quarta-feira, setembro 29, 2010

Acta da reunião da Comissão de Velhos da Bugiada, que escolheu o Velho para 2011


Associação da Casa do Bugio

Acta nº 2
Reunião da Comissão de Velhos da Bugiada

Aos dezassete dias do mês de Setembro de dois mil e dez, pelas vinte e uma horas e quarenta e cinco minutos reuniu-se na Casa do Bugio, em Sobrado a Direcção da Associação organizadora da Casa do Bugio e das festas de S. João de Sobrado e a Comissão de antigos Velhos da Bugiada sócios da Casa do Bugio. Nesse sentido, estiveram presentes os seguintes elementos:----------------------------------------
Comissão de antigos Velhos da Bugiada
Domingos Monteiro
( Vizela)
Velho do ano de 1990
António Rocha
( Poeira)
Velho do ano de 1994
Joaquim Alves
( Quim do Tino)
Velho do ano de 1999
Joaquim Brito
( Brito)
Velho dos anos de 2000 e 2007
Fernando Gaspar
( Vicente)
Velho do ano de 2002
Fernando Soares
( Bisso)
Velho do ano de 2003
Manuel Costa
( Rola)
Velho do ano de 2004
Augusto Cabeda
( Cabeda)
Velho do ano de 2005
Lindoro Cavadas
( Norinho)
Velho do ano de 2006
Domingos Soares
( Cuco)
Velho do ano de 2008
António Marques
( Marques)
Velho do ano de 2009
José Machado
( Machado)
Velho do ano de 2010

Representação da Associação da Casa do Bugio

Manuel António Pinto Suzano
António José Dias dos Santos
Elisabete Leão
Conceição Lindo
Fernanda Costa
Nuno Silva
Sérgio Nuno Silva
Pedro Moreira
António César Ferreira
Manuel Fernando Coelho

E com a seguinte ordem de trabalhos: -----------------------------------------------------------------------
Ponto um – Informações ------------------------------------------------------------------------------------
Ponto dois – Eleição do velho da bugiada de dois mil e onze ------------------------------------------------
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Dando inicio á reunião, e antes da leitura da acta da reunião do ano transacto, foi apresentado o Velho José Machado como novo elemento da Comissão de velhos.---------------------------------------------------
Seguidamente, o moderador da reunião informou a Comissão de velhos que as intervenções seriam, tal como no ano passado, por ordem de antiguidade de velho da bugiada, não tendo este facto levantado objecções por parte dos presentes. O mesmo abordou também as inovações levadas a cabo na bugiada no presente ano e que haviam sido aprovadas na reunião do ano transacto ( manual “ A Conduta de um bugio e a instalação sonora em casa do velho e dentro e fora da Casa do Bugio na hora do almoço do dia da festa), tendo sido unânime a opinião dos presentes que as alterações foram bastante positivas e a serem mantidas no futuro.--------------------------------------------------------------------------------------------
Ainda antes de passar ao ponto dois da ordem de trabalhos indagaram-se os presentes se alguém teria algo a comentar pelo que, José Machado expôs que , segundo ele, todos os bugios que gostam de ser bugios deveriam ser sócios da Casa do Bugio, tendo-lhe sido respondido que vai de bugio quem quer não existindo forma de obrigar alguém a inscrever-se como sócio. No seguimento da conversa interveio António Marques que defende que os mourisqueiros devem ser sócios da Casa do bugio para irem de Reimoeiro, tendo António Pinto informado que os Reimoeiros que o têm sido ultimamente são sócios da casa do Bugio e que tem havido persistência no sentido de se associarem mais mourisqueiros. ------------------------------------
Relativamente à altura em que estava a ser realizada esta reunião, pronunciou-se Joaquim Alves que alegou estar a fazer-se tarde para a escolha do Velho, uma vez que deveria ter sido feita antes da festa como estava previsto ( Março/ Abril), ao que lhe foi fundamentado que não houve hipótese por parte da casa do Bugio para fazer a reunião nessa altura uma vez que tinha a seu cargo os preparativos para a festa de dois mil e dez, as obras no edifício e principalmente porque não gostariam que a reunião tivesse lugar antes da Assembleia geral que teve lugar em Maio. -------------------------------------------------------------------------------
No que ainda diz respeito a esta questão pronunciou-se Fernando Gaspar que diz não concordar com a escolha do velho antes da realização da festa pois irá prejudicar a organização da mesma, tendo-se oposto a este ponto de vista Fernando Miranda argumentando que a escolha sendo feita antes do s. João em nada prejudicaria nem criaria conflitos. Por sua vez, António Pinto considera que se escolher o velho antes do S. João se poderá correr o risco de empurrarem para o velho a responsabilidade de arranjar comissão. Mediante estas posições António Marques disse que o velho deve ser escolhido sempre antes da festa e se necessário o velho pode arranjar uma comissão para fazer a festa, ao que Fernando Miranda acrescentou que segundo ele, a escolha do velho não tem de influenciar a comissão.
Finalizando este debate, ficou decidido por maioria que a escolha do Velho da Bugiada deverá ser no mês de Março. -----------------------------------------------------------------------------------------------------
Passando ao segundo ponto da ordem de trabalhos, discutiu-se quantos candidatos deveriam ser considerados por ano para velho da Bugiada, ficando decidido também por maioria que seriam três. Questionaram-se então os presentes sobre quem proporia os candidatos tendo ficado acordado que cada velho da Comissão de Velhos faria três propostas sendo que os três nomes que reunissem mais propostas seriam os candidatos. -------------------------------------------------------------------------------------
Falou-se também que os três candidatos mais votados deveriam ser os próximos três velhos, obedecendo  à ordem do número de votos obtidos. ------------------------------------------------------------------------
Assim sendo, todos os Velhos da Comissão de velhos apresentaram as suas propostas tendo-se apurado o seguinte resultado:------------------------------------------------------------------------------------------
Moisés
Doze  propostas
Manuel da Marta
Nove propostas
Fernando Dias
Oito propostas
Luís Loira
Seis propostas
Carlos Vicente
Quatro propostas

Mediante estas propostas ficaram apurados os candidatos Moisés, Manuel Marta e Fernando Dias.-----
Quanto á forma de realização do processo eleitoral ( voto secreto ou voto verbal) ficou acordado por maioria que seria realizado por voto verbal. -----------------------------------------------------------------
Tendo-se procedido á votação para a eleição do velho da Bugiada de dois mil e onze foi apurado o seguinte resultado: ---------------------------------------------------------------------------------------------------
Manuel Marta
Sete votos
Moisés
Quatro votos
Fernando Dias
Dois votos

Considerando a votação da Comissão de Velhos ficou assim eleito Velho da Bugiada para o ano de dois mil e onze o candidato Manuel Marta. --------------------------------------------------------------------------
E nada mais havendo a tratar deu-se por encerrada esta reunião pelas meia-noite e trinta minutos, da qual foi lavrada esta acta. -------------------------------------------------------------------------------------------

Carta de demissão do ex-Juiz da Festa de 2011

A fim de dar aos leitores a informação necessária um cabal juízo sobre a situação criada, publica-se aqui o teor da seguinte carta recebida pela Associação da Casa do Bugio:

Comissão de Festas S. João 2011

Exº Sr Presidente da Assembleia Geral da Associação Casa do Bugio

Venho por este meio, na qualidade de Juiz da Comissão de Festas de S. João 2011 expor a Vossa Exª o meu desagrado relativo à nomeação do Velho para o ano 2011 imposta pela Comissão de Velhos na passada Sexta-Feira 17 de Setembro de 2010, com a presença do Presidente da Direcção da Casa do Bugio, secretárias e demais elementos, na qual foram apresentados cinco candidatos a Velho. Assim, é do meu conhecimento de que os critérios de eleição do Velho foram alterados relativamente à última nomeação, facto que não consinto. Quando decidi tomar o presente cargo para a referida festa somente dois candidatos reuniam as condições delineadas pela Associação da Casa do Bugio, realidade que, deveras, não se sucedeu, dado existirem candidatos a Velho que não possuíam as cotas em dia, o que também coincide com alguns membros da Comissão de Velhos que se encontram na mesma situação.
Neste sentido, e no decorrer do que aqui foi expresso, sinto-me pois claramente importunado e atraiçoado face às alterações das circunstâncias que me conduziram à incumbência de organizar a festa do ano de 2011, alterações essas dissimuladas e cujos parâmetros não me foram dadas a conhecer.
Nestas circunstâncias, declaro a Vossa Exª. que pretendo renunciar o meu cargo para a realização da festa para o ano de 2011, decisão essa extensiva a toda a comissão que presido.

Atenciosamente

O Juiz da Festa de 2011

(Jorge Manuel Moreira Martins)
Sobrado, 22 de Outubro [sic]de 2011

terça-feira, setembro 28, 2010

A questão dos comentários

Nos últimos dias, por bons motivos, tem baixado o nível dos comentários. São vários os que não foram publicados, porque fazem juízos sobre comportamentos de pessoas sem darem a cara. E não interessa sobre quem seja. É uma questão de princípio.
Prefiro que se critique este blog e o seu responsável (e já não é a primeira vez que tal acontece), do que se lance lama sobre terceiros, sem que se saiba quem fala e que interesses se movem por detrás.
A nossa festa é demasiado grande e rica para nos perdermos em mexericos. Porque será que não falta quem dê tesouradas em pessoas e escasseia tanto quem escreva sobre a festa e ajude a conhecê-la melhor?

domingo, setembro 26, 2010

Comunicado da Direcção da Associação da Casa do Bugio

Recebemos da Direcção da Associação da Casa do Bugio a mensagem que a seguir se transcreve:
Através de uma mensagem enviada ao Presidente da Assembleia Geral, a Direcção da Associação da Casa do Bugio recebeu em 24 do corrente, do designado juiz da festa de 2011, a informação de que pretende cessar as funções que assumiu em 24 de Junho último.
Nessa comunicação, o ex-juiz da festa de 2011 invoca como motivo da sua decisão o resultado da votação efectuada por 13 antigos Velhos da Bugiada, em reunião realizada no dia 17 deste mês. Sobre este assunto, a Direcção da Associação pretende tornar claro o seguinte:
  1. Quando o ex-juiz comunicou a intenção de apresentar uma Comissão para realizar a Festa do próximo ano, além de se congratular com a iniciativa, o Presidente da Casa do Bugio tornou claro que o processo de escolha do Velho da Bugiada se faria por escolha dos antigos Velhos e não pelo juiz da Festa, o que o então candidato a juiz aceitou. Isso mesmo voltou a ficar claro numa reunião realizada no início de Agosto último, entre a Comissão de Festas e a Direcção da Associação.
  2. O processo da escolha do Velho fez-se na altura própria e pelo método já aprovado para 2010: foram convocados os 13 antigos Velhos da Bugiada, foi-lhes transmitida a informação necessária relativa aos requisitos que devem reunir os nomes a considerar na votação, realizou-se a votação e desse resultado apurou-se que um candidato reuniu a maioria (absoluta) dos votos. Nada mais transparente e mais democrático.
  3. A Associação da Casa do Bugio não tem nem deve ter candidatos próprios àquele cargo e tanto se lhe dava que fosse A como B, desde que fossem escolhidos pelos antigos Velhos. Uma vez encontrado o nome, foi e é esse nome que a Associação aceita e acolhe. De resto, este ano é escolhido um, no próximo ano será certamente outro.
  4. Que a Comissão de Festas que agora apresentou a demissão tivesse preferências por um certo candidato está no seu direito. Mas sabendo as regras do jogo, deveria ser para ela claro, desde o princípio, que há uma votação e que poderia, portanto, ser votado o seu candidato ou qualquer outro, desde que reunisse os requisitos.
  5. Este modo de proceder da Comissão demissionária não é prestigiante para a Festa de Sobrado, porque vem confirmar precisamente aquilo que se quis evitar, com a definição de regras para a designação do Velho: que houvesse comissões de Velho e não comissões de Festa.
  6. Perante a situação criada, Sobrado vai ser capaz de ultrapassar esta dificuldade, quer por iniciativa de uma nova Comissão que se venha a constituir, quer pela iniciativa da Associação da Casa do Bugio, que será sempre, em último recurso, o garante de que a Festa se efectue com qualidade e dignidade.
Sobrado, 26 de Setembro de 2010

sábado, setembro 25, 2010

Comissão de Festas de 2011 cessa funções

A Comissão de Festas que se tinha voluntariado para organizar a Festa de S. João de Sobrado de 2011 acaba de se demitir, escassos três meses depois de assumir a responsabilidade, ao receber o ramo no dia 24 de Junho passado.
Em carta enviada há dias ao Presidente da Assembleia Geral da Associação da Casa do Bugio, o agora ex-juiz da festa de 2011 invoca o processo da escolha do Velho, que ocorreu uma semana atrás, como causa desta decisão.
Neste blog estamos a fazer diligências para disponiblizar materiais que ajudem a compreender melhor o que se passou, para que todos possam avaliar os actos e as decisões tomadas por cada parte.
Entretanto, uma coisa parece certa, a avaliar por contactos que fizemos: não será por este percalço que a festa de 2011 não se fará. Mais rica ou mais modesta (de resto os tempos de crise não permitem grandes riquezas), as manifestações próprias do S. João de Sobrado certamente que sairão para a rua em 24 de Junho de 2011.

terça-feira, setembro 21, 2010

Já há Velho da Bugiada para 2011

Manuel da Marta é o Bugio escolhido para exercer a função de Velho da Bugiada na festa de S. João de Sobrado de 2011.
A escolha foi efectuada pelos Velhos de edições anteriores da festa, que compareceram numa reunião realizada esta sexta-feira, na Casa do Bugio.
O escolhido é um dos vários nomes de quem se falava com hipóteses de vir a ocupar o lugar. Tem 49 anos e trabalha no sector das madeiras.

domingo, setembro 12, 2010

Um Reimoeiro que não chegou a ser

Permitam, por um momento, que introduza aqui uma realidade que normalmente não faz parte da orientação seguida neste blog: a vida pessoal do seu autor. Neste caso, o que referirei a seguir explica, de algum modo, o meu silêncio, nestas últimas semanas: o falecimento de meu pai.
Abro excepção porque ele era também o pai do presidente da Associação da Casa do Bugio e familiar e amigo de outros membros responsáveis desta estrutura associativa. Mas faço-o, sobretudo, porque acompanhou sempre com interesse os assuntos da festa, levou-nos, em miúdos, à festa, e, no seu tempo foi um mourisqueiro. Isso aconteceu há cerca de 60 anos. Chegou a ser convidado para ir de Reimoeiro, mas o facto de a sua mãe ter falecido nesse ano levou-o a recusar o convite.
Como carpinteiro e noutros estatutos, colaborou, em diversas ocasiões, com a organização da festa. Nomeadamente na 'confecção' da grade ou do arado.
Do muito que partilhamos, muito foi, sem dúvida, relacionado com a Festa de S. João. Fica o registo e a memória.

domingo, agosto 08, 2010

Um testemunho


[Clicar para ampliar e ler]

segunda-feira, agosto 02, 2010

Mistério e sexo em torno da Dança da Jaquina

Já aqui perguntámos, há uns quatro anos, se alguém sabia dar alguma informação sobre a Dança da Jaquina que, rezam as memórias, tinha lugar na Festa de São João de Sobrado. Desse apelo surgiu então uma pista que não tivemos ainda oportunidade de explorar. Mas eis que surge uma nova pista, vinda, nem mais nem menos, do Juíz da Festa deste ano, Generoso Ferreira das Neves que, antes de ir para o Brasil, já era um grande apaixonado desta tradição festiva.
Segundo conta este conterrâneo sobradense, a Dança da Jaquina era o primeiro número que tinha lugar, depois das danças de Entrada e era acompanhada pela "orquestra" de violinos e violas braguesas que marca o ritmo das danças dos Bugios.
E em que consistia? Pelos vistos, nos anos 50, pelo menos, a Dança da Jaquina consistia num mascarado que, agarrado a uma figura vestida de mulher, de pernas para o ar, dava a volta que, já então e ainda hoje, dão os diferentes números que têm lugar durante a tarde do dia 24 - a cobrança dos direitos, a lavra da praça e a dança do cego.
Ou seja, a ser verdadeira esta versão, duas coisas se podem concluir: a Dança da Jaquina revestia um carácter profundamente subversivo e erótico-lúbrico e significava que a Festa de Sobrado era ainda mais complexa e rica do que acontece nos dias de hoje. Seria uma espécie de 69, sem disso se falar.
Terá sido por esse carácter irreverente e atrevido que a tradição se esfumou e desapareceu? E será por causa desse carácter que pouca gente ou ninguém se diz lembrar ou quer falar do assunto?
Uma coisa é certa: a ousadia do Sr Generoso, nesse recuado tempo de há mais de 50 anos, pode não ter atraído sobre si as simpatias, nomeadamente do pároco da altura.
(Agradece-se a quem puder dar mais elementos sobre este aspecto do passado da festa).

quarta-feira, julho 28, 2010

Serpe doada à Associação da Casa do Bugio

A Serpe, que é o recurso com que os Bugios libertam o Velho da Bugiada do cativeiro, no dia de S. João, acaba de ser doada à Associação da Casa do Bugio.
A doação foi feita por António Pereira Soares, também conhecido localmente por Tone da Garota, encontrando-se aquele tipo de dragão já na posse da Associação.
A actual versão da Serpe foi construída ou, mais propriamente, reconstruída há umas boas dezenas de anos e, dada a dimensão do 'bicho' - uns quatro ou cinco metros de comprido -  sempre ficou guardada na oficina que a família de António Soares possui em Sobrado. Com as novas instalações da Casa do Bugio foi possível chegar à solução agora encontrada.

sexta-feira, julho 09, 2010

Delegação sobradense representa festa de S. João em Espanha

Cinco sobradenses - quatro representantes da Associação da Casa do Bugio e o presidente da Junta de Freguesia de Sobrado - constituem a delegação que representará a Festa de S. João de Sobrado no I Congresso Internacional de Embaixadas e Embaixadores da Festa de Mouros e Cristãos, que decorre na próxima semana, de 15 a 18, na cidade de Ontinyent, na Comunidade Valenciana, Espanha.
Este congresso, que reúne representantes e delegações das numerosas festas de Mouros e Cristãos que se realizam no território do Estado espanhol, mas também de Portugal e da América Latina.
Os representantes da Casa do Bugio apresentarão no Congresso uma comunicação intitulada "Bugiada e Mouriscada de Sobrado- Uma festa com passado, com presente e com futuro".
Além da comunicação ao congresso, a Festa de São João de Sobrado tem patente numa exposição alusiva a este tipo de festas de diversas partes do mundo, que foi inaugurada no passado dia 2, naquela cidade, fotografias de grande dimensão e um conjunto de trajes de Bugios e Mourisqueiros.
O Congresso é uma das iniciativas para assinalar os 150 anos da tomada de Tetuán pelas tropas espanholas e a gratidão mostrada pelo povo local à imagem de Cristo da Agonía por ter livrado a terra de uma prolongada seca, em pleno inverno. A rememoração desses acontecimentos militares e religiosos traduziu-se na instituição da tradição dos mouros e cristãos naquela localidade, ainda que já houvesse vestígios locais com afinidades, remontando a alguns séculos antes. Tradições análogas existem em diversas partes do mundo, especialmente Europa e América. Calcula-se um mais de um milhar o número dessas manifestações festivas, espalhadas por mais de duas dúzias de países. Nesta iniciativa de Ontinyent participam delegações de México, Guatemala, Peru, Portugal, Croácia e França, Filipinas e São Tomé e Príncipe.

terça-feira, julho 06, 2010

A generosidade do Sr. Generoso

O Sr Generoso Ferreira das Neves, que foi este ano juiz da festa de São João, presenteou a Comissão com uma oferta de 40 mil euros.
Este valor corresponde a um pouco mais de metade dos gastos contabilizados com a Festa de 2010. O gesto significa, por outro lado, uma manifestação de confiança na equipa que o acompanhou, conforme explicitamente afirmou, num jantar realizado antes de deixar o país, a caminho do Rio de Janeiro. E significa ainda um compromisso de Generoso Ferreira das Neves com as tarefas de consolidação do edifício da Casa do Bugio, a que aqui nos referimos nestes últimos dias, tornando-a um espaço mais seguro e acolhedor e capaz de preservar e promover a festa.
Recorde-se que o Sr Generoso é um sobradense apaixonado pela Bugiada e Mouriscada, que emigrou para o Brasil no final dos anos 50 do século passado à procura de uma vida melhor para si e para os seus. Tornou-se, entretanto, um homem rico o que terá contribuído para que um dos seus filhos tenha sido raptado e liberto apenas depois de a família ter anuído a pesadas exigências de seus raptores. Na aflição em que se viu, o Sr Generoso prometeu ir de juiz cada cinco anos e assim tem cumprido, estando normalmente presente em Sobrado todos os anos, pelo menos por altura da Festa de S. João.
Na última Assembleia Geral, realizada em finais de Abril, a Associação da Casa do Bugio deliberou atribuir-lhe o estatuto de Sócio Honorário.

Bugios venceram Mourisqueiros?

Numa notícia escrita sobre a Festa de São João de Sobrado deste ano, uma repórter do Jornal de Notícias escreveu um texto intitulado Bugios venceram Mourisqueiros.
Aparentemente, tem toda a razão. Mas eu gostaria de dizer porque é que discordo desta interpretação.
É verdade que, na narrativa da Bugiada e da Mouriscada de Sobrado, se desencadeia uma guerra, que os Mouriscos atacam e invadem o castelo dos Bugios, levam o Velho da Bugiada preso, saindo aparentemente vitoriosos da contenda.
É também verdade que os Bugios não se rendem à derrota, recorrem a um dragão de alguns metros de comprido, esverdeado e de língua vermelha, aparecem de rompante no caminho dos Mouros e libertam o Velho.
Por conseguinte, a jornalista do JN teria razão. Aparentemente assim é. Porquê?

- Se se tratasse de uma derrota dos Mouros, como compreender que eles, uma vez liberto o Velho e passada a corrida aparatosa da Bugiada se reorganizem e vão tranquilamente para a Dança do Santo, junto ao adro, como se nada se tivesse passado? Se eles fossem uns derrotados, deveriam eclipsar-se e não pôr mais os pés na festa. Mas não: eles continuam na festa, garbosos e organizados como sempre.
Eu proponho uma explicação: nesta festa, e ao contrário do que pretendia, há uns anos atrás, quem relatava a festa no Passal, durante a Prisão do Velho, os Bugios não são os bons e os Mouros não são os maus. De resto, o lado subversivo, orgiástico e excessivo desta festa é precisamente dos Bugios. Os mouros são os bem comportados, os organizados, os disciplinados, aqueles que, no dizer de um forasteiro, "andam muito direitinhos". Não é verdade que são os Mouriscos - e não os Bugios - que têm a honra e a dignidade para ir na procissão e transportar o andor dos santos - e particularmente o de S. João)? Se fossem os maus, como compreender esta situação?
Por isso, o que existe nesta festa não é a convencional e simplista versão da luta entre bons e maus, que termina invariavelmente com a derrota dos maus e a vitória dos bons. Há é uma representação do conflito entre a norma e a sua transgressão, entre o mesmo e o diferente. E esta tensão - que, em Sobrado, redunda em guerra - é uma tensão que não morre, que não é derrotada, porque a vida é feita deste diálogo, por vezes complicado, com a diferença, com os outros que são diferentes de nós, que vêm de fora. Chamam-se Mourisqueiros, como poderiam chamar-se outra coisa. Existem e têm muito a ensinar-nos (e vice-versa).
Por isso eu não acho que seja completamente verdadeiro, do ponto de vista interpretativo, o título do artigo do Jornal de Notícias.

segunda-feira, julho 05, 2010

Segurança da Casa do Bugio: a obra ainda por fazer

A Direcção da Associação da Casa do Bugio calcula em pelo menos 35 mil euros o custo das obras que ainda falta fazer, para que se possa considerar o edifício com os requisitos de segurança exigidos pelos estudos de engenharia oportunamente realizados.
Recorde-se que, há uns três anos, foram detectados vários problemas de abaulamento de vigas que levaram a Direcção a solicitar uma peritagem técnica ao edifício, Foram encontradas situações graves de vigas e placas sem os requisitos exigíveis e deficiências no respectivo assentamento.
Algumas medidas de emergência foram tomadas e as obras entretanto feitas, no valor de perto de 30 mil euros, permitiram começar a atenuar os problemas identificados.
As verbas aplicadas neste empreendimento têm sido conseguidas com lucros da festa e outras iniciativas de angariação. O prosseguimento das obras está agora dependente dos resultados financeiros da festa deste ano, que estão presentemente a ser apurados.

sábado, julho 03, 2010

Notas telegráficas


  • Os Bugios, no percurso que fazem entre a casa do Velho e o local do 'jantar', são brindados com música da marcha da dança de Entrada, por parte de habitantes locais que possuem essa música gravada. Vi isso acontecer em algumas ruas do Alto Vilar, nomeadamente.
  • Um miúdo Bugio que este ano subiu ao palco para se despedir do Velho e limpar-lhe as 'bagadas' no dia em que foi à loja para acertar a máscara e levar todo o equipamento para casa: na semana antes da festa, segundo a mãe, estava sempre a contar quantos dias faltavam para o dia 24. Comentário, na antevéspera: "Oh mãe, amanhã já só falta um dia!"
  • A aparelhagem sonora que a Comissão de Festas deste ano mandou instalar quer na Casa do Velho quer na Casa do Bugio permitiu que um muito maior número de Bugios pudesse dançar ao ritmo da música. Dada a dimensão da Bugiada, esta iniciativa revelou-se oportuna e útil.
  • Um Bugio apaixonado não pôde, este ano, 'matar a paixão', visto que se encontrava a recuperar de uma forte dor ciática. Ainda assim fez questão que a sua farda saísse, mas no corpo de outro Bugio.
  • Julgo que todos os Mourisqueiros se integram na procissão, no fim da missa de festa, transportando três dos andores, incluindo o de São João. Os que não pegam ao andor, colocam-se a seguir, para substituir os primeiros de tempos a tempos.
  • Houve um jornalista que tentou obter declarações em directo da parte do Reimoeiro, durante a Dança de Entrada. Este, porém, recusou-se, uma vez que a intromissão do repórter é considerada uma falta de respeito para com o momento solene da festa.
  • Uma criança familiar do Sr Generoso entusiasmou-se com os Bugios ao ver, ainda no Brasil, os trajes que estes usavam. Ao chegar a Sobrado e ao ver as duas formações a dançar, não teve dúvidas: passou a gostar mais dos Mourisqueiros.

sexta-feira, julho 02, 2010

Visitantes do Blog


O mês de Junho de cada ano regista invariavelmente um pico de visitas, que exprimem o interesse pela festa, quer da parte dos sobradenses quer de gente de fora a quem as Bugiadas e Mouriscadas dizem muito.
Este blog completou nas vésperas de S. João deste ano cinco anos de vida. Mas só começou a ter as visitas quantificadas cerca de um ano depois. Por conseguinte, o quadro que acima se mostra, que é relativo aos meses de Junho de cada ano até ao presente não contabiliza toda as visitas de Junho de 2006, visto que o software de medição foi instalado já perto da data da festa. Ainda assim, dá para ver o progresso contínuo das visitas. Deste ponto de vista, este ano representa o bater de uma ´serie de records: o dia mais frequentado (dia 23, com 244 visitas), a semana mais visitada, (com 1196 na semana em que calhou o S. João) e também o m~es de maior número de visitas (só visitantes únicos foram perto de 2800, quase um milhar a mais do que há um ano).

domingo, junho 27, 2010

O positivo e o menos positivo de 2010

Faço aqui também a minha apreciação da festa de 2010, depois de vários outros conterrâneos se terem pronunciado já.

Aspectos positivos:
  • Mais de vinte pares de Mourisqueiros. fazendo desta uma das maiores mouriscadas de sempre
  • Carácter incisivo das críticas a situações e acontecimentos do país e da vila.
  • Apoio da autarquia municipal e da freguesia, como há bastante tempo não se via.
  • Colocação de cinco parques de estacionamento e transporte de apoio para quem quis visitar Sobrado no dia 24.
  • Apoio à festa da parte da população, visível no facto de, apesar do agravamento da crise, o peditório individualizado ter permitido arrecadar um valor superior ao do ano anterior (mais de dez mil euros).
  • Projecção em espaço público do filme de Ângelo Peres "A Bugiada", de 1977.
  • Integração dos Deolinda no cartaz da principal noitada.
  • Pelo seu lado promissor: a exposição de trabalhos (máscaras e penachos) feitos no âmbito do Agrupamento de Escolas de S. João de Sobrado, com envolvimento sobretudo de crianças de alguns dos jardins de infância.
  • Já agora: a ideia da Comissão de festas, de mandar estampar t-shirts alusivas à Bugiada e Mouriscada também é um dado interessante, oxalá que o primeiro passo de outras iniciativas desse tipo.
Aspectos menos positivos:
  • As críticas das Estardalhadas, ainda que contundentes, concentraram-se nos mesmos temas (questões relacionadas com a igreja e com o emprego e rendimento social de inserção) e revestiram um carácter por vezes excessivo no que toca ao lançamento de sacos e espumas com água;
  • Velocidade da Prisão do Velho: não é correcto demorar excessivamente as cenas, que se desenrolam no castelo dos Bugios, mas também não se deve acelerar. Pareceu que, sobretudo a partir do momento da prisão propriamente dita, este ano, as coisas se desenrolaram depressa demais. A narrativa representada deve ter um ponto certo e uma justa medida.
  • Não suporto vuvuzelas (no 'mundial' nem sequer deixam ouvir os cânticos da multidão), mas era inevitável que fizessem a sua aparição nas mãos de alguns bugios (felizmente poucos e não muito dados ao seu uso intensivo). 
 Em geral, creio que se pode dizer que o balanço é claramente positivo e que se tratou de um novo momento de grande intensidade na vivência da festa, um "lavar de alma", no feliz dizer de tsiwari, comentando o post anterior a este. E já que refiro os comentários, gostaria de chamar a atenção para a importãncia da sugestão dada pelo mesmo comentador, relativamente à construção de um património de imagens da festa, com o contributo de todos quantos fotografam (e filmam) os vários momentos do S. João. Havemos de voltar a este assunto, mas, desde já, fica aqui expresso o gosto que teríamos todos, certamente, se tsiwari quisesse elaborar um pouco mais a sua ideia, dando-lhe, se possível, forma de proposta a ser discutida oportunamente. Seria, naturalmente, inserida no corpo principal do blog.
(Infelizmente, este ano, não pude acompanhar nem a cobrança dos direitos, nem a lavra nem a dança do cego, pelo que não me posso pronunciar sobre esses aspectos).

(Foto: capa do mensário 'Alô Sobrado', alusiva à festa, com a tradicional entrevista ao Velho e o Reimoeiro - na imagem a mostrar que 'guerra' é só no dia 24 - e ao principal obreiro da Comissão de Festas).

sexta-feira, junho 25, 2010

Na hora de fazer avaliações

Mais uma festa, mais uma intensa jornada vivida ontem em Sobrado. Fica aqui espaço para cada um que o viveu poder comentar aquilo de que mais gostou, o que lhe chamou a atenção, o que seria de corrigir ou melhorar no próximo ano, o que houve de novo.

quarta-feira, junho 23, 2010

T-shirt como recordação da festa de S. João de Sobrado

A Comissão de Festas 2010 acaba de colocar à venda uma t-shirt com os motivos da festa dos Bugios e Mourisqueiros. É de cor preta e tem um penacho e uma barretina coloridos e estilizados como ilustração. O seu custo (sete euros e meio) reverterá para as despesas da festa, sendo, ao mesmo tempo, um motivo de valorização desta tradição popular sobradense.

Record de visitas

Este blog está a registar hoje o seu record de visitas, desde que estas são contabilizadas. De facto, ainda o dia tem algumas horas pela frente e os visitantes únicos ultrapassaram já as duas centenas. Esta semana, o total de visitantes únicos ultrapassou já as cinco centenas. Obrigado pela preferência e ... voltem sempre.

terça-feira, junho 22, 2010

Como chegar a Sobrado


Exibir mapa ampliado

A via mais directa é seguir pela A3 e, na portagem da Maia, sair para o IC24/A41 na Direcção de Felgueiras(para já sem portagens). Surgirá uma saída designada exactamente "Sobrado". Menos de 1km adiante, encontrar-se-á um parque de estacionamento. É igualmente possível seguir pela A4 e sair em "Campo". Para quem não conhece a região, as voltas são um pouco maiores, ainda que a distãncia seja curta até Sobrado (cerca de 3 km).

Horário da Bugiada e da Mouriscada (e não só)

Por estes dias, são muitos os que visitam este blog à procura de informação sobre a Festa de S. João de Sobrado. Esta festa que alguns etnógrafos já consideraram uma das mais ricas tradições festivas de Portugal, decorre na Vila de Sobrado, Município de Valongo, durante todo o dia 24 de Junho, sendo conhecida popularmente por Festa da Bugiada. Ainda que não haja um horário rígido, a tradição ‘manda’ que se siga o seguinte:


Todo o programa, a partir do fim da manhã, decorre no Largo do Passal, junto à Igreja, em percursos que são, de um modo geral, idênticos. O "jantar", esse, tem lugar no edifício da Associação da Casa do Bugio, na estrada que sai do centro da vila de Sobrado na direcção de Alfena (a cerca de 1,5 km).
Haverá cinco (e não apenas quatro, como aqui dissemos) parques de estacionamento, de todos os lados em que se acede a Sobrado. No caso dos parques de Penido (a Norte) e da Cifa (a Sul) haverá autocarros cedidos pela autarquia local, que ajudarão a percorrer a distância entre os parques e pontos mais próximos das principais manifestações desta tradição popular.

segunda-feira, junho 21, 2010

O que une as duas fotos?


O que une estas duas fotos? Nada, parece. E, no entanto, há um elemento de união. Ambas são relativas aos Mourisqueiros. A primeira refere-se ao 'castelo' mourisco, construído na manhã do último sábado e implantado a meio do Passal. A segunda é a estrutura de cartão, revestida a pano de linho, que será a barretina do reimoeiro. Passo a passo, avançam os preparativos para o dia 24.

Sobre o dia maior do ano

Solstício de Verão - o dia maior e aquele em que o Sol está mais a pique. Muitas civilizações assinalaram este momento do ciclo do tempo (tal como o solstício de Inverno, no Natal) e a festa de S. João é claramente um vestígio ou uma manifestação desses costumes antiquíssimos. Tal como os caretos transmontanos, tão presentes ainda, nas festas dos rapazes ou de Santo Estêvão, assim em Sobrado, nestes rituais de solstício, em que, além da luta entre o bem e o mal (luta indecidida e eterna, porque volta sempre ao ponto de partida), se toca naquelas zonas da energia vital, do mistério, dos inícios e dos fins: a luz e as trevas, o amor e a violência, os excrementos e a água; o fogo e a terra. A máscara é a chave e a porta. Só a franqueia quem busca ultrapassar-se e adentrar-se num mundo desconhecido - tão feito do que nos rodeia como do que nos habita.

Ontem no JN

(Continuar a ler: AQUI)

domingo, junho 20, 2010

Crianças "dão cartas" na preparação da festa sanjoanina

Crianças do Agrupamento de Escolas de S. João de Sobrado são as protagonistas de uma exposição de máscaras e de penachos alusivos à Bugiada. O certame encontra-se aberto nas instalações da Junta de Freguesia da Vila até 2 de Julho, podendo ser visitado nas horas normais de expediente.
Participaram de forma mais directa nesta iniciativa os Jardins de Infância de Paço, da Balsa e de Fijós, sendo que, neste último caso, participou também a Escola do 1º Ciclo. Trata-se de máscaras que, na sua confecção, recorreram à pasta de papel e à chamada técnica do balão (trabalho de colagens tendo como suporte um normal balão, depois de enchido de ar).

Actualização: A turma 3º/4ºano da Escola EB1 de Paço/1º Ciclo também participou neste evento.

sexta-feira, junho 18, 2010

Tradição sobradense vista por outros

A Voz de Ermsesinde traz, na sua edição desta semana (saída a 16.6), uma peça-anúncio sobre a festa deste ano:


Ler o texto: AQUI

quinta-feira, junho 17, 2010

A ementa gastronómica da festa

Aqui vai uma consulta aos sobradenses leitores deste blog: quais são os pratos e as iguarias associados à festa de S. João? Quando terminam as Danças de Entrada e as famílias se reúnem nas suas casas, quais são as comidas típicas desse dia? E quem leva merendeiro para a festa, que costuma levar?
Indo um pouco mais longe: durante os tempos de preparação da festa, há vários momentos/tradições a que estão associados comes-e-bebes. Quais são?
Explico o alcance e o objectivo das perguntas. Numa recente sessão em Sobrado, o Presidente da Câmara Municipal de Valongo lamentou que, no dia da festa, seja difícil aos forasteiros encontrar restaurantes abertos para o almoço, no dia 24 (os que existem fecham, porque os donos também gostam da festa). E, nos comentários que se seguiram, surgiram várias ideias, uma das quais a de montar "tasquinhas" com menus que incorporem no cardápio comidas típicas. A ideia ainda não será concretizada este ano. Mas, se vier a ser, que deveria figurar nessas ementas?
Aceitam-se respostas e até receitas e segredos culinários, sem esquecer que a refeição não é apenas o prato.
(Foto: iguaria confeccionada para o almoço do dia de S. João por Margarida Suzano)

terça-feira, junho 15, 2010

Associação Progestur nasceu a partir da Festa de São João

Foi o seu líder quem o revelou, recentemente, em Sobrado, aquando do lançamento do 2º volume do projecto "Máscara Ibérica": a ideia de criar a Progestur surgiu aquando de uma ida de Helder Ferreira a Sobrado, para fotografar as Bugiadas e Mouriscadas. Ao ver a dimensão e riqueza desta festa, que está longe de ser um mero espectáculo folclórico, aquele profissional começou a sonhar com uma instituição que valorizasse este tipo de tradições populares.
Assim surgiu, em 2003,a Progestur, associação sem fins lucrativos, com sede em Lisboa, que tem como lema "a afirmação da identidade cultural portuguesa". O seu objectivo é "o desenvolvimento e a promoção do Turismo Cultural Português, dedicando o seu trabalho ao que de mais genuíno e autêntico existe na cultura portuguesa". A sua actividade passa por consultoria e projectos de estruturação e promoção de turismo cultural; organização de eventos; acções de animação; edições de livros (entre os quais um volume ilustrado sobre a festa sobradense.

segunda-feira, junho 14, 2010

Lugares e serviços na festa deste ano

É a seguinte a lista dos lugares e dos titulares de serviços na Festa deste ano:

Mourisqueiros:
  • Reimoeiro - José Maria (Ferreiro)
  • Guias - Orlando Alves e Miguel Amável
  • Rabos - Leonel Carneiro e Bruno Miguel
Bugios :
  • Velho - José Machado
  • Guias -  Augusto Cabeda e Fernando Miranda
  • Rabos - Carlos Andrade e Joaquim Luis
Serviços da tarde:

  • Colher direitos - Miguel Cabeda
  • Semear - Carlos Poças
  • Gradar - Flávio
  • Lavrar - Norberto
Dança do Sapateiro
  • Sapateiro -  Fernando Ilidio 
  • Cego -  Helder Pinto 
  • Mulher  do Sapateiro-  Cardoso 
  • Moço de Cego - Alexandre 
  • Moço de Sapateiro - Juca.

domingo, junho 13, 2010

Nos bastidores da festa

A Bugiada e a Mouriscada e tudo o mais que a Festa de S. João de Sobrado vive e mostra no dia 24 de Junho supõe praticamente um ano inteiro de preparativos. É a constituição da comissão e o pô-la a funcionar; é organizar iniciativas para angariar fundos; é contratar quem irá animar os dias anteriores e elaborar um programa interessante; é a preparação do cartaz e a obtenção dos patrocínios; é o peditório pela Vila; e é muito mais que fica quase completamente na sombra dos bastidores desta festa. Claro que este mês mais chegado é o que regista maior agitação, sobretudo a partir do momento em que arrancam os ensaios. Mas, no momento em que estamos, pode dizer-se que a festa já terá mobilizado mais de um milhar de pessoas em Sobrado, entre os que têm algum papel directo a cumprir até àqueles que se limitaram a apoiar a festa, indo, por exemplo, participar numa sarrabulhada, em pleno Inverno.
A grande parte das tarefas organizativas depende da Comissão de Festas e da sua capacidade de se organizar e pôr as pessoas a trabalhar de forma articulada. Mas há muitos trabalhos que dependem do Velho da Bugiada e mesmo do Reimoeiro.
Hoje mesmo, por exemplo, decorre o terceiro ensaio, no Passal. Nos dois primeiros, os interessados em exercer funções específicas no dia 24 deram o nome. O Velho e a sua equipa deliberaram, entretanto, e hoje no fim do ensaio anunciam os resultados. No próximo sábado, Bugios e Mourisqueiros, sob a liderança dos rspectivos chefes, vão ao monte cortar os pinheiros, transportam-nos para o Passal e constroem os castelos. No dia seguinte, é o último ensaio e é de tradição a Comissão de Festas oferecer a todos tremoços, broa e vinho. Chegam a ser centenas.
Pode dizer-se que já há festa ainda antes da festa.

Video, som, texto e fotos

Aqui ao lado, na barra lateral do blog, estão agora disponíveis, de forma mais organizada, alguns materiais que apresentam esta festa, para quem aqui chega e, não conhecendo o que é esta tradição sobradense, que ter uma visão de conjunto.
Aqui se pode encontrar:
  • - um vídeo de Carlos Brandão Lucas, há anos emitido pela RTP
  • - o programa de Manuel Vilas-Boas, emitido em 2009 pela TSF
  • - uma foto-reportagem de Paulo Pimenta, vinda a lume no site do Público
  • - um texto sobre a tradição, do autor deste blog.

sábado, junho 12, 2010

Já está em marcha a Comissão para a Festa de 2011

Ainda falta percorrer algum caminho até à festa deste ano, mas já está em fase de preparação uma Comissão de Festas para 2011, a qual deverá ter Jorge Vieira como juiz.
O garante de que a Festa se realiza é, estatutariamente a Associação da Casa do Bugio; mas, havendo quem queira assumir este encargo, habitualmente constitui-se uma Comissão específica para esse fim. É o que, tudo indica, acontecerá no ano que vem.

sexta-feira, junho 11, 2010

Quatro parques de estacionamento para acolher visitantes

A multidão que se concentra em Sobrado, no dia de S. João, aliada às danças que, em vários momentos do dia, ocupam a estrada principal obrigam a cortar o trânsito na vila, numa extensão e mais de um quilómetro. A fim de facilitar a vida aos que vão à festa de carro, sejam da terra ou de fora, a autarquia local, em colaboração com a Comissão de Festas, vai criar quatro parques de estacionamento ad hoc. Ficam situados em locais estratégicos de acesso, a saber: um perto da antiga fábrica da CIFA, para quem entra em Sobrado do lado Sul; outro perto de Penido, para quem chega do lado Norte; outro no estádio do Clube Desportivo de Sobrado, para quem vem de Oeste (Alfena, por exemplo) e outro a seguir à ponte de Santo André, para quem chega de Leste.

quinta-feira, junho 10, 2010

A Bugiada já foi à escola


Na Escola EB1/JI de Paço, em Sobrado, ainda Junho não tinha chegado e já por lá tinha andado a Festa de S. João. É do que dá conta o mais recente post do blog daquela instituição educativa, o "Escola de Paço a Passo". E porque, como diz o seu lema, "aprender está para além da escola" e "[d]essa troca de experiências se cresce", na semana de sensibilização para a Festa fizeram a construção de um cabeçudo, ouviram histórias, fantasiaram-se, assustaram os colegas do 1º ciclo , dançaram, tocaram... e até envolveram os familiares: "os pais do Dinis foram contar a lenda da Festa" de S. João e as crianças viram "fotografias que as avós trouxeram".
Gosto de ver esta escola - que na matéria é "repetente" - assim envolvida com as riquezas da comunidade local.

quarta-feira, junho 09, 2010

Coisas estranhas da Festa de Sobrado

A Festa de S. João de Sobrado está repleta de coisas estranhas: inversões, mistérios, subversões, paradoxos, à espera de interpretações pertinentes. Vejamos algumas:
  • - Em muitas outras terras, festeja-se o S. João de noite; em Sobrado é de dia - todo o dia, da alva até depois do sol-pôr.
  • - Toda a gente janta ao fim do dia ou princípio da noite; em Sobrado, o jantar da festa é de manhã, pelas 10 horas.
  • - Nas outras terras (e, nesta, nos outros dias) ninguém gosta de fazer o, digamos assim, "trabalho sujo"; pois em Sobrado não falta quem goste de ir semear, lavrar ou gradar todo mal-vestido e terminar com a roupa desfeita ou quase sem roupa; não falta quem goste - como acontece com o sapateiro e o cego - de chafurdar na lama, em cenas de primitivismo que deixam estarrecidos e com ar de enojado muitos forasteiros;
  • - Em outras terras, em que há tradições festivas que metem mouros, turcos, etc, estes são geralmente os 'maus da fita', os derrotados. Em Sobrado, são os Mourisqueiros os únicos com dignidade para ir na procissão e a pegar nos andores, incluindo o de S. João. E depois de vencerem pela força os cristãos, só são derrotados pelo terror da Serpe; e, ainda assim, como que ressuscitam para a Dança do Santo.
  • - Nas terras onde ainda se pratica a agricultura, todos começam por lavrar a terra, se querem colher algum "samiguel"; só depois gradam e semeiam. Pois em Sobrado, em dia de S. João, primeiro semeia-se e só depois é que se lavra.
  • - Por fim, é difícil encontrar no país (e alguns dizem que mesmo na Europa) muitas festas com um carácter mais espectacular do que esta. Pois tanto Bugios como Mourisqueiros antes de darem um espectáculo aos que vão à festa, dão um espectáculo a si mesmos: dançam e lutam porque a festa ainda é qualquer coisa que, se não existisse, deixaria um vazio enorme na vida deles e não poderiam "matar a paixão". Em 1974, houve cheias por altura do S. João e choveu que Deus a dava no dia 24. Quase ninguém se atreveu a ir à festa. Mas nem por isso as danças se deixaram de fazer. Porque o S. João de Sobrado não é um mero espectáculo, mas algo que dá sentido à vida - individual e colectiva.
A Festa de S. João é feita de tudo isto e sem isto nunca seria a festa de S. João.
Não acham, ó conterrâneos sobradenses?

terça-feira, junho 08, 2010

A Dança do Cego - uma mina de significados

A Dança do Cego também se chama Sapateirada. A designação depende, ao fim e ao cabo, da perspectiva: queremos ver as coisas do lado do Cego ou do lado do Sapateiro? Qualquer deles é peça-chave nesta componente da Festa de S. João de Sobrado.
Já descrevi esta representação do rapto da mulher do sapateiro pelo moço do cego e já propus uma interpretação, vendo nesta tradição uma luta entre os sedentários, de vida feita e definida, e os errantes, os que vagueiam de terra em terra. Gostaria hoje de chamar a atenção para outros aspectos.
Começo por notar que o sapateiro não exerce apenas o seu ofício. Ele é, na verdade, um gabarolas: não pára de enaltecer as "qualidades" da mulher que tem. Se o gesto é tudo, os gestos do artífice não enganam, quando apalpa as partes dela que mais lhe merecem apreço. Mais do que fiadeira, a esposa do sapateiro é (tem sido, pelo menos, nas últimas décadas) um símbolo sexual, o que contradiz um pouco o estereótipo de esposa.
Acontece que quem aparece a perturbar este estado das coisas é o cego. Guiado pelo seu guia, é verdade. Mas o guia simboliza os olhos do cego. Ele não vê as coisas do mundo exterior, mas vê melhor do que ninguém as do mundo interior, que é o espaço em que o sentido se constrói e se adquire a sabedoria da vida e, paradoxalmente, se faz luz. Por conseguinte, quando o moço do cego rapta a mulher do sapateiro, é, ao fim e ao cabo, no plano simbólico, o cego que a rapta.
O que sucede a seguir é interessante de analisar: quando o sapateiro dá pela falta da mulher e decide ir à procura dela, instala-se uma dúvida terrível: afinal, de quem será a culpa? Da mulher ou do seu raptor?
Aquele que momentos antes não parava de se vangloriar da mulher que tinha só poderia deitar a culpa para o moço do cego. Mas inúmeros circunstantes que testemunharam o que se passou aproveitam a ocasião para colocar 'sobre a mesa' uma versão radicalmente diversa: ela não foi raptada, mas fugiu, por causa da vida que o sapateiro lhe dava ou, na versão mais radical, devido à "incompetência" do sapateiro.
A terrível dúvida nunca chega a ser totalmente esclarecida, ainda que, depois de andar à luta de varapau, a mulher volte, por fim, para o sapateiro. E essa dúvida é, na verdade, uma questão existencial, que as aparências da ordem restaurada dificilmente podem apagar.
E o cego, no meio disto tudo? Ele é aquele que não vê ou aquele que vê (ainda que veja o que outros não vêem)? Sobre isso haverei de escrever numa outra oportunidade.
Que fique, entretanto, clara uma coisa: engana-se redondamente quem pense que esta "dança do cego" é coisa de primitivos e gente sem qualidades. Pelo contrário, esta parte da festa está carregada de significados que estão longe de se esgotar naquilo que aqui vou escrevendo. E esses significados também podem ser partilhados pelos leitores que apreciam esta tradição.

domingo, junho 06, 2010

Ensaios ao rubro

Os preparativos da festa de 2010 avançam a todo o gás. Depois de terem tido início os ensaios na quinta-feira passada, aproveitando o feriado do Corpo de Deus, ontem foi dia do peditório pelos diversos lugares da vila. E hoje o segundo dos quatro ensaios voltou a juntar, sob um sol escaldante, os pretendentes a Bugios e a Mourisqueiros e centenas de pessoas a assistir. Entre elas, encontrava-se hoje no Passal o Sr. Generoso Ferreira das Neves, Juiz da festa, sobradense de origem, que vive há muitos anos no Rio de Janeiro, Brasil, de onde voltou, como o faz todos os anos, mas desta vez, para exercer a função de responsável primeiro.
Os ensaios de hoje e de quinta-feira incluem ainda um pormenor que passa despercebido a muitos sobradenses: os interessados em participar nas várias funções da Festa (quem vai lavrar, gradar e semear, cego, sapateiro, respectivos 'moços' e a mulher do sapateiro) devem inscrever-se, sendo os resultados conhecidos no fim do terceiro ensaio.
Aqui ficam algumas imagens hoje registadas dos ensaios, pela ordem em que foram captadas: primeiro as dos Mourisqueiros e depois as dos Bugios.












Breves registos videográficos podem também ser vistos aqui (clicar na barra inferior de cada um dos vídeos, à esquerda):

video video