Pedro Vale, leitor deste blog acaba de colocar um comentário que não merece ficar meio perdido, no sítio onde foi deixado. Por isso o trago para a página principal. É um desafio a todos nós para que recordemos alguns dos "intervenientes que, de uma forma ou outra melhor representaram o espírito da nossa querida festa".
Acrescenta o autor da sugestão:
"Não falo apenas dos reis, mas de todos os outros, advogados, mulheres do cego e todos os restantes".
Dizendo-se "cansado de ouvir que fulano ou sicrano é que era bom", alerta: "Ninguém, daqui a 20 anos, se vai lembrar deles. Nós temos o dever de proteger e dar a conhecer aos próximos aqueles que fizeram do S. João aquilo que ele é. A história do S. João não é só uma princesa e um rei mouro, são também os seus intervenientes".
E para que a sugestão não fique pela mera declaração de intenções apela a todos nós, propõe "dedicarmos [no âmbito deste blog] um mês a determinada figura". "Nesse mês, as pessoas enviariam informações, curiosidades". E aproveita para lançar um primeiro nome: Fernando Caínha.
Claro que uma proposta destas só terá viabilidade com a participação séria de leitores interessados na festa. O blog fica à disposição para a publicação de histórias, lembranças, fotografias, outros documentos. Neste caso, quem agarra na proposta de falar de Fernando Caínha? Quem quer começar por contar quem foi, em que período foi mais interveniente, memórias interessantes que dele se podem recordar, etc? Quem tem uma foto para digitalizar e publicar aqui?
quarta-feira, abril 02, 2008
Sobre a designação do Reimoeiro
Vai uma conversa interessante no post abaixo, intitulado "Os reis de 2008". Vale a pena dar lá um salto. E, se for o caso, acrescentar outros comentários.
sábado, março 29, 2008
Inquérito sobre património imaterial do país
"O Instituto dos Museus e da Conservação (IMC) vai fazer um inquérito a várias entidades do país sobre o património imaterial, uma nova área que passou a estar na competência deste organismo do Ministério da Cultura", segundo notícia do Público de hoje.
O mesmo diário adianta:
"Esta é uma das iniciativas constantes no plano de actividades do IMC para 2008, anunciado por Clara Camacho, subdirectora do instituto, durante o Encontro dos Museus da RPM (Rede Portuguesa de Museus), que decorreu ontem no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, com a presença de meia centena de responsáveis do sector. A responsável indicou que este ano o instituto vai levar a efeito um inquérito nesta área - que abarca práticas, representações, expressões, artefactos e espaços culturais - para recolher informação junto de universidades, museus e associações de defesa do património".
O mesmo diário adianta:
"Esta é uma das iniciativas constantes no plano de actividades do IMC para 2008, anunciado por Clara Camacho, subdirectora do instituto, durante o Encontro dos Museus da RPM (Rede Portuguesa de Museus), que decorreu ontem no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, com a presença de meia centena de responsáveis do sector. A responsável indicou que este ano o instituto vai levar a efeito um inquérito nesta área - que abarca práticas, representações, expressões, artefactos e espaços culturais - para recolher informação junto de universidades, museus e associações de defesa do património".
terça-feira, fevereiro 05, 2008
Máscaras transmontanas no Museu Soares dos Reis

O Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, tem aberta a exposição "Rituais de Inverno com Máscaras", a mesma que, há pouco mais de um ano assinalou a a reabertura do Museu do Abade de Baçal, em Bragança. Máscaras há-as ali de madeira, zinco, vime, palha, cortiça ou mesmo borracha e conseguem a proeza de abarcar as expressões mais diversas, desde o simples ridículo ao grotesco.
O certame pode ser visitado até 20 de Abril, às terças das 14h às 18h, e de quarta a domingo, das 10h00 às 18h00.
O Público traz, na edição de hoje, um trabalho do jornalista Sérgio C. Andrade sobre esta iniciativa. É dele este trecho:
"A máscara esconde a identidade de quem a usa, e representa alguém ausente, um espírito", explica Paulo Costa, do IMC, na visita guiada de abertura da exposição. Cria, por isso, um mundo de liberdade de expressão, de libertação de energia aos caretos e aos "chocalheiros" que a usam. Vestem fatos normalmente confeccionados com retalhos e desperdícios de vestuário, franjados de cores vivas, verde, vermelho, preto, amarelo... Numa descrição dos caretos e chocalheiros que usam estas vestimentas nos três dias de Carnaval, Benjamim Pereira diz que eles se apresentam "aos olhos das gentes das aldeias em que sobrevivem como uma verdadeira entidade mágica, sombria e inquietante, temida mas necessária".
Disfarces
"En las carnavaladas modernas algunos se disfrazan de aquello que habrían querido ser y no han sido. Otros se apropian de personajes o símbolos para ridiculizarlos. Otros, finalmente, buscan la ocultación para conseguir impunidad y anonimato a su conducta desinhibida, abusiva, grotesca o delictiva. Sin embargo, estos desahogos puntuales tienen menos repercusión en nuestra personalidad que los disfraces que nos fabricamos para vivir, habitualmente subconscientes".
Jairo del Água, in Eclesalia, 4.2.'08
Jairo del Água, in Eclesalia, 4.2.'08
segunda-feira, janeiro 07, 2008
Os 'Reis' de 2008


Não são os 'reis magos', como a quadra poderia fazer sugerir, mas os dos Bugios e Mourisqueiros. São dos 'lugares' mais apetecidos e disputados e a Comissão de 2008 já os escolheu para a festa de S. João deste ano: o Velho será Domingos Soares Moreira, também conhecido na vila como Domingos Cuco. O Reimoeiro sei apenas que se chama Filipe e que trabalha em Espanha.
Já começou, entretanto, a contagem decrescente para a festa. Houve já, na Casa do Bugio, uma sarrabulhada para convívio e angariação de fundos e outras iniciativas se seguirão. Divulga-las-ei aqui se delas me for dado conhecimento, naturalmente (cf. endereço de mail na coluna da esquerda).
sexta-feira, dezembro 28, 2007
Referências aos franceses
Sob o título "Os franceses no Porto em 1809", escreveu Alfredo Alves em O Tripeiro (nº 2, 10 de Julho de 1908):
"Mal os granadeiros de Soult apareciam, as altas barretinas empenachadas, os cabelos em trança, as mochilas felpudas, as largas correias brancas, cruzadas sobre o peito (...)".Não parece uma descrição quase perfeita dos trajes dos Mourisqueiros? Influências das Invasões Francesas? Um tema a explorar, quando se assinalam os 200 anos desses acontecimentos.
domingo, dezembro 23, 2007
O Velho da Bugiada

[Recorte sobre uma foto de Fábio Dias, do Blog do S. João de Sobrado, onde se podem apreciar outras fotos interessantes]
Solstícios
Acabámos de passar, no hemisfério Norte, o solstício de Inverno. Ou seja, o ponto em que o Sol se encontra mais afastado do equador. Corresponde ao dia mais pequeno do ano e, inversamente, à noite mais longa [isto para os povos do nosso hemisfério, já que no Sul, acontece precisamente o contrário]. A partir de agora, os dias começam a crescer, até ao solstício de Verão, ou seja, até ao S. João.
Para assinalar estes momentos, quer o solstício de Verão quer o de Inverno, povos e culturas dotaram-se, ao longo dos tempos, de uma diversidade incrível de manifestações, de festas e de rituais. O Natal era, outrora, nas culturas ditas pagãs, a festa do Sol invencível, tendo-se tornado, com o Cristianismo, a festa do nascimento de Jesus, dado que, como escreve hoje Frei Bento Domingues, no Público, "para eles, o verdadeiro e invencível sol da vida é Jesus Cristo, começo de uma era nova".
O reverso do Natal é o S. João - a festa da luz e do calor, igualmente tempo de rituais e de festas. Como a de Sobrado. Se o Natal é a festa da promessa e da esperança (a natureza parece morta e, no entanto, carrega-se de vida), o S. João é a festa da explosão da vida e da exuberância.
Não é certamente por acaso que no solstício de Verão se tenha posicionado a festa do Santo Precursor, estabelecendo, assim, uma relação entre os dois momentos do ciclo astral e litúrgico.
É claro que a electricidade acabou, de certo modo, com a distinção do dia e da noite e o ar condicionado (para quem o tem) elimina as diferenças entre as estações. Os rituais não desapareceram, mas mudaram e continuam a mudar, de forma acelerada. Ainda assim, os ritmos sazonais continuam a pautar a vida de muita gente.
A partir de agora, sempre a crescer e a acelerar para o S. João.
Para assinalar estes momentos, quer o solstício de Verão quer o de Inverno, povos e culturas dotaram-se, ao longo dos tempos, de uma diversidade incrível de manifestações, de festas e de rituais. O Natal era, outrora, nas culturas ditas pagãs, a festa do Sol invencível, tendo-se tornado, com o Cristianismo, a festa do nascimento de Jesus, dado que, como escreve hoje Frei Bento Domingues, no Público, "para eles, o verdadeiro e invencível sol da vida é Jesus Cristo, começo de uma era nova".
O reverso do Natal é o S. João - a festa da luz e do calor, igualmente tempo de rituais e de festas. Como a de Sobrado. Se o Natal é a festa da promessa e da esperança (a natureza parece morta e, no entanto, carrega-se de vida), o S. João é a festa da explosão da vida e da exuberância.
Não é certamente por acaso que no solstício de Verão se tenha posicionado a festa do Santo Precursor, estabelecendo, assim, uma relação entre os dois momentos do ciclo astral e litúrgico.
É claro que a electricidade acabou, de certo modo, com a distinção do dia e da noite e o ar condicionado (para quem o tem) elimina as diferenças entre as estações. Os rituais não desapareceram, mas mudaram e continuam a mudar, de forma acelerada. Ainda assim, os ritmos sazonais continuam a pautar a vida de muita gente.
A partir de agora, sempre a crescer e a acelerar para o S. João.
sexta-feira, dezembro 07, 2007
Blogs sobre a Bugiada apostam na fotografia
Uma longa fase de hibernação tem caracterizado o blog Festa do S.João em Sobrado, caracterizado sobretudo pelo investimento na fotografia sobre a festa. Enquanto o seu autor, Nuno Queirós, anuncia a retomada da actividade para Janeiro, eis que surge um concorrente: Fábio Dias decidiu, em Outubro último, arrancar com Blog do S. João de Sobrado. A aposta é também na fotografia legendada. Vale a pena espreitar.
quinta-feira, dezembro 06, 2007
Informação sobre a festa em Inglês e Alemão
Os mais atentos terão reparado que inserimos, aqui na coluna da esquerda, links para sites que fornecem alguma informação (texto e imagem) sobre a Festa de S. João de Sobrado em Inglês e em Alemão, respectivamente. Pode ser útil para os visitantes fortuitos que não dominam o portugês e para que os sobradenses e outros interessados na festa possam enviar estas indicações a estrangeiros. Os emigrantes, por exemplo. Um dia destes, temos de falar da festa em francês.
quarta-feira, dezembro 05, 2007
Máscaras
Escreve Manuel António Pina, na sua coluna do Jornal de Notícias: "O problema das máscaras é a sua força assimiladora, a sua capacidade para absorverem o rosto que sob elas se oculta até ao ponto de o histrião acabar por se confundir com ela e sob ela restar apenas o vazio (de personalidade ou, no caso da política, de ideias, hoje inteiramente substituídas por interesses)".
Certo.Mas a máscara sempre foi ambivalente. Ora disfarça (a identidade, o vazio, o medo) como transfigura e prenuncia (o ser novo, diferente, melhor). Em Sobrado como nutras paragens. Mas, hoje, não é improvável que, perdidos ou esvaziados os rituais transfiguradores, a máscara se confunda com a cara. Sem disfarces. Cara e careta: uma mesma coisa. Será assim?
Certo.Mas a máscara sempre foi ambivalente. Ora disfarça (a identidade, o vazio, o medo) como transfigura e prenuncia (o ser novo, diferente, melhor). Em Sobrado como nutras paragens. Mas, hoje, não é improvável que, perdidos ou esvaziados os rituais transfiguradores, a máscara se confunda com a cara. Sem disfarces. Cara e careta: uma mesma coisa. Será assim?
quarta-feira, novembro 21, 2007
domingo, novembro 11, 2007
A propósito da Serpe

Uma das facetas antropologicamente mais interessantes da Festa de S.João de Sobrado diz respeito àquele factor que acaba por ser decisivo no desfecho da luta entre Mourisqueiros e Bugios: a SERPE ou, como também se diz, por vezes, a Bicha.
O elemento reptiliano não se reduz a esse aspecto.No passado, mais do que hoje, era relativamente comum os Bugios levarem um Sardão (de facto assemelhava-se mais a uma cobra), munido de uma mola que, quando manipulada, permitia 'roubar' pequenas coisas, como doces, por exemplo. Mas a Serpe é indubitavelmente uma figura de capital importância e significado nesta festa. Ela surge como derradeiro recurso dos Bugios, esgotadas todas as outras vias. É sintomático que esse último recurso seja o do sobrenatural, do mítico, do fantástico, numa festa que, note-se, decorre sob a invocação de S. João.
Vem esta nota a propósito do sucesso que, por estes dias, está a fazer a exposição sobre "Criaturas Míticas", no Museu de História Natural de Nova Iorque, nos Estados Unidos da América. Sereias, Dragões, Ciclopes e Unicórnios têm vindo a atrair muitas dezenas de milhar de pessoas, seduzidas por esse lado extraordinário da cultura popular, que tem sido tematizado em obras contemporâneas(de cinema, de literatura, de música, de vídeo).
Quem quiser percorrer alguns aspectos do que é essa exposição pode viajar um pouco pelo respectivo site. Melhor ainda é dar um salto a Nova Iorque (!). O certame está patente até 6 de Janeiro de 2008.
Especificamente sobre dragões, o site da exposição remete para um outro sítio na Internet,onde se pode ler:
Creature: Dragon
ANCIENT LEGEND: More than a thousand years ago in Europe, people believed that giant fire-breathing dragons guarded hidden stashes of gold. "If some of that gold was stolen, the dragon would awaken and unleash fiery destruction on humans," says Kendall.
SCIENTIFIC EXPLANATION: People have long imagined dragons as being enormous, scaly beasts with huge teeth and claws. People believed so strongly in these lizardlike creatures that biologists in Europe once wrote accounts of the behavior and habitat of dragons in much the same way as they described that of lizards and snakes.
What may have advanced the legend of dragons? The imagined creatures look like close relatives of big animals like the Tyrannosaurus rex. Dinosaurs died out long before people were alive, but the discovery of dinosaur fossils, the mineralized remains or impressions of an organism, may have supported the ancient belief. When people dug up these fossils, they may have mistaken them for dragon remains.
quinta-feira, setembro 20, 2007
Correcção do mail
Um leitor chamou-nos a atenção para o facto de o link para o endereço de correio electrónico não estar a funcionar. O problema foi já solucionado. Quem, além dos comentários, quiser enviar alguma mensagem não necessariamente para publicação, passa a dispor do endereço: casadobugio@gmail.com (link permanente na coluna da esquerda)
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