sexta-feira, dezembro 02, 2011

Entre 1750 e 1880:
danças da Bugiada também em Valongo


Ao longo de bem mais de cem anos, Valongo foi palco de uma grande festa que dois autores valonguenses, Francisco Ribeiro Seara e Lopes dos Reis, consideraram a "festa popular mais importante e mais signficiativa" do concelho e que incluía uma Dança da Bugiada.
Tive oportunidade de me referir a este facto aquando do acto comemorativo dos 175 anos da criação do concelho de Valongo, que decorreu na passada terça-feira, dia 29 de Novembro, numa iniciativa da Câmara Municipal, através do Arquivo Histórico do Município. E estou, naturalmente, a referir-me à festa de Santo António dos Almocreves, que tinha o seu momento alto no segundo domingo de Julho.
Que tradição era esta, então?

Uma festa dos almocreves

Podemos dizer que almocreve era o comerciante que, sozinho ou em grupo, percorria por vezes longos trajectos para levar e trazer mercadoria e, desse modo, assegurar o abastecimento dos aglomerados populacionais mais significativos. Desde a Idade Média até épocas não muito longínquas eles foram, no dizer de Borges de Macedo (1), «a coluna vertebral dos transportes internos».
A festa nasceu em 1750, no contexto de uma grande epidemia que começou a dizimar os animais de carga que eram "a alma de negócio" dos muitos almocreves de Valongo.
Ora, desde muito cedo, Valongo foi terra de almocreves que iam além-Marão e até ao Alentejo para abastecer as moagens de trigo e centeio e assim permitir a a panificação de que vivia boa parte da cidade do Porto. Já a Corografia Portugueza, publicada pela primeira vez em 1708, observava que Valongo (e mantemos a escrita da época) “[…) he povo grande e arruado habitado de muitas padeiras que sustentão o Porto de pão que elas lá levão a vender, e de muitos almocreves, que vivem de conduzir de muitas légoas o trigo para suas mulheres cozerem" (2).
Temos, pois, que a economia de Valongo vivia, em boa medida, dos almocreves e da panificação. E, aos olhos destes comerciantes Santo António foi decisivo para debelar o mal que deu nas bestas, pelo que decidiram honrá-lo e festejá-lo à altura do 'milagre' obtido.

Sumária descrição dos festejos

Seguindo a descrição que da festa faz, em 1904, o autor de "A Villa de Valongo", o P. Joaquim Alves Lopes dos Reis (3), os festejos arrancavam ainda no mês de Junho, na véspera de S. Pedro, dia em que se tornou tradição sair o Bando , que era um grupo de homens montados em jericos, à frente do qual seguia um pregoeiro a anunciar o programa que aí vinha. Mas era na quarta-feira anterior ao segundo domingo de Julho que o ambiente de folgança começava a animar-se. Nesse dia um burro percorria as ruas da terra distribuindo archotes que seriam usados na Cavalhada, na véspera da festa à noite. Esta Cavalhada metia bandas de música seguidas de cavaleiros com tochas a arder, o que deveria tornar o cortejo motivo de atracção. Houve quem visse neste acto um vestígio da procissão de agradecimento dos almocreves a Santo António.
No domingo da Festa, logo ao nascer do Sol, formava-se em casa do Juiz a Bugiada. Ao mais velho no ofício cabia designar o Juiz novo que era procurado e trazido na situação em que se encontrasse. Após isso, servia-se um lauto almoço. Deduz-se da descrição que nos chegou que havia, neste momento, a Dança dos Bugios. Só depois dela é que se formava o Tambo, um cortejo que se dirigia à igreja paroquial, onde se realizavam cerimónias religiosas. Findas estas, voltava a dançar a Bugiada em frente ao templo, a que se seguia o jantar. Diz-nos Lopes dos Reis que esta Dança da Bugiada junto à igreja era especialmente querida da população local, tal como a música que a acompanhava, a qual (a exemplo do que acontece em Sobrado, nos nossos dias) não podia ser tocada sem que as pessoas começassem a dançar também. Pelos vistos, a Dança da Bugiada de Santo António dos Almocreves tornou-se de tal modo marca da festa e valorizada pela população que havia gente importante que fazia questão de participar. E só quando a festa começou a decair é que a dança passou a ser participada sobretudo pela, digamos assim, arraia miúda.
A festa prosseguia na segunda-feira com o Jantar dos Cozinheiros participado por todos os que, de algum modo, tinham concorrido para a organização. E eram esses que, no fim do repasto, iam pelas ruas da vila, trajados de modo exótico (à turco, dizia-se), executando a Dança dos Odres. Dois dias depois, na quarta-feira,  a festa encerrava, finalmente, com actos na igreja, um jantar, desta vez pago já pelo Juíz novo, à porta do qual a Bugiada voltava a dançar pela terceira e última vez. Nesse dia à tarde, voltava-se a juntar muita gente da terra e de fora, porque havia como que a apoteose, com uma série de danças e entremeses, uma boa dúzia delas. À noite, ainda se realizava a Entrega do Santo, no qual, além dos membros das Cavalhadas, participava a mulher do Juiz velho, acompanhada de moças que empunhavam velas acesas.

Dois comentários

Este é um quadro rápido e sumário de uma festa rica e complexa que merecia ser mais investigada e estudada. Resta fazer duas ou três observações a propósito.
Em primeiro lugar, a festa entra em decadência na segunda metade do século XIX e acaba mesmo em 1880. E porquê? Lopes dos Reis não aborda o assunto, mas eu atrevo-me a deixar uma possível explicação. Em 1872, o Governo adjudica a construção da Linha (ferroviária) do Minho, a qual é aberta à circulação até Braga em 1875. Neste mesmo ano, entra em funcionamento um primeiro tramo da Linha do Douro, entre Ermesinde e Penafiel. A partir de então, estava aberta uma forma mais rápida e segura de viajar e fazer circular a mercadoria. O caminho de ferro, que representou um progresso extraordinário, representou o atestado de morte aos almocreves, pelo menos, nas zonas servidas pela rede ferroviária. O município de Valongo é, todo ele, à excepção de Sobrado, atravessado pelo comboio. Nesta nova situação, com os almocreves em crise e certamente á procura de novas formas de subsistência, não houve Santo António que lhes valesse e, assim, a festa desapareceu. Um pormenor curioso: as danças mais características da festa de Santo António, essas a população não as deixou desaparecer tão rapidamente: começaram a ser apresentadas na festa do padroeiro da vila de Valongo, S. Mamede. E isso prolongou-se por muitos anos.
A segunda observação é, naturalmente para chamar a atenção para uma série de sinais de aproximação entre a Festa de Santo António dos Almocreves de Valongo e o S. João de Sobrado. Claro: desde logo pelas danças da Bugiada e pelo papel de relevo que tinham na festa valonguense. Mas também pela música e o carinho que esta despertava na população e, finalmente, pelas "papeladas", que eram habitualmente, formas (escritas) de crítica social. De tudo isto encontramos algo em Sobrado. Muitas danças de Valongo, de resto, aparentam-se com manifestações típicas descritas nas procissões de Corpus Christi. O que me leva, de novo, a deixar no ar a hipótese de, tanto alguns aspectos das danças e lutas de Sobrado como várias das danças de Valongo poderem, em alguma fase do seu desenvolvimento, ter tido algum tipo de presença em alguma das procissões de Corpus que se fazia nesta região (nomeadamente no Porto e em Penafiel).
Muito que investigar e que estudar, por conseguinte.

Referências
(1) Borges de Macedo, J. "Almocreve" in Dicionário de História de Portugal (dir. de Joel Serrão)
(2) Costa, Ant. Carvalho da  (1708) Corografia Portugueza e Descripçam Topográfica do Famoso Reyno de Portugal, vol. II
(3) Reis, J. Alves Lopes dos  (1904) A Villa de Valongo. Porto:  Typographia Coelho (a vapor).

quarta-feira, novembro 30, 2011

Santo André de Sobrado

Hoje é dia de Santo André, desde tempos imemoriais o padroeiro de Sobrado. Desde há anos que se restabeleceu o costume de, com simplicidade, festejar o santo, na paróquia.
Já ouvi e li quem afirmasse que o padroeiro de Sobrado é S. João. De facto, assim parece, dada a projecção da festa sanjoanina. Mas Sobrado não é caso único, nisto de dar mais destaque à evocação de uma figura religiosa que não o patrono.
Santo André era irmão de São Pedro e, por conseguinte seria também pescador. O seu nome ( em grego "ανδρεία", andreía) pode traduzir-se por "hombridade" ou "coragem". Terá sido ele a apresentar Cristo, como o Messias, a seu irmão Pedro.
Poderíamos, assim, dizer que Santo André de Sobrado festeja sobretudo o S. João, mas não esquece Santo André.

terça-feira, novembro 29, 2011

Uma festa espanhola património da humanidade

As festas da Mare de Déu de la Salut (Mãe de Deus da Saúde), da localidade de Algemesí (ao sul de Valencia, leste de Espanha) acabam de ser reconhecidas pela UNESCO como património da humanidade, na mesma sessão em que também o fado mereceu essa honra.
Trata-se de facto de uma festa riquíssima, como se pode ver aqui e aqui.
Mas quem conhece a festa de Sobrado não deixará de concluir que também ela encerra potencialidades para merecer esse reconhecimento, se não sozinha pelo menos enquadrada nas festas e rituais de máscaras ibéricos, um património de facto de inestimável valor.
Para tal, muito há que fazer ainda, não apenas no que diz respeito ao pesado e complexo processo da candidatura, mas, eu eu diria, sobretudo no cuidado e qualificação que a própria festa deve merecer. Há pequenas coisas que dizem respeito não só aos que mais directamente intervêm na festa, como em todos os que a ela assistem que muito podem contribuir para a dignidade e beleza da Bugiada e Mouriscada. Conto desenvolver este assunto em próximos posts.

sábado, novembro 26, 2011

Cultura popular e a Bugiada nos 175 anos do Concelho

Nesta terça-feira, dia 29, a Câmara Municipal de Valongo, através do Arquivo Histórico Municipal, evoca os 175 anos da criação do Concelho, com uma cerimónia simbólica de hasteamento da bandeira e uma conferência alusiva à data, centrada nas tradições do âmbito do município.
Caberá ao autor destas linhas a abordgem do tema  "Cultura popular tradicional do Concelho de Valongo: entre o passado e o futuro" e, claro, a Festa da Bugiada e Mouriscada de Sobrado não poderia deixar de ter aí lugar de destaque. 
Estes actos ocorrem no edifício que acolhe o Museu e Arquivo Histórico Municipal, nas antigas instalações da Câmara, a partir das 15 horas, sendo a entrada livre.
Perguntar-se-á: porquê neste dia? Uma nota da Câmara Municipal explica a razão:
"A 6 de Novembro de 1836, a rainha de Portugal, D. Maria II, assina o decreto que criava o concelho de Valongo. Publicado a 29 de Novembro, o decreto reduzia de 871 para 351 os concelhos do país".

(Gravura: Praça Machado Dos Santos. Pintura de Sousa Pinto)

quinta-feira, novembro 24, 2011

Valorizar e estudar as máscaras

A ideia que tinha de que muita da força da Festa da Bugiada e Mouriscada de Sobrado reside na máscara - é, de resto, este elemento que une as diversas facetas da Festa sobradense - é reforçado por uma conclusão apresentada recentemente por Sofia Maciel, uma estudiosa das máscaras transmontanas.
Nos estudos de que resultou a sua tese de doutoramento, defendida em 2008 e intitulada "Máscaras transmontanas - dos contrastes antropológicos às confluências filosóficas", fica a ideia de uma enorme densidade e complexidade em torno da compreensão deste objecto material, mas sobretudo simbólico, quando ela escreve (pp. 333-334):

"O mundo de relações simbólicas em que se inscrevem as máscaras não permite que delas se elabore um discurso acabado; pelo contrário, por mais esforço que tenhamos feito na vontade de as explicar completamente, há nelas determinadas características – opacidade, flexibilidade, duplicidade e ubiquidade – que funcionam como obstáculos à obtenção de um conhecimento exaustivo".
Como observa Sofia Maciel, no universo simbólico em que as máscaras e os mascarados operam, "os símbolos são mais reais que o simbolizado". As máscaras "configuram uma realidade que significa em qualquer tempo e lugar, acompanhando os homens, ao longo do tempo, na relação consigo próprios, os outros e o mundo; por estas razões, elas são testemunhos vivos da história da cultura e do pensamento".

Curiosamente, a autora intitula o seu capítulo de conclusões deste modo: «A Máscara, um objecto “bom para pensar”». A meu ver, esta ideia é muito sugestiva e desafiante, na medida em que a "opacidade, flexibilidade, duplicidade e ubiquidade" das caretas, atrás sublinhadas, em lugar de fecharem a possibilidade do pensamento, espicaçam a interrogação e a indagação acerca da perene necessidade da máscara não apenas como instrumento de 'não identificação', mas de 're-presentação' e de transfiguração individual e colectiva.
Também por isso é que continuo a achar que, se queremos valorizar a festa de S. João de Sobrado, será necessário valorizar bastante mais as máscaras, em particular aquelas que poderíamos designar por "máscaras de função", ou seja, aquelas que são usadas tanto pelo Velho da Bugiada, Guias, Meios e Rabos, como as que são utilizadas nos rituais agrícolas e na Dança do Cego. Há, de resto, um sinal de que esta matéria é bem mais importante do que parece: poucos se apercebem que, já hoje e desde há muito tempo, a máscara utilizada pelo Velho, na parte da manhã, não é a mesma que ele traz aquando da ida para o castelo e até ao fim da guerra, prisão e libertação. Por alguma razão será, não?

A tese  "Máscaras transmontanas - dos contrastes antropológicos ás confluências filosóficas" encontra-se acessível em regime livre no Repositorium da Universidade do Minho: AQUI
(Crédito da imagem: Máscara de Freixeda, de Salsas, Bragança, publicada na tese referida).

quinta-feira, novembro 17, 2011

Festa será estudada num doutoramento de Estudos Culturais

A festa de S. João de Sobrado vai ser o mote para duas aulas no Curso de Doutoramento em estudos Culturais, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, em Braga.
Inseridas na unidade curricular de Comunicação Intercultural, as aulas versarão sobre "Festa, luta e comunicação: a Bugiada e Mouriscada de Sobrado" (25 de Novembro); e "Dinâmicas e contradições das culturas tradicionais num mundo global" (2 de Dezembro).
Enquanto que, na primeira sessão, será feita uma descrição da festa, apoiada num filme, procurando inventariar dimensões e categorias relevantes de análise, na segunda procurar-se-á aprofundar algumas dessas dimensões e categorias.

quinta-feira, outubro 27, 2011

Comissão de Festas 2012 é notícia no JN

O JN de domingo passado dá destaque ao facto de a Comissão da próxima festa de S. João de Sobrado ser apenas constituída por pessoas do sexo feminino, sob a coordenação da engª Lúcia Lourenço. Vêm de um sem-número de actividades profissionais, deitaram já mãos à obra (a próxima iniciativa é a sarrabulhada, a que aqui fizemos já refereência) e mostram-se confiantes de que a a festa vai continuar a ser o sucesso que tem sido. A Comissão criou também uma página própria no Facebook: AQUI.

segunda-feira, outubro 17, 2011

Carpintaria: memórias de uma arte

"Carpintaria: memórias de uma arte" é o título e tema de uma exposição que abre no próximo sabado, ao fim da tarde, na sede da Junta de Freguesia de Sobrado.
O certame reúne peças de ferramenta de um tipo de artesanato que está hoje praticamente desaparecido, sendo de especial interesse para as actividades pedagógicas das escolas, mas aberta a todos os interessados, da vila, do concelho e de fora dele.
Desta iniciativa não directamente ligada à festa de S. João se faz aqui menção por duas razões: em primeiro lugar por ela resultar de uma parceria da Junta com a Casa do Bugio; e, em segundo lugar, por sublinhar um aspecto comum à Festa da Bugiada e Mouriscada: a necesidade e urgência de preservar e promover a memória da comunidade sobradense e, quem sabe, de lançar as bases para futuras unidades museológicas na vila, antes que o que resta se perca definitivamente.

sexta-feira, outubro 14, 2011

Movimenta-se a festa de 2012


A Comissão de Festas de 2012 do S. João de Sobrado organiza mais um evento, destinado ao convívio dos sobradenses (e não só sobradenses), bem como à angariação de fundos para promover uma festa do próximo ano. Desta vez, será uma sarrabulhada, em data que se espera já com a temperatura própria desta época do ano: dia 5 de Novembro, pelas 20 horas, na Casa do Bugio.

quarta-feira, setembro 14, 2011

Domingo: porco no espeto e caldo verde

A Comissão da Festa de 2012 organiza, a partir desta sexta-feira, um conjunto de iniciativas desportivas, musicais e gastronómicas, cujo objectivo, além do convívio, é também angariar fundos para fazer face aos encargos organizativos. O programa começa já esta sexta-feira, dia 16, às 20 horas, com jogos entre equipas femininas. Idêntico programa decorre no dia seguinte, sábado, a partir das 17 horas, e no domingo, às 10 horas, sempre no campo de areia, no centro da vila. O momento alto será mesmo no domingo com um almoço de porco no espeto e caldo verde, nos jardins do Passal, em Campelo, onde serão disponibilizadas mesas e bancos para as pessoas se sentarem. As senhas de participação são adquiridas no local. Durante a tarde, haverá no mesmo local música ao vivo.

"uma das mais extraordinárias manifestações"

"À descoberta da Festa de S. João de Sobrado" - Este texto, que me foi pedido para a edição do gratuito Jornal Novo de Valongo, distribuído por alturas da festa deste ano, encontra-se disponível na web, no site daquele periódico.
Começa assim:
"A Festa de S. João de Sobrado é, provavelmente, uma das mais extraordinárias manifestações de cultura festiva popular de Portugal. Pela sua genuinidade e vigor e pela participação activa dos sobradenses, pode mesmo considerar-se um caso a nível europeu. Ser ainda pouco conhecida em Portugal e fora dele é, ao mesmo tempo, uma pena e uma vantagem. Pena porque muita gente ganharia em conhecer uma tradição como esta. Vantagem porque, a partir do momento em que se torne mais conhecida, as sanguessugas do dinheiro não hesitariam em procurar cercar e perverter a festa. O “low profile” que tem adoptado tem-lhe permitido afirmar-se, sem se fechar ao exterior. Veremos se resiste e se recria. Mas, então, que festa é esta?"
(Foto: Renato Roque)

domingo, setembro 11, 2011

Para uma bibliografia da Festa de Sobrado

Na obra em oito volumes intitulada "Festas e Tradições Portuguesas", editada pelo Circulo de Leitores e da autoria de Jorge Barros (fotos) e Soledade Martinho Costa (texto), o volume correspondente ao mês de Junho publica 16 páginas (pp. 148 a 163) dedicadas à Festa de S. João de Sobrado. As fotos que ilustram o texto reportam-se a edições da festa compreendidas entre 1989 e 2001.

sexta-feira, setembro 09, 2011

Sobrado no Censos 2011 - o presente e o futuro

A vila de Sobrado praticamente manteve o número de habitantes que tinha em 2001, segundo os primeiros resultados do Censos 2011. De facto, a população da freguesia chegava aos 6.726 no momento da recolha de informação do Censos, quando, dez anos antes, esse número era de 6.682.
Mas, se o crescimento populacional pode ser considerado irrisório, já o das famílias cresceu 10%, o que sugere que diminuiu o número médio de pessoas por família.
No capítulo das construções, também se registam crescimentos. Quer no número de edifícios quer no de alojamentos o aumento foi de 14%.
O crescimento registado no Município de Valongo verificou-se sobretudo na sede, em Campo e em Alfena.
Apesar da abertura dos acessos ao Porto por auto-estrada e da facilitação da circulação na área metropolitana do Porto, na úktima década, tal não contribuiu para atrair população. Por um lado, Sobrado é a freguesia do Concelho mais afastada da Cidade Invicta. Mas, sobretudo, é a única que não é servida pela rede de caminho de ferro.
Importa sublinhar, por outro lado, que enquanto alguns vêem estes resultados como signifcando estagnação e obstáculo ao progresso, outros considerarão, porventura, que o nível de população actual permite assegurar condições razoáveis de acesso aos bens e equipamentos que decorrem da pertença a um espaço mais largo e ao mundo global, salvaguardando condições para alguma qualidade de vida.
Pessoalmente, entendo que foi atingido um ponto interessante que assegura o usufruto dos benefícios da modernidade, mas salvaguarda a preservação da tradição, ainda que num composto sociológico não isento de contradições e dificuldades.
Deste ponto de vista, estes dados podem ter algum significado para o futuro da Festa de S. João, ex-libris da freguesia e do Município.

(NB - Os dados relativos ao Censos foram obtidos na edução de 19 de Agosto do jornal Verdadeiro Olhar).

quarta-feira, setembro 07, 2011

Composição da Comissão de Festas de 2012

A festa de S. João de Sobrado de 2012 terá a particularidade - inédita, seguramente - de ser organizada por uma equipa liderada por uma mulher e constituída apenas por mulheres. É a seguinte a constituição actual:

Comissão de Festas de S. João de Sobrado - 2012

1             Lúcia Maria M. Leão B. Lourenço                             Costa
2             Ana Maria Machado                                                      Caminho Novo
3             Maria Raquel Moreira da Silva                                 Campelo
4             Maria José Moreira da Silva                                      Caminho Novo
5             Lúcia Sousa Duarte                                                        Caminho Novo
6             Carolina Manuela Sousa Duarte                              Caminho Novo
7             Vera Susana Alves Ribeiro                                         Balsa
8             Angela Manuela Alves Ribeiro                                 Balsa
9             Adélia Maria Pereira Soares                                      Fijós
10           Ana Maria Pereira Soares                                           Fijós
11           Laurinda Silva Leite                                                       Fijós
12           Maria Inês Guimarães P. Pereira                             Caminho Novo
13           Maria Fernanda Fernandes da Costa                      Campelo
14           Sandra Leão dos Santos                                               Caminho Novo
15           Vitória da Graça dos Santos Moreira                      Campelo
16           Maria Luísa dos Santos Ferreira Marujo                Campelo
17           Cristina Maria Nogueira                                              Gandra
18           Juliana Isabel Ferreira Almeida                               Penido
19           Rosa Maria Santos                                                         Sobrado Cima
20           Maria Armanda Moreira Silveira                             Campo de Fijós
21           Sónia Filomena Ribeiro Peixoto Pereira              Caminho Novo
22           Elsa Maria Torres Carneiro                                         Sobrado Cima
23           Fernanda Seabra                                                            Vilar
24           Delfina dos Santos Ferreira Marujo                       Campelo
25           Angela Maria Gonçalves Nogueira Pereira         Campelo
26           Maria Augusta Fernandes da Silva                         Campelo
27           Manuela Neves                                                              Balsa
28           Lucília dos Santos Oliveira                                         Balsa
29           Susana Manuela da Costa Neves                            Balsa
30           Paula Maria de Sousa Ferreira                                 Paço
31           Zélia Mota                                                                        Gandra
32           Joana Isabel Correia Figueiredo                             Campo de Fijós
33           Sofia Daniela Ferreira Nunes                                   Balsa
34           Luisa Patricia Ribeiro da Silva                                   Balsa
35           Margarida Maria Ferreira Dias                                  Balsa
36           Maria Rosa Costa Nunes                                             Balsa
37           Lúcia Maria de Jesus Lima                                          Sobrado Cima
38           Marina Suzete Oliveira de Sousa                            Vilar
39           Célia Maria Oliveira de Sousa                                  Vilar
40           Margarida Ferreira Monteiro                                    Sobrado de Cima
41           Florinda Moreira Sousa Bento                                 Sobrado de Cima
42           Cândida Maria Brito Sousa                                         Sobrado de Cima
43           Magna Soares                                                                  Campelo
44           Sílvia Moreira                                                                  Caminho Novo
45           Carla Sofia F. Araújo Pereira                                     Campelo
46           Sónia Manuel F. A. Pereira                                        Campelo
47           Ana Maria Oliveira Rocha                                           Campelo

sexta-feira, julho 08, 2011

Algumas notas impressivas sobre a festa de 2011



A festa deste ano correu bem. Atendendo às peripécias iniciais da organização e à crise reinante, até se pode dizer que correu muito bem. E isto é o mais importante.
Há aspectos que podem parecer pormenores, mas que contribuem para a qualidade da festa e que foram sendo introduzidos em anos recentes. Um exemplo: a instalação sonora que amplifica a música das danças quer junto à Casa do Bugio quer junto à residência do Velho da Bugiada (para já não falar nas Danças de Entrada).
Os seis parques de estacionamento são hoje em dia uma infra-estrutura de apoio muito importantes, bem como a instalação de casas de banho no recinto. Foi boa ideia a criação de transportes entre Valongo e Sobrado. Só foi pena isso não ter sido anunciado com tempo, para que mais pessoas pudessem beneficiar.
Este ano, houve uma novidade, a que já aqui fiz referência: a criação da página no Facebook, a qual cresceu exponencialemnte, a ponto de ter já ultrapassado bastante o milhar e meio de membros, o que dá bem a ideia do interesse que despertou. Além disso, serviu para muita gente se manifestar e mostrar imagens da festa. Neste terreno, ainda há muito a descobrir, tenho a impressão. E muito a partilhar. E se as escolas apostassem nesta rede social (ou na que acaba de ser criada pelo Google+) para recolher histórias, depoimentos, fotos antigas, e se tornassem mais visíveis na página do Facebook? Aqui fica a sugestão, dirigida às profesorras e professores, mas também aos pais e respectiva associação.
Sobre o futuro tenho dois ou três assuntos sobre os quais gostava de escrever e de conhecer outras opiniões, mas ficarão para uma próxima oportunidade.