Helder Pacheco, que tem prestado um serviço importante na divulgaçao da festa através dos seus livros, incidiu particularmente em dois pontos:
- o carácter único das Bugiadas e Mouriscadas de Sobrado no panorama das festas tradicionais portuguesas e mesmo europeias;
- o dilema entre manter a Bugiada na sua autenticidade e procurar conferir-lhe projecção e visibilidade aquém e além-fronteiras.
Para este especialista da história e da cultura popular do Porto, o caminho, em qualquer caso, não pode ser outro que manter "fidelidade às raízes" e apostar na conservação da memória e no que esta festa tem de distinto e diverso. Não afirmar esta diferença e esta identidade própria seria absolutamente fatal, no contexto de uma Europa cinzenta e carente de côr.
(Outros aspectos deste colóquio serão, a seu tempo, registados aqui).
sexta-feira, junho 16, 2006
Mais uma história
Não têm fim as histórias que se contam em Sobrado, demonstrativas da paixão pela Bugiada e pela Mouriscada
Esta passou-se com uma família dos Senande e é contada por um dos filhos:
O pai estava emigrado na Venezuela. Sempre que podia, vinha a Sobrado para ir de Bugio. Aconteceu alguns anos vir directo para a festa e os familiares saberem que ele cá estava quando já estava a dançar.
Num certo ano, veio munido de uma máquina de filmar e fez um filme sobre a Bugiada que levou para o país em que vivia e trabalhava. Nos anos em que não podia vir a Sobrado ao S. João, projectava o filme numa parede e punha os filhos a dançar a Bugiada.
Esta passou-se com uma família dos Senande e é contada por um dos filhos:
O pai estava emigrado na Venezuela. Sempre que podia, vinha a Sobrado para ir de Bugio. Aconteceu alguns anos vir directo para a festa e os familiares saberem que ele cá estava quando já estava a dançar.
Num certo ano, veio munido de uma máquina de filmar e fez um filme sobre a Bugiada que levou para o país em que vivia e trabalhava. Nos anos em que não podia vir a Sobrado ao S. João, projectava o filme numa parede e punha os filhos a dançar a Bugiada.
A foto mais antiga?

Segundo declarações de Maria Margarida de Sousa Fernandes, a 15 de Junho de 2000, ao Museu da Pessoa, a foto junta refere-se ao almoço dos Mourisqueiros na Festa da Bugiada em 1913. Ao topo da mesa encontrar-se-ia o Reimoeiro Alberto Martins Fernandes, pai da entrevistada. A ser assim, esta seria a foto mais antiga que se conhece da festa de Sobrado.
segunda-feira, junho 12, 2006
Programa da Festa de S. João 2006
A festa de S. João de Sobrado deste ano inclui, no cartaz, e para além dos aspectos que já são tradicionais, um vasto conjunto de manifestações culturais e recreativas. Sublinhando apenas aquilo que se relaciona directamente com a Bugiada e Mouriscada, destaca-se:
Dia 16 - Às 21.30h, na sede da Junta de Freguesia de Sobrado, conferência sobre a Bugiada e o seu contexto local e global, por Helder Pacheco e Manuel Pinto.
Dia 17 - De manhã, construção dos palanques de Bugios e Mourisqueiros.
Dia 18 - Às 17.30h, ultimo ensaio no Passal e os tradicionais Tremoços com beberete, na Casa do Bugio
Dia 21 - Às 21.30h, no Centro Social e Cultural de Sobrado, Projecção do filme de cinema sobre a festa de S. João em 1977 (realizador: Ângelo Peres e cooperativa Moviola). (esta data foi corrigida; encontrava-se referido o dia 22).
Dia 24 - A partir das 8h e até cerca das 21h, Danças e lutas de Bugios e Mourisqueiros (incluem a Dança de Entrada, pelas 13h, Rituais da Lavra da praça, pelas 15h, Sapateirada e Dança do Cego pelas 17 horas e Prisão do Velho, pelas 19.30h).
Além de tudo quanto fica referido, o programa inclui ainda
- Um concerto de música sacra pelo grupo "Capella Antiqua" na Igreja Matriz (dia 17, às 21.30);
- Sarau das Associações de Sobrado (dia 20, às 21.30h)
- Sobradito Futebol de Praia (final do torneio dia 25, às 11h)
- Noite de folclore (dia 21, às 22 horas)
- Animação a cargo da C.M. Valongo (dia 22, às 22h)
- Actuação do grupo "Rumos Nordeste" (dia 23, às 22h, seguido da sessão de fogo de artifício);
- Actuação do grupo UHF (dia 24, às 00.15h)
- Actuação do grupo de dança "Jovens Santo André" (22.30h), "Instintos Radicais" (23h), Tony Knofler e Sua Banda (24.00h) e banda Rock "Squid" (00.45), no dia 24.
Dia 16 - Às 21.30h, na sede da Junta de Freguesia de Sobrado, conferência sobre a Bugiada e o seu contexto local e global, por Helder Pacheco e Manuel Pinto.
Dia 17 - De manhã, construção dos palanques de Bugios e Mourisqueiros.
Dia 18 - Às 17.30h, ultimo ensaio no Passal e os tradicionais Tremoços com beberete, na Casa do Bugio
Dia 21 - Às 21.30h, no Centro Social e Cultural de Sobrado, Projecção do filme de cinema sobre a festa de S. João em 1977 (realizador: Ângelo Peres e cooperativa Moviola). (esta data foi corrigida; encontrava-se referido o dia 22).
Dia 24 - A partir das 8h e até cerca das 21h, Danças e lutas de Bugios e Mourisqueiros (incluem a Dança de Entrada, pelas 13h, Rituais da Lavra da praça, pelas 15h, Sapateirada e Dança do Cego pelas 17 horas e Prisão do Velho, pelas 19.30h).
Além de tudo quanto fica referido, o programa inclui ainda
- Um concerto de música sacra pelo grupo "Capella Antiqua" na Igreja Matriz (dia 17, às 21.30);
- Sarau das Associações de Sobrado (dia 20, às 21.30h)
- Sobradito Futebol de Praia (final do torneio dia 25, às 11h)
- Noite de folclore (dia 21, às 22 horas)
- Animação a cargo da C.M. Valongo (dia 22, às 22h)
- Actuação do grupo "Rumos Nordeste" (dia 23, às 22h, seguido da sessão de fogo de artifício);
- Actuação do grupo UHF (dia 24, às 00.15h)
- Actuação do grupo de dança "Jovens Santo André" (22.30h), "Instintos Radicais" (23h), Tony Knofler e Sua Banda (24.00h) e banda Rock "Squid" (00.45), no dia 24.
segunda-feira, maio 01, 2006
Fim de semana de mota pelo S. João
No próximo fim de semana vão-se ouvir as motas de duas e quatro rodas em Sobrado. É mais uma iniciativa da Comissão de Festas de S. João para promover o convívio e angariar fundos para a festa, que está a menos de dois meses.
No sábado, a partir das 8h, iniciam-se na Casa do Bugio as inscrições para o "raid" todo o terreno de duas e quatro rodas. Os percursos situam-se nos montes envolventes da vila e far-se-ão de manhã e de tarde. Há almoço e jantar servido pela organização. No caso do jantar, outros convivas que não os do raid poderão também inscrever-se. Na noite deste primeiro dia haverá ainda um concerto ao vivo da banda Tony Knofler.
No domingo, a partir das 14, no Alto de Vilar, acontecerá o Raid S. João 2006 - 1º Prova Quad "kabadas Park", com prémios para os primeiros classificados.
No sábado, a partir das 8h, iniciam-se na Casa do Bugio as inscrições para o "raid" todo o terreno de duas e quatro rodas. Os percursos situam-se nos montes envolventes da vila e far-se-ão de manhã e de tarde. Há almoço e jantar servido pela organização. No caso do jantar, outros convivas que não os do raid poderão também inscrever-se. Na noite deste primeiro dia haverá ainda um concerto ao vivo da banda Tony Knofler.
No domingo, a partir das 14, no Alto de Vilar, acontecerá o Raid S. João 2006 - 1º Prova Quad "kabadas Park", com prémios para os primeiros classificados.
domingo, abril 02, 2006
Mega-Churrascada de S. João 2006
É já no próximo sábado, a partir das 19 horas, que se realiza a mega-churrascada de S. João 2006, uma proposta da Comissão de Festas de S. João de Sobrado que visa proporcionar mais uma ocasião de convívio e que constitui uma via de angariação de fundos para a festa deste ano. A iniciativa será animada por dois grupos de dança sobradenses: o Instintos Radicais e o Grupo de Dança da Associação Social e Cultural de Sobrado. Por dez euros (metade, no caso de crianças com menos de 12 anos), os participantes poderão saborear cricoulos, chouriço na brasa, azeitonas, porco na brasa, acompanhado com arroz de feijão malandro e caldo verde. À sobre-mesa, as tradicionais sopas secas, café e digestivo. Uma noite de convívio e de alegria
NB - Corrigido o nome do Grupo de Dança da Associação Social e Cultural de Sobrado, que tem, naturalmente, todo o direito ao seu verdadeiro nome. Obrigado pela correcção ao autor (anónimo) do comentário.
É já no próximo sábado, a partir das 19 horas, que se realiza a mega-churrascada de S. João 2006, uma proposta da Comissão de Festas de S. João de Sobrado que visa proporcionar mais uma ocasião de convívio e que constitui uma via de angariação de fundos para a festa deste ano. A iniciativa será animada por dois grupos de dança sobradenses: o Instintos Radicais e o Grupo de Dança da Associação Social e Cultural de Sobrado. Por dez euros (metade, no caso de crianças com menos de 12 anos), os participantes poderão saborear cricoulos, chouriço na brasa, azeitonas, porco na brasa, acompanhado com arroz de feijão malandro e caldo verde. À sobre-mesa, as tradicionais sopas secas, café e digestivo. Uma noite de convívio e de alegriaNB - Corrigido o nome do Grupo de Dança da Associação Social e Cultural de Sobrado, que tem, naturalmente, todo o direito ao seu verdadeiro nome. Obrigado pela correcção ao autor (anónimo) do comentário.
domingo, março 12, 2006
São João e Salomé
A Festa de S. João de Sobrado celebra e invoca S. João Batista. Nâo é seguro que as danças da Bugiada e da Mouriscada sempre tenham sido feitas a 24 de Junho. Há autores que levantam a possibilidade de haver uma festa anterior de S. João, que terá acolhido Bugios e Mourisqueiros, quando a Igreja se ocupou, a partir do século XVIII, a depurar as procissões de Corpus Christi. Se assim foi não o sabemos.
Em todo o caso, o S. João de Sobrado está intimamente ligado a S. João e a devoção é forte: em anos recentes, o "pagamento" de promessas à imagem do Santo terá ultrapassado os 5.000 euros num só dia. Curiosamente, são os Mourisqueiros quem leva o andor do Santo, na procissão ao fim da manhã, e não, como seria de esperar, os Bugios, que representam os cristãos.
E quem foi este S. João Batista?
Os elementos de que dispomos ligam-no intimamente a Jesus. A revista Pública, pela pena de Maria Luísa Paiva Boléo, trouxe, em 23 de Junho de há dez anos, uma biografia que se encontra disponível na web. Daí respigamos alguns elementos:
"João era conhecido por João Baptista, porque baptizava nas águas do Jordão todos aqueles que acreditavam que um dia a lei dos homens seria alterada com a chegada de um "messias". Como sabemos, foi S. João quem baptizou Cristo, quando este iniciou a sua vida de pregador. João Baptista é uma das figuras mais respeitadas da história judaico-cristã e a sua vida é também admirada pelos muçulmanos. Tem um culto assinalável na Turquia, bem como em várias zonas do Oriente. Envolve-o uma aura de homem bom, num sentido universal e muito mais vasto que o da santidade da Igreja Católica.João era filho de Zacarias e Isabel, primo de Jesus de Nazaré, que ainda não iniciara a sua vida pública. Isabel concebera-o em idade avançada e João, desde o seu nascimento, tinha a missão de anunciar a chegada do Salvador - de Jesus Cristo. Mas as profecias, mesmo para Herodes Antipas, eram para respeitar e João Baptista tinha o condão de o perturbar. Herodes era um homem pouco culto, medroso, ignorante, pouco mais do que um nómada, e tinha medo do profeta. O tetrarca mandou que o trouxessem à sua presença, pois queria ouvi-lo. João repetiu-lhe o que já dissera antes, que o casamento dele com a cunhada era "sacrilégio" segundo as leis. E mais, disse-lhe que a repudiasse e que voltasse para a mulher legítima, que expulsara injustamente, e que, se não o fizesse, cairia a maldição sobre Israel. Herodes, sob pressão de Herodias, mandou-o encarcerar numa prisão-cisterna". (...)
"Herodes Antipas quis esquecer que as palavras de João o torturavam e não o deixavam dormir. Era o seu aniversário e quis festejá-Io com toda a pompa. Os seus territórios eram vastos, chegavam bem para lá do rio Jordão e a festa deveria ser falada por toda a parte. Foram convidados todos os príncipes, que acorreram da Judeia e da Galileia e trouxeram os seus séquitos. Bailarinas de longes paragens vieram com a sua graça animar o banquete. Foram preparadas as melhores iguarias.Entre cada prato servido, tocava-se música e as bailarinas núbias e egípcias, ao som de alaúdes e flautas esvoaçavam entre os convivas. Os vinhos de Chipre e da Grécia enchiam taças de metais preciosos e reinava a alegria. Na sala do banquete só era permitida a entrada a elementos do sexo masculino. Bailarinas e escravas, não eram consideradas pessoas. Estavam ali para o prazer dos convidados. Era o costume do tempo.De repente, reza a lenda, a orquestra faz silêncio e, para surpresa de todos, aparece uma bailarina desconhecida acompanhada de escravas. Todos esquecem a refeição e não tiram os olhos daquela beleza sem rival - era Salomé. Ela vai dançar. As escravas passam-lhe pelo corpo perfumes, sândalo e outras essências. Colocam-Ihe nos braços e tornozelos pulseiras. Salomé está descalça e as suas vestes são tules e finas musselines transparentes, a fazerem adivinhar um corpo perfeito... e então Salomé começa a dançar. Eugénio de Castro, no seu poema lírico, descreve-a assim:"Radioso véu, mais leve que um perfume,Cinge-a, deixando ver sua nudez morena,Dos seus dedos flameja o precioso lumeE em cada mão traz uma pálida açucena.E a infanta avança. ao som dos burcelins...Como sonâmbula perdidaEm encantos, místicos jardins,Dir-se-ia que dança desmaiandoAo perfume das flores que estão em roda...Dir-se-ia que dança e está sonhando...Dir-se-ia que a estão beijando toda..." Salomé termina a dança. Os aplausos são entusiastas. Os convidados de Herodes querem mais. E Herodes, louco de desejo, pede: "Salomé, dança mais uma vez!" Ela recusa, esquiva, mas de novo o tetrarca seu tio insiste: "Dança para mim outra vez! Se o fizeres, pede-me o que quiseres que te darei, nem que seja metade dos meus reinos. Tudo será teu!" Salomé hesita, mas depois, num relance, percebe que tem, naquele momento um poder imenso e vai usá-lo. Como? Caprichosa, e sem pestanejar, como quem tira um fruto maduro de uma taça, diz: "Quero a cabeça de João Baptista numa bandeja de prata." Herodes Antlpas fica branco, quase petrificado, não acredita no que ouve e diz-lhe para escolher algo diferente. Que peça jóias, tecidos caros mandados vir de longínquas paragens, os luxos mais inatingíveis, mas a cabeça do profeta não. Herodes tem medo, não é a bondade que o faz agir assim, ou talvez, lá no fundo, pense que aquele homem não merece a morte, porque não é um criminoso, não atentou contra a vida de ninguém, embora nesse tempo mandar matar fosse quase uma banalidade.Imperturbável, Salomé repete, sem hesitar: "Danço outra vez para ti, se me trouxerem a cabeça de João Baptista." E Herodes cede. Tem de cumprir a palavra dada perante tantas testemunhas e manda que as suas ordens se cumpram. Entrega ao chefe da guarda pessoal o seu anel, para que este o mostre ao carrasco e para que este execute, sem demora, a sentença. A prisão onde estava João Baptista distava ainda alguns quilómetros do palácio. Terá havido um silêncio arrepiante? Ou a música e o festim prosseguiram?Um pouco mais tarde, a cabeça de João Baptlsta é trazida à presença de Salomé. Esta olha-a, ainda ensanguentada. A partir daquele momento, João Baptista é um mártir, é o santo que tantos séculos depois a humanidade não esqueceu. É evocado no dia do seu nascimento - 24 de Junho" (...).
A Festa de S. João de Sobrado celebra e invoca S. João Batista. Nâo é seguro que as danças da Bugiada e da Mouriscada sempre tenham sido feitas a 24 de Junho. Há autores que levantam a possibilidade de haver uma festa anterior de S. João, que terá acolhido Bugios e Mourisqueiros, quando a Igreja se ocupou, a partir do século XVIII, a depurar as procissões de Corpus Christi. Se assim foi não o sabemos.
Em todo o caso, o S. João de Sobrado está intimamente ligado a S. João e a devoção é forte: em anos recentes, o "pagamento" de promessas à imagem do Santo terá ultrapassado os 5.000 euros num só dia. Curiosamente, são os Mourisqueiros quem leva o andor do Santo, na procissão ao fim da manhã, e não, como seria de esperar, os Bugios, que representam os cristãos.
E quem foi este S. João Batista?
Os elementos de que dispomos ligam-no intimamente a Jesus. A revista Pública, pela pena de Maria Luísa Paiva Boléo, trouxe, em 23 de Junho de há dez anos, uma biografia que se encontra disponível na web. Daí respigamos alguns elementos:
"João era conhecido por João Baptista, porque baptizava nas águas do Jordão todos aqueles que acreditavam que um dia a lei dos homens seria alterada com a chegada de um "messias". Como sabemos, foi S. João quem baptizou Cristo, quando este iniciou a sua vida de pregador. João Baptista é uma das figuras mais respeitadas da história judaico-cristã e a sua vida é também admirada pelos muçulmanos. Tem um culto assinalável na Turquia, bem como em várias zonas do Oriente. Envolve-o uma aura de homem bom, num sentido universal e muito mais vasto que o da santidade da Igreja Católica.João era filho de Zacarias e Isabel, primo de Jesus de Nazaré, que ainda não iniciara a sua vida pública. Isabel concebera-o em idade avançada e João, desde o seu nascimento, tinha a missão de anunciar a chegada do Salvador - de Jesus Cristo. Mas as profecias, mesmo para Herodes Antipas, eram para respeitar e João Baptista tinha o condão de o perturbar. Herodes era um homem pouco culto, medroso, ignorante, pouco mais do que um nómada, e tinha medo do profeta. O tetrarca mandou que o trouxessem à sua presença, pois queria ouvi-lo. João repetiu-lhe o que já dissera antes, que o casamento dele com a cunhada era "sacrilégio" segundo as leis. E mais, disse-lhe que a repudiasse e que voltasse para a mulher legítima, que expulsara injustamente, e que, se não o fizesse, cairia a maldição sobre Israel. Herodes, sob pressão de Herodias, mandou-o encarcerar numa prisão-cisterna". (...)
"Herodes Antipas quis esquecer que as palavras de João o torturavam e não o deixavam dormir. Era o seu aniversário e quis festejá-Io com toda a pompa. Os seus territórios eram vastos, chegavam bem para lá do rio Jordão e a festa deveria ser falada por toda a parte. Foram convidados todos os príncipes, que acorreram da Judeia e da Galileia e trouxeram os seus séquitos. Bailarinas de longes paragens vieram com a sua graça animar o banquete. Foram preparadas as melhores iguarias.Entre cada prato servido, tocava-se música e as bailarinas núbias e egípcias, ao som de alaúdes e flautas esvoaçavam entre os convivas. Os vinhos de Chipre e da Grécia enchiam taças de metais preciosos e reinava a alegria. Na sala do banquete só era permitida a entrada a elementos do sexo masculino. Bailarinas e escravas, não eram consideradas pessoas. Estavam ali para o prazer dos convidados. Era o costume do tempo.De repente, reza a lenda, a orquestra faz silêncio e, para surpresa de todos, aparece uma bailarina desconhecida acompanhada de escravas. Todos esquecem a refeição e não tiram os olhos daquela beleza sem rival - era Salomé. Ela vai dançar. As escravas passam-lhe pelo corpo perfumes, sândalo e outras essências. Colocam-Ihe nos braços e tornozelos pulseiras. Salomé está descalça e as suas vestes são tules e finas musselines transparentes, a fazerem adivinhar um corpo perfeito... e então Salomé começa a dançar. Eugénio de Castro, no seu poema lírico, descreve-a assim:"Radioso véu, mais leve que um perfume,Cinge-a, deixando ver sua nudez morena,Dos seus dedos flameja o precioso lumeE em cada mão traz uma pálida açucena.E a infanta avança. ao som dos burcelins...Como sonâmbula perdidaEm encantos, místicos jardins,Dir-se-ia que dança desmaiandoAo perfume das flores que estão em roda...Dir-se-ia que dança e está sonhando...Dir-se-ia que a estão beijando toda..." Salomé termina a dança. Os aplausos são entusiastas. Os convidados de Herodes querem mais. E Herodes, louco de desejo, pede: "Salomé, dança mais uma vez!" Ela recusa, esquiva, mas de novo o tetrarca seu tio insiste: "Dança para mim outra vez! Se o fizeres, pede-me o que quiseres que te darei, nem que seja metade dos meus reinos. Tudo será teu!" Salomé hesita, mas depois, num relance, percebe que tem, naquele momento um poder imenso e vai usá-lo. Como? Caprichosa, e sem pestanejar, como quem tira um fruto maduro de uma taça, diz: "Quero a cabeça de João Baptista numa bandeja de prata." Herodes Antlpas fica branco, quase petrificado, não acredita no que ouve e diz-lhe para escolher algo diferente. Que peça jóias, tecidos caros mandados vir de longínquas paragens, os luxos mais inatingíveis, mas a cabeça do profeta não. Herodes tem medo, não é a bondade que o faz agir assim, ou talvez, lá no fundo, pense que aquele homem não merece a morte, porque não é um criminoso, não atentou contra a vida de ninguém, embora nesse tempo mandar matar fosse quase uma banalidade.Imperturbável, Salomé repete, sem hesitar: "Danço outra vez para ti, se me trouxerem a cabeça de João Baptista." E Herodes cede. Tem de cumprir a palavra dada perante tantas testemunhas e manda que as suas ordens se cumpram. Entrega ao chefe da guarda pessoal o seu anel, para que este o mostre ao carrasco e para que este execute, sem demora, a sentença. A prisão onde estava João Baptista distava ainda alguns quilómetros do palácio. Terá havido um silêncio arrepiante? Ou a música e o festim prosseguiram?Um pouco mais tarde, a cabeça de João Baptlsta é trazida à presença de Salomé. Esta olha-a, ainda ensanguentada. A partir daquele momento, João Baptista é um mártir, é o santo que tantos séculos depois a humanidade não esqueceu. É evocado no dia do seu nascimento - 24 de Junho" (...).
domingo, março 05, 2006
Alguém ouviu falar
na "Dança da Jaquina"?
Esta nota é apenas para os sobradenses ou a eles ligados. Desculpem, pois, os leitores que se sintam fora do alcance da pergunta. Mas ela é muito importante para a memória da Festa de S. João de Sobrado.
Há pessoas já de alguma idade que referem que, quando eram crianças, se fazia a "Dança da Jaquina". Teria lugar ao princípio da tarde, do dia de S. João, antes da "Cobrança dos d'reitos".
Aqui fica o desafio aos sobradenses que porventura lerem este post: procurem interrogar familiares e conhecidos; perguntem-lhes se ouviram falar na Dança da Jaquina; tentem saber se alguém a presenciou; ou mesmo se alguém nela participou e em que consistia. Todas as informações sobre o assunto interessam. Porque nos podem dar a conhecer algo que há muito desapareceu.
Todas as informações podem ser enviadas por mail ou podem ser colocadas clicando nos comentários.
na "Dança da Jaquina"?
Esta nota é apenas para os sobradenses ou a eles ligados. Desculpem, pois, os leitores que se sintam fora do alcance da pergunta. Mas ela é muito importante para a memória da Festa de S. João de Sobrado.
Há pessoas já de alguma idade que referem que, quando eram crianças, se fazia a "Dança da Jaquina". Teria lugar ao princípio da tarde, do dia de S. João, antes da "Cobrança dos d'reitos".
Aqui fica o desafio aos sobradenses que porventura lerem este post: procurem interrogar familiares e conhecidos; perguntem-lhes se ouviram falar na Dança da Jaquina; tentem saber se alguém a presenciou; ou mesmo se alguém nela participou e em que consistia. Todas as informações sobre o assunto interessam. Porque nos podem dar a conhecer algo que há muito desapareceu.
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