domingo, outubro 22, 2006

Surge Comissão para a Festa de 2007


Como é sabido, nos anos em que não se consegue formar uma Comissão de Festas, a responsabilidade da tarefa cabe à Casa do Bugio. Foi o que aconteceu este ano e era o que se deenhava para o ano que vem. Mas eis que surge a novidade:há um grupo de sobradenses disposto a organizar a festa. E tem uma particulariade curiosa: é constituída por indivíduos nascidos no ano de 1957.
Segundo soubemos, é um grupo que tem já o hábito de se reunir para conviver. Desta vez, no ano do 50 aniversário, entenderam que o facto merecia comemoração de mais vulto e, vai daí, meteram-se na organização da Festa de S. João de 2007. E já têm agendada a primeira iniciativa: uma sarrabulhada que terá lugar em 9 de Dezembro próximo, precisamente na Casa do Bugio.

quinta-feira, outubro 19, 2006

"Máscara Ibérica" no Ferreira Borges (Porto)

Até 5 de Novembro, está patente no Mercado Ferreira Borges, no Porto, a exposição "Máscara Ibérica", uma iniciativa da Progestur. O programa envolveu já o lançamento de um livro sobre o mesmo tema, da autoria de Helder Ferreira e animação cultural em torno das regiões representadas no certame. Neste fim de semana de 21 e 22 de Outubro, o destaque vai para o Norte de Portugal, em especial as zonas de Vinhais e Lamego.

quinta-feira, outubro 12, 2006

Um documento para a História de Sobrado

A Vila de Sobrado. Os mais velhos rir-se-iam da ideia de Sobrado poder vir a ser vila, se esta lhes fosse apresentada há 30 ou 40 anos atrás. Os sinais da "modernidade" constam do projecto legal que fundou a decisão da Assembleia da República. Mas nele constam também outros motivos - e, como não podia deixar de ser - a Festa de S. João. Aqui fica o texto desse diploma.

"PROJECTO DE LEI N.º 49/VIII

ELEVAÇÃO DE SOBRADO, NO MUNICÍPIO DE VALONGO, A VILA

Exposição de motivos

Sobrado é a maior freguesia do concelho de Valongo. Atravessada pelo rio Ferreira, situa-se no extremo nordeste de Valongo, dele distando cerca de 5 km. Tem cerca de 5000 eleitores numa população que ronda 8000 mil habitantes.
A meio do caminho entre a cidade de Valongo e Paços de Ferreira, a freguesia de Sobrado tem conhecido uma senda de progresso.
Denominada Santo André de Sobrado, a freguesia pertenceu até cerca de 1836 - data da formação do concelho de Valongo - ao julgado de Aguiar de Sousa. Sabe-se que a freguesia era então atravessada por uma estrada que ligava o Porto a Guimarães. O milho, o trigo e o vinho constituíam as principais produções dos vários casais que repartiam a terra na freguesia.
De origem antiga, onde ainda hoje se encontram vestígios testemunhos da presença de romanos e mouros, os primeiros registos paroquiais desta freguesia remontam ao ano de 1558.
A festa das Bugiadas em Sobrado, com base numa das mais antigas lendas, é hoje um cartão de visita da freguesia. No dia escolhido para a sua realização - o dia de S. João - acorrem a Sobrado milhares de cidadãos que fazem desta tradição uma das mais peculiares e originais do País.
Uma parte significativa da população hoje ainda se dedica à agricultura. Contudo, a progressiva industrialização da freguesia, nomeadamente com a instalação e desenvolvimento de fábricas de mobiliário e outros, tem contribuído para que a freguesia conheça hoje um surto de desenvolvimento.
Foi este surto de desenvolvimento que possibilitou a integração no mercado de trabalho de centenas de trabalhadores, a maioria com residência na freguesia de Sobrado e no concelho de Valongo que haviam ficado sem o seu posto de trabalho devido ao encerramento de grandes unidades de produção.
O desenvolvimento e o progresso da freguesia aumentarão seguramente com a construção a curto prazo do IC24, que ligará por via rápida o litoral e o interior. Novas unidades industriais se preparam para se instalar na freguesia, que a tornarão mais rica e possibilitarão a criação de mais empregos.
Sobrado caminha a passos largos para um desenvolvimento económico e social, que se traduzirá na maior importância para o concelho e na afirmação de uma nova centralidade na Área Metropolitana do Porto.
Sobrado possui os seguintes equipamentos:
Na área administrativa:
— Sede da junta de freguesia;
— Posto da GNR;
— Posto dos CTT.
Na área de apoio à saúde:
— Uma unidade de saúde que funciona como extensão do Centro de Saúde de Valongo;
— Uma farmácia;
— Consultórios médicos;
Na área da educação e cultura:
— Escola EB 2.3;
— Cinco escolas do ensino básico;
— Uma piscina coberta;
— Creche, jardim de infância e centro de dia.
Na área associativa:
— Associação «A casa do bugio»;
— Casa do Povo de Sobrado;
— Rancho folclórico de Santo André de Sobrado;
— Rancho folclórico da Casa do Povo de Sobrado;
— Clube desportivo de Sobrado;
— União desportiva da Gandra;
— Clube desportivo de Vilar;
— Sociedade columbófila de Sobrado.
Na área de comércio e serviços:
— Uma agência bancária;
— Uma feira semanal;
— Diversos estabelecimentos comerciais, incluindo cafés e restaurantes.
Nestes termos, e nos da Lei n.º 11/82 de 2 de Junho, a freguesia de Sobrado, no município de Valongo, reúne todas as condições para ser elevada à categoria de vila.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentos aplicáveis, os Deputados abaixo assinados, do Grupo Parlamentar do Partido Socialista, apresentam o seguinte projecto de lei:

Artigo único
É elevada à categoria de Vila a povoação de Sobrado, situada na área do município de Valongo.

Palácio de São Bento, de Dezembro de 1999.— Os Deputados do PS: Afonso Lobão — Artur Penedos — Barbosa Ribeiro — Eduarda Castro — Fernando Jesus — Luís Pedro Martins — Manuel dos Santos e mais duas assinaturas ilegíveis".

terça-feira, agosto 22, 2006

Uma foto para recuperar a memória da festa

Correspondendo a apelos recentes, publicamos aqui uma foto que deve ter pelo menos 30 anos, da "orquestra" que acompanha a Bugiada, no dia de S. João. A foto foi emprestada pela família Espinheira (do lugar de Ferreira), à qual pertenceu o exímio tocador, o sr. José Ferreira dos Santos, que surge, na foto, à esquerda. Os restantes tocadores foram igualmente figuras conhecidas de Sobrado, que deram o seu melhor à festa.
Fica a expectativa de que outros, sobradenses ou não, possuidores de fotografias antigas sobre a festa as disponibilizem para poderem constituir um acervo documental sobre a festa de S. João de Sobrado.

sábado, agosto 19, 2006

Corpos gerentes da Associação da Casa do Bugio

Na Assembleia Geral eleitoral, realizada em 27 de Julho, foram eleitos os corpos gerentes da Associação da Casa do Bugio, fazendo restabelecer a normalidade nesta estrutura associativa promotora da manifestação cultural popular conhecida por Festa da Bugiada e da Mouriscada.
São os seguintes os titulares dos vários órgãos:

Mesa de Assembleia-geral

Presidente: Francisco Jorge Rocha Mesquita
Vice Presidente: António César Ribeiro Ferreira
Secretário: Fernando Manuel Moreira Dias

Direcção

Presidente: Manuel António da Silva Pinto Suzano
1º Vice-presidente: António José Dias dos Santos
2º Vice – presidente: Maria Fernanda Fernandes Costa
1º secretário : Maria Conceição Azevedo Lindo
2º secretário: Manuel Fernando Almeida Coelho
Tesoureiro: Elisabete Moreira Leão

Vogais :
Nuno Filipe Pereira Silva
Domingos Soares Moreira
Manuel Joaquim Silva Pinto
Sérgio Nuno Sousa Silva
José Manuel Dias Ribeiro
Suplente: Pedro Manuel Gaspar Moreira

Conselho fiscal

Presidente: Joaquim Fernando Carneiro Soares
Secretário: António Fernando Moreira Gaspar
Relator: Nuno Miguel Sousa Monteiro

terça-feira, julho 18, 2006

A festa de 2006


segunda-feira, julho 17, 2006

Morreu o sr. José Marujo

Realizou-se hoje o funeral de um ilustre sobradense, o sr. José António Ferreira Marujo. Além de ter sido presidente da Junta, ainda antes do 25 de Abril de 1974, foi igualmente uma figura durante muitos anos ligada à Festa de S. João, como ainda no mês passado se viu, no filme de Ângelo Peres projectado no Centro Social e Cultural. Na verdade, no momento da Prisão do Velho, era ele que, agarrado ao microfone, e em toada apologética, narrava a lenda que dá origem às lutas entre Bugios e Mourisqueiros. Jogando com a verdade histórica e com interpretações sui generis, criava um ambiente de emoção em torno do enredo que se desenrolava no palanque dos Bugios. Muita gente gostava.

quarta-feira, julho 05, 2006

Imagens das "estardalhadas" de 2006

A gripe das aves foi a grande "vedeta" das críticas deste ano na Festa de Sobrado.


















segunda-feira, junho 26, 2006

Referências noutros blogues

Varias são as referências à Festa de S. João noutros blogues. Destaco, pelo seu valor, o post publicado por TsiWari, um leitor atento deste espaço, que tem no seu blogue 4thefun, umas fotos muito interessantes e um trecho da marcha da Dança de Entrada, executada pela Banda de S. Martinho de Campo (Valongo, a qual, com a devida vénia, aqui tomo de empréstimo (clicar no quadradinho da esquerda da imagem para ouvir):


sexta-feira, junho 23, 2006

Mouros e cristãos: quase 300 festas identificadas

No colóquio que decorreu no passado dia 16, em Sobrado, sobre a festa de S. João, voltou a ser suscitada a questão da origem e antiguidade desta tradição. Sobre este assunto, a documentação é de uma exiguidade confrangedora. Por isso, uma das vias para chegarmos a alguma conclusão é conhecermos a génese de outras festas idênticas.
Já quando escrevi o livrinho publicado em 1982, ao ler "Fiestas de Moros y Cristianos y su Problematica", de G.G. Gallent, me apercebi que em Espanha poderia residir uma pista importante para compreender melhor a Bugiada e Mouriscada de Sobrado. Um artigo relativamente recente, de Demetrio E. Brisset Martín, professor da Universidad de Málaga ("Fiestas hispanas de moros y cristianos. Historia y significados", in Gazeta de Antroplogia, nº 17, de 2001) fornece importantes achegas para o estudo que se impõe.
Por aí ficamos a saber que muitas destas festas apresentam uma estrtura narrativa que evoca a conquista ou reconquista (de terras, castelos, etc) aos muçulmanos. Como sabemos, em Sobrado, a evocação centra-se na disputa de uma imagem milagrosa de S. João, o que pode denotar apenas uma variante de um modelo festivo-ritual mais amplo. Escreve Brisset Martin:

"Estos enfrentamientos rituales, impregnados de una ostensible exaltación de la religión católica, son un fogoso y rejuvenecido rescoldo de una de las modalidades de diversión popular más profusamente implantadas en la Península y transportada por los españoles a todas las áreas por las que extendieron su cultura. Y este fenómeno abarca por lo menos ocho siglos."

O mesmo autor atribui aos aragoneses a difusão de "espectáculos baseados no combate fictício entre um grupo mouro e outro cristão". Contudo, acrescenta:

"Fue el rey Felipe II quien los convirtió en emblema de las diversiones que quería para sus súbditos. Y a su muerte, cuando el imperio español todavía parecía gozar del máximo esplendor, se habían convertido en la más popular de las fiestas hispánicas. Durante el Siglo de Oro llegaron a implantarse desde Ceuta hasta Manila, teniendo su réplica en la propia Estambul, invertido aquí el bando victorioso. Y los más preclaros ingenios, muchos de ellos clérigos, compusieron textos de Moros y Cristianos para ser representados en corrales y en procesiones del Corpus".

Encontramos aqui muitas pistas para o estudo da festa de Sobrado. Não podemos esquecer que Filipe II foi o "nosso" Filipe I, da dinastia chamada filipina, quando os espanhois dominaram em Portugal, entre 1580 e 1640. Mas a relação entre a Festa da Bugiada e a do Corpo de Deus parece-me outro filão a explorar.

Afinal, o que é a Festa da Bugiada?

Para todos aqueles que, nestes dias, vêm aqui pela primeira vez e pretendem saber em que consiste a Festa da Bugiada e da Mouriscada de Sobrado, recordo dois sítios que podem ser úteis.

- Para uma breve apresentação, ver Festa da Bugiada, na Wikipedia
- Para uma leitura mais extensa, consultar o meu texto sobre a Festa, na Biblioteca Online de Ciências da Comunicação.

quinta-feira, junho 22, 2006

Uma sessão memorável

Mais de uma centena de pessoas viveram ontem à noite, em Sobrado, um momento memorável, com a projecção do filme "Bugiadas", do realizador Ângelo Peres. Com a duração de 37 minutos, o filme mostra a festa de S. João de Sobrado de 1977, dando-nos a ver, no ecrã, além dos que já desapareceram, os que eram, então, jovens protagonistas e são agora cinquentões, e crianças que hoje são adultos maduros.
Foi uma experiência do melhor que o cinema pode dar, que é quando as pessoas se vêem e se sentem naquilo que vêem; tomam consciência da passagem do tempo (do pouco que se vê, dá para perceber como a freguesia mudou, entretanto); e, na experiência feita, reavivam a memória, condição absolutamente vital da construção do futuro.
No final, foi prestada uma singela homenagem ao realizador, actualmente professor na Universidade do Minho, o qual teve o gesto de oferecer à Casa do Bugio a lata com o filme original ontem visto (entretanto digitalizado na Tóbis, na última semana).

Bugiada já está a "mexer"

Sob o título "Bugiada já está a 'mexer'", escreve o jornalista Nuno Silva, no Jornal de Notícias de hoje, na secção de Grande Porto:

"Mouros e cristãos voltam a confrontar-se, depois de amanhã, em Sobrado, Valongo. A eterna batalha entre os também conhecidos por mourisqueiros e bugios pela posse da imagem milagrosa de S. João "ressuscita" a lenda que todos os anos traz milhares de pessoas às ruas da vila. Os preparativos para a Festa da Bugiada estão em marcha e a tradição, claro, será religiosamente cumprida.
António Pinto, um dos organizadores, adiantou ao JN que, este ano, serão cerca de 600 os figurantes que darão corpo às encenações (danças e lutas) que marcam as festividades. A animação arranca às 8 horas e prolongar-se-á até cerca das 21 horas, passando por diversos pontos da freguesia valonguense, com destaque para o Passal, em frente à igreja matriz.
A "guerra " pela imagem do S. João, o ponto alto do dia, está marcada para as 19 horas. Bugios e mourisqueiros medem forças. Os primeiros usam máscaras, penachos e castanholas e têm espírito folião. Os adversários trajam fatos coloridos, barretinas e usam espadas. Representam a vertente "militar", mas acabam por ser batidos. Além da batalha, não vão faltar várias encenações de crítica social, a Dança de Entrada, os rituais da lavra da praça (em que as operações são feitas na ordem inversa) e as habituais Sapateirada, Dança do Cego e Prisão do Velho.
Na contagem decrescente para uma festa popular que se tornou uma das imagens de marca de Sobrado, os preparativos seguem a bom ritmo. António Pinto deu conta de que os palanques já estão montados desde sábado e que já têm decorrido outras iniciativas culturais relacionadas com a festa.
(Foto de José Carmo/Arquivo JN, representando a sementeira)

domingo, junho 18, 2006

Afirmar a identidade da Bugiada

O colóquio sobre a Festa de S. João de Sobrado, que decorreu na passada sexta-feira à noite, na sede da Junta de Freguesia, além de ter sido, tanto quanto me lembro, a primeira iniciativa do género promovida em terra sobradense, foi também excelente ocasião para debater alguns pontos importantes sobre a festa.
O contributo do Dr. Helder Pacheco, que tem prestado um serviço importante na divulgaçao da festa através dos seus livros, incidiu particularmente em dois pontos:
- o carácter único das Bugiadas e Mouriscadas de Sobrado no panorama das festas tradicionais portuguesas e mesmo europeias;
- o dilema entre manter a Bugiada na sua autenticidade e procurar conferir-lhe projecção e visibilidade aquém e além-fronteiras.
Para este especialista da história e da cultura popular do Porto, o caminho, em qualquer caso, não pode ser outro que manter "fidelidade às raízes" e apostar na conservação da memória e no que esta festa tem de distinto e diverso. Não afirmar esta diferença e esta identidade própria seria absolutamente fatal, no contexto de uma Europa cinzenta e carente de côr.
(Outros aspectos deste colóquio serão, a seu tempo, registados aqui).

sexta-feira, junho 16, 2006

Mais uma história

Não têm fim as histórias que se contam em Sobrado, demonstrativas da paixão pela Bugiada e pela Mouriscada
Esta passou-se com uma família dos Senande e é contada por um dos filhos:
O pai estava emigrado na Venezuela. Sempre que podia, vinha a Sobrado para ir de Bugio. Aconteceu alguns anos vir directo para a festa e os familiares saberem que ele cá estava quando já estava a dançar.
Num certo ano, veio munido de uma máquina de filmar e fez um filme sobre a Bugiada que levou para o país em que vivia e trabalhava. Nos anos em que não podia vir a Sobrado ao S. João, projectava o filme numa parede e punha os filhos a dançar a Bugiada.