sábado, junho 09, 2007

Mais fotos para a memória da festa





Prosseguimos a divulgação de fotos antigas da Festa de S. João de Sobrado. Estas foram cedidas para digitalização por Ângelo da Bica. Têm, seguramente, mais de 50 anos. O Velho que nelas aparece é o falecido Augusto da Munha. Há uma senhora, em Sobrado, que é filha dele e tem a bonita idade de 85 anos.
Dois pontos curiosos que estas fotos revelam, ambas relacionadas com o Velho: em primeiro lugar, ele usa uma capa por cima do manto, o que não acontece hoje em dia. Por outro lado, ele surge a empulnhar um "canhão" no seu castelo, o que também não acontece actualmente (a não ser que tenha sido apenas pose para a fotografia).
Outro pormenor: o castelo dos Bugios parece ter umas guardas bastante mais baixas do que aquelas que costumamos ver no Passal.

(Obrigado à Fábia Pinto, do blogue Estórias da Minha Terra, pelo trabalho de digitalizar as fotos).

quarta-feira, junho 06, 2007

"Poder ser Bugio dá-me vaidade"

De uma mensagem recebida por este blogue, da autoria de José Carlos Costa:

"Olá a todos os Sobradenses.
Escreve-vos um sobradense com orgulho de o ser, de ter nascido nessa terra, terra de boas gentes.
Agora que vivo longe, mas ao mesmo tempo perto, vivo com mais intensidade a festa que se aproxima "S. João".
Continuar a poder ser Bugio dá-me vaidade e ao mesmo tempo o dever de manter esta tradição.
Quero pedir a todos vós, que intensifiquem a divulgação, para o exterior, da nossa tradição.
Sinto que pode crescer mais e mais o número de visitantes e turistas, á nossa terra.
Despeço-me com um enorme abraço para todos, em especial para um grande AMIGO - Sérgio Nuno Silva".

sexta-feira, junho 01, 2007

Ao som da 'caixa'

O bombo, ou a "caixa", como se diz em Sobrado, é um instrumento fundamental, nomeadamente porque sem ela não haveria danças dos Mourisqueiros. Nem nos ensaios, que estão, por estes dias, prestes a começar, ela pode estar ausente.
É por isso que vale a pena registar aqui a nota que escreve hoje no jornal "Público" sobre o bombo o jornalista Nuno Pacheco:

"(...) Mas voltando ao tambor: não é novidade que este terá sido o mais antigo instrumento musical conhecido. E também o que mais depressa alastrou por geografias e culturas. Há-os de todos os tamanhos e feitios, dos mais vetustos de civilizações antigas até aos mais modernos de simulações digitais. As suas batidas ressoam igualmente nos mais variados géneros musicais. E se a expressão bombo da festa lhe deve algum tributo (afinal é no bombo que, nas festas, mais se bate), o tocador de bombo tem, entre nós, um nome peculiar. A tentação seria chamar-lhe bombeiro, já que quem toca gaita é gaiteiro e quem toca tamboril é tamborileiro. Mas não: é zé-pereira. A origem etimológica não é certa, mas há quem assegure que esse foi o nome dado ao próprio bombo, que passou depois para o seu tocador. Talvez devido a essa velha mania lusitana de usar zés a torto e a direito, quando se trata de vulgarizar as coisas: zé-povinho, zé--cuecas, zé-quitólis, Zé-ninguém, zé-dos-anzóis, zé-faz-formas, zé-da-véstia, zé-goelas, por aí fora. Isto para designar gente chã, indistinta, sem importância. Tal epíteto assenta, contudo, mal ao bombo, que nunca perdeu valor, pelo contrário.(...)"

quarta-feira, maio 30, 2007

O 'lugar cativo' da Banda de Campo

A Banda de Música de S. Martinho de Campo (Valongo) tem há muito lugar cativo na Festa da Bugiada. Há mesmo quem ache que sem a sua presença específica a festa ficaria manca.
Parece não oferecer dúvidas que a Bugiada e Mouriscada são anteriores à Banda, o que quer dizer que houve tempos, longos, por certo, em que o acompanhamento musical se fez com os recursos musicais da terra - umas rabecas, umas violas ramaldeiras, um tambor e quejandos.
Há duas ou três semanas atrás, houve um médico de Vila Real, apaixonado por músicas de tradições populares, que aproveitou um ensaio da Banda de Campo para gravar as músicas que pertencem à festa de S. João. E como estivesse presente alguém de Sobrado, conhecedor do assunto, veio à baila um caso que terá ocorrido há cerca de meio século.
Em dado ano, que não foi possível precisar, a Comissão de Festas, ou porque estivesse abonada de nota ou por qualquer outro motivo, convidou não uma mas duas bandas para o S. João. Além da costumeira veio também a de Vilela, do vizinho concelho de Paredes. E na distribuição das tarefas calhou à de Vilela acompanhar a Dança de Entrada dos Bugios. E não é que os Bugios se recusaram a arrancar com a marcha, por entenderem que a música não estava tocada como devia ser?!

quarta-feira, maio 23, 2007

A Festa

"A Festa (...) É o momento em que um grupo ou colectividade projecta, simbolicamente, a sua representação do mundo e até filtra, metaforicamente, todas as suas tensões".

Michel Vovelle, Ideologias e Mentalidades.
S. Paulo, Brasiliense, 1987, pp. 246-247.

sexta-feira, maio 18, 2007

Fotos de Armando Moreira (Marco) (2ª Parte)

Prosseguimos a divulgação de trabalhos do foto-repórter Armando Moreira (Marco) relativos à Festa de S. João de Sobrado:




domingo, maio 13, 2007

Fotos de Armando Moreira (Marco) (1ª Parte)






As movimentações da preparação da festa estão a acelerar, à medida que se aproxima o 24 de Junho e, também por isso, é tempo de reanimar este blogue (ainda que o tempo seja escasso).
Inicio aqui a publicação de uma série de fotos da autoria de Armando Moreira (Marco), que foi, durante muitos anos, repórter do Jornal de Notícias. Captou-as em 1981, quando preparava os trabalhos fotográficos para publicar no livro que nós os dois publicamos em 1983, intitlado "Bugios e Mourisqueiros!".
Esta é uma forma de preservar uma parte do seu espólio sobre a festa e de homenagear este repórter que, volta e meia, continua a aparecer em Sobrado, no dia de S. João - prova de que a festa lhe ficou na alma.
(Legenda das fotos, pela ordem em que surgem: Lançamento de foguetes, nas traseiras da igreja paroquial; mourisqueiros na procissão; cena alegórica de S. João, na procissão; ofertas votivas; aguadeiro).

terça-feira, abril 10, 2007

O Rei dos Bugios e Dois Homens



Fabelesel

Caminhavam dois companheiros, tendo perdido o caminho, depois de terem andado muito, chegaram à terra dos Bugios. Foram logo logo levados ante o rei, que vendo-os lhes disse: - Na vossa terra, e nessa por onde vindes, que se disse de mim, e do meu reino? Respondeu um dos companheiros: - Dizem que sois rei grande, de gente sábia, e lustrosa. O outro, que era amigo de falar verdade, respondeu: - Toda vossa gente são bugios irracionais, forçado é que o rei também seja bugio. Como isto ouviu o rei, mandou que matassem a este, e ao primeiro fizessem mimos, e o tratassem muito bem.

(Esopo, Fábulas, vertidas do grego por Manuel Mendes) e há dias trancrito por J. Pacheco Pereira, no Abrupto

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Actualizado o post "Já há Velho e Reimoeiro"

Foram introduzidos comentários no post de 15 de Janeiro, intitulado Já há Velho e Reimoeiro. Colocam dois pontos a debate:

- O modo como surgiu a Comissão de Festas deste ano (constituída por aqueles que completam 50 anos em 2007) não deveria continuar, com esta ou outra solução, a fim de evitar que a tarefa caia sempre nos ombros de meia dúzia?

- Porque não incentivar mais a participação das mulheres na organização da festa, elas que são, Bugias em número significativo? Isso não iria enriquecer a festa e a participação de todos?

terça-feira, fevereiro 20, 2007

A máscara e o riso

A máscara:
Ocultação. Transfiguração. Capacitação. Esconjuro. Representação.

O riso:
Escárnio. Ridicularização. Maledicência. Alegria. Comunicação.

domingo, fevereiro 18, 2007

Bugios em festas privadas

Numa casa de Sobrado que fornece serviços de casamentos assisti ontem a um acontecimento inesperado: no momento do repasto, após os aperitivos, em que se serviu o primeiro prato, um bugio - de facto, uma bugia - irrompeu na sala, à frente dos empregados que se aprestavam para servir as mesas e ao som da marcha de S. João. Disseram-me que se tratava de uma inovação que se experimentava pela primeira vez, como forma de distinguir aquela casa sobradense de outra qualquer noutra parte do país (de facto, noutras quintas análogas, surgem muitas vezes, moças trajadas à moda minhota ou, como também se diz, vestidas com traje à vianesa).
Neste caso, a bugia, devidamente trajada e mascarada, esboçou uma dança ao som da música e recolheu de imediato, não voltando a aparecer.
Isto fez-me lembrar um "jantar" de festa, há muitos anos, em que, no final, alguém colocou num gravador de som uma cassete com a música da Bugiada. Era ver quase todos os comensais a levantar-se e a dançar também ao som da música.
Aos leitores deste blogue, em especial aos sobradenses, pergunto: que lhes parece este tipo de iniciatiavs e manifestações? Conhecem ou participaram noutras iniciativas parecidas?

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Máscaras transmontanas vão ter museu

No Jornal de Notícias de 8 de Fev. 2007:
"As máscaras tradicionais transmontanas vão passar a ter nova visibilidade este ano, com a abertura do Museu da Máscara e do Traje em Bragança, cuja inauguração está prevista para o próximo dia 24. Para o efeito foi recuperado um edifício na cidadela, cujas obras custaram 197 mil euros. No local vai ser possível ficar a conhecer um pouco mais as tradições ligadas à máscara, nomeadamente as Festas dos Rapazes, em que os caretos têm um papel fundamental. No entanto, o espaço terá também um ponto de venda de artesanato, trajes e mascaras tradicionais. O espaço museológico vai servir para a promoção da máscara das regiões de Bragança e Zamora. Ainda em Bragança vai ser criada a Academia da Máscara para promover eventos relacionados com a temática. As máscaras daquela região transfronteiriça vão passar a circular nos pacotes do açúcar Delta, até ao final do mês".


O mesmo jornal acrescenta ainda notícia de um outro facto, ainda relacionado com as máscaras transmontanas:
"A população de Podence, em Macedo de Cavaleiros, vai poder ver o filme que, há mais de 30 anos, contribuiu para o renascimento da tradição dos caretos, que esteve em risco de se perder. A exibição será na véspera de Carnaval, no próximo dia 19, altura em que a aldeia se transforma num imenso palco de animação e alegria com os caretos à solta. Trata-se do filme "Máscaras", realizado em 1975 por Noémia Delgado, e que é considerado pelo presidente do Grupo de Caretos de Podence, António Carneiro, um marco histórico para a localidade.

À época restavam apenas três trajes dos caretos, em fracas condições, a tradição estava na iminência de desaparecer. "Esse filme contribuiu para despertar os jovens para a tradição dos caretos, a juventude viu, gostou e interessou-se", recordou António Carneiro.

Espicaçados pelo documentário, os jovens da localidade meteram as mãos na máscara e fundaram aquele grupo, que saiu pela primeira vez para fora de portas em 1985, para fazer uma exibição em Coimbra. Deste então nunca mais parou. Os caretos de Podence são actualmente conhecidos internacionalmente, e no vasto currículo contam exibições em várias localidades de Espanha, no Carnaval de Nice (em França) e no Carnaval italiano.

Em Podence a tradição de confeccionar os fatos, feitos de lã colorida, ressuscitou, actualmente até os mais novos os sabem confeccionar. O mais difícil é conseguir a matéria-prima, uma vez que as colchas a partir dos quais são feitos, não são fáceis de encontrar. "Vamos procurá-las onde as há, até em aldeias vizinhas" admitiu António Carneiro.(...)"

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Já há Velho e Reimoeiro



A Comissão da Festa de 2007 já procedeu à escolha do Velho da Bugiada e do Reimoeiro. São eles, respectivamente, Joaquim Brito e Vitorino Oliveira. O primeiro tem a particularidade de ser "repetente" na função, o que já não acontecia desde inícios dos anos 90. Um dos motivos de ter sido escolhido prende-se com o facto de ser um dos que completam 50 anos durante o ano de 2007. De facto, e como tivemos já ocasião de referir, a edição deste ano da festa de S. João de Sobrado é organizada por um conjunto de sobradenses que têm em comum o facto de terem nascido em 1957 e que, por conseguinte, fazem este ano 50 anos.
[Na foto: as barretinas do rei mouro (Reimoeiro) e do Velho da Bugiada, os chefes, respectivamente, dos Mourisqueiros e dos Bugios]

domingo, janeiro 07, 2007

O Velho e os Guias

Os bugios são exóticos. Usam uns fatos multicolores que imitam o cetim, constituído por calça, casaco e uma capa, tudo debruado e garrido, com guizos dependurados pelo corpo. Na cabeça, levam chapéus encimados de penachos de fitas coloridas e, nas mãos, castanholas e uma diversidade de objectos que podem ir de bonecas a instrumentos agrícolas, passando por sardões, buzinas e outros recursos que a inventiva individual estimula. Importante: homens, mulheres, crianças (já que de bugio pode ir quem quer e pode) todos vão mascarados. Organizam-se sempre em duas filas paralelas, cada qual com o seu Guia, todos capitaneados pelo Velho, o qual tem uma indumentária diferente, que lhe dá um ar patriarcal. Quando a hora é de dança, os saltos são impressionantes e a algazarra indescritível.

segunda-feira, janeiro 01, 2007

O espaço da festa

Através do Google.maps é hoje possível obter imagens aéreas como há pouco tempo só privilegiados conseguiam ter. Como esta da zona do Passal e áreas circundantes, onde se passa grande parte da Festa de S. João de Sobrado :






[desta imagem se pode dizer, com bastante grau de certeza, que foi colhida numa terça-feira e aí pelo mês de Maio. Porquê? Porque vê-se bem que é dia de feira e os campos da agra acabam de ser lavrados e semeados, provavelmente de milho. Pode ainda concluir-se que foi obtida antes de Junho de 2005, visto que o polémico re-arranjo da rotunda ainda não tinha sido iniciado.]