Na última Assembleia Geral da Associação da Casa do Bugio foram prestadas informações sobre conversações havidas entre a Direcção da Associação e a Fábrica da Igreja Paroquial, com vista à cedência de terrenos pertença da Paróquia para instalação dos carroceis, no dia de S. João.
Como se poderá ver pela consulta dos documentos trocados entre as duas partes, e que abaixo se transcrevem, a Fábrica Paroquial não abdicou da pretensão de exigir que lhe fosse entregue metade do rendimento que venha a ser auferido pelo aluguer. O que faria todo o sentido, não se desse o caso de a Associação sempre ter facilitado, ao longo dos anos, a cedência do espaço da Casa do Bugio a grupos e iniciativas da Igreja, sem exigir qualquer montante em troca. E as necessidades de verbas que a Igreja diz ter também a Associação as tem, no exercício do seu compromisso de preservar e promover uma tradição que é parte integrante da identidade dos sobradenses.
Para que cada um se possa informar e avaliar por si próprio as razões que assistem a cada uma das partes, aqui se deixam cópias dos documentos de cada uma das partes.
Documento 1Sobrado, 10 de Março de 2010
Ex.mo Sr. Padre Vicente
Pároco de Santo André de Sobrado
e Presidente do Conselho Económico da Fábrica da Igreja
A Direcção da Associação Promotora da Casa do Bugio e da Festa de S. João de Sobrado recebeu do Senhor Padre a mensagem sugerindo que se encontrasse com o Conselho Económico da Fábrica, na sua reunião do dia 8 passado.
Quando nos encontrámos com o referido Conselho, e perante a (já pré-anunciada) ausência do presidente, foi-nos dito que o melhor seria colocarmos a matéria que ali nos levava por escrito e que a resposta seria dada pela mesma via.
Escusado será dizer que teríamos preferido conversar directamente com o Conselho Económico da Fábrica e na presença do seu Presidente. Mas, uma vez tendo sido esta a sugestão dada, aqui estamos a colocar o nosso assunto.
1. Vimos solicitar ao Conselho, ao qual o Sr Padre Vicente, enquanto Pároco, preside, a cedência do espaço habitual, pertencente à Fábrica da Igreja, para aí instalar os carroceis e outras infra-estruturas de entretenimento, por altura da Festa de S. João de Sobrado deste ano de 2010.
2. Entendemos igualmente solicitar que essa cedência seja feita a título gratuito, fundados nas razões seguintes:
a. Este ano é a Casa do Bugio que organiza a Festa e esta Associação, da qual a Igreja também é sócia, carece vitalmente de realizar todas as economias possíveis para colmatar com toda a urgência os problemas de segurança que foram detectados no edifício-sede da Associação.
b. A Associação tem, desde sempre, manifestado toda a disponibilidade para ceder, sem quaisquer encargos, os seus espaços para iniciativas da Igreja ou de diversas das suas estruturas e serviços.
c. Do mesmo modo, esta Associação tem disponibilizado, sempre que necessário, e continuará certamente a fazê-lo, outro equipamento da Casa, para apoio a iniciativas e eventos ligados à Igreja, mesmo quando realizados fora da sua sede.
3. A Associação e a Igreja acordaram, em tempos, num protocolo de colaboração que traduzia, de parte a parte, este espírito de inter-ajuda e cooperação que a Associação da casa do Bugio deseja possa concretizar-se e mesmo intensificar-se.
Por todos estes aspectos, deixamos ao critério do Conselho Económico a ponderação sobre esta desejável cooperação e a anuência ao pedido que ora apresentamos.
Desde já manifestamos toda a abertura para prestar outros esclarecimentos ou informações que forem julgadas necessárias à apreciação desta solicitação.
Apresentamos cordiais saudações,
A Direcção da Associação da Casa do Bugio
Documento 2(Clicar duas vezes na imagem para ampliar)

Documento 3Sobrado, 15 de Abril de 2010
Rev.mo Sr. Padre Vicente
Pároco de Santo André de Sobrado
e Presidente do Conselho Económico da Fábrica da Igreja
A Direcção da Associação Promotora da Casa do Bugio e da Festa de S. João de Sobrado agradece a mensagem recebida do Conselho Económico da Fábrica, em resposta à solicitação de cedência a título gracioso do terreno pertencente à Igreja, para efeitos de instalação dos carroceis, na próxima festa de S. João.
Entendemos que a base de cooperação que tem existido da parte desta Associação, que nunca estabeleceu quaisquer quantitativos para a utilização do espaço da Casa do Bugio por parte dos serviços e iniciativas da Igreja, não justificaria esta decisão da V/ parte.
Pretendendo, no entanto, dar um sinal de compreensão relativamente às necessidades económicas com que a Fábrica da Igreja se debate, vimos, por este meio, apresentar uma contra-proposta, que se traduziria na entrega, por parte da Comissão de Festas de 15% do rendimento que vier a ser apurado com os carroceis.
Na expectativa da V/ resposta, aproveitamos a oportunidade para enviar cordiais saudações
A Direcção da Associação da Casa do Bugio
Documento 4
Documento 5Sobrado, 4 de Maio de 2010
Rev.mo Sr. Padre Vicente
Pároco de Santo André de Sobrado
Recebemos a carta que, na qualidade de Presidente do Conselho Económico da Fábrica da Igreja, subscreve juntamente com o secretário, e à qual passamos a responder.
A Direcção da Associação Promotora da Casa do Bugio e da Festa de S. João de Sobrado vê-se na contingência de anuir às condições impostas por esse Conselho relativas à cedência do terreno pertencente à Igreja, para efeitos de instalação dos carroceis, na festa de S. João deste ano, e que se traduzem na entrega à Igreja de 50 por cento do montante apurado.
Dito isto, não deixamos de considerar que o quadro de cooperação assim instituído fica colocado em plano manifestamente insatisfatório. Entendemos que não colhe o argumento de que todas as comissões de festas, desde 2001, têm adoptado a prática dos 50%. E isto porque o Conselho Económico da Fábrica da Igreja de Sobrado, tanto em 2006 como neste ano de 2010, não está a lidar com uma simples Comissão de Festas, mas com uma Associação que tem procurado não apenas contribuir para a promoção da festa (que, como todos bem sabemos, traz indesmentíveis benefícios económicos à Igreja), mas também cooperar com diferentes estruturas e serviços desta Vila e da vida da nossa Paróquia. E nunca colocou a exigência de esses serviços serem pagos, no todo ou em parte, apesar das gritantes carências por que também passa a Associação e a sua sede.
Não é, de facto, assim que entendemos a cooperação e interajuda que, mesmo sem invocar o espírito evangélico, deveria, do nosso ponto de vista, pautar as relações entre nós.
Com os melhores cumprimentos,
A Direcção da Associação da Casa do Bugio