"O Instituto dos Museus e da Conservação (IMC) vai fazer um inquérito a várias entidades do país sobre o património imaterial, uma nova área que passou a estar na competência deste organismo do Ministério da Cultura", segundo notícia do Público de hoje.
O mesmo diário adianta:
"Esta é uma das iniciativas constantes no plano de actividades do IMC para 2008, anunciado por Clara Camacho, subdirectora do instituto, durante o Encontro dos Museus da RPM (Rede Portuguesa de Museus), que decorreu ontem no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, com a presença de meia centena de responsáveis do sector. A responsável indicou que este ano o instituto vai levar a efeito um inquérito nesta área - que abarca práticas, representações, expressões, artefactos e espaços culturais - para recolher informação junto de universidades, museus e associações de defesa do património".
sábado, março 29, 2008
terça-feira, fevereiro 05, 2008
Máscaras transmontanas no Museu Soares dos Reis

O Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, tem aberta a exposição "Rituais de Inverno com Máscaras", a mesma que, há pouco mais de um ano assinalou a a reabertura do Museu do Abade de Baçal, em Bragança. Máscaras há-as ali de madeira, zinco, vime, palha, cortiça ou mesmo borracha e conseguem a proeza de abarcar as expressões mais diversas, desde o simples ridículo ao grotesco.
O certame pode ser visitado até 20 de Abril, às terças das 14h às 18h, e de quarta a domingo, das 10h00 às 18h00.
O Público traz, na edição de hoje, um trabalho do jornalista Sérgio C. Andrade sobre esta iniciativa. É dele este trecho:
"A máscara esconde a identidade de quem a usa, e representa alguém ausente, um espírito", explica Paulo Costa, do IMC, na visita guiada de abertura da exposição. Cria, por isso, um mundo de liberdade de expressão, de libertação de energia aos caretos e aos "chocalheiros" que a usam. Vestem fatos normalmente confeccionados com retalhos e desperdícios de vestuário, franjados de cores vivas, verde, vermelho, preto, amarelo... Numa descrição dos caretos e chocalheiros que usam estas vestimentas nos três dias de Carnaval, Benjamim Pereira diz que eles se apresentam "aos olhos das gentes das aldeias em que sobrevivem como uma verdadeira entidade mágica, sombria e inquietante, temida mas necessária".
Disfarces
"En las carnavaladas modernas algunos se disfrazan de aquello que habrían querido ser y no han sido. Otros se apropian de personajes o símbolos para ridiculizarlos. Otros, finalmente, buscan la ocultación para conseguir impunidad y anonimato a su conducta desinhibida, abusiva, grotesca o delictiva. Sin embargo, estos desahogos puntuales tienen menos repercusión en nuestra personalidad que los disfraces que nos fabricamos para vivir, habitualmente subconscientes".
Jairo del Água, in Eclesalia, 4.2.'08
Jairo del Água, in Eclesalia, 4.2.'08
segunda-feira, janeiro 07, 2008
Os 'Reis' de 2008


Não são os 'reis magos', como a quadra poderia fazer sugerir, mas os dos Bugios e Mourisqueiros. São dos 'lugares' mais apetecidos e disputados e a Comissão de 2008 já os escolheu para a festa de S. João deste ano: o Velho será Domingos Soares Moreira, também conhecido na vila como Domingos Cuco. O Reimoeiro sei apenas que se chama Filipe e que trabalha em Espanha.
Já começou, entretanto, a contagem decrescente para a festa. Houve já, na Casa do Bugio, uma sarrabulhada para convívio e angariação de fundos e outras iniciativas se seguirão. Divulga-las-ei aqui se delas me for dado conhecimento, naturalmente (cf. endereço de mail na coluna da esquerda).
sexta-feira, dezembro 28, 2007
Referências aos franceses
Sob o título "Os franceses no Porto em 1809", escreveu Alfredo Alves em O Tripeiro (nº 2, 10 de Julho de 1908):
"Mal os granadeiros de Soult apareciam, as altas barretinas empenachadas, os cabelos em trança, as mochilas felpudas, as largas correias brancas, cruzadas sobre o peito (...)".Não parece uma descrição quase perfeita dos trajes dos Mourisqueiros? Influências das Invasões Francesas? Um tema a explorar, quando se assinalam os 200 anos desses acontecimentos.
domingo, dezembro 23, 2007
O Velho da Bugiada

[Recorte sobre uma foto de Fábio Dias, do Blog do S. João de Sobrado, onde se podem apreciar outras fotos interessantes]
Solstícios
Acabámos de passar, no hemisfério Norte, o solstício de Inverno. Ou seja, o ponto em que o Sol se encontra mais afastado do equador. Corresponde ao dia mais pequeno do ano e, inversamente, à noite mais longa [isto para os povos do nosso hemisfério, já que no Sul, acontece precisamente o contrário]. A partir de agora, os dias começam a crescer, até ao solstício de Verão, ou seja, até ao S. João.
Para assinalar estes momentos, quer o solstício de Verão quer o de Inverno, povos e culturas dotaram-se, ao longo dos tempos, de uma diversidade incrível de manifestações, de festas e de rituais. O Natal era, outrora, nas culturas ditas pagãs, a festa do Sol invencível, tendo-se tornado, com o Cristianismo, a festa do nascimento de Jesus, dado que, como escreve hoje Frei Bento Domingues, no Público, "para eles, o verdadeiro e invencível sol da vida é Jesus Cristo, começo de uma era nova".
O reverso do Natal é o S. João - a festa da luz e do calor, igualmente tempo de rituais e de festas. Como a de Sobrado. Se o Natal é a festa da promessa e da esperança (a natureza parece morta e, no entanto, carrega-se de vida), o S. João é a festa da explosão da vida e da exuberância.
Não é certamente por acaso que no solstício de Verão se tenha posicionado a festa do Santo Precursor, estabelecendo, assim, uma relação entre os dois momentos do ciclo astral e litúrgico.
É claro que a electricidade acabou, de certo modo, com a distinção do dia e da noite e o ar condicionado (para quem o tem) elimina as diferenças entre as estações. Os rituais não desapareceram, mas mudaram e continuam a mudar, de forma acelerada. Ainda assim, os ritmos sazonais continuam a pautar a vida de muita gente.
A partir de agora, sempre a crescer e a acelerar para o S. João.
Para assinalar estes momentos, quer o solstício de Verão quer o de Inverno, povos e culturas dotaram-se, ao longo dos tempos, de uma diversidade incrível de manifestações, de festas e de rituais. O Natal era, outrora, nas culturas ditas pagãs, a festa do Sol invencível, tendo-se tornado, com o Cristianismo, a festa do nascimento de Jesus, dado que, como escreve hoje Frei Bento Domingues, no Público, "para eles, o verdadeiro e invencível sol da vida é Jesus Cristo, começo de uma era nova".
O reverso do Natal é o S. João - a festa da luz e do calor, igualmente tempo de rituais e de festas. Como a de Sobrado. Se o Natal é a festa da promessa e da esperança (a natureza parece morta e, no entanto, carrega-se de vida), o S. João é a festa da explosão da vida e da exuberância.
Não é certamente por acaso que no solstício de Verão se tenha posicionado a festa do Santo Precursor, estabelecendo, assim, uma relação entre os dois momentos do ciclo astral e litúrgico.
É claro que a electricidade acabou, de certo modo, com a distinção do dia e da noite e o ar condicionado (para quem o tem) elimina as diferenças entre as estações. Os rituais não desapareceram, mas mudaram e continuam a mudar, de forma acelerada. Ainda assim, os ritmos sazonais continuam a pautar a vida de muita gente.
A partir de agora, sempre a crescer e a acelerar para o S. João.
sexta-feira, dezembro 07, 2007
Blogs sobre a Bugiada apostam na fotografia
Uma longa fase de hibernação tem caracterizado o blog Festa do S.João em Sobrado, caracterizado sobretudo pelo investimento na fotografia sobre a festa. Enquanto o seu autor, Nuno Queirós, anuncia a retomada da actividade para Janeiro, eis que surge um concorrente: Fábio Dias decidiu, em Outubro último, arrancar com Blog do S. João de Sobrado. A aposta é também na fotografia legendada. Vale a pena espreitar.
quinta-feira, dezembro 06, 2007
Informação sobre a festa em Inglês e Alemão
Os mais atentos terão reparado que inserimos, aqui na coluna da esquerda, links para sites que fornecem alguma informação (texto e imagem) sobre a Festa de S. João de Sobrado em Inglês e em Alemão, respectivamente. Pode ser útil para os visitantes fortuitos que não dominam o portugês e para que os sobradenses e outros interessados na festa possam enviar estas indicações a estrangeiros. Os emigrantes, por exemplo. Um dia destes, temos de falar da festa em francês.
quarta-feira, dezembro 05, 2007
Máscaras
Escreve Manuel António Pina, na sua coluna do Jornal de Notícias: "O problema das máscaras é a sua força assimiladora, a sua capacidade para absorverem o rosto que sob elas se oculta até ao ponto de o histrião acabar por se confundir com ela e sob ela restar apenas o vazio (de personalidade ou, no caso da política, de ideias, hoje inteiramente substituídas por interesses)".
Certo.Mas a máscara sempre foi ambivalente. Ora disfarça (a identidade, o vazio, o medo) como transfigura e prenuncia (o ser novo, diferente, melhor). Em Sobrado como nutras paragens. Mas, hoje, não é improvável que, perdidos ou esvaziados os rituais transfiguradores, a máscara se confunda com a cara. Sem disfarces. Cara e careta: uma mesma coisa. Será assim?
Certo.Mas a máscara sempre foi ambivalente. Ora disfarça (a identidade, o vazio, o medo) como transfigura e prenuncia (o ser novo, diferente, melhor). Em Sobrado como nutras paragens. Mas, hoje, não é improvável que, perdidos ou esvaziados os rituais transfiguradores, a máscara se confunda com a cara. Sem disfarces. Cara e careta: uma mesma coisa. Será assim?
quarta-feira, novembro 21, 2007
domingo, novembro 11, 2007
A propósito da Serpe

Uma das facetas antropologicamente mais interessantes da Festa de S.João de Sobrado diz respeito àquele factor que acaba por ser decisivo no desfecho da luta entre Mourisqueiros e Bugios: a SERPE ou, como também se diz, por vezes, a Bicha.
O elemento reptiliano não se reduz a esse aspecto.No passado, mais do que hoje, era relativamente comum os Bugios levarem um Sardão (de facto assemelhava-se mais a uma cobra), munido de uma mola que, quando manipulada, permitia 'roubar' pequenas coisas, como doces, por exemplo. Mas a Serpe é indubitavelmente uma figura de capital importância e significado nesta festa. Ela surge como derradeiro recurso dos Bugios, esgotadas todas as outras vias. É sintomático que esse último recurso seja o do sobrenatural, do mítico, do fantástico, numa festa que, note-se, decorre sob a invocação de S. João.
Vem esta nota a propósito do sucesso que, por estes dias, está a fazer a exposição sobre "Criaturas Míticas", no Museu de História Natural de Nova Iorque, nos Estados Unidos da América. Sereias, Dragões, Ciclopes e Unicórnios têm vindo a atrair muitas dezenas de milhar de pessoas, seduzidas por esse lado extraordinário da cultura popular, que tem sido tematizado em obras contemporâneas(de cinema, de literatura, de música, de vídeo).
Quem quiser percorrer alguns aspectos do que é essa exposição pode viajar um pouco pelo respectivo site. Melhor ainda é dar um salto a Nova Iorque (!). O certame está patente até 6 de Janeiro de 2008.
Especificamente sobre dragões, o site da exposição remete para um outro sítio na Internet,onde se pode ler:
Creature: Dragon
ANCIENT LEGEND: More than a thousand years ago in Europe, people believed that giant fire-breathing dragons guarded hidden stashes of gold. "If some of that gold was stolen, the dragon would awaken and unleash fiery destruction on humans," says Kendall.
SCIENTIFIC EXPLANATION: People have long imagined dragons as being enormous, scaly beasts with huge teeth and claws. People believed so strongly in these lizardlike creatures that biologists in Europe once wrote accounts of the behavior and habitat of dragons in much the same way as they described that of lizards and snakes.
What may have advanced the legend of dragons? The imagined creatures look like close relatives of big animals like the Tyrannosaurus rex. Dinosaurs died out long before people were alive, but the discovery of dinosaur fossils, the mineralized remains or impressions of an organism, may have supported the ancient belief. When people dug up these fossils, they may have mistaken them for dragon remains.
quinta-feira, setembro 20, 2007
Correcção do mail
Um leitor chamou-nos a atenção para o facto de o link para o endereço de correio electrónico não estar a funcionar. O problema foi já solucionado. Quem, além dos comentários, quiser enviar alguma mensagem não necessariamente para publicação, passa a dispor do endereço: casadobugio@gmail.com (link permanente na coluna da esquerda)
quinta-feira, julho 26, 2007
Será correcto o que se passou este ano na Prisão do Velho?

Será correcto interromper um ponto alto da festa, por razões que, ainda que a ela ligadas, são estranhas à 'solenidade' do momento?
O assunto deste apontamento prende-se com o que se passou na Prisão do Velho deste ano e que deveria fazer pensar todos os sobradenses que apreciam a festa de S. João. Não há memória de algo semelhante ter ocorrido no passado. Recordemos:
Como é hábito, quando Mourisqueiros e Bugios subiram aos respectivos castelos, um locutor pegou no microfone e começou a relatar a lenda que está por detrás da festa, através da instalação sonora instalada no Passal.
Até aqui, nada de especial. A dada altura, os 'canhões' começaram a troar de um lado e do outro, enquanto o cavaleiro 'corria as embaixadas'. Quando se acabou a pólvora no palanque dos Bugios, os Mouros atacaram e, à terceira tentativa, o Reimoeiro penetrou no reduto cristão, de ar duro e espada em riste. Como é de praxe, arrancou as bandeiras adversárias e passou-as aos seus guias.
E foi quando, pela instalação sonora, o locutor anunciou que se ia fazer uma pausa e começou a apelar ao Velho e ao Rei que suspendessem as movimentações, para todos ouvirem o que ele próprio, locutor, tinha para dizer. Disse e repetiu várias vezes o apelo, mas não foi ouvido; e a representação prosseguiu normalmente.Para quem sabia que, na manhã do próprio dia de S. João, tinha ido a enterrar um prestigiado bugio sobradense - o Lindoro da Ribeira - não era difícil imaginar que a pretendida interrupção se destinava a homenageá-lo (isto apesar de já lhe ter sido prestada homenagem por Bugios e Mourisqueiros, no começo do 'jantar', a meio da manhã).
Ouviram-se pessoas a protestar por considerarem que aquele apelo era ali deslocado e até 'obsceno'. Alguém que me comentou esse caso comparou a situação com um desafio de futebol, em que, no momento em que um avançado corresse isolado para a baliza adversária, o árbitro tentasse parar o jogo para homenagear um jogador que tivesse falecido. É uma comparação discutível, mas que levanta um problema importante: num momento que poderíamos considerar sagrado, será legítimo alguém de 'fora da representação' ousar impor a suspensão do acto, mesmo em nome de um motivo nobre?
Deixo o assunto à consideração dos leitores.
sábado, julho 14, 2007
A festa de S. João e a batalha de Ponte Ferreira
Através do blogue Sobrado em Linha tive conhecimento da série de três trabalhos publicados pela Voz de Ermesinde, acerca dos acontecimentos ocorridos nas terras que hoje integram o município de Valongo, aquando das lutas entre liberais e miguelistas, em plena guerra civil (1832-1834).E dei-me conta de um facto relevante que se expressa num número redondo: faz dentro de dias 175 anos que se deu a batalha de Ponte Ferreira, situada em S. Martinho de Campo, mas muito perto do extremo sul de Sobrado. Pelo referido estudo, ficamos a saber que a freguesia sobradense foi, por assim dizer, acampamento das tropas de D. Miguel. E isso faz vir à lembrança uma lenda sobre esses tempos, de que alguns mais velhos de Sobrado ainda se lembrarão.
Dizia-se, para provar como a festa de S.João é tão antiga e está tão entranhada na população local, que, tendo a batalha de Ponte Ferreira coincidido com o dia da festa, se ouviam no Passal os tiros dos canhões combatentes e que havia mesmo habitantes obrigados a abastecer em carros de bois as tropas de D. Miguel. Mas nem por isso a festa deixou de se fazer como nos demais anos.
Ora, se são certos os dados constantes da comunicação referida, essa lenda assenta em factos não verdadeiros. E isto porque a batalha de Ponte Ferreira não ocorreu em Junho, mas em Julho de 1832. Podia-se dizer que, sendo uma data próxima, seria provável que por alturas do S. João desse ano já houvesse hostilidades. Mas isso é pouco provável, já que o desembarque dos liberais em Pampelido só se verificou a 9 de Julho daquele ano.
Mas alguma relação haverá, para que o acontecimento tenha perdurado em associação com a memória desta festa.
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