sexta-feira, dezembro 30, 2011

Rodney Gallop (3) - A Prisão do Velho


"Começava agora a segunda parte da Mouriscada. Dois pequenos palanques de madeira tinham sido levantados no largo terreiro verde, a mais ou menos 70 metros [oitenta jardas] um do outro.
Os dois reis posicionaram-se nestes 'castelos, cada qual acompanhado por alguns dos respectivos seguidores devidamente escolhidos, e começaram a enviar um ao outro mensagens provocatórias, através de 'embaixadores' a cavalo. Ao mesmo tempo que cada embaixador arrancava para a sua tarefa com a mensagem sob a forma de um pedaço de papel ou de uma folha de plátano enfiados na espada, os guerreiros disparavam salvas de tiros com mosquetes de carregar pela boca cujo fumo subia no ar.
Eram já oito da noite e o sol baixava no horizonte. Chegou um momento em que a pólvora se extinguiu entre os Bugios, impossibilitando-os de continuarem a defender-se. Os Mouriscos puseram-se em formatura e marcharam para irem atacar o castelo daqueles. Por duas vezes desencadearam o assalto e nas duas vezes foram repelidos. Com o seu rei adiante, à terceira vez conseguiram tomar conta da escada. Houve breve escaramuça no pequeno palanque e o Rei Bugio, agora de máscara, podia ver-se escudado atrás dos seus homens. Pouco tempo depois o rei dos Mouros encontra-o e atira-o ao chão. Instaura-se um silêncio súbito. O monarca caído senta-se e os seus seguidores vão à vez dizer-lhe um adeus choroso, dando-lhe abraços enternecidos. De seguida, com um gesto imperial, o seu captor ordena-lhe que desça os degraus, os Mouriscos formam uma falange fechada e, ao som de uma marcha fúnebre, levam-no dali para fora. Com lágrmas e lamentações, os Bugios seguem-no de perto.
Por momentos sentimo-nos transportados para longe, no espaço e no tempo. Parecia que estamos a ver, com os nossos próprios olhos, o antiquíssimo cortejo fúnebre de Osíris. Se assim fosse, não deveríamos assistir igualmente à sua libertação das amarras da morte? A resposta não tardou a chegar. Num ponto afastado do terreiro registou-se uma súbita manobra. Da parte de baixo do seu 'castelo' um grupo de Bugios arrastou um 'dragão' descomunal grosseiramente feito de madeira e tela. Pegando na Serpe como se fosse uma máquina de guerra, carregaram sobre os Mouriscos ao som de gritos que ecoavam pelos ares. Estes abrem brechas sob efeito do terror, permitindo que o prisioneiro seja salvo pelos seus homens e levado em triunfo. Osíris morto voltara à vida e, agora, terminada a pantomina, faltava apenas a Dança do Santo para dar um final cristão a esta cerimónia pagã. Uma vez mais, as duas formações executaram as suas estranhas danças, desta vez em frente à igreja, em honra de S. João, assim encerrando um dos mais notáveis rituais que sobrevivem na Europa moderna".
(Continua)

terça-feira, dezembro 27, 2011

Rodney Gallop (2) - Bugios: seus trajes e sua dança

"Quando esta dança terminou os Mouriscos sairam do quinteiro a marchar em fila única. No portão cruzaram-se com um bando de figuras vestidas de modo ainda mais incongruente do que eles próprios. Os Bugios, como eram chamados, trajavam com capas de cores garridas, casaco tipo gibão cintado e abotoado e calça curta, pelo meio da perna (alugado, de facto, num figurinista de teatro do Porto). Todos usavam máscara, algumas com caras de animais e, na cabeça, traziam chapeus de cavaleiro adornados com fitas de papel e culminando numa cascata de fitas como aqueles que usavam os mascarados ingleses. Nas mãos, cada qual trazia algum objecto doméstico ou ligado à agricultura. Assim como os Mouriscos eram contidos e ordenados, estes eram um tanto rudes e violentos no comportamento. Com gestos selvagens e gritos rudes avançavam para o quinteiro, começando a dançar alinhados em duas filas, tal como os que os precederam.. A música, agora, consistia num pequeno fragmento de melodia indefinidamente repetido por duas rabecas e um violão.
O rei dos Bugios, o único que não ia mascarado, posicionava-se no centro. Usava uma barretina alta e emplumada e um manto eclesiástico de rico damasco encarnado debruado a ouro, com uma dobra sobre os ombros (foi-nos dito que o Rei Bugio tem um privilégio que consiste em poder escolher o seu vestido de entre as vestes ou adereços da igreja). Enquanto os seus seguidores saltavam desajeitadamente nos seus lugares, o rei convocava, à vez, cada um dos pares e mediante os gestos balanceados de um nigromante parecia transmitir-lhes perversas e secretas ordens. De seguida, levantando ligeiramente os braços e as mãos, despedia aquelas figuras meio encolhidas. Uma volta e um salto colocavam-nos no fim da fila. Se a dança anterior tinha todo o ar de preparação para uma batalha, esta estranha e ameaçadora performance trazia-nos à mente nada mais do que o 'dia das bruxas' e isto precisamente no dia em que a bruxaria é todo-poderosa. (...)"

Crédito da foto: Rei dos Bugios, desenho publicado na p. 173 da obra de R. Gallop.
(continua)

quinta-feira, dezembro 22, 2011

Rodney Gallop (1) - A Dança dos Mourisqueiros em 1932

Setenta e cinco anos depois de Rodney Gallup ter publicado a descrição antiga mais completa sobre a Festa de S. João de Sobrado, inicia-se aqui a publicação da parte respeitante a esta tradição, que vem no seu livro "Portugal, a Book of Folk Ways". Depois de apresentar danças mouriscas, danças de espadas e, em geral, danças rituais de diversas partes de Portugal, incluindo a Dança dos Pauliteiros, Rodney Gallop inicia a apresentação da Festa de S. João de Sobrado. Desta forma:
"Mais marcial na aparência é a extraordinária performance, que, sobre o nome promissor de Mouriscada, sobrevive ainda em Sobrado, perto de Valongo, e que mantém dois dos elementos que já desapareceram da procissão de S. João em Braga. Chegamos à aldeia de Sobrado pelas 6 horas da tarde do dia de S. João de 1932. Um largo relvado descia ligeiramente da estrada principal em direcção à igreja branca que se destacava de uma colina arborizada ao fundo, fulgurando sob os oblíquos raios de sol. Algumas tendas alinhavam-se a um canto, dominando uma atmosfera geral de rústica folia. Caminhando na direcção da igreja demo-nos conta de que a performance já tinha começado. Com espadas em riste, no punho das quais lenços brancos haviam sido atados, os Mouriscos estavam a dançar no quinteiro da casa do padre. Usavam fatos de algodão de cor clara com botões dourados e cintos vermelhos e faixas. Traziam na cabeça barretinas de cartão de cerca de 30 centímetros de altura, das quais pendiam pequenos espelhos, galões dourados e encimado por plumas vermelhas. Organizados em duas linhas compridas, de rostos graves e sérios, dançavam nos seus lugares, enquanto o seu rei, que se distinguia pelo uso de correntes douradas e dragonas, saltava de uma ponta para a outra da linha, dançando à vez com cada um dos pares dos seus homens. Uma figura cómica vestida de fato-macaco azul e com uma máscara feita de cortiça seguia-o pelo lado de fora imitando todos e cada um dos seus movimentos. A certa altura as duas linhas [de Mourisqueiros] desfazem-se, enrolam-se uma na outra como em espiral e disparam em direcções opostas. A única música consistia no monótono rufar do tambor que combinava com o silêncio e ar decidido dos dançarinos, a emprestar ao seu desempenho uma qualidade estranhamente sinistra, como que a pressagiar uma explosão de selvageria primitiva.(...)".
Rodney Gallop (1936/1961), Portugal a Book of Folk Ways. Cambridge University Press, pp. 171-172 [Continua]

terça-feira, dezembro 20, 2011

As origens militares das barretinas

Os trajes dos Mourisqueiros têm demasiadas parecenças com as fardas dos soldados napoleónicos e é provável que essa influência seja efectiva, no caso da Mouriscada. Um dos elementos importantes para essa comparação é certamente a chamada Barretina - uma forma cilíndrica debruado a cetim, rodeada de espelhos e encimada por plumas. O que se segue não é necessariamente nem vestígios da farda napoleónica nem sequer apenas traje francês. O formato e as plumas ou os seus vestígios surgem em várias outras tradições militares e algumas delas já são apenas peças de museu. Mas são importantes para contextualizar a nossa própria tradição (a imagem de comparação da festa de Sobrado é a que surge na foto em cima, à esquerda, neste blogue).

(Estas imagens foram seleccionadas a partir de uma pesquisa do termo "Shako" no Google Images. Aí se podem encontrar os sites de origem das fotos.

terça-feira, dezembro 13, 2011

Blog 'Bugios e Mourisqueiros': sete anos de vida

Não é um número redondo, mas é, digamos, um número bíblico: este blogue acaba de atingir sete anos de existência e de persistência (e não é propriamente por falta de material que não é mais assíduo na actualização). Em outros tempos, atingir os sete anos significava atingir a capacidade do "uso da razão". Será?
O objectivo que temos procurado concretizar não é apenas informar e reflectir sobre a Festa e outros aspectos com ela relacionados. Ao fazê-lo temos consciência de estar a criar um repositório e uma memória da Festa, o que, numa tradição popular que é tão parca em documentação histórica, é de grande relevância. Acresce que outros espaços congéneres que, em anos recentes, surgiram, desapareceram, entretanto. Os 330 posts até agora publicados aí estão, à consulta de quem se interessar.
Justifica-se, neste contexto, que dê a conhecer alguma informação acerca de quantos são e de onde vêm os visitantes deste espaço da Festa na Internet:
Registam-se até este momento, cerca de 39 mil visitas, das quais 2.500 oriundas do Brasil (cerca de 6,5%), seguido da França, com cerca de 870 (2,5%), dos Estados Unidos da América (441, equivalente a 1,15%) e da Espanha (352, ou seja 0,9%).
Os meses de Junho atingem sempre picos elevados de visitas, mas nunca como este ano, em que durante o mês da Festa 3474 pessoas vieram aqui parar. Nos restantes períodos do ano, a média ronda os 500 visitantes por mês.
Três em cada quatro visitantes descobrem ou demandam o blog Bugios e Mourisqueiros através de sites de pesquisa, dos quais aquele que é esmagadoramente mais utilizado (96%) é, naturalmente, o Google. O Facebook, certamente por causa do grupo específico criado em 2010, e a Wikipedia, por causa dos artigos que referenciam a festa, lideram os sítios de onde se chega a este blogue.
Obrigado pela visita!

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Rodney Gallop - este nome diz-lhe alguma coisa?
Nos 75 anos de "Portugal, a Book of Folk Ways"

Provavelmente o nome Rodney Gallop não diz nada ao leitor. É possível que venha a ouvir falar dele se se concretizar a candidatura do "cante alentejano" a património imaterial da Humanidade, já que ele foi um dos etnógrafos que recolheu vários dos exemplares dessa forma de música popular, nomeadamente em "Cantares do Povo Português".
Mas a que propósito o trago aqui? Precisamente porque, num outro livro que publicou, intitulado (em inglês, e, tanto quanto sei, não foi traduzido)"Portugal, a Book of Folk Ways", que se poderia traduzir por "Caminhos do Folclore Português". Ora este livro faz em 2011 precisamente 75 anos que foi editado, o que é suficiente motivo para referir uma obra que dedicou várias páginas (pp. 171 a 175) à Festa de S. João de Sobrado. Deve-se-lhe, além disso, uma das imagens mais antigas que conhecemos dos Mourisqueiros sobradenses e um pequeno desenho inconfundível do Velho da Bugiada, o rei dos Bugios. Logo no prefácio, anota a singularidade e carácter único do caso do S. João de Sobrado ou quando escreve que "a Mouriscada de Sobrado e o Auto de Floripes não se encontram por aí em qualquer aldeia ou em qualquer dia do ano. Persistem como exemplos isolados de algo que pode ter estado mais generalizado no passado, mas que já não o está hoje".
A obra, editada pela Cambridge University Press, teve uma segunda edição em 1961, a qual contou com um subsídio do Instituto de Alta Cultura português. É ainda possível encontrar exemplares à venda, nas lojas online de livros usados. O seu autor foi um diplomata inglês que calcorreou Portugal em busca de tradições e músicas populares, de cujas recolhas nasceram vários livros. De resto percorreu igualmente a Espanha, especialmente o País Basco, e o México. Por Portugal andou no início dos anos 30, quando tinha pouco mais de 30 anos. Nasceu em 1901 e faceleu em 1948.

(Em próximos posts conto traduzir partes da sua escrita sobre a festa de S. João de Sobrado).

quinta-feira, dezembro 08, 2011

"O sonho de ser, um dia por ano, dono do mundo"

"O sonho é ir de bugio e a bugiada torna-o realidade. O sonho dos pobrs (e, como o sonhar também enche a barriga, contaram-me que, em Sobrado, um pai levava os filhos a dançar na bugiada para esquecerem a fome). Sonhos de momentos: danças, rituais insólitos, trajos inesperados, fantasias e sonoridades esquecidas. Castanholas e guizos. As cores berrantes, chamando a atenção: este é o meu sonho. E a máscara é presença omnipotente, chave da transmutação. /(Quem somos nós, que a vida é um instante?). Máscaras fantásticas, ocultando rostos. «Quem vai ali?» ninguém sabe, e o bugio não pára, a dançar, a dançar. A correr, a voar pela festa. «Ali vai a minha roupa de bugio». «Então emprestou a roupa?» «Pois! Ai que desgosto, ando aqui aleijado duma perna e num posso andar ós saltos. Bem me custa ver outros com a minha roupa e a minha máscara!». Perguntei a um bugio que descansava da corrida: «Foi você que fez o trajo?». «Eu num sei costurar, mandei-o fazer a uma costureira». «Há quatro anos que venho de bugio». Esta, sim, é a Festa. É o país dos encantamentos que resistem. É o sonho de ser, um dia por ano, dono do mundo. Feito bugio, escondido por detrás da máscara. É a alegrisa (e a dor?)". 
Helder Pacheco  
Nota sobre a Festa de S. João de Sobrado de 1986.
in O Grande Porto. [Novos Guias de Portugal]. Editorial Presença, Lisboa, 1986, p.165.
(No exemplar que me dedicou, o autor agradece o ter-lhe "desvendado o rosto desse país fantástico e terno que permanece na Bugiada de Sobrado").
(Crédito da foto: Marjoke Krom)

sábado, dezembro 03, 2011

A festa de S. João, as artes, os artistas

A riqueza antropológica, sociológica e estética da Festa de S. João de Sobrado, em todas as suas componentes, pode ser obecto de múltiplas abordagens. Há quem goste de investigar, de escrever, de conversar sobre a festa. Mas há (e pode haver muito mais) quem trate a festa do ponto de vista artístico - ficção, poesia, pintura, desenho, artes plásticas, música, design, multimédia. Algumas coisas começam a ser feitas, mas num estado ainda muito incipiente Como sonhar não custa, para além dos talentos que certamente existem em Sobrado e entre amantes da festa, porque não convidar artistas, escritores, ensaístas, para virem ver a festa e sobre ela criarem obras de arte?

sexta-feira, dezembro 02, 2011

Entre 1750 e 1880:
danças da Bugiada também em Valongo


Ao longo de bem mais de cem anos, Valongo foi palco de uma grande festa que dois autores valonguenses, Francisco Ribeiro Seara e Lopes dos Reis, consideraram a "festa popular mais importante e mais signficiativa" do concelho e que incluía uma Dança da Bugiada.
Tive oportunidade de me referir a este facto aquando do acto comemorativo dos 175 anos da criação do concelho de Valongo, que decorreu na passada terça-feira, dia 29 de Novembro, numa iniciativa da Câmara Municipal, através do Arquivo Histórico do Município. E estou, naturalmente, a referir-me à festa de Santo António dos Almocreves, que tinha o seu momento alto no segundo domingo de Julho.
Que tradição era esta, então?

Uma festa dos almocreves

Podemos dizer que almocreve era o comerciante que, sozinho ou em grupo, percorria por vezes longos trajectos para levar e trazer mercadoria e, desse modo, assegurar o abastecimento dos aglomerados populacionais mais significativos. Desde a Idade Média até épocas não muito longínquas eles foram, no dizer de Borges de Macedo (1), «a coluna vertebral dos transportes internos».
A festa nasceu em 1750, no contexto de uma grande epidemia que começou a dizimar os animais de carga que eram "a alma de negócio" dos muitos almocreves de Valongo.
Ora, desde muito cedo, Valongo foi terra de almocreves que iam além-Marão e até ao Alentejo para abastecer as moagens de trigo e centeio e assim permitir a a panificação de que vivia boa parte da cidade do Porto. Já a Corografia Portugueza, publicada pela primeira vez em 1708, observava que Valongo (e mantemos a escrita da época) “[…) he povo grande e arruado habitado de muitas padeiras que sustentão o Porto de pão que elas lá levão a vender, e de muitos almocreves, que vivem de conduzir de muitas légoas o trigo para suas mulheres cozerem" (2).
Temos, pois, que a economia de Valongo vivia, em boa medida, dos almocreves e da panificação. E, aos olhos destes comerciantes Santo António foi decisivo para debelar o mal que deu nas bestas, pelo que decidiram honrá-lo e festejá-lo à altura do 'milagre' obtido.

Sumária descrição dos festejos

Seguindo a descrição que da festa faz, em 1904, o autor de "A Villa de Valongo", o P. Joaquim Alves Lopes dos Reis (3), os festejos arrancavam ainda no mês de Junho, na véspera de S. Pedro, dia em que se tornou tradição sair o Bando , que era um grupo de homens montados em jericos, à frente do qual seguia um pregoeiro a anunciar o programa que aí vinha. Mas era na quarta-feira anterior ao segundo domingo de Julho que o ambiente de folgança começava a animar-se. Nesse dia um burro percorria as ruas da terra distribuindo archotes que seriam usados na Cavalhada, na véspera da festa à noite. Esta Cavalhada metia bandas de música seguidas de cavaleiros com tochas a arder, o que deveria tornar o cortejo motivo de atracção. Houve quem visse neste acto um vestígio da procissão de agradecimento dos almocreves a Santo António.
No domingo da Festa, logo ao nascer do Sol, formava-se em casa do Juiz a Bugiada. Ao mais velho no ofício cabia designar o Juiz novo que era procurado e trazido na situação em que se encontrasse. Após isso, servia-se um lauto almoço. Deduz-se da descrição que nos chegou que havia, neste momento, a Dança dos Bugios. Só depois dela é que se formava o Tambo, um cortejo que se dirigia à igreja paroquial, onde se realizavam cerimónias religiosas. Findas estas, voltava a dançar a Bugiada em frente ao templo, a que se seguia o jantar. Diz-nos Lopes dos Reis que esta Dança da Bugiada junto à igreja era especialmente querida da população local, tal como a música que a acompanhava, a qual (a exemplo do que acontece em Sobrado, nos nossos dias) não podia ser tocada sem que as pessoas começassem a dançar também. Pelos vistos, a Dança da Bugiada de Santo António dos Almocreves tornou-se de tal modo marca da festa e valorizada pela população que havia gente importante que fazia questão de participar. E só quando a festa começou a decair é que a dança passou a ser participada sobretudo pela, digamos assim, arraia miúda.
A festa prosseguia na segunda-feira com o Jantar dos Cozinheiros participado por todos os que, de algum modo, tinham concorrido para a organização. E eram esses que, no fim do repasto, iam pelas ruas da vila, trajados de modo exótico (à turco, dizia-se), executando a Dança dos Odres. Dois dias depois, na quarta-feira,  a festa encerrava, finalmente, com actos na igreja, um jantar, desta vez pago já pelo Juíz novo, à porta do qual a Bugiada voltava a dançar pela terceira e última vez. Nesse dia à tarde, voltava-se a juntar muita gente da terra e de fora, porque havia como que a apoteose, com uma série de danças e entremeses, uma boa dúzia delas. À noite, ainda se realizava a Entrega do Santo, no qual, além dos membros das Cavalhadas, participava a mulher do Juiz velho, acompanhada de moças que empunhavam velas acesas.

Dois comentários

Este é um quadro rápido e sumário de uma festa rica e complexa que merecia ser mais investigada e estudada. Resta fazer duas ou três observações a propósito.
Em primeiro lugar, a festa entra em decadência na segunda metade do século XIX e acaba mesmo em 1880. E porquê? Lopes dos Reis não aborda o assunto, mas eu atrevo-me a deixar uma possível explicação. Em 1872, o Governo adjudica a construção da Linha (ferroviária) do Minho, a qual é aberta à circulação até Braga em 1875. Neste mesmo ano, entra em funcionamento um primeiro tramo da Linha do Douro, entre Ermesinde e Penafiel. A partir de então, estava aberta uma forma mais rápida e segura de viajar e fazer circular a mercadoria. O caminho de ferro, que representou um progresso extraordinário, representou o atestado de morte aos almocreves, pelo menos, nas zonas servidas pela rede ferroviária. O município de Valongo é, todo ele, à excepção de Sobrado, atravessado pelo comboio. Nesta nova situação, com os almocreves em crise e certamente á procura de novas formas de subsistência, não houve Santo António que lhes valesse e, assim, a festa desapareceu. Um pormenor curioso: as danças mais características da festa de Santo António, essas a população não as deixou desaparecer tão rapidamente: começaram a ser apresentadas na festa do padroeiro da vila de Valongo, S. Mamede. E isso prolongou-se por muitos anos.
A segunda observação é, naturalmente para chamar a atenção para uma série de sinais de aproximação entre a Festa de Santo António dos Almocreves de Valongo e o S. João de Sobrado. Claro: desde logo pelas danças da Bugiada e pelo papel de relevo que tinham na festa valonguense. Mas também pela música e o carinho que esta despertava na população e, finalmente, pelas "papeladas", que eram habitualmente, formas (escritas) de crítica social. De tudo isto encontramos algo em Sobrado. Muitas danças de Valongo, de resto, aparentam-se com manifestações típicas descritas nas procissões de Corpus Christi. O que me leva, de novo, a deixar no ar a hipótese de, tanto alguns aspectos das danças e lutas de Sobrado como várias das danças de Valongo poderem, em alguma fase do seu desenvolvimento, ter tido algum tipo de presença em alguma das procissões de Corpus que se fazia nesta região (nomeadamente no Porto e em Penafiel).
Muito que investigar e que estudar, por conseguinte.

Referências
(1) Borges de Macedo, J. "Almocreve" in Dicionário de História de Portugal (dir. de Joel Serrão)
(2) Costa, Ant. Carvalho da  (1708) Corografia Portugueza e Descripçam Topográfica do Famoso Reyno de Portugal, vol. II
(3) Reis, J. Alves Lopes dos  (1904) A Villa de Valongo. Porto:  Typographia Coelho (a vapor).

quarta-feira, novembro 30, 2011

Santo André de Sobrado

Hoje é dia de Santo André, desde tempos imemoriais o padroeiro de Sobrado. Desde há anos que se restabeleceu o costume de, com simplicidade, festejar o santo, na paróquia.
Já ouvi e li quem afirmasse que o padroeiro de Sobrado é S. João. De facto, assim parece, dada a projecção da festa sanjoanina. Mas Sobrado não é caso único, nisto de dar mais destaque à evocação de uma figura religiosa que não o patrono.
Santo André era irmão de São Pedro e, por conseguinte seria também pescador. O seu nome ( em grego "ανδρεία", andreía) pode traduzir-se por "hombridade" ou "coragem". Terá sido ele a apresentar Cristo, como o Messias, a seu irmão Pedro.
Poderíamos, assim, dizer que Santo André de Sobrado festeja sobretudo o S. João, mas não esquece Santo André.

terça-feira, novembro 29, 2011

Uma festa espanhola património da humanidade

As festas da Mare de Déu de la Salut (Mãe de Deus da Saúde), da localidade de Algemesí (ao sul de Valencia, leste de Espanha) acabam de ser reconhecidas pela UNESCO como património da humanidade, na mesma sessão em que também o fado mereceu essa honra.
Trata-se de facto de uma festa riquíssima, como se pode ver aqui e aqui.
Mas quem conhece a festa de Sobrado não deixará de concluir que também ela encerra potencialidades para merecer esse reconhecimento, se não sozinha pelo menos enquadrada nas festas e rituais de máscaras ibéricos, um património de facto de inestimável valor.
Para tal, muito há que fazer ainda, não apenas no que diz respeito ao pesado e complexo processo da candidatura, mas, eu eu diria, sobretudo no cuidado e qualificação que a própria festa deve merecer. Há pequenas coisas que dizem respeito não só aos que mais directamente intervêm na festa, como em todos os que a ela assistem que muito podem contribuir para a dignidade e beleza da Bugiada e Mouriscada. Conto desenvolver este assunto em próximos posts.

sábado, novembro 26, 2011

Cultura popular e a Bugiada nos 175 anos do Concelho

Nesta terça-feira, dia 29, a Câmara Municipal de Valongo, através do Arquivo Histórico Municipal, evoca os 175 anos da criação do Concelho, com uma cerimónia simbólica de hasteamento da bandeira e uma conferência alusiva à data, centrada nas tradições do âmbito do município.
Caberá ao autor destas linhas a abordgem do tema  "Cultura popular tradicional do Concelho de Valongo: entre o passado e o futuro" e, claro, a Festa da Bugiada e Mouriscada de Sobrado não poderia deixar de ter aí lugar de destaque. 
Estes actos ocorrem no edifício que acolhe o Museu e Arquivo Histórico Municipal, nas antigas instalações da Câmara, a partir das 15 horas, sendo a entrada livre.
Perguntar-se-á: porquê neste dia? Uma nota da Câmara Municipal explica a razão:
"A 6 de Novembro de 1836, a rainha de Portugal, D. Maria II, assina o decreto que criava o concelho de Valongo. Publicado a 29 de Novembro, o decreto reduzia de 871 para 351 os concelhos do país".

(Gravura: Praça Machado Dos Santos. Pintura de Sousa Pinto)

quinta-feira, novembro 24, 2011

Valorizar e estudar as máscaras

A ideia que tinha de que muita da força da Festa da Bugiada e Mouriscada de Sobrado reside na máscara - é, de resto, este elemento que une as diversas facetas da Festa sobradense - é reforçado por uma conclusão apresentada recentemente por Sofia Maciel, uma estudiosa das máscaras transmontanas.
Nos estudos de que resultou a sua tese de doutoramento, defendida em 2008 e intitulada "Máscaras transmontanas - dos contrastes antropológicos às confluências filosóficas", fica a ideia de uma enorme densidade e complexidade em torno da compreensão deste objecto material, mas sobretudo simbólico, quando ela escreve (pp. 333-334):

"O mundo de relações simbólicas em que se inscrevem as máscaras não permite que delas se elabore um discurso acabado; pelo contrário, por mais esforço que tenhamos feito na vontade de as explicar completamente, há nelas determinadas características – opacidade, flexibilidade, duplicidade e ubiquidade – que funcionam como obstáculos à obtenção de um conhecimento exaustivo".
Como observa Sofia Maciel, no universo simbólico em que as máscaras e os mascarados operam, "os símbolos são mais reais que o simbolizado". As máscaras "configuram uma realidade que significa em qualquer tempo e lugar, acompanhando os homens, ao longo do tempo, na relação consigo próprios, os outros e o mundo; por estas razões, elas são testemunhos vivos da história da cultura e do pensamento".

Curiosamente, a autora intitula o seu capítulo de conclusões deste modo: «A Máscara, um objecto “bom para pensar”». A meu ver, esta ideia é muito sugestiva e desafiante, na medida em que a "opacidade, flexibilidade, duplicidade e ubiquidade" das caretas, atrás sublinhadas, em lugar de fecharem a possibilidade do pensamento, espicaçam a interrogação e a indagação acerca da perene necessidade da máscara não apenas como instrumento de 'não identificação', mas de 're-presentação' e de transfiguração individual e colectiva.
Também por isso é que continuo a achar que, se queremos valorizar a festa de S. João de Sobrado, será necessário valorizar bastante mais as máscaras, em particular aquelas que poderíamos designar por "máscaras de função", ou seja, aquelas que são usadas tanto pelo Velho da Bugiada, Guias, Meios e Rabos, como as que são utilizadas nos rituais agrícolas e na Dança do Cego. Há, de resto, um sinal de que esta matéria é bem mais importante do que parece: poucos se apercebem que, já hoje e desde há muito tempo, a máscara utilizada pelo Velho, na parte da manhã, não é a mesma que ele traz aquando da ida para o castelo e até ao fim da guerra, prisão e libertação. Por alguma razão será, não?

A tese  "Máscaras transmontanas - dos contrastes antropológicos ás confluências filosóficas" encontra-se acessível em regime livre no Repositorium da Universidade do Minho: AQUI
(Crédito da imagem: Máscara de Freixeda, de Salsas, Bragança, publicada na tese referida).

quinta-feira, novembro 17, 2011

Festa será estudada num doutoramento de Estudos Culturais

A festa de S. João de Sobrado vai ser o mote para duas aulas no Curso de Doutoramento em estudos Culturais, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, em Braga.
Inseridas na unidade curricular de Comunicação Intercultural, as aulas versarão sobre "Festa, luta e comunicação: a Bugiada e Mouriscada de Sobrado" (25 de Novembro); e "Dinâmicas e contradições das culturas tradicionais num mundo global" (2 de Dezembro).
Enquanto que, na primeira sessão, será feita uma descrição da festa, apoiada num filme, procurando inventariar dimensões e categorias relevantes de análise, na segunda procurar-se-á aprofundar algumas dessas dimensões e categorias.

quinta-feira, outubro 27, 2011

Comissão de Festas 2012 é notícia no JN

O JN de domingo passado dá destaque ao facto de a Comissão da próxima festa de S. João de Sobrado ser apenas constituída por pessoas do sexo feminino, sob a coordenação da engª Lúcia Lourenço. Vêm de um sem-número de actividades profissionais, deitaram já mãos à obra (a próxima iniciativa é a sarrabulhada, a que aqui fizemos já refereência) e mostram-se confiantes de que a a festa vai continuar a ser o sucesso que tem sido. A Comissão criou também uma página própria no Facebook: AQUI.

segunda-feira, outubro 17, 2011

Carpintaria: memórias de uma arte

"Carpintaria: memórias de uma arte" é o título e tema de uma exposição que abre no próximo sabado, ao fim da tarde, na sede da Junta de Freguesia de Sobrado.
O certame reúne peças de ferramenta de um tipo de artesanato que está hoje praticamente desaparecido, sendo de especial interesse para as actividades pedagógicas das escolas, mas aberta a todos os interessados, da vila, do concelho e de fora dele.
Desta iniciativa não directamente ligada à festa de S. João se faz aqui menção por duas razões: em primeiro lugar por ela resultar de uma parceria da Junta com a Casa do Bugio; e, em segundo lugar, por sublinhar um aspecto comum à Festa da Bugiada e Mouriscada: a necesidade e urgência de preservar e promover a memória da comunidade sobradense e, quem sabe, de lançar as bases para futuras unidades museológicas na vila, antes que o que resta se perca definitivamente.

sexta-feira, outubro 14, 2011

Movimenta-se a festa de 2012


A Comissão de Festas de 2012 do S. João de Sobrado organiza mais um evento, destinado ao convívio dos sobradenses (e não só sobradenses), bem como à angariação de fundos para promover uma festa do próximo ano. Desta vez, será uma sarrabulhada, em data que se espera já com a temperatura própria desta época do ano: dia 5 de Novembro, pelas 20 horas, na Casa do Bugio.

quarta-feira, setembro 14, 2011

Domingo: porco no espeto e caldo verde

A Comissão da Festa de 2012 organiza, a partir desta sexta-feira, um conjunto de iniciativas desportivas, musicais e gastronómicas, cujo objectivo, além do convívio, é também angariar fundos para fazer face aos encargos organizativos. O programa começa já esta sexta-feira, dia 16, às 20 horas, com jogos entre equipas femininas. Idêntico programa decorre no dia seguinte, sábado, a partir das 17 horas, e no domingo, às 10 horas, sempre no campo de areia, no centro da vila. O momento alto será mesmo no domingo com um almoço de porco no espeto e caldo verde, nos jardins do Passal, em Campelo, onde serão disponibilizadas mesas e bancos para as pessoas se sentarem. As senhas de participação são adquiridas no local. Durante a tarde, haverá no mesmo local música ao vivo.

"uma das mais extraordinárias manifestações"

"À descoberta da Festa de S. João de Sobrado" - Este texto, que me foi pedido para a edição do gratuito Jornal Novo de Valongo, distribuído por alturas da festa deste ano, encontra-se disponível na web, no site daquele periódico.
Começa assim:
"A Festa de S. João de Sobrado é, provavelmente, uma das mais extraordinárias manifestações de cultura festiva popular de Portugal. Pela sua genuinidade e vigor e pela participação activa dos sobradenses, pode mesmo considerar-se um caso a nível europeu. Ser ainda pouco conhecida em Portugal e fora dele é, ao mesmo tempo, uma pena e uma vantagem. Pena porque muita gente ganharia em conhecer uma tradição como esta. Vantagem porque, a partir do momento em que se torne mais conhecida, as sanguessugas do dinheiro não hesitariam em procurar cercar e perverter a festa. O “low profile” que tem adoptado tem-lhe permitido afirmar-se, sem se fechar ao exterior. Veremos se resiste e se recria. Mas, então, que festa é esta?"
(Foto: Renato Roque)

domingo, setembro 11, 2011

Para uma bibliografia da Festa de Sobrado

Na obra em oito volumes intitulada "Festas e Tradições Portuguesas", editada pelo Circulo de Leitores e da autoria de Jorge Barros (fotos) e Soledade Martinho Costa (texto), o volume correspondente ao mês de Junho publica 16 páginas (pp. 148 a 163) dedicadas à Festa de S. João de Sobrado. As fotos que ilustram o texto reportam-se a edições da festa compreendidas entre 1989 e 2001.

sexta-feira, setembro 09, 2011

Sobrado no Censos 2011 - o presente e o futuro

A vila de Sobrado praticamente manteve o número de habitantes que tinha em 2001, segundo os primeiros resultados do Censos 2011. De facto, a população da freguesia chegava aos 6.726 no momento da recolha de informação do Censos, quando, dez anos antes, esse número era de 6.682.
Mas, se o crescimento populacional pode ser considerado irrisório, já o das famílias cresceu 10%, o que sugere que diminuiu o número médio de pessoas por família.
No capítulo das construções, também se registam crescimentos. Quer no número de edifícios quer no de alojamentos o aumento foi de 14%.
O crescimento registado no Município de Valongo verificou-se sobretudo na sede, em Campo e em Alfena.
Apesar da abertura dos acessos ao Porto por auto-estrada e da facilitação da circulação na área metropolitana do Porto, na úktima década, tal não contribuiu para atrair população. Por um lado, Sobrado é a freguesia do Concelho mais afastada da Cidade Invicta. Mas, sobretudo, é a única que não é servida pela rede de caminho de ferro.
Importa sublinhar, por outro lado, que enquanto alguns vêem estes resultados como signifcando estagnação e obstáculo ao progresso, outros considerarão, porventura, que o nível de população actual permite assegurar condições razoáveis de acesso aos bens e equipamentos que decorrem da pertença a um espaço mais largo e ao mundo global, salvaguardando condições para alguma qualidade de vida.
Pessoalmente, entendo que foi atingido um ponto interessante que assegura o usufruto dos benefícios da modernidade, mas salvaguarda a preservação da tradição, ainda que num composto sociológico não isento de contradições e dificuldades.
Deste ponto de vista, estes dados podem ter algum significado para o futuro da Festa de S. João, ex-libris da freguesia e do Município.

(NB - Os dados relativos ao Censos foram obtidos na edução de 19 de Agosto do jornal Verdadeiro Olhar).

quarta-feira, setembro 07, 2011

Composição da Comissão de Festas de 2012

A festa de S. João de Sobrado de 2012 terá a particularidade - inédita, seguramente - de ser organizada por uma equipa liderada por uma mulher e constituída apenas por mulheres. É a seguinte a constituição actual:

Comissão de Festas de S. João de Sobrado - 2012

1             Lúcia Maria M. Leão B. Lourenço                             Costa
2             Ana Maria Machado                                                      Caminho Novo
3             Maria Raquel Moreira da Silva                                 Campelo
4             Maria José Moreira da Silva                                      Caminho Novo
5             Lúcia Sousa Duarte                                                        Caminho Novo
6             Carolina Manuela Sousa Duarte                              Caminho Novo
7             Vera Susana Alves Ribeiro                                         Balsa
8             Angela Manuela Alves Ribeiro                                 Balsa
9             Adélia Maria Pereira Soares                                      Fijós
10           Ana Maria Pereira Soares                                           Fijós
11           Laurinda Silva Leite                                                       Fijós
12           Maria Inês Guimarães P. Pereira                             Caminho Novo
13           Maria Fernanda Fernandes da Costa                      Campelo
14           Sandra Leão dos Santos                                               Caminho Novo
15           Vitória da Graça dos Santos Moreira                      Campelo
16           Maria Luísa dos Santos Ferreira Marujo                Campelo
17           Cristina Maria Nogueira                                              Gandra
18           Juliana Isabel Ferreira Almeida                               Penido
19           Rosa Maria Santos                                                         Sobrado Cima
20           Maria Armanda Moreira Silveira                             Campo de Fijós
21           Sónia Filomena Ribeiro Peixoto Pereira              Caminho Novo
22           Elsa Maria Torres Carneiro                                         Sobrado Cima
23           Fernanda Seabra                                                            Vilar
24           Delfina dos Santos Ferreira Marujo                       Campelo
25           Angela Maria Gonçalves Nogueira Pereira         Campelo
26           Maria Augusta Fernandes da Silva                         Campelo
27           Manuela Neves                                                              Balsa
28           Lucília dos Santos Oliveira                                         Balsa
29           Susana Manuela da Costa Neves                            Balsa
30           Paula Maria de Sousa Ferreira                                 Paço
31           Zélia Mota                                                                        Gandra
32           Joana Isabel Correia Figueiredo                             Campo de Fijós
33           Sofia Daniela Ferreira Nunes                                   Balsa
34           Luisa Patricia Ribeiro da Silva                                   Balsa
35           Margarida Maria Ferreira Dias                                  Balsa
36           Maria Rosa Costa Nunes                                             Balsa
37           Lúcia Maria de Jesus Lima                                          Sobrado Cima
38           Marina Suzete Oliveira de Sousa                            Vilar
39           Célia Maria Oliveira de Sousa                                  Vilar
40           Margarida Ferreira Monteiro                                    Sobrado de Cima
41           Florinda Moreira Sousa Bento                                 Sobrado de Cima
42           Cândida Maria Brito Sousa                                         Sobrado de Cima
43           Magna Soares                                                                  Campelo
44           Sílvia Moreira                                                                  Caminho Novo
45           Carla Sofia F. Araújo Pereira                                     Campelo
46           Sónia Manuel F. A. Pereira                                        Campelo
47           Ana Maria Oliveira Rocha                                           Campelo

sexta-feira, julho 08, 2011

Algumas notas impressivas sobre a festa de 2011



A festa deste ano correu bem. Atendendo às peripécias iniciais da organização e à crise reinante, até se pode dizer que correu muito bem. E isto é o mais importante.
Há aspectos que podem parecer pormenores, mas que contribuem para a qualidade da festa e que foram sendo introduzidos em anos recentes. Um exemplo: a instalação sonora que amplifica a música das danças quer junto à Casa do Bugio quer junto à residência do Velho da Bugiada (para já não falar nas Danças de Entrada).
Os seis parques de estacionamento são hoje em dia uma infra-estrutura de apoio muito importantes, bem como a instalação de casas de banho no recinto. Foi boa ideia a criação de transportes entre Valongo e Sobrado. Só foi pena isso não ter sido anunciado com tempo, para que mais pessoas pudessem beneficiar.
Este ano, houve uma novidade, a que já aqui fiz referência: a criação da página no Facebook, a qual cresceu exponencialemnte, a ponto de ter já ultrapassado bastante o milhar e meio de membros, o que dá bem a ideia do interesse que despertou. Além disso, serviu para muita gente se manifestar e mostrar imagens da festa. Neste terreno, ainda há muito a descobrir, tenho a impressão. E muito a partilhar. E se as escolas apostassem nesta rede social (ou na que acaba de ser criada pelo Google+) para recolher histórias, depoimentos, fotos antigas, e se tornassem mais visíveis na página do Facebook? Aqui fica a sugestão, dirigida às profesorras e professores, mas também aos pais e respectiva associação.
Sobre o futuro tenho dois ou três assuntos sobre os quais gostava de escrever e de conhecer outras opiniões, mas ficarão para uma próxima oportunidade.

quinta-feira, junho 30, 2011

Convite à avaliação da festa de 2011

Passada quase uma semana sobre o dia de S. João, acalmados os espíritos do fogo da paixão (que, no entanto, não morre), é boa altura para, com cabeça fresca, avaliar o que correu bem e o que correu menos bem na festa deste ano.
Fica, pois, aqui o convite para as opiniões de quem quiser pronunciar-se. Tudo pode ser comentado: o programa das noitadas, o modo como correu o dia 24, desde a manhã até à noite, a acção da comissão de festas, a prestação dos principais figurantes, entre outros aspectos. É altura, também, para fazer sugestões para o futuro e, desde logo, para a festa de 2012.Peço apenas que sejam evitados ataques pessoais e que se procure manter um registo construtivo, mesmo quando as opiniões forem negativas (de outro modo, os comentários serão retidos). Aqui fica, pois, o desafio.

quarta-feira, junho 29, 2011

Imagens da Festa de 2011 (2ª parte)

Nova remessa de fotos da festa deste ano, incluindo a da Juíza da festa de 2012 e a da nova imagem de S. João que se encontra num altar próprio na igreja paroquial:










terça-feira, junho 28, 2011

Imagens da Festa de 2011 (1ª parte)

Aqui fica um primeiro conjunto de imagens da festa deste ano:





quinta-feira, junho 23, 2011

Informações práticas para quem é de fora e quer ir à festa

1. Que festa é esta? Que tem de especial?
Se não conhece a Bugiada e a Mouriscada, convido a ler um texto rápido de apresentação, clicando no artigo da Wikipedia "Festa da Bugiada". Se tiver interesse e um pouco mais de tempo, também poderá ler um documento um bocado mais extenso clicando AQUI.

2. Como se vai para Sobrado?
Depende de onde é a partida. Do Porto, o mais prático será chegar a Sobrado pela A4, saindo em Campo (a primeira saída, depois de Valongo). Pode ir também pela A41 e sair precisamente onde diz Sobrado (consultar o mapa abaixo).

3. Há transportes públicos?
É possível ir de nos autocarros dos STCP até Valongo (ou de comboio, a partir da estação de S. Bento ou de Campanhã) e utilizar os autocarros gratuitos que partem de junto da Câmara Municipal de Valongo, entre as 11 e as 13 horas e as 15 e as 21h para fazer os 5km que separam esta cidade da vila de Sobrado (e regresso). Do Porto também saem autocarros (embora com menor cadência do que nos dias úteis, por ser feriado tanto no município do Porto como no de Valongo). A VALPI (que sai da Praça Humberto Delgado, mesmo no centro da cidade) e a Empresa de Transportes Gondomarense (que desce a Rua Passos Manuel e pára no início da Rua Sá da Bandeira) tem carreiras que passam em Sobrado.

4. Para quem vai de carro, é fácil estacionar?
Há muita gente e deve contar com dificuldades de aparcamento. Mas a Câmara Municipal, a Junta de Freguesia, em colaboração com a Comissão de Festas, organizaram seis parques de estacionamento em todas as entradas para a zona da Festa. Esses parques estão devidamente assinalados e haverá brigadas da GNR a sar informação e gerir o trânsito. Quem quiser consultar um mapa com a localização das zonas dos parques, pode clicar AQUI.

5. Para almoçar ou petiscar como fazer?
No arraial situado no Largo do Passal, onde decorrerão os princiais momentos da Festa, há uma espécie de "praça da alimentação" e há cafés e snacks na zona.

6. A que horas é aconselhável chegar e a que horas termina?
Quem quiser ver tudo, deverá estar em Sobrado por volta das 8h30. Mas se isso não for possível, uma boa hora é o meio dia, porque pouco depois decorrem as "Danças de entrada", começando na zona da Capela das Alminhas e indo, depois, até às imediações do adro da igreja. Se só puder chegar de tarde, então a sugestão vai no sentido de estar no local por volta das 17 horas. Até ao fim, ou seja, por volta das 21 horas, ainda tem muita coisa que ver (a Dança do Cego, a Prisão do Velho, a Dança do Santo). Recorda-se que haverá autocarros gratuitos de Sobrado para Valongo, durante a tarde e até ao fim da festa.

Zona em que fica situada a Vila de Sobrado





















Zona do Passal, onde decorre a maior parte dos momentos da festa

quarta-feira, junho 22, 2011

"Sobrado revive a paixão da Bugiada"

Vídeo dos ensaios de 2011, feito pelo JN e publicado no site em 22.6.2011, ilustrando a peça "Sobrado revive a paixão da Bugiada":

Estudiosos da cultura popular em Sobrado


Pessoas que se dedicam a pesquisar sobre festas populares ou, simplesmente, sobre as culturas populares, vão estar também este ano em Sobrado.
Que tenhamos conhecimento, estará presente o Prof. Osvaldo Meira Trigueiro, da Universidade Federal da Paraíba, Brasil, e membro da Folkom - Rede Brasileira de Pesquisadores da Folkcomunicação. Ele dedica-se a estudar as festas populares no contexto da sociedade mediática, especificamente as festas do "ciclo junino" – São João/Santo António/São Pedro - no Nordeste brasileiro. Esteve já em Lisboa, para o Santo António e já passou rapidamente por Sobrado, para reconhecimento do terreno, voltando nesta sexta-feira.
Outra académica que também estará em Sobrado será a Prof. Egídia Souto que, além de outras actividades culturais, é professora de cultura portuguesa na Universidade da Sorbonne em Paris. Egídia Souto tem a particularidade de ser natural de Alfena, ainda que nunca tenha tido a oportunidade de conhecer a festa de Sobrado. Em Setembro, vai dar um seminário sobre festas populares e gostaria de poder abordar as Bugiadas e Mouriscadas.
Outra investigadora que tem em curso uma investigação sobre festas de mouros e cristãos é Marjoke Krom, de nacionalidade holandesa, mas a fazer o seu doutoramento na Universidade Nova de Lisboa e que tem estado em Sobrado nas festas dos últimos anos. É precisamente o seu tema de estudo que a impede de vir este ano, uma vez que está a fazer trabalho de campo sobre uma outra festa deste tipo no coração do Brasil.
Certamente outros pesquisadores virão, mesmo sem se fazerem anunciar previamente. Serão, certamente, bem recebidos.

segunda-feira, junho 20, 2011

Uma festa entranhada na vida dos sobradenses

Fala-se da Festa de S. João de Sobrado sobretudo - ou quase só - por causa dos Bugios e Mourisqueiros, das suas danças e das suas lutas. Mas a festa compreende muito mais:
- os ensaios, nos quatro domingos anteriores;
- as cenas de crítica aos acontecimentos do ano
- os rituais agrícolas e a dança do cego;
- e, claro, o arraial, com as bandas e artistas convidados.
É provável que haja em Sobrado quem se interesse apenas por este último aspecto. A maioria talvez goste um pouco de tudo. Os sobradenses realmente conhecedores da memória e identidade da freguesia não podem dispensar os três primeiros elementos. Estes é que fazem a tipicidade de Sobrado. O arraial existe em muitas terras.
Mesmo que não houvesse Comissão de Festas, haveria Bugiada e Mouriscada e tudo o mais. Conta-se que, no passado, já se chegou às vésperas do dia 24 sem Comissão e com tudo por fazer. Mas a festa tradicional, essa, fez-se na mesma.
É por isso que se entende o comentário do presidente da Comissão deste ano quando diz, em declarações ao Jornal Novo de Valongo, que o arraial, sem perder qualidade, "vai ser mais económico, devido à situação que se vive". Mas - acrescenta - "o dia de S. João vai ser exactamente igual ao que tem sido; não cortámos em nada que faz parte da festa".
Para o essencial não falta quem queira e vá participar. Aí não há crise que se note. Pelo contrário: frequentemente, os momentos e tempos de dificuldade aguçam o engenho, espevitam a necessidade de romper, ainda que por um dia, com as preocupações e os sofrimentos. Ser Bugio ou Mourisqueiro é experimentar uma nova forma de existir e adquirir ou revigorar uma identidade individual e, ao mesmo tempo, fortalecer e aprofundar a identidade colectiva. A máscara é, aqui, uma porta que abre para o lado nocturno e misterioso de cada um. Ser Mourisqueiro é iniciar-se na vida social (masculina), assumir um estatuto que só termina com o casamento. A indumentária, as polainas, a espada e a barretina conferem uma posição e abrem caminho a uma "carreira", que aponta, para os melhores, ao posto de Reimoeiro.
Na Festa de S. João de Sobrado, a festa cruza-se com a vida real em cada esquina, em cada hora. Por isso ela própria, sendo um tempo fora do tempo, é também parte indestrinçável do tecido de que é feita a vida dos sobradenses. E, por enquanto, os sinais visíveis não contradizem esta ideia.

domingo, junho 19, 2011

Tremoços no último ensaio

Terminou hoje a série de quatro ensaios públicos da Bugiada e Mouriscada, que antecedem a festa de S. João. Neste ultimo ensaio, é costume a Comissão de Festas oferecer aos integrantes de uma e outra formação, bem como aos músicos e ao caixa, tremoços, broa e vinho. Hoje a tradição voltou a repetir-se.
As semanas que antecedem a festa são de uma intensidade invisível mas muito elevada. É necessário às centenas de integrantes das danças e de outros trabalhos da festa arranjar os trajes e outros adereços; candidatar-se às várias funções que ocorrem na tarde do dia 24 (Cobrança dos Direitos, Lavra da Praça e Dança do Cego). Várias destas tarefas são competência do velho da Bugiada e do Reimoeiro. Como, por exemplo, a obtenção e transporte dos pinheiros e das tábuas para a construção dos castelos - actividade ontem concretizada, como mandam os costumes.
Tudo se prepara, por conseguinte, para que a festa decorra com organização e qualidade. A única surpresa, que só no próprio dia se desvendará, consiste em saber quais são os assuntos que vão servir de motivo às cenas de crítica aos acontecimentos do ano em Sobrado, no município, no país ou no mundo. Os protagonistas dessas representações também devem estar a preparar-se e a ensaiar, mas no segredo dos deuses, para que o efeito de surpresa seja maior.


Crédito das fotos: Fábia Pinto (em cima) e Miguel Martins (em baixo)

Nova imagem de S. João

Foi hoje benzida a nova imagem de S. João, que figura no respectivo altar, na igreja matriz de Sobrado.
A nova imagem foi uma oferta do benemérito sobradense Sr Generoso Ferreira das Neves, a trabalhar e residir no Rio de Janeiro, ligado ao sector dos transportes colectivos.
A benção do novo altar teve lugar durante a eucaristia das 11h30, com a presença do doador e família, bem como da Comissão de Festas.. A imagem deverá figurar na procissão, no dia de S. João, na próxima sexta-feira.

sábado, junho 18, 2011

Valongo (e Bugiada) será sede da Rede Ibérica da Máscara

Os representantes das instituições de Portugal e Espanha presentes na reunião hoje realizada em Sobrado aceitaram com entusiasmo a disponibilidade manifestada pela Câmara Municipal de Valongo, no sentido de esta cidade passar a ser a sede provisória da Rede da Máscara Ibérica.
A reunião, que decorreu no Centro Social e Cultural de Sobrado (CSCS), discutiu também os estatutos da futura entidade e aprovou um protótipo de logotipo. A decisão final em todas estas matérias será tomada numa reunião alargada a todos os sócios fundadores, a ter lugar em Zamora (Espanha), em Setembro ou Outubro próximo.
O anfitrião da reunião, o Vice-Presidente da Câmara Municipal de Valongo Dr João Paulo Baltasar (juntamente com o promotor, Helder Ferreira, da Progestur) proporcionou uma visita ao espaço de interpretação na área protegida das Serras de Santa Justa e Pias orientado pela Dra. Isabel Oliveira, Directora do Departamento da Cultura, Turismo e Património Histórico, que guiou igualmente a descida ao Fojo das Pombas. O almoço foi servido sob a ramada de um moinho junto ao rio Ferreira, em Couce. Participaram, pela Bugiada, além da Câmara, o presidente da Junta de Freguesia de Sobrado, Carlos Mota e o presidente da Associação da Casa do Bugio, António Pinto e este que escreve esta nota.
No fim, e de novo no CSCS, foi projectado o Filme "Bugiadas", com base na capatação de imagens da festa de S. João de 1977, realizado por Ângelo Peres.