sexta-feira, junho 01, 2007

Ao som da 'caixa'

O bombo, ou a "caixa", como se diz em Sobrado, é um instrumento fundamental, nomeadamente porque sem ela não haveria danças dos Mourisqueiros. Nem nos ensaios, que estão, por estes dias, prestes a começar, ela pode estar ausente.
É por isso que vale a pena registar aqui a nota que escreve hoje no jornal "Público" sobre o bombo o jornalista Nuno Pacheco:

"(...) Mas voltando ao tambor: não é novidade que este terá sido o mais antigo instrumento musical conhecido. E também o que mais depressa alastrou por geografias e culturas. Há-os de todos os tamanhos e feitios, dos mais vetustos de civilizações antigas até aos mais modernos de simulações digitais. As suas batidas ressoam igualmente nos mais variados géneros musicais. E se a expressão bombo da festa lhe deve algum tributo (afinal é no bombo que, nas festas, mais se bate), o tocador de bombo tem, entre nós, um nome peculiar. A tentação seria chamar-lhe bombeiro, já que quem toca gaita é gaiteiro e quem toca tamboril é tamborileiro. Mas não: é zé-pereira. A origem etimológica não é certa, mas há quem assegure que esse foi o nome dado ao próprio bombo, que passou depois para o seu tocador. Talvez devido a essa velha mania lusitana de usar zés a torto e a direito, quando se trata de vulgarizar as coisas: zé-povinho, zé--cuecas, zé-quitólis, Zé-ninguém, zé-dos-anzóis, zé-faz-formas, zé-da-véstia, zé-goelas, por aí fora. Isto para designar gente chã, indistinta, sem importância. Tal epíteto assenta, contudo, mal ao bombo, que nunca perdeu valor, pelo contrário.(...)"

1 comentário:

TsiWari disse...

Há para aí uns 20 anos fomos, eu e a minha namorada da altura, assistir ao juramento de bandeira (o único que algum dia vi!) de um, então, amigo comum.

Por artes desconhecidas, ficámos mesmo juntinho de uma nossa conhecida figura sobradense.

Começara o desfile há bem pouco, quando a dita senhora exclama em alto e bom som:

- Olhónosso ca caixa!!!

(Era o filho que vinha, inserido no desfile, a tocar um tambor..)