sábado, junho 21, 2008

Estátua homenageia Bugios e Mourisqueiros

Foi hoje inaugurada, na rotunda central de Sobrado, a estátua que a autarquia local decidiu mandar construir, em homenagem à Festa de São João de Sobrado e, em particular, a todos aqueles que têm sido os protagonistas desta tradição popular.
Depois de uma rápida passagem pelo local, em hora pouco propícia para a fotografia, aqui ficam as primeiras imagens deste trabalho em metal fundido, envolvendo um peso de cerca de 850 kg, concebido e realizado pelo escultor Agostinho Rocha. Noutro momento voltaremos a este assunto.



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[O acto da inauguração ficou assinalado por um episódio lamentável: por debaixo da cobertura que escondia a estátua a inaugurar, alguém havia colocado no Velho da Bugiada, à socapa, um símbolo fálico. A mensagem creio que toda a gente a percebe. Mas não se pode aceitar que aqueles que não têm coragem de expressar cara a cara e nos locais próprios as suas opiniões, se aproveitem de momentos como este para dar conta da sua intolerância e da sua incapacidade de aceitar a diferença].

sexta-feira, junho 20, 2008

As crianças, as escolas e a festa

Um dos aspectos que mais intriga, em Sobrado, é o pouco eco que existe de iniciativas escolares que orientadas para a valorização da riquíssima experiência cultural em torno da Bugiada vivida pelas crianças da vila. Nâo quer dizer que não existam: apenas que há poucos ecos delas. E a pergunta surge naturalmente: como se pode promover a aprendizagem significativa fazendo tábua-rasa de um tão rico património? Como é que se pode tornar a escola significativa para as "crianças que moram nos alunos" se não se parte da vida e dos conhecimentos que elas transportam consigo?
Então, será que nada se está a fazer?
Alguma coisa está. E hoje é com satisfação que damos conta do trabalho desenvolvido na EB1/JI de Paço - Sobrado, animado nomeadadamente pela Prof. Raquel Alves. O blog Escola de Paço a Passo dá conta de uma visita de estudo realizada há dias a um atelier onde se confeccionam os trajes de Bugios e Mourisqueiros. A visita valeu por si e foi também a motivação para outros trabalhos realizados na própria escola em torno da festa.
De resto, já no ano passado, aquela docente dava conta, no blog 4thefun, da descoberta desta tradição através das crianças que tinha como alunas. E de um modo que não deixa de ter graça:
"(...) As crianças lá da escola, quando me explicaram (pela 1ª vez) esta luta entre povos, referiam os Bugios e os Marisqueiros. E eu, ignorante da matéria, ficava muito surpreendida a ouvir e pensava, de mim para mim, como era possível haver "pescadores de marisco" no meio daquilo tudo, com S. João à mistura, que, ainda por cima, é vulgar ter um cordeiro por companhia... agora já todos estamos esclarecidos e a pronunciar bem os termos!"
O remédio foi informar-se, participar da própria festa e fazer dela um tema que em lugar de perturbar a aprendizagem pode ser, de muitos modos e a diversos níveis, um recurso que se diria inesgotável.
Seria, de resto, interessante que, no planeamento das actividades para os próximos anos, se pudesse articular algumas iniciativas a definir, que contassem com a colaboração da Associação da Casa do Bugio. Não há dúvida que está aqui um filão a explorar.

[A referência à Escola de Paço não pretende sugerir que não existam, noutras escolas da vila, outros trabalhos em que o tema da festa é motivo de iniciativa. De resto, este blogue está aberto e interessado em dar a conhecer o que se for fazendo].
Crédito da foto: Blog Saber Ver

quinta-feira, junho 19, 2008

TSF na Bugiada 2008

A TSF vai cobrir este ano a festa de S. João de Sobrado. O jornalista Manuel Vilas-Boas estará nesta vila nos dias 23 e 24, propondo-se fazer um programa especial de 40 minutos sobre as tradições sanjoaninas sobradenses.
Recorde-se que Manuel Vilas-Boas tem sido o responsável pelo programa "Encontros com o Património", um espaço na antena da TSF "onde se fala de sítios com história, paisagens e pessoas, o passado e o presente", que é emitido aos sábados depois das notícias do meio-dia, com sonorização e montagem de Luís Borges.
Para ouvir edições anteriores de Encontros com o Património, clicar AQUI.

quarta-feira, junho 18, 2008

Inauguração da estátua sobre a Festa

Lembram-se de termos aqui noticiado a implantação de uma estátua alusiva à Festa de São João na rotunda ao cimo do Passal, bem no centro de Sobrado? Surge agora a informação de que a inauguração ocorrerá no próximo sábado, dia 21, pelas 16 horas. A 'sapata' onde assentará essa evocação de um momento da prisão do velho já se encontra instalada (ver foto), faltando agora conhecer as características e a qualidade da obra escultórica.
Numa festa cujas principais componentes tradicionais se repetem cada ano, este será um elemento diferenciador que fica a marcar 2008.

sábado, junho 14, 2008

Apontamento no JN








No sítio do JN na Internet vem hoje uma 'fotogaleria' intitulada "Valongo: História com Biscoitos", um trabalho de Joana Bourgard (fotos), Dora Mota (texto) e Isidro Costa e Joana Bourgard (infografia). Trata-se de uma digressão por alguns espaços e tradições do concelho. Não podia faltar a referência à festa de Sobrado, tema que surge no Museu Arquivo Municipal através da exposição de trajes dos Bugios e Mourisqueiros.

(Crédito da foto: Joana Bourgard)

sexta-feira, junho 13, 2008

Vai a Sobrado no dia 24?

Você já ouviu falar das "Bugiadas" e gostava de dar um salto a Sobrado para ver como é...
Você tem vindo a adiar uma ida a esta festa original e exótica...
Gostava de levar o seu filho a ver as danças e as representações...
Precisava de conseguir umas boas fotografias...
Tem de dar um salto a Sobrado porque é jornalista e quer fazer (ou querem que faça) uma reportagem sobre a Festa de S. João de Sobrado...

Quer saber como se chega a Sobrado?
Tem questões sobre a festa que gostava de ver esclarecidas antes do dia?
Gostaria de contactar com a Associação da Casa do Bugio?
Necessita de contactos em Sobrado, antes do dia 24
O remédio é simples: na medida do possível, estamos disponíveis para responder às suas questões. Basta, para tal, enviar-nos um e-mail: casadobugio@gmail.com

quinta-feira, junho 12, 2008

Mourisqueiros e Bugios: Eles aí estão!

Para já são só ensaios. Presenciados por muita gente, em pleno Passal. Começaram no último domingo de Maio e terminam no próximo domingo, "Dia dos Tremoços" (no feriado de 10 de Junho, não houve ensaio). Para quem quiser tomar um cheirinho do que vem aí, no dia 24, logo às 8 da manhã, é clicar aqui em baixo. É pouco, mas é de boa vontade.

Mourisqueiros - pormenor da dança (1)


Mourisqueiros - pormenor da dança (2)


Bugios - pormenor da dança

quarta-feira, junho 11, 2008

Constituição da Comissão de Festas de 2008

Aqui fica, para registo e memória, a constituição da Comissão da Festa de 2008, tal como temos feito para os anos anteriores.

Juiz da Festa: José Domingos Pereira Soares

Comissão:
Adão Ferreira Barroso
Albino Martins Silva
Alda Maria Martins Moreira
Amaro Santos Barbosa
Ana Isabel Nogueira Soares
Ana Maria Pereira Soares
Ana Paula Soares Grijó
António Armando Ferreira Da Silva
António Ferreira Pacheco
António Sergio André Poças
Arlindo Paulo Ribeiro Tereso
Carlos Manuel Martins Gaspar
Célia Maria Moreira Carneiro
Claudia Isabel Nogueira Fernandes Da Silva
Corália Pereira Pinheiro
Domingos Ferreira De Sousa
Domingos Soares Pereira
Eduardo José Costa Monteiro
Gilberto Fernando Lopes Ferreira
Helder Roberto Barbosa Almeida
Iva Marta Fernandes Moreira
Joana Maria Nogueira Pereira
João Miguel Alves Soares
Joaquim Fernandes Monteiro
Joaquim Fernandes Sousa Duarte
Joel Filipe Moreira Barroso
José Alberto Fernandes Da Silva
José António Pereira Brito
José Carlos Ferreira Barbosa
José Domingos Pereira Soares
José Luís Martins Rocha
José Luís Soares Lobo
José Manuel Moreira Dias
José Maria Soares Grijó
Laurinda Da Rocha Branco
Leonel Alves Carneiro
Liliana Maria Soares Moreira
Luís Manuel Dias Moreira
Luís Manuel Santos Moreira
Manuel Augusto Nunes Rocha
Manuel Lourenço Silva
Manuel Oliveira Da Rocha
Maria Augusta Silva
Maria Belem Pereira Soares
Maria Fernanda Fernandes Da Costa
Maria José Sousa Fernandes Moreira
Maria Luísa Sousa Fernandes
Maria Manuela Barbosa Almeida
Maria Manuela Ribeiro Tereso Macedo
Maria Nair Barbosa Moreira
Maria Noemia Ferreira Gaspar Moreira
Maria Rosa Ferreira Ribeiro
Marisa De Sousa Fernandes Da Silva
Nuno Fernando Nogueira Bessa
Nuno Filipe Ferreira Mesquita
Nuno Filipe Pereira Da Silva
Rosa Fernandes Barros Dos Santos
Rui Manuel Pereira Fernandes
Rui Pedro Azevedo Dias
Sandra Isabel Barbosa Moreira
Sonia Marisa Alves Carneiro
Vitor Augusto Ferreira Dias
Vitor Domingos Soares Moreira
Vitor Manuel Santos Ferreira Marujo
(Agradeço a Joana Pereira a obtenção desta lista)

segunda-feira, junho 09, 2008

Preparativos - os trajes e ornamentos

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Legenda (de cima para baixo): Tecido para a confecção das indumentárias de Bugios e Mourisqueiros; Chapéu de Bugio com penacho de fitas; polainas de Mourisqueiro; Calça do Reimoeiro; Cilindros cartonados para a confecção das barretinas; Máscaras de Bugio; Guizos; Castanholas.

sábado, junho 07, 2008

Festa orçada em 100 mil euros

O orçamento da festa de S. João de Sobrado deste ano ronda os cem mil euros, revela ao jornal local "Alô Sobrado" de Maio o juiz da festa deste ano, José Domingos.
Essa verba é consumida maioritariamente em realizações que não têm directamente a ver com as danças e lutas entre Bugios e Mourisqueiros ou nas entrajadas e rituais, mas nos asseios e decorações, fogo de artifício e, sobretudo, com os espectáculos musicais das noites anteriores (este ano virão os Diapasão, Quim Barreiros e Delfins).
Como forma de angariação de verbas, a comissão deste ano, composta por perto de meia centena de sobradenes, organizou as já habituais sarrabulhadas, corrida de galgos, lotaria e peditório pela porta dos habitantes locais (a decorrer amanhã, dia 7). Mas introduziu a novidade da "cagadela da vaca" (o antigo campo de futebol foi dividido em quadrados numerados e sorteados; uma vaca foi largada naquele espaço e ao titular do quadrado em que o animal despejou a bosta saiu a própria vaca; só que o sortudo não apareceu para reivindicar o bicho). No próximo dia 15, que é a data do último ensaio e, consequentemente, dia dos tremoços, haverá uma outra novidade para angariação de fundos: a caça ao porco.

sexta-feira, junho 06, 2008

De que países vêm os visitantes deste blogue?

Um software instalado no "Bugios e Mourisqueiros" permite contabilizar por países os cerca de 8.000 visitantes deste blogue, no tempo que ele leva de existência (de facto, o blogue começou nos finais de 2004, mas o contador de visitas só foi instalado nas vésperas da festa de 2005).
Como seria de esperar quase nove em cada dez moram em Portugal. A grande distância vêm dois países de fortes comunidades portuguesas, como é o caso do Brasil e da França (neste contexto, pode causar estranheza a pouca representatividade do Luxemburgo, atendendo ao número de sobradenses que lá trabalha).
A gravura seguinte recorta os primeiros 12, mas a lista é comprida e inclui países como a Austrália, o México, a Índia, a Hungria, etc.:

quarta-feira, junho 04, 2008

Danças mouriscas no Norte de Portugal: tese de doutoramento de Bárbara Alge

Uma tese de doutoramento sobre a Festa de S. João de Sobrado e mais duas festas tradicionais do Norte de Portugal foi defendida em 31 de Janeiro deste ano por Barbara Alge na Universidade de Viena, Áustria.
Intitulada "O Mouro na Imaginação de Comunidades Rurais do Norte de Portugal - Um Estudo de Danças Dramáticas em Contextos Religiosos", a dissertação, de perto de 500 páginas (acompanhada de dezenas de fotos e de um DVD) encontra-se escrita em alemão e vai ser em breve publicada. Uma cópia para a Associação da Casa do Bugio foi já prometida pela autora.
Fica aqui o resumo da tese de Bárbara Alge:

Baseada em pesquisas de campo levadas a cabo pela autora entre 2004 e 2007, esta dissertação, escrita ema alemão, estuda performances de cristãos e mouros em festas religiosas no Norte de Portugal: a festa do São João Baptista chamada “Bugiada” em Sobrado a 24 de Junho de 2005, a Festa dos Caretos, em Torre de Dona Chama, a 26 de Dezembro de 2005 e o Auto da Floripes, em Neves, a 5 de Agosto de 2006.
Apesar de se distinguir no que respeita à forma, – porque se trata duma dança, dum drama de luta e dum teatro popular –, estas performances podem ser atribuídas ao género performativo da “mourisca”. A autora usa o termo “dança dramática” para todas as formas estudadas.
A “mourisca” é uma dança dramática, por vezes ritual, muitas vezes processional, de carácter exótico, e em parte com elementos guerreiros. Também pode ser uma representação teatral duma luta entre cristãos e mouros. Nas suas diferentes formas, as mouriscas são encontradas na Europa e noutros continentes devido a processos de colonização. Em Portugal, a mourisca, na sua variante duma batalha entre cristãos e mouros, é hoje encontrada sobretudo no Norte do país. A dissertação concentra-se nesta variante.
Diferentes autores deduzem a mourisca duma dança dos mouros. Uma análise da literatura sobre este fenómeno cultural demonstra que danças dramáticas com alguma relação com os mouros são associadas ao termo “mourisca”.
No entanto, o termo “mouro”, em Portugal, não designa apenas os mouros históricos da Península Ibérica, mas é um termo complexo, cujas significações são explicadas nesta tese.
A dissertação parte da hipótese que o “mouro” como lembrança duma figura da história de Portugal (o mouro histórico), assim como mito (“o tempo dos mouros”) e como figura projectiva (imaginário local, lendas) ainda se encontra no imaginário de comunidades rurais no Norte de Portugal, e que este facto também se manifesta nas danças dramáticas de mourisca.
A introdução da tese de doutoramento apresenta a história dos mouros na Península Ibérica e a política cultural em Portugal e explica o processo de composição desta obra.
A parte principal da tese divide-se numa parte etnográfica em que os resultados do trabalho de campo são apresentados, numa parte com uma análise crítica da literatura, e numa parte em que os termos “mouro” e “mourisca” são analisados com base na primeira e segunda parte.
As conclusões são deduzidas duma análise da parte principal e discutem-se as seguintes questões: 1) Porque é que a mourisca é associada ao mouro?, 2) O mouro pode ser utilizado como unidade significante numa comparação de mouriscas?, e 3) Porque é que o imaginário do mouro e performances de mourisca se encontram no Norte de Portugal actualmente?
No contexto da questão 2 é demonstrado que o mouro das variantes de mourisca estudadas apresenta características formais e semânticas apesar de diferentes contextos de realização. Estas características correspondem em parte a observações feitas por outros autores em Espanha e no México. A questão 3 discute o Como e o Porquê da transmissão dos fenómenos culturais estudados. Pontos importantes são a liderança com o passado histórico e a criação da identidade nacional e local.
Os anexos contêm um glossário de palavras portuguesas, transcrições musicais e coreográficas, o texto do Auto da Floripes, correspondência pessoal com informantes, a agenda das pesquisas de campo da autora, uma bibliografia com obras referidas e consultadas, uma lista das ilustrações e a descrição do DVD de acompanhamento.
O manuscrito da dissertação contem 490 páginas (1,5 espaço entre linhas), 48 fotografias e outras ilustrações, assim como um DVD de acompanhamento ilustrando as performances.

terça-feira, junho 03, 2008

O Velho André da Munha e seu filho Fernando

Depois de dois dias a contar histórias do grande Velho da Bugiada que foi André da Munha, nos anos 50 e 60, e de seu filho Fernando que foi vários anos de Reimoeiro e que, nesse posto, chegou a aprisionar o próprio pai, eis que, através da família dos dois, nos é possível publicar aqui uma foto dos inícios dos anos 60. Para se ver bem de quem se trata, o Velho da Bugiada tirou a máscara, segurando-a na mão.

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(Obrigado à família dos Munhas pelo empréstimo e à Fábia Pinto pela digitalização. E, já agora, um apelo aos sobradenses para que emprestem outras fotos antigas que tenham lá por casa; sem elas é impossível recuperar a memória desta Festa).

segunda-feira, junho 02, 2008

Memórias do tempo de André da Munha (2)

Ainda relacionado com o tempo do Velho da Bugiada que foi André da Munha (anos 50 e 60 do século passado), vale a pena conhecer uma outra história vivida e contada por seu filho Fernando.
Conta este que, ainda criança, vivia com emoção a participação de seu pai como a principal figura da Bugiada. E no dia de S. João lá ia ele para a festa, pela mão da mãe ou de outro familiar.
Acontecia, porém, que, ao ver o seu pai a ser apanhado e levado prisioneiro pelo Reimoeiro, e a despedir-se de pequenos bugios com gestos de desolação, ele próprio começava a chorar com pena por aquilo que via. E regressava da festa triste por não ter visto o pai vitorioso (quando, na realidade, ele até acabava por ser libertado, mas já fora do alcance da vista, em lugar de alguma confusão, a que muitos pais não levavam os mais pequenos).

domingo, junho 01, 2008

Memórias do tempo de André da Munha (1)

André da Munha foi talvez o Velho da Bugiada que mais tempo ocupou o lugar. Diz-se que mais de 20 vezes. Era ele que pontificava nos anos 60. E não haverá quem não reconheça que fazia o papel como muito poucos.
Do que muitos não se lembram é que ele foi, por mais de uma vez, feito prisioneiro pelo próprio filho, Fernando da Munha que foi vários anos o Reimoeiro.
O mais interessante destes episódios é que a primeira vez que Fernando prendeu o pai André, nem sequer era Reimoeiro.
Como foi isso possível, perguntará o leitor?
Ora isto traz à baila um episódio trágico que ocorreu na festa de S. João, nos inícios dos anos 60. Havia, na altura, o costume de ligar os dois castelos por um arame, no qual se fazia circular umas roscas de fogo de artifício. De resto, em cada um dos castelos instalava-se igualmente uma roldana de fogo que era activada em dado momento dos combates, para dar mais dramatismo ao momento. Aconteceu que, nesse tal ano, alguém terá cortado o arame, por motivos que não consegui apurar, e o dispositivo de fogo preso foi incendiar a pólvora no castelo dos mouros. Gerou-se o pandemónio no local, com os mouriscos a saltar de cima do castelo, e pelo menos O Reimoeiro ficou queimado, tendo sido levado para o hospital.
Apercebendo-se do que se passava (e sabendo que o filho estava no meio da confusão), o Velho interrompeu a cerimónia e, encontrando o filho, perguntou-lhe se ele se sentia em condições de assumir, ali mesmo, o lugar de rei, dando seguimento à função. E foi assim que o filho, simples mourisqueiro, se viu na inesperada contingência de ter de atacar o castelo bugio e aí aprisionar o Velho, seu pai. Mas tarde, já depois de vir da tropa, tendo ido por mais duas ou três vezes de Reimoeiro e mantendo-se André da Munha à frente dos Bugios, Fernando voltaria a praticar o mesmo feito. Mas o Velho, como manda a tradição, conseguiu sempre libertar-se.

(Se viveu ou conhece outras histórias da festa - e não há quem as não tenha - escreva na zona de comentários ou envie por e-mail para casadobugio@gmail.com).