domingo, abril 14, 2013

Sessão de esclarecimento sobre candidatura a património imaterial




Realiza-se na próxima sexta-feira, dia 19, pelas 21:30h, em Sobrado, uma sessão pública e aberta de esclarecimento sobre a intenção de candidatar a festa da Bugiada e Mouriscada à Lista Representativa de Património Cultural Imaterial
da UNESCO.
A iniciativa, promovida e anunciada pela Câmara Municipal de Valongo, decorre na Casa do Bugio no Centro Cultural de Sobrado, e contará com a presença dos "coordenadores do processo" da candidatura, Dr. Paulo Lima e Prof. Dr. Pedro Felix.
O objetivo desta sessão é "promover e tornar compreensível o processo de candidatura" da Bugiada e Mouriscada enquanto 'bem imaterial".
O convite à participação é dirigido a todos os interessados, mas, em particular. a associações, entidades privadas e escolas de Sobrado.

terça-feira, janeiro 22, 2013

Preparando o S. João de 2013

Mais uma iniciativa para o encontro de sobradenses e outros amigos e como forma de preparar a Festa de 2013.

sábado, janeiro 19, 2013

Investigador José Alberto Sardinha envia contributo para o estudo da Festa

Recebemos do investigador José Alberto Sardinha uma mensagem-contributo para o estudo da festa de S. João de Sobrado. Pelo seu interesse, aqui fica transcrita:
"Como, nos v/ textos, solicitam a colaboração de investigadores para ajudar a situar a origem da v/ tão bela tradição sanjoanina, ouso contactar com V. Excias. para dar a conhecer que, na minha obra “Danças populares do Corpus Christi de Penafiel”, recentemente publicada, dedico cerca de três páginas à mouriscada do Sobrado e às danças de Valongo do princípio do séc.XX. Aí expresso uma opinião convergente com a hipótese suscitada pelo meu amigo, o etnólogo Benjamim Pereira: a sua origem deve ser encontrada nas manifestações teatrais e coreográficas que outrora integravam as procissões do Corpo de Deus.
Após a proibição régia de 1724 e sobretudo por força da extinção das corporações em 1834, os elementos profanos dessas procissões (por então a mais grandiosa, variada e rica manifestação de religiosidade popular do reino) dispersaram-se por muitas ocasiões do calendário, designadamente para o Entrudo. Em Valongo transitaram para a festa de Sto. António, mais tarde S. Mamede, como se alcança do livro “A Villa de Valongo – suas tradições e história, descrição, costumes e monumentos”, do Pre. Joaquim Lopes, editado em 1904. O autor, a par das danças de Valongo (notoriamente decalcadas das do Corpus Christi, que aliás funcionavam como matriz para todas as outras manifestações religiosas processionais), apenas dedica à manifestação do Sobrado uma modesta nota de rodapé, do seguinte teor: “Em Sobrado, freguesia do concelho de Valongo, se fazem todos os anos no dia de S. João as danças da mourisca e da bugiada, que nada têm de comum com a de Valongo, tornando-se os seus bugios notáveis pelas momices que praticam e cabriolas altamente caricatas que fazem. Em saltar ninguém lhes ganha”.
Note-se que, na altura, transição do séc.XIX para o XX, o autor assinalou em Valongo, entre outras, a dança da bugiada e a dança dos odres com vestimentas turcas, as quais se perderam com o decurso do tempo. Muito para salientar é o plural que refere as danças do Sobrado (“as danças da mourisca e da bugiada”), o qual poderá ajudar a compreender a origem da actual representação numa fusão dessas duas danças mediante a introdução de uma trama teatral operada pela imaginação popular já em pleno séc.XX, posteriormente à publicação do livro em análise.
Através da análise etnográfica e histórica da evolução das danças populares do Corpus Christi e da sua transição para outros géneros de manifestações (fenómeno ocorrido em todo o país, como demonstro com exemplos variados), tudo conjugado com as informações da citada obra, termino da seguinte forma a minha referência à actual configuração da tradição sobradense: “Pelo exposto, estamos em crer que a mourisca e a bugiada do Sobrado não provinham de nenhuma procissão de Corpus Christi existente nessa localidade, mas sim de imitação das danças da bugiada e dos odres da vila de Valongo, estas sim, directamente procedentes de procissão de Corpo de Deus aí existente, por ser povoação mais importante que aquela, o que nos é inequivocamente demonstrado pela profusão e natureza das danças que ostentava no princípio do séc.XX, mas já aqui transitadas para a festa de Sto. António, mais tarde de S. Mamede”.
Como é evidente, isto em nada diminui o valor e a importância da tradição sanjoanina do Sobrado. Nesta matéria, o mais importante é onde e quem soube conservar e desenvolver as tradições, já que as localidades que as deixaram morrer ficam inexoravelmente esquecidas na poeira dos tempos, no que às mesmas diz respeito.
Para maior desenvolvimento do assunto, vide p. 60 a 62 da minha referida obra Danças Populares do Corpus Christi de Penafiel.
Espero ter dado alguma contribuição de interesse.
Para finalizar, informo que, quando fui coordenador do ciclo “Sons da Tradição” da Expo-98, tentei trazer a Lisboa a mouriscada do Sobrado, ideia que infelizmente não foi possível concretizar devido à escassez de verba atribuída às tradições populares em comparação com outros tipos de manifestações.
Envio as minhas melhores saudações.

José Alberto Sardinha

(Foto dos inícios dos anos 60 do séc. XX, publicada no jornal portuense Praça Nova)

domingo, dezembro 02, 2012

"Sobrado é a sua Festa e a Festa precisa da Freguesia"


Eis uma parte do texto lido pelo Presidente da Associação da Casa do Bugio, na Assembleia Extraordinária da Freguesia de Sobrado, há dias realizada, e que teve como assunto a proposta decisão governamental de unir as autarquias locais de S. Martinho de Campo e de Sobrado:

Sobrado é a sua Festa e a Festa precisa da Freguesia
Sobrado é uma freguesia – ou, para sermos mais rigorosos – uma Paróquia que existe há muitos séculos. Aparece documentada nas Inquirições do séc. XIII, pelo que se pode dizer que tem mais de setecentos anos.
Por alguma razão existiu e perdurou este tempo como unidade autónoma , com os seus serviços próprios, que se foram desenvolvendo até ser elevada a Vila, há pouco mais de dez anos.
Sobrado é, no essencial, uma grande planície com mais de meia dúzia de quilómetros de comprimento, rodeada por montes e banhada pelo rio Ferreira. Criou, ao logo da sua história, uma personalidade muito própria, talvez devido ao facto de as grandes rotas de acesso ao Porto não se fazerem através da freguesia. Na verdade, como chamou a atenção o médico Costa Rangel, natural de Rebordosa e que foi presidente da Câmara de Paredes, num artigo que escreveu no jornal portuense Praça Nova, em 1963, Quem se dirigia ao Porto vindo dos lados de Santo Tirso ou de paços de Ferreira, seguia por S. Julião e por Alfena. E quem demandava a Cidade Invicta vindo dos lados de Penafiel ou Vila Real, atravessava em Ponte Ferreira. Sobrado ficava no meio destes trajectos, relativamente isolado.
Quando os habitantes de Sobrado se tinha de dirigir a Valongo e ao Porto muitos atravessavam o monte pelo Alto de Sobrido, a Sul, e era também esse o caminho quando tinham de ir apanhar o comboio.
Ainda hoje – e este é um argumento que importa ter em conta – a freguesia de São Martinho de Campo é apenas um lugar de passagem para os Sobradenses. Não há nada de essencial, em termos de serviços, por exemplo, que leve o habitante de Sobrado a ir a Campo. E vice-versa. São duas comunidades que coexistem, mas cada uma de forma autonoma.

Mas é também preciso dizer com toda a clareza que Sobrado é muito mais do que uma unidade administrativa. É uma freguesia com uma identidade cultural marcada e única. E essa identidade – que a singulariza entre todas as outras que existem ao seu redor – é a Festa da Bugiada e da Mouriscada.
Esta festa identifica Sobrado e os Sobradenses identificam-se com ela. Esta Festa é, no dizer, de muitos especialistas da cultura popular tradicional, uma das mais curiosas e espectaculares que existem em Portugal. Ela mobiliza praticamente, de forma directa ou indirecta, toda a gente. E está presente em todo o lado, incluindo nas comunidades de Sobradenses espalhados pelo Mundo.
Para que a Festa seja cada vez mais promovida e conhecida – se possível através do reconhecimento como património imaterial português e da Humanidade – é fundamental que tenha por detrás uma autarquia local que a sinta como sua, que esteja disposta a apoiá-la e projectá-la, que a torna a bandeira não apenas da cultura e do turismo, mas também alavanca do desenvolvimento económico e social. A Festa da Bugiada e da Mouriscada é Sobrado e Sobrado é esta Festa. Acabar com a Freguesia não vai acabar com a Festa – porque os verdadeiros sobradenses não o vão permitir – mas vai dar-lhe uma machadada muito forte e isso não podemos aceitar.
Isto não quer dizer que os Sobradenses queiram viver fechados sobre si próprios. Nada os move contra ninguém nem contra nenhuma freguesia. O que eles querem é continuar a ser fregueses da sua Freguesia. O que eles não querem é permitir que, acabando com a freguesia, se ataque a sua identidade cultural, que é parte integrante da identidade individual de cada um dos seus habitantes e que foi forjada ao longo de muitos séculos. E isto não pode deixar de ser tido em consideração, quando se quer, nas costas do povo, violentar uma organização administrativa e um modo de vida que tem funcionado bem. Mudar é o que está mal, não o que está bem. Como diz a canção, “pra melhor está bem, está bem, pra pior já basta assim”.
Sobrado é a sua Festa e a Festa precisa da Freguesia.

quarta-feira, julho 04, 2012

Assembleia Municipal unânime no reconhecimento da Bugiada e Mouriscada

A reunião da Assembleia Municipal de Valongo da passada semana, dia 27, aprovou por unanimidade a proposta de reconhecimento da Festa da Bugiada e Mouriscada de Sobrado como património imaterial de interesse municipal, assim reforçando idêntica deliberação recentemente assumida, também por unanimidade,pelo Executivo da Câmara.
Segundo relata A Voz de Ermesinde, a proposta, além de unanimemente aprovada,
mereceu os parabéns à Câmara por parte de José Manuel Pereira (Coragem de Mudar) e uma declaração de Carlos Mota, presidente da Junta de Freguesia de Sobrado, que agradeceu a mesma aprovação. Um e outro apontaram a necessidade de estudar esta manifestação cultural, dotando-a de um corpus documental que ainda lhe falta, para que o seu reconhecimento possa atingir o grau mais elevado

terça-feira, julho 03, 2012

Sete notas sobre a festa de 2012


É sempre muito o que observo e aprendo com cada edição da festa. Este ano não foi exceção, ainda que tivesse tido de prestar mais atenção ao acompanhamento de alguns visitantes do que ao modo como decorreram algumas partes e às vivências em torno da festa.  Aqui vão algumas notas:

1.
- Bugios: São sempre impressionantes pelo número, pela cor, pela algazarra. Os 'sardões' estão a desaparecer, não estão? Alguém me dizia que os Bugios agora já não saltam com antigamente. Será? Será do calor? Costumamos dizer que são sempre para cima de 600. As aparências enganam. Pus-me a contá-los à entrada do 'jantar' e não chegavam a 400. Supondo que não falhei por muitos, mesmo assim é muita pessoa. Já agora: porque é que não pôde ir uma menina Bugia limpar as lágrimas ao Velho, como era desejo deste? Se elas vão de Bugio (que não é tradição antiga), porque não podem subir ao castelo?

2.
- Mourisqueiros: uma grande Mouriscada quanto ao número, não haja dúvida. Contei 44 mais o Rei. Alguns com ar de muito novos o que abre perspetivas para o futuro. Em algumas partes do dia, o cansaço era bem visível até nos postos cimeiros do 'exército'. Na Prisão do Velho houve algumas falhas, mas ninguém é perfeito. Não sou daqueles que exigem atuações sem falhas, embora estas possam servir de lição e estímulo para os que vierem a seguir.

3.
- Nas Entrajadas, para mim (e julgo que não só), se houvesse um prémio coletivo, ia diretinho para os Supermercados Pito Doce. Notável pelo trabalho, pela apresentação e pela criatividade. Em termos individuais, o observador da UNESCO, devidamente 'credenciado', foi também uma figura que se destacou.  Esta parte é sempre interessante. É uma parte constituinte da Festa, que importa não perder nem abandalhar. Mas faz parte ser crítico, ser criativo e ser polémico. Quanto à água, este ano 'provei' a valer, mas como estava calor soube bem. Não sou radicalmente contra, mas acho que se isto começar a descambar, grande parte das pessoas ir-se-á embora mal acabem as danças de entrada, o que jogaria contra os próprios grupos que investem nas Entrajadas. Fica aqui o apelo.

4.
- O arranque da festa na casa do Reimoeiro e do Velho é sempre um indicador precioso do carinho com que familiares e vizinhos recebem a honra de ter, por um dia, um tão saliente destaque na Festa de S. João. O arruamento do Caminho Novo tinha a abrir, a foto engalanada do Reimoeiro, como que a dizer que estávamos a entrar no seu território. O Velho tinha igualmente a casa engalanada, mas preferiram aproveitar para homenagear o S. João. E está bem. Foi aqui - ou seja, na Balsa - que ouvi um sobradense já com mais de 60 anos comentar, ao ver a Dança dos Bugios: "Sabes, fico doente a ver isto. Foram muitos anos a dançar. Mal cheguei aqui, comecei a vê-los, fiquei logo mal". Estranha doença esta que tem quem venha ao seu encontro, não é? (digo eu).

5.
- Fotografias e vídeos: este ano foram aprovadas algumas normas para que os fotógrafos não atropelem nem estraguem as danças. Já correu melhor do que em anos passados. Mas há ainda um longo caminho a percorrer. Alguns, às tantas, não sabiam do regulamento. Mas outros fizeram-se de 'alonso' e lá andavam feitos Bugios e Mourisqueiros sem farda. Os próprios Bugios e Mourisqueiros e, desde logo, o Velho e o Reimoeiro, devem ser os primeiros a impor ordem nesse aspeto. Quem quiser fotografar faz isso de fora do espaço da dança, sobretudo nos momentos mais importantes.

6.
- Comissão de Festas: em Sobrado não era novidade haver comissões constituídas só por mulheres. Creio que pelo menos já houve na Festa da Sª das Necessidades. Mas na Festa de S. João, que é território ainda muito masculino, foi a primeira vez, o que merece registo. A imagem que passou para o exterior foi de que formaram equipa e trabalharam equipa. E, como era de esperar, deram conta do recado. Entre outras iniciativas, a Comissão apoiou a edição de um livro ilustrado, da autoria de Francisco Costa, que só tive ocasião de encontrar alguns dias depois da Festa.

7.
- Câmara de Valongo: este ano investiu na Festa como creio nunca ter acontecido no passado. Algumas das iniciativas já foram aqui noticiadas. O (novo) Presidente da Câmara convidou homólogos seus (vi o Presidente da Câmara de Paredes, de Felgueiras, de S. João da Madeira, pelo menos). Estiveram também na Festa Presidentes da Junta do Município. Houve quadros superiores da Câmara que estiveram nos ensaios e durante todo o dia da Festa. Para os sobradenses e os munícipes em geral, é bom e salutar sentir esse interesse e esse investimento.Até porque no dia 24 à noite, começou a contagem decrescente para a Festa de 2013. E o ano que vem aí promete trazer novidades.

segunda-feira, julho 02, 2012

Não permitir a 'domesticação' da Festa



Foi um serão agradável aquele que reuniu há dias em Braga algumas pessoas ligadas à Universidade do Minho (mas não só) e alguns sobradenses, dois dos quais residindo há largos anos na cidade dos Arcebispos, e tendo como motivo o filme "Bugiadas", realizado por Ângelo Peres, em 1977.
A sessão teve início com o visionamento do vídeo promocional da Festa de S. João de Sobrado que esteve até este fim de semana no espaço do Turismo Porto-Norte, no aeroporto Sá Carneiro, em Pedras Rubras. Foi a forma de "abrir o apetite", por assim dizer. Seguiu-se uma sumária apresentação da festa e uma igualmente sumária apresentação do filme, feita pelo realizador, presente na sessão.
Após a projeção do filme, seguiu-se um período de comentários e debate. Deste é de realçar uma pergunta sobre se os reconhecimentos e registos a que a festa está a ser submetida e que poderão culminar com a candidatura a património imaterial da UNESCO não correrão o risco de rigidificar, domesticar e "turistizar" uma tradição com o seu lado irreverente, subversivo e crítico. A conversa foi no sentido de reconhecer que esse risco existe e existirá, mas que há também, em Sobrado, a consciência dele e a vontade de não se deixar domesticar ou tornar num produto para turista ver. Para tal, é importante continuar a apostar numa festa que é, antes de mais dos e para os sobradenses, o que não significa que não se cuide de acolher e tratar bem quem se interessa pela tradição e visita a vila de Sobrado.
É esse o desafio que fica desta sessão bracarense.
(Crédito das fotos: Ângelo Peres)

quarta-feira, junho 27, 2012

Filme "Bugiadas", de Ângelo Peres, apresentado e debatido amanhã em Braga

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Realiza-se nesta sexta e sábado (29 e 30 de junho), na Universidade do Minho, o Seminário Internacional “Narrativas e memória social – Abordagens teóricas e metodológicas”. Um programa de apresentação de documentários comentados, complementar ao seminário, decorre de hoje até sexta à noite na Casa do Professor, na Avenida Central, nº 106, em pleno coração da cidade de Braga, com entrada livre, organizado pelo Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho (ver o programa completo AQUI.)
O visionamento do filme do realizador Ângelo Peres (Moviola, Porto, 1977) ocupa o serão de quinta-feira, 28, a partir das 21.30, o qual será acompanhado de um comentário e debate com os presentes. A sinopse publicada é esta:
QUI 28 JUN | 21:30 BUGIADAS de Ângelo Peres [Portugal 1977 37´], comentado por Manuel Pinto, investigador do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho [entrada livre].

[Sinopse |
“Bugiadas” documenta a Festa da Bugiada e Mouriscada que se realiza anualmente na vila de Sobrado, no Município de Valongo, no dia 24 de Junho. Baseia-se numa lenda localizada no tempo em que os mouros invadiram a Península, e refere-se a uma imagem de S. João cujos poderes curativos eram disputados por um e outro campo. Os mouros são poucos e organizados, de cara descoberta e aspeto militar. Os bugios representam o lado subversivo e dionisíaco da vida, vão mascarados e empenachados e são às centenas. No intervalo das danças, que vão de manhã até à noite, decorrem várias outras manifestações de mascarados, a saber: cenas de crítica aos acontecimentos do ano, na terra, no país ou no mundo; o ritual da lavra da praça; e a dança do cego. A festa culmina, ao fim do dia, num combate entre as duas partes. O chefe cristão é derrotado pela força; mas, quando tudo parecia perdido, eis que os seus seguidores surgem de rompante com uma enorme serpe e o libertam das mãos dos mouriscos. Tanto bugios e como mourisqueiros terminam com a dança do santo, sem vencedores nem vencidos. Esta festa subverte e investe muitas categorias da vida corrente sobre o bem e o mal; coloca em cena a relação com o diferente e prescinde da palavra, comunicando através da dança e da música.]

terça-feira, junho 26, 2012

Já rola a preparação da festa de 2013

Com a entrega do ramo pela Comissão de 2012, ao cair do dia de S. João, estava passado o testemunho e iniciava-se a contagem decrescente para a Festa de 2013.
A Casa do Bugio assumiu a responsabilidade de organizar a próxima edição da festa no quadro dos contactos que têm decorrido com a Câmara Municipal e com a Junta de Freguesia, com vista ao registo nacional da Festa de S. João de Sobrado como património imaterial, bem como à instrução e preparação da candidatura a património da UNESCO. A colaboração entre as três entidades vai ter de ser intensificada e foi entendido que aquela seria a melhor solução para que todos os passos a dar decorram da melhor forma possível.
O mais importante é que já há Velho da Bugiada e Reimoeiro designados e isso significa que a tradição vai continuar, cada vez mais viva e com crescente qualidade.
Uma palavra de reconhecimento é devida à equipa de mais de 40 mulheres que integraram a Comissão de Festas de 2012 pelo trabalho realizado.

sexta-feira, junho 22, 2012

"Talvez a mais extraordinária Festa de São João e uma das mais expressivas manifestações da cultura popular portuguesa", afirma especialista brasileiro



"Talvez a mais extraordinária Festa de São João e uma das mais expressivas manifestações da cultura popular portuguesa" - é assim que classifica a Festa de Bugios e Mourisqueiros um dos maiores actuais especialistas de culturas populares do Brasil, que esteve em Sobrado na festa de 2011.
Trata-se de Osvaldo Meira Trigueiro, professor e pesquisador do Programa de Pós Graduação em Comunicação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB, pesquisador da Rede Folkcom e membro da Comissão Paraibana de Folclore. Ele é doutorado em Comunicação pela UNISINOS/RS, jornalista profissional e "Folclorista Emérito do Brasil". Veio a Portugal para estudar as assim chamadas no pais irmão as "festas juninas", que nós aqui designamos por "festas dos santos populares". E desde logo comenta o que viu deste modo: "fiquei impressionado com a participação popular nas celebrações dos três santos do mês de junho em todo o país. É realmente uma das maiores festas populares dos portugueses, tão grande ou maior que o carnaval".
Este especialista brasileiro esteve presente nas festas de Santo António nos bairros lisboetas e veio, depois, a Sobrado. "Na Festa dos Bugios do Sobrado em Portugal, que fica a 15 quilômetros da cidade do Porto, o que assistimos foi uma festa rural de celebração do dia de São João com fortes características dos festejos carnavalescos da Idade Média", escreveu ele no seu blog FolkMídia.
E vê na festa sobradense pontos comuns com a festa do Divino Espírito Santo em Pirenópolis, no Estado do Goiás/Brasil, como sejam a luta imaginária de mouros e cristãos (a cavalo, no caso de Pirenópolis, como se pode ver na foto, abaixo); o uso de máscaras; e "a saída de blocos e troças que desfilavam pelas ruas da cidade com muita algazarra e críticas às autoridades civis e religiosas".
Para Osvaldo Trigueiro,"tanto as festas juninas como as festas de Corpus Christi teem as suas origens nas festas carnavalescas da Idade Média de celebração da chegada do verão no Hemisfério Norte e que chegaram com os colonizadores já adaptadas conforme determinava a religião cristã".
Noutra oportunidade farei alguns comentários a esta perspetiva, que, além de ser o olhar de um especialista, é uma visão exterior e, a um tempo distante e próxima o que lhe confere valor particular. Acrescentaria apenas que uma investigadora - Maria Joana Krom - está precisamente desenvolvendo um estudo de doutoramento na Universidade Nova de Lisboa, no qual analisa comparativamente três festas de lutas entre mouros e cristãos, uma festa espanhola, a festa de Pirenópolis e a Festa dos Bugios e Mourisqueiros, de Sobrado.

Para ler a peça completa do Prof. Osvaldo Trigueiro, clicar AQUI.


(Crédito das fotos: Osvaldo Meira Trigueiro)

quarta-feira, junho 20, 2012

Oportunidade: Ministério da Educação apoia projetos educativos

Há dias, escrevi aqui sobre a importância de o agrupamento de escolas pensar num projeto educativo que tenha por motivo a Festa de S. João de Sobrado.
O Ministério da Educação acaba de anunciar para o próximo ano letivo a instituição de prémios educativos de escola que, à partida, parecem articular-se bem com uma possível iniciativa em Valongo. Cito a notícia do site Educare:
"Trata-se de um prémio que pretende reconhecer quem contribui para aumentar a qualidade da educação. Vamos premiar boas práticas e o trabalho da comunidade escolar". Foi assim que o ministro da Educação, Nuno Crato, explicou qual a intenção de um novo prémio instituído pela tutela. O Prémio de Escola vai distinguir, todos os anos, os melhores projetos educativos e as melhores escolas do país do pré-escolar ao Ensino Secundário nas cinco áreas geográficas desenhadas no mapa educativo - Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve.(...)
Nuno Crato explica. "Iremos apoiar projetos científicos e culturais que consideremos relevantes. Esse apoio poderá ser feito ao nível da mobilização de professores, de material escolar ou, eventualmente, da realização de viagens". Não haverá dinheiro a circular.
(...)
O Prémio de Escola será anual e as candidaturas têm de ser apresentadas entre 1 de outubro e o último dia do primeiro período letivo de cada ano, numa página do site da Secretaria-Geral do MEC criada para o efeito. Os prémios da primeira edição serão entregues em maio do próximo ano. Guilherme de Oliveira Martins, presidente do Tribunal de Contas e ex-ministro da Educação, preside ao júri do prémio".

terça-feira, junho 19, 2012

Video sobre a Bugiada na Loja de Turismo do aeroporto do Porto


Um video sobre a Festa de S. João de Sobrado integra a animação visual do recém-criada Loja do Turismo do Porto e Norte, a funcionar no aeroporto Francisco Sá Carneiro, em Pedras Rubras. A animação em que o vídeo se inscreve abre amanhã, quarta-feira e prolonga-se até ao fim do mês.
A iniciativa de divulgação através deste vídeo amador contou com o envolvimento ativo da Câmara Municipal de Valongo e inscreve-se, segundo se pode ler no site da Edilidade, "no âmbito do processo de candidatura da Bugiada e Mouriscada a Património Imaterial da Humanidade da UNESCO".

Um número extra no programa deste ano



A tarde da véspera de S.João vai ser animada com um encontro-mostra de carros e motos antigos, o qual decorrerá no espaço nobre da vila (e da festa): o Passal. A iniciativa é da Comissão de Festas.
O programa, entretanto, arranca hoje à noite com o agrupamento musical Instintos Radicais.

segunda-feira, junho 18, 2012

Chuva: pode ser que não

Um fim de primavera meteorologicamente imprevisível e temperaturas baixas, para a época - assim tem sido o tempo nas últimas semanas. O ensaio final, de ontem, teve de ser feito no salão da Casa do Bugio e a carga de água que caiu foi forte. Mas é provável que não chova no S. João, se se confirmarem as previsões e se as do Porto (ver imagem) forem extensíveis a Sobrado. Pode ser que o S. Pedro dê uma ajuda.

domingo, junho 17, 2012

As escolas concelhias e o património imaterial da Festa

Esta é uma mensagem que dirijo em particular aos professores, dirigentes de agrupamentos, associações de pais das escolas do concelho de Valongo em geral e da vila de Sobrado, em particular:
As escolas estão a terminar um ano letivo e já a pensar naquele que aí vem. Como pode a tradição-mor de Sobrado fazer parte dos planos de atividades e da própria lecionação das matérias, nos vários ciclos de estudo, no âmbito do Concelho, mas particularmente no agrupamento da Vila de Sobrado?
Eu sei que alguma coisa já se vai fazendo. Ainda há dias ouvia a mãe de um aluno a falar de uma manifestação de fim de ano escolar relacionada com a Bugiada, e que exigia o uso de trajes.
Mas, tanto quanto julgo saber, nunca, até hoje, as escolas fizeram um trabalho em profundidade, pluridimensional, sistemático e envolvente de todos os parceiros educativos, tendo a Festa de S. João como motivo e como foco.
É verdade que ainda há pais (e provavelmente também professores e pais que são professores) que entenderão que a escola é para assuntos sérios, para estudar, para ensinar e para aprender e que era o que faltava gastar o pouco tempo que há com festas e folganças.


Nada mais errado, em minha opinião.  Esta Festa é um assunto sério.
Acham que é possível e correto, em Valongo e em Sobrado, falar em História das invasões árabes sem trazer para cima da mesa a festa da Mouriscada? Tratar a história e a geografia, sem aludir à Serra de Cucamacuca, à exploração do ouro, aos fojos, à lenda que está na base da festa?, ou, ainda, às indumentárias e vestígios históricos a elas associados?
É possível tratar trabalhar assuntos ligados às artes sem trabalhar as cores dos trajes, a natureza das músicas e dos ritmos da festa?
É possível abordar a educação física, o movimento e o corpo à revelia das danças, das coreografias, da resistência física?
Seria compreensível Sobrado sem a Festa da Bugiada e Mouriscada? Que importância tem a festa na vila, do ponto de vista da memória, da identidade, mas também do turismo, da economia, das relações sociais?
A resposta a todas estas perguntas- e muitas mais se poderiam fazer - é simples: possível é. Mas é desejável? É vantajoso?
Colocando a questão de outra maneira: será que, partindo, sempre que possível e adequado, da cultura local, dos conhecimentos dos alunos, dos contributos dos pais e avós, sob o comando dos docentes (claro está!) seria possível um ensino e uma aprendizagem mais motivadores e com mais sucesso, mais gratificante para os alunos e para os próprios docentes?
No momento em que, no plano concelhio, se está a preparar o registo nacional da Festa como património imaterial, condição para a eventual submissão ao reconhecimento como património imaterial da UNESCO, não seria compreensível que o Agrupamento de Escolas de S João não estivesse no coração deste processo, não apenas a apoiar, mas a participar ativamente, aquilo que lhe cabe e sabe fazer: ensinar, aprender, animar. Pelos sinais que já tenho visto, estou convencido de que vai estar e que vai ser um parceiro fundamental.
No momento em que se começa a programar o próximo ano letivo, é boa altura para pensar o que seria possível fazer, não apenas no âmbito extra-letivo, mas nas próprias aulas. Um bom projeto neste setor, além das vantagens que pode ter na escola e na comunidade, será um sinal de enorme importância na projeção externa da Festa. O modo como a festa se entrosa com a comunidade é um critério que é valorizado.
Seria necessário começar, desde já, a inventariar os recursos, iniciativas e apoios necessários, para viabilizar um tal desiderato.
(Foto: R. Roque)