terça-feira, junho 19, 2012

Um número extra no programa deste ano



A tarde da véspera de S.João vai ser animada com um encontro-mostra de carros e motos antigos, o qual decorrerá no espaço nobre da vila (e da festa): o Passal. A iniciativa é da Comissão de Festas.
O programa, entretanto, arranca hoje à noite com o agrupamento musical Instintos Radicais.

segunda-feira, junho 18, 2012

Chuva: pode ser que não

Um fim de primavera meteorologicamente imprevisível e temperaturas baixas, para a época - assim tem sido o tempo nas últimas semanas. O ensaio final, de ontem, teve de ser feito no salão da Casa do Bugio e a carga de água que caiu foi forte. Mas é provável que não chova no S. João, se se confirmarem as previsões e se as do Porto (ver imagem) forem extensíveis a Sobrado. Pode ser que o S. Pedro dê uma ajuda.

domingo, junho 17, 2012

As escolas concelhias e o património imaterial da Festa

Esta é uma mensagem que dirijo em particular aos professores, dirigentes de agrupamentos, associações de pais das escolas do concelho de Valongo em geral e da vila de Sobrado, em particular:
As escolas estão a terminar um ano letivo e já a pensar naquele que aí vem. Como pode a tradição-mor de Sobrado fazer parte dos planos de atividades e da própria lecionação das matérias, nos vários ciclos de estudo, no âmbito do Concelho, mas particularmente no agrupamento da Vila de Sobrado?
Eu sei que alguma coisa já se vai fazendo. Ainda há dias ouvia a mãe de um aluno a falar de uma manifestação de fim de ano escolar relacionada com a Bugiada, e que exigia o uso de trajes.
Mas, tanto quanto julgo saber, nunca, até hoje, as escolas fizeram um trabalho em profundidade, pluridimensional, sistemático e envolvente de todos os parceiros educativos, tendo a Festa de S. João como motivo e como foco.
É verdade que ainda há pais (e provavelmente também professores e pais que são professores) que entenderão que a escola é para assuntos sérios, para estudar, para ensinar e para aprender e que era o que faltava gastar o pouco tempo que há com festas e folganças.


Nada mais errado, em minha opinião.  Esta Festa é um assunto sério.
Acham que é possível e correto, em Valongo e em Sobrado, falar em História das invasões árabes sem trazer para cima da mesa a festa da Mouriscada? Tratar a história e a geografia, sem aludir à Serra de Cucamacuca, à exploração do ouro, aos fojos, à lenda que está na base da festa?, ou, ainda, às indumentárias e vestígios históricos a elas associados?
É possível tratar trabalhar assuntos ligados às artes sem trabalhar as cores dos trajes, a natureza das músicas e dos ritmos da festa?
É possível abordar a educação física, o movimento e o corpo à revelia das danças, das coreografias, da resistência física?
Seria compreensível Sobrado sem a Festa da Bugiada e Mouriscada? Que importância tem a festa na vila, do ponto de vista da memória, da identidade, mas também do turismo, da economia, das relações sociais?
A resposta a todas estas perguntas- e muitas mais se poderiam fazer - é simples: possível é. Mas é desejável? É vantajoso?
Colocando a questão de outra maneira: será que, partindo, sempre que possível e adequado, da cultura local, dos conhecimentos dos alunos, dos contributos dos pais e avós, sob o comando dos docentes (claro está!) seria possível um ensino e uma aprendizagem mais motivadores e com mais sucesso, mais gratificante para os alunos e para os próprios docentes?
No momento em que, no plano concelhio, se está a preparar o registo nacional da Festa como património imaterial, condição para a eventual submissão ao reconhecimento como património imaterial da UNESCO, não seria compreensível que o Agrupamento de Escolas de S João não estivesse no coração deste processo, não apenas a apoiar, mas a participar ativamente, aquilo que lhe cabe e sabe fazer: ensinar, aprender, animar. Pelos sinais que já tenho visto, estou convencido de que vai estar e que vai ser um parceiro fundamental.
No momento em que se começa a programar o próximo ano letivo, é boa altura para pensar o que seria possível fazer, não apenas no âmbito extra-letivo, mas nas próprias aulas. Um bom projeto neste setor, além das vantagens que pode ter na escola e na comunidade, será um sinal de enorme importância na projeção externa da Festa. O modo como a festa se entrosa com a comunidade é um critério que é valorizado.
Seria necessário começar, desde já, a inventariar os recursos, iniciativas e apoios necessários, para viabilizar um tal desiderato.
(Foto: R. Roque)

sexta-feira, junho 15, 2012

Regulamento relativo à captação de fotos e vídeos no dia da Festa

Acabam de ser aprovadas normas para a colheita de imagens na Festa de S. João de Sobrado, as quais têm por objetivo principal permitir que as danças e outras manifestações decorram em de forma digna, sem atropelar os principais protagonistas da Festa.
Salvaguarda-se uma exceção para os jornalistas profissionais em serviço, os quais poderão circular livremente, desde que tenham obtido prévia acreditação e não perturbem as performances. Nas Danças de Entrada esta exceção não se aplica.
Têm poder para fazer cumprir estas normas os elementos da Direção da Casa do Bugio e da Comissão de Festas devidamente identificados, bem como o Reimoeiro, o Velho da Bugiada, os Guias, Meios e Rabos, além de, em geral, Bugios e Mourisqueiros.
Neste ano experimental, pede-se a compreensão e bom senso a todos, de modo a dar à Festa uma qualidade ainda maior.

Eis, então, o teor do Regulamento:


Regulamento relativo à captação de imagens
na Festa da Bugiada e Mouriscada


Com vista a contribuir para a qualidade e a salvaguarda das danças e outras manifestações que integram a Festa de S. João de Sobrado, são estabelecidas as seguintes normas:
1.     Todos poderão colher imagens no dia 24 de Junho, desde que não circulem pelo espaço ocupado pelos Bugios e Mourisqueiros aquando das respetivas danças nem perturbem os movimentos  de qualquer destes grupos. 
2.     Os jornalistas e operadores de câmara devidamente credenciados e em serviço para os respetivos meios de informação poderão circular no espaço das danças apenas o tempo necessário à captação de imagens, com excepção das Danças de Entrada e da Prisão do Velho.
3.     Poderá haver a facilitação de circulação de participantes em iniciativas organizadas em articulação com a Casa do Bugio, desde que sejam respeitados os princípios dos pontos anteriores.
4.     Para além da Direção da Casa do Bugio e de elementos da Comissão de Festas, devidamente identificados, têm poder para assegurar o cumprimento das normas constantes deste Regulamento o Reimoeiro, o Velho da Bugiada, os Guias, Meios e Rabos, além de, em geral, Bugios e Mourisqueiros.
5.     A Casa do Bugio e a Comissão de Festas não se responsabilizam pela deterioração de material ocorrida em consequência da realização das danças e outras tradições da Festa de S. João de Sobrado.
6.     Estas normas passam a vigorar a partir da edição da Festa de 2012, podendo ser revistas com base na experiência entretanto adquirida.


quarta-feira, junho 13, 2012

Um bolo de penacho !!!

Bolos da Né, de Valongo, colocou uma foto de perfil na página do Facebook "S. João com Tradição", que é exemplo de mais um  campo por onde se pode expandir a criatividade relacionada com a festa.
Já tinha visto pintura, postais, fotografias, filmes, lousas e outros objetos, mas não ainda a adoção das temáticas e do colorido da festa na arte culinária. É caso para registar: um bolo de penacho. Falta fazer, agora, o de barretina.

terça-feira, junho 12, 2012

Riqueza humana da Festa da Bugiada e Mouriscada



Já aqui fiz referência ao facto de a Festa de S. João de Sobrado não ser uma mera reconstituição histórica ou representação teatral, mas continuando a ser uma comunidade que se faz e refaz através dos rituais festivos. E, nesse processo, são também as pessoas que mergulham nesse "tempo fora do tempo", no qual se condensam o tempo histórico (dos mouros), o tempo cíclico (do solstício, da sementeira) e o tempo actual da comunidade e de cada participante (as vivências e sonhos de cada um, a dinâmica das relações sociais, as peripécias da terra e do mundo, visíveis, por exemplo, nas "entrajadas" de crítica social).
Uma vivência desta natureza decorre também, necessariamente, do facto de a Festa de Sobrado ser pautada por valores profundos e antropologicamente ricos. Permito-me sublinhar os seguintes:
  • a capacidade de rir de si próprio e de inverter ou subverter a ordem do quotidiano;
  • valorizar a memória e actualização de um tempo que não volta, mas que nos trouxe aqui;
  • dar a manifestações antigas um novo sentido atualizado nas condições da vida de hoje;
  • pôr em sã (ainda que tensa) convivência os mouros e os cristãos ("nós" e os "outros");
  • dizer a vida e os seus sonhos recorrendo mais à dança, ao gesto, à música do que à palavra;
  • superar a lógica primária dos bons e dos maus (afinal, aqui, quem são os bons e quem são os maus?).
Muitos mais aspetos haveria que referir, mas só estes dariam para um tratado, não abstrato, mas ilustrado por vivências, por histórias, por imagens e recordações, antigas e atuais.
Cada vez mais temos relatos de como decorre esta festa, o que se faz e como se faz. Mas faltam-nos os "porquês" e os "para quês". O estudo e a investigação podem dar um contributo importante. Mas esse contributo não pode prescindir ou menosprezar o que cada um vive, as motivações que tem para participar, o sentido que dá ou descobre na festa, o que aprende e testemunha.  Cada bugio, cada mourisqueiro, cada intérprete das restantes manifestações desta festa é que pode responder a esse desafio. Nâo basta responder que "é a paixão" ou "sempre foi assim" ou, ainda" que é para "cumprir a tradição". É mais do que isso. Cada um é que,pensando a sério na vivência que faz, pode ajudar a dar respostas a esses "porquês" e "para quês".
Uma sugestão a cada um ou a cada uma: porque não escrever uma carta ou um e-mail a um amigo que vive longe (ou mesmo a um amigo imaginário) e procurar responder, muito a sério, a estas perguntas: porque é que vou de bugio, de mourisqueiro, de cego, de lavrador, etc? Porque quero ser rei ou velho? Que aspetos importantes é que tenho descoberto e pensado, participando na festa?

quarta-feira, junho 06, 2012

O cartaz da festa de 2012


Aí está o cartaz da festa deste ano. Quem compare este e os cartazes dos útimos anos com os que se faziam há uma década para trás notará ceramente diferenças importantes. Não é fácil combinar a parte da animação e arraial com as tradições próprias do S. João de Sobrado que fazem esta festa diferente e única. Houve tempos em que esta especificidade mal se conseguia ver nos cartazes da festa, o que não tem acontecido em anos recentes e também não acontece este ano.

Duas notas à margem:
- Não valia a pena inserir os ensaios em futuros programas ? Afinal o seu carácter público dá-lhes uma visibilidade que talvez merecesse referência no cartaz. O cartaz deste ano dá o primeiro passo nesse sentido, incluindo o último ensaio que é também o Dia dos Tremoços .
- Alguém estará a guardar os cartazes dos diferentes anos? Eles são também, no seu papel, uma parte da memória da festa e da sua publicitação.

Actualização:
No programa da tarde da véspera de S. João, pelas 15 horas, inclui-se também uma concentração de carros e motos antigos.

terça-feira, junho 05, 2012

A Serpe também ali ao lado, em Penafiel




A bicha Serpe não existe nem aparece só em Sobrado. Quem quiser vê-la, pode ir amanhã à noite, dia 6 ou depois de amanhã à tarde, dia 7, à cidade de Penafiel. Com uma configuração diferente da que apresenta na Festa da Bugiada, a Serpe penafidelense surge no âmbito da Festa do Corpo de Deus (Corpus Christi), de grandes tradições em muitas localidades do país. De resto, ontem mesmo o bispo do Porto D, Manuel Clemente, que é também historiador, proferiu naquela cidade uma conferência sobre essas tradições e seu significado.
Vale a pena dar um salto a Penafiel para ver a Cavalhada, amanhã a partir das 20.30, na qual se integram os bailes tradicionais, que retratam profissões, cantares e danças de antigamente: os Bailes dos Ferreiros, Pedreiros, Floreiras, Turcos, Pauzinhos e Pretos. Estes mesmos bailes incorporam também, no dia de Corpo de Deus, a parte profana da procissão que percorre várias ruas da cidade, a partir das 17h30. O programa pode ser encontrado clicando aqui. Alguns destes "bailes" ou danças têm afinidades com as danças dos mourisqueiros de Sobrado, conforme realçou a investigadora austríaca Bárbara Alge, nos seus estudos de doutoramento.

Atualização em 6.6:
Já não tanto aqui ao lado, amanhã, Dia de Corpo de Deus, pode ver-se o espetáculo do combate entre S. Jorge e a Coca em Monção. A tradição não figura na procissão e tem lugar num recinto de terra batida designado Campo do Souto. A Coca é um outro nome para a serpe ou o dragão.
(um video pode ver-se aqui)
Ficheiro:Coca21.jpg

domingo, junho 03, 2012

Bugiada presente num encontro internacional em Braga

A Festa da Bugiada e da Mouriscada vai integrar o programa de um encontro internacional que decorre na Universidade do Minho no final deste mês, sobre o tema "Narrativas e Memória Social - Abordagens Teóricas e Metodológicas".
A sessão constará da apresentação do filme "Bugiadas", realizado por Ângelo Peres para a cooperativa Moviola, em 1977, seguida de um diálogo entre os participantes e o autor deste post, com a presença e participação de elementos da Direção da Casa do Bugio. Na altura serão mostrados igualmente alguns do trajes e adereços da festa de Sobrado. Terá lugar na Casa do Professor, no centro da cidade de Braga, a partir das 21.30h.
O seminário conta com a participação de investigadores de diferentes áreas das ciências sociais e humanas provenientes de diversas partes do mundo, com destaque para a América Latina, Europa e Ásia. O programa detalhado pode ser consultado aqui.

domingo, maio 27, 2012

A festa começa hoje a mostrar-se, nos ensaios públicos

A partir de hoje ao fim da tarde (sensivelmente pelas 18h), Mourisqueiros e Bugios vão para a rua. Mais propriamente para o Passal, que é o sítio e dia da semana em que terão lugar os quatro ensaios públicos que antecedem a Festa.
É a (primeira) prova para o Velho da Bugiada e o Reimoeiro começarem a mostrar o que valem, no seu papel de liderança e, afinal, para todos os outros ensaiarem os movimentos básico das danças.
Todos vão "à civil", mas, como adereços, os Bugios levam castanholas e vão acompanhados da "orquestra", enquanto os Mourisqueiros levam um pau a fazer de espadim e são acompanhados pelo caixa.
Nos bastidores dos ensaios, ocorrem decisões e escolhas importantes para o desenrolar da festa: a inscrição de interessados para certas funções (como colher os direitos, semear, gradar, lavrar, dança do cego, etc.). Há ainda outras tarefas que implicam mobilização de uma e outra formação que decorrem durante este período (reunir os espadins e as polainas, procurar a madeira para os castelos e respetiva construção, etc).
Ou seja: a festa de 2012, verdadeiramente, começou já, no dia em que decorreu a de 2011. Mas hoje é que ela ganha vida, com o surgimento em público dos seus principais protagonistas.

domingo, maio 20, 2012

Reconhecimento municipal é apenas o primeiro passo




O reconhecimento oficial da Festa da Bugiada como património cultural imateral de interesse municipal, que aconteceu na reunião da Câmara Municipal de Valongo na passada quinta-feira constitui um gesto e um momento de evidente interesse histórico local. Mas representa apenas o primeiro passo de um processo marcado por uma ambição bastante mais larga: o reconhecimento nacional e internacional.
Isso mesmo se depreende do texto da deliberação, que este blog conseguiu obter e que aqui partilha com os leitores interessados. Vejamos o que se refere nesse documento:
a) Em primeiro lugar, a Câmara não apenas aprovou aquela deliberação por unanimidade como unanimemente decidiu submeter o assunto a uma próxima reunião da Assembleia Municipal para que, se assim o entender, este órgão se associe também à deliberação já tomada.
Esta decisão encerra um significado especial. De facto, esta possibilidade, prevista na lei, permitirá uma tomada de consciência mais alargada e participada da relevância deste património imaterial e, associando-se o órgão à deliberação, dar-lhe-á uma dimensão e significado ainda maiores;
b) Por outro lado, com base no reconhecimento no plano municipal, poder-se-á passar para o plano nacional, aravés do pedido de inventariação da Bugiada como Património Cultural Imaterial a ser elaborado para apresentação ao Instituto dos Museus e Conservação.
c) Finalmente, como se refere no texto da deliberação, "o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial permite corresponder a um dos requisitos fundamentais impostos pela Convenção da UNESCO, para possível candidatura à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade".
Este último passo assume já uma dimensão política, porquanto supõe que o Governo português dê a sua anuência para que o processo seja apresentado na UNESCO. Mas o essencial é, certamente, o valor que encerra a Festa objecto deste processo e o modo como esse valor é vivido, concretizado e reconhecido pela comunidade local - em Sobrado, antes de mais, mas também no Município.
Procuraremos, em próximos textos, reflectir sobre os valores intrínsecos a esta festa, assim como sobre aqueles aspectos que tornam a Bugiada e Mouriscada muito mais do que uma mera tradição que se repete todos os anos.

quinta-feira, maio 17, 2012

Festa de S. João de Sobrado reconhecida como património imaterial municipal


A notícia é dada pelo site do Jornal Novo de Valongo:

A Câmara Municipal de Valongo, aprovou, por unanimidade, a celebração da Bugiada como Património Imaterial Municipal. Foi na reunião desta quinta feira e na discussão do assunto foram realçados vários aspetos importantes deste festa diferente e realçada a colaboração entre as pessoas da freguesia de Sobrado. A necessidade de criar condições para que as pessoas acompanhem toda a bugiada foi outro tema abordado. 

quarta-feira, maio 16, 2012

Maratona Fotográfica do Município dedicada à Bugiada

A Divisão de Cultura do Município de Valongo acaba de apresentar a iniciativa “Valongo: terra de tradições – 1ª Maratona Fotográfica”, dedicada, nesta edição inaugural, ao tema da Bugiada. O objetivo é, nomeadamente, "sensibilizar os participantes para as tradições do Concelho" e "contribuir para o aumento do espólio documental concelhio no que toca às suas tradições de base".
Podem participar até 20 interessados, desde que sejam maiores de 16 anos e se inscrevam, no site do Município ou presencialmente na Divisão de Cultura da Câmara, até 14 de Junho.
Segundo as Normas de Funcionamento desta Maratona Fotográfica dia 20 de Junho, à tarde, os participantes deverão levantar a respetiva credencial e, no dia da Festa,24 de Junho, devem de apresentar o comprovativo de inscrição, o documento de identificação (cartão de cidadão ou bilhete de identidade) e uma declaração assinada.
Os prémios são constituídos por materiais fotográficos e o júri é composto por "três pessoas de reconhecida idoneidade e competência na área da fotografia, para além de um membro da Comissão de Festas de S. João de Sobrado". A selecção e classificação das fotos terá por base, "designadamente, a qualidade técnica e a criatividade".
Os participantes não deverão vedar zonas ou interditar passagens e devem seguir todas as instruções dadas pelos responsáveis pelas acções da Bugiada assim como pelos organizadores da Maratona.
Ficha de inscrição: AQUI

Comentário:
O comentário que aqui publiquei ontem não podia vir mais a propósito (ver, a propósito, os comentários que estão a ser feitos na página do Facebook sobre a Festa). 
Entendo que esta iniciativa da Divisão de Cultura da Câmara Municipal é positiva. Os prémios não são especialmente convidativos, mas também é verdade que os tempos que correm não permitem grande desafogo económico. Além disso, não será pelo valor dos prémios que os amantes da arte fotográfica irão ou não aderir a esta oportuna iniciativa.
É também de sublinhar algum cuidado, que se observa no Regulamento, quanto às condições em que as fotos vão poder ser feitas. Mas conviria - é uma sugestão - que, a virem a ser definidas regras para a captação de sons, imagens fotográficas e de vídeo, que essas normas sejam distribuídas pelos concorrentes desta Maratona. Isso será facilmente conseguido através da colaboração entre a Casa do Bugio, a Comissão de Festas e os organizadores deste evento. 

terça-feira, maio 15, 2012

Há um assunto sobre o qual temos de conversar e decidir

É verdade: há um assunto relacionado com a Festa sobre o qual temos de conversar e decidir. Diz respeito às condições em que se desenrolam as danças, particularmente aquelas que decorrem na zona do Passal. Refiro-me à presença de câmaras de vídeo e máquinas fotográficas.
Algumas constatações:
  • nos anos mais recentes, com a vulgarização das máquinas de registo de imagens, aumenta o número das pessoas que quer ficar com recordações da festa. Isso, em si mesmo, é positivo. A festa é rica e tem um caráter público, pelo que não se pode nem deve impedir ninguém de fotografar ou filmar.
  • dito isto, também é preciso dizer que não é bom nem para a Festa nem para quem nela participa que haja pessoas 'civis' que se metem no meio das danças, a ponto de quase já não ser hoje possível captar imagens da Festa sem apanhar intrusos que estão onde não deviam estar.
As questões que se colocam são várias:
  1. Devem ou não ser instituídas regras sobre as condições em que se podem colher imagens?
  2. Essas regras devem aplicar-se a toda a gente ou, por exemplo, os jornalistas em serviço de reportagem devem ter um regime de excepção?
  3. Em qualquer dos casos, deverá haver ou não a necessidade de obter uma credenciação prévia, de modo a identificar quem está a trabalhar e o órgão de comunicação para quem trabalha?
  4. Tais regras devem ser gerais, isto é, aplicar-se a todas as danças, desde a manhã até à noite, ou apenas às que decorrem no principal espaço da Festa, ou seja, na zona do Passal?
  5. As regras devem aplicar-se em quaisquer circunstâncias ou apenas quando Bugios e Mourisqueiros estiverem a dançar?
  6. Que poderes devem ser atribuídos aos Bugios e Mourisqueiros na aplicação das regras de captação de imagens? E à Comissão de Festas?
  7. Como fazer para que Velho e Rei, Guias e Rabos e outros participantes, assim como a população em geral, incluindo visitantes, sejam informados dessas normas, caso venham a ser instituídas?
Contra mim falo, uma vez que sou dos que, há muitos anos, recolho imagens e sons da Festa. Mas sou o primeiro a submeter-me às regras que vierem a ser decididas, as quais devem ser razoáveis.
Parece-me que seria necessário que nos pronunciássemos sobre este assunto. Que déssemos respostas sobre se sim ou não devemos impedir que no meio da Bugiada e da Mouriscada andem 'civis' e em que condições. Também a Casa do Bugio, o Conselho de Velhos e os Mourisqueiros deveriam dar o seu ponto de vista nesta matéria. Sempre com o objectivo de termos uma Festa de mais qualidade, que dê ainda mais gosto ver e viver. Quem quer dar a sua opinião?

quarta-feira, maio 09, 2012

Bibliografia e webgrafia sobre a Festa da Bugiada



Algumas notas prévias sobre esta primeira tentativa de reunir informação escrita sobre a Festa de S. João de Sobrado:

- trata-se de um trabalho em curso, aberto e, por conseguinte, não acabado;
- reúne obras especificamente sobre a festa sobradense ou de que ela é parte constituinte, mas também algumas obras em que a mesma festa é objeto de referências mais ou menos detalhadas;
- incluem-se duas teses (uma de doutoramento e outra de mestrado) que não se encontram publicadas;
- há também referências a textos que só se encontram disponíveis na Internet.
- não se incluem aqui notícias de jornal ou de revistas de divulgação.
Todos os contributos para completar esta lista são, naturalmente, muito bem recebidos.
  • Alford, V. (1933) “Midsummer and Morris  in Portugal”, in Folklore, Vol. 44, n. 2. pp. 218-235
  • Alford, V.; Gallop, R. (1935) The Traditional Dance. London: Methuen & Co. Ltd (with illustrations of Bugiada)
  • Alge, B. (2006) Der ‘Mouro’ im Kollektiven Gedächtnis - Eine Studie von Tanzdramen in religiösen Festen Nordportugals. Tese de doutoramento em Etnomusicologia na Universidade de Viena (Áustria) (não publicada).
  • Alge, B. ( 2007)  “O ‘mouro’ como elemento comparativo em duas performances de mourisca em Portugal”, Revista de Trabalhos de Antropologia e Etnologia, 47/1-4, 71-92
  • Alge, B. (2006) “A memória colectiva religiosa em danças dramáticas de Penafiel, Sobrado e Braga”, Revista da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, nº 18, Lisboa: Edições Colibri, 2006, pp. 403-423
  • Araújo, M.C.C (2004). Bugios e Mourisqueiros: o Outro Lado do Espelho. Dissertação de mestrado. Porto: Faculdade de Letras (não publicada)
  • Gallop, R. (1936) Portugal, a Book of Folk Ways. Cambridge: Cambridge University Press, pp. 171 a 175
  • Loução, P. A. (2002) A Alma Secreta de Portugal. Lisboa: Ésquilo, 4ª edição, (capítulo  sobre a festa: pp. 391-404)
  • Machado, P. C.; Ferreira, H. (2002). Bugiada – Valongo. Mafra: Elo, Publicidade e Artes Gráficas.
  • Pereira, B. E. (1982) “Les Maures e les Bugios de Sobrado (Valongo)”, Revue de la société d’archeologie et des amis du musée de Binche, nº 5, pp. 34-44.
  • Pereira, B. E (1973) Máscaras Portuguesas. Lisboa: Museu de Etnologia de Portugal
  • Pinto, M. (2009) S. João de Sobrado - Valongo” - capítulo do livro Máscara Ibérica II. Lisboa: Progestur (edição bilingue português-espanhol), pp. 204-225.
  • “Festa da Bugiada”. Wikipedia, edição portuguesa (URL: http://pt.wikipedia.org/wiki/Festa_da_Bugiada).
  • Pinto, M. (2000) “A Bugiada: Festa, Luta e Comunicação”. Comunicação apresentada ao IV LUSOCOM – Encontro Lusófono de Ciências da Comunicação, realizado em São Vicente, SP/ Brasil, de 19 a 22 de Abril de 2000, subordinado ao tema Comunicação Intercultural - 500 anos de mestiçagem luso-afro-ásio-brasileira (URL: http://bocc.ubi.pt/pag/pinto-manuel-bugiada.html).
  • Pinto, M. (1985). “As Tradições mais Relevantes no Concelho de Valongo”, Vallis Longus, Revista Científica Anual da Secção de História e Arqueologia dos Serviços Municipais de Cultura e da Câmara Municipal de Valongo , Vol. 1, Agosto 1985, pp. 31-35.
  • Pinto, M. (1982) Bugios e Mourisqueiros – Subsídios para o Estudo da Festa de S. João de Sobrado. Valongo: Edição da Associação para a Defesa do Património Cultural do Concelho de Valongo (imagens do repórter fotográfico Armando Moreira).
  • Pinto, M. (2004 …) Bugios e Mourisqueiros, blog com mais de 300 posts, muitos dos quais de natureza reflexiva ou incorporando levantamento de matéria original sobre a festa e contando com mais de 35 mil visitas, esmagadoramente de Portugal e dos países de emigração (http://bugiosemourisqueiros.blogspot.com).
(Crédito da foto: Marjoke Krom)